sábado, 14 de junho de 2014

A união do PSDB é fundamental para preservar a democracia no Brasil

A última vez em que o PSDB esteve tão unido numa campanha eleitoral foi 1998. Não vou aqui me dedicar à arqueologia de por que, antes, foi assim ou assado. O fato é que o candidato à Presidência, Aécio Neves, conta com o pressuposto primeiro de uma campanha que pretende, claro!, ser vitoriosa: a união. Sem ela, não existe milagre. Para alcançá-la, é preciso que todos os atores estejam dispostos não exatamente a fazer concessões, mas a ouvir o “outro” e “os outros”. Mais do que tudo, entendo, desta vez, o PSDB não tinha o direito — sob o risco da autodissolução — de não ouvir fatias consideráveis do país que querem mudança. E a cobram com uma clareza que não se via desde 2002, justamente quando o PT venceu.
Notem que não faço juízo de valor sobre os desejos de antes e os de agora. Falo de demandas que estão na sociedade e às quais os partidos têm de responder. O PSDB não tinha, e não tem, o direito de se apequenar em divisões internas. O que se viu neste sábado é auspicioso. Lá estavam, e com muito mais solidez do que em jornadas anteriores, Aécio e José Serra de mãos dadas, sob o olhar de FHC, o tucano que venceu o PT nas urnas duas vezes, no primeiro turno.
Isso é uma declaração de voto? Não é, mas poderia ser — e não vejo por que os leitores devam ter desconfianças sobre em quem vou votar. Acho que minha escolha está clara. Mas isso é o de menos neste post. O meu ponto é outro. Não existe democracia sem oposição. Repito o que já escrevi dezenas de vezes: as tiranias também têm governo (e como!!!). Só as democracias contam com forças que se opõem ao poder de turno, buscando substituí-lo, dentro das regras do jogo. Sem oposição organizada, não existe governo legítimo.
Ocorre que esse não é um valor no petismo. Nunca foi. Ao contrário. Para o partido, os que se opõem à sua visão de mundo — mesmo àquela parcela eventualmente não criminosa — são sabotadores, são inimigos. E devem ser destruídos.
Desde que os petistas chegaram ao poder, resolveram dar início a uma falsa guerra entre o “nós”, que eram “eles”, e o “eles”, que eram os outros. De um lado, os donos da virtude, do bem, do belo, do justo; do outro, o contrário. Talvez seja o caso, então, de a oposição comprar essa briga e fazer o confronto entre o “nós oposicionista” e o “eles governista”.
Os tucanos têm uma história respeitável. Tiraram o Brasil da hiperinflação. Deram ao país uma moeda. Devolveram a nação ao cenário internacional. E o fizeram sem jogar o povo contra o povo. E o fizeram sem incitar a guerra de todos contra todos. E o fizeram sem estimular ódios e rancores. Ao contrário: sempre souberam, e sabem, que, como diz o velho bordão, a união faz a força. Os petistas, infelizmente, tentam se fortalecer jogando brasileiros contra brasileiros, como estamos cansados de ver. É assim que eles enfraquecem a sociedade para fortalecer um ente de razão chamado “partido”.
Mais do que nunca, acho que cabe aos tucanos deixar realmente claro que “eles”, tucanos, não são “os outros”, os petistas e seus aliados. Ou, nos termos propostos pelo PT, chegou a hora de deixar claro que, de verdade, “nós não somos eles”. E não é preciso ir muito longe para percebê-lo: há, por exemplo, tucanos e membros de gestões tucanas sob investigação. Não vi, até agora — e não creio que vá acontecer — o partido a demonizar a Justiça. Sim, há uma grande diferença entre se solidarizar com um aliado e atacar a instituição. Em defesa de mensaleiros, de criminosos condenados, o petismo não hesitou um só instante em achincalhar o Supremo, cuja composição é, de resto, de sua inteira responsabilidade.
Autoritários
A propaganda política terrorista que o PT levou ao ar, destaquei aqui, deixou claro que o partido não tem mais futuro a oferecer aos brasileiros. Agora só lhes resta o expediente, que também não é novo em sua trajetória, de destruir a reputação e o passado alheios e de recontar a história. Mais um pouco, os “historiadores” do partido ainda transformarão Lula no pai do “Plano Real”, e FHC no chefe do grupo que tentou sabotá-lo — e sabotar o país.
Dilma já não sabe por que governa e sabe menos ainda por que quer mais quatro anos. Essa gente é tão autoritária que inventa teorias conspiratórias até quando parte de um estádio de futebol expressa seu repúdio ao governo, segundo a linguagem, feia ou bonita, que se costuma usar em disputas assim desde as arenas romanas ao menos. Seus áulicos na subimprensa — um bando de vagabundos pançudos, pendurados nas tetas da propaganda oficial e de estatais — têm o topete de acusar, ora vejam!, a oposição e alguns jornalistas por manifestações espontâneas, que surgem sem paternidade.
Os petistas, no poder, sempre tentaram calar a oposição. Agora, acham que já é chegada a hora de calar o povo — ao menos a parcela do povo que ousa discordar. E sua concepção autoritária de poder está em curso, com lances novos, embora esperados, dado o seu projeto de poder. O Decreto 8.243, inspirado por Gilberto Carvalho, saído das catacumbas do PT, é a evidência de que o partido ainda não desistiu da ditadura do partido único.
A união do PSDB, demonstrada neste sábado, é fundamental para preservar a democracia no Brasil.
Por Reinaldo Azevedo

Bomba-Relógio

CELSO MING - O ESTADO DE S.PAULO
14 Junho 2014 | 02h 03

Bombas sempre podem ser desarmadas. Mas ninguém sabe ainda como o próximo governo, seja ele qual for, desarmará a bomba dos preços administrados.
Nada menos que um quarto dos preços da economia está represado por decisão do governo. Entre eles, os da energia elétrica, dos combustíveis e dos transportes urbanos. O objetivo foi segurar a inflação para evitar problemas políticos, especialmente em tempos de eleição. Há entre os analistas certo consenso de que esse represamento pesa entre 1,5 e 2,0 pontos porcentuais sobre a inflação. Ou seja, não fosse essa artificialidade, a inflação medida em 12 meses estaria acima dos 7%.
É uma situação que cria insegurança e, como o Banco Central (BC) tem avisado, também cria inflação, já que os formadores de preços estão levando em conta que, cedo ou tarde, as comportas serão levantadas e produzirão vagalhões. O problema é que a expectativa do represamento também cria inflação e insegurança, porque não deixa noção antecipada sobre que tamanho de tranco enfrentará a economia a partir de quando os ajustes forem providenciados. Em termos mais técnicos, a administração das expectativas fica prejudicada pela falta de clareza no horizonte.
A presidente Dilma já sugeriu que esses preços serão realinhados por um processo prolongado, a começar, provavelmente, logo depois das eleições. Questionado sobre os atrasos no reajuste dos combustíveis, o principal candidato da oposição à Presidência da República, Aécio Neves, respondeu um tanto vagamente que mais importante do que o tamanho do ajuste é a definição de regras do jogo. Mas não adiantou quais seriam.
Maquiavel ensinou que, em política, as maldades devem ser feitas de uma vez e as bondades, aos poucos. Isso sugere que melhor seria se as correções fossem feitas numa paulada só. Doeria mais, mas ficaria a certeza de que o problema estaria resolvido. Pior é ficar esperando mais pauladas de intensidades variáveis.
Interlocutor da presidente Dilma, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo tem recomendado que, iniciado o novo mandato, ou mesmo antes, os reajustes venham de uma só vez, para não deixar serviço por fazer.
Esse raciocínio vem levando observadores a prever para 2015 uma inflação de 7% a 8%. É um cálculo difícil porque implica variáveis fora de controle, como o realinhamento das cotações do dólar, também em fase de represamento (âncora cambial), e o nível de aperto da política de juros a ser adotada.
Por ora, o BC parece ter enveredado para a heterodoxia. Diz que ainda espera pelos efeitos do aperto dos juros, mas, na prática, parece ter desistido de contra-atacar a inflação, mesmo sabendo que, nos próximos meses, estará estourando o teto da meta (os tais 6,5% em 12 meses). Está mais impressionado com a desaceleração (para não dizer eventual retração) da atividade econômica.
A falta de direção clara deverá deixar o mercado financeiro descalço sobre brasas de fogueira de São João. Como está difícil prever as trajetórias da inflação, do nível dos juros e do próprio câmbio, também a formação dos preços financeiros futuros está sujeita a turbulências.

Quando Lula se apresentará como candidato?



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Desânimo com as chances dos candidatos petistas 
Em recentíssima conversa com um interlocutor, Lula respondeu assim a uma provocação sobre se não era a hora de ele apresentar-se candidato na eleição de outubro, dada a queda da taxa de aprovação de Dilma Rousseff nas pesquisas: “Ainda não é a hora”.
Por essas e outras é que o “Volta, Lula” não morre. Mesmo que de modo oblíquo, Lula alimenta o movimento.
A propósito, aos mais próximos Lula revela grande pessimismo com os candidatos petistas aos governos dos quatro maiores colégios eleitorais do Brasil. Embora nem sob tortura vá admitir de público, avalia que Alexandre Padilha, Lindbergh Farias e Fernando Pimentel não serão governadores. E teme pelas chances de Rui Costa na Bahia.
Por Lauro Jardim

Falso moralismo

Por João Luiz Mauad, publicado no Instituto Liberal
Muito oportuno o comentário do Constantino sobre alguns analistas que, vestindo o manto do moralismo barato e da falsa pudicícia, resolveram criticar a torcida brasileira que, no jogo de ontem, por diversas vezes, vaiou a presidente da república e cantou o velho refrão “ei, Dilma, vai tomar caju!”.
Constantino falou especificamente de um jornalista da Rádio CBN, mas não foram poucos os jornalistas esportivos que, na ESPN e no SporTV, em programas pós jogo, também criticaram a torcida pelo tratamento dado à presidente da república.  Destaque-se que, sugestivamente, muitos deles, sem conseguir disfarçar o petismo entranhado nas veias, referiam-se à presidente da república como “presidenta”.
A maioria daqueles críticos defendeu que o cargo ora ocupado por dona Dilma merece, no mínimo, respeito protocolar.  Outros tantos, demonstrando um machismo bizarro, mencionavam o fato de a presidente ser mulher.
Como assim?  Se fosse homem, tudo bem?  Ora, senhores, aquele refrão ecoa pelos estádios de futebol brasileiros desde priscas eras, normalmente cantado em homenagem ao juiz, mas muito utilizado também para homenagear técnicos, jogadores, bandeirinhas ou dirigentes.  Definitivamente, quem não quer escutar coisas do tipo não deve freqüentar estádios de futebol.
Ademais, o fato de Dilma ser uma mulher não altera nada.  Basta pensar que, apesar de pertencer ao dito “sexo frágil”, trata-se da pessoa mais poderosa do país atualmente.  Muito mais poderosa que qualquer homem.  Por outro lado, se olharem com cuidado as imagens, constatarão que boa parte dos xingamentos partiu justamente de mulheres.
Querem defender sua presidente?  Nada contra.  Todos somos livres para emitir as opiniões que quisermos e bem entendermos.  Mas, por favor, defendam seu partido e sua ideologia às claras, sem se utilizar de subterfúgios e falsos moralismos para criticar quem pensa diferente.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Venezuela-O desabastecimento chega à sala de cirurgia

O pior pesadelo da classe média da Venezuela, e em geral de todos aqueles que possuem planos de saúde, começa a virar realidade. As clínicas privadas começaram a sofrer os efeitos da prolongada escassez que afeta a Venezuela desde 2013 e a qualidade do serviço começa a cair. Isto não deixa de ser uma tragédia em um país cujos hospitais públicos estão em ruínas. Nos centros assistenciais mantidos pelo Estado, por exemplo, são adiadas durante meses as cirurgias aos feridos em acidentes de motocicleta por falta de próteses. Nas emergências e nas consultas os pacientes esperam por muito tempo devido ao déficit de médicos e materiais cirúrgicos. Muitos recém-formados preferem emigrar em busca de melhores oportunidades de trabalho.
Ainda que nas clínicas – a simples menção deste nome evoca a medicina privada na Venezuela – a falta de insumos não chegou a este extremo, suas diretorias estão mais do que preocupadas. Na semana passada a imprensa local publicou um informe da Associação Venezuelana de Distribuidores de Equipamentos Médicos, Odontológicos, de Laboratórios e Afins que denunciava o aumento de amputações dos membros inferiores nas clínicas e hospitais graças à escassez de stents periféricos, que dilatam as artérias para normalizar o fluxo de sangue das pernas e pés.
Cristino García, diretor da Associação Venezuela de Clínicas e Hospitais, confirmou à mídia venezuelana que isto aconteceu na medicina privada. Por falta de insumos, conta, estão sendo postergadas as intervenções eletivas como implantes cocleares (um dispositivo que permite recuperar a audição, especialmente de crianças entre 3 e 5 anos), cirurgias bariátricas (redução do tamanho do estômago em pacientes com obesidade mórbida) e a colocação de válvulas cardíacas. O protocolo para tratar de infartes do miocárdio retrocedeu uns 20 anos, segundo suas estimativas. Alguns médicos estão voltando a aplicar a estreptoquinase, um medicamento que dissolve os coágulos em pacientes que sofrem ataques do coração, por não ter stentscoronários, um dispositivo que dilata as artérias estreitas, para efetuar angioplastias.
A crise atual começou com discretas chamadas de atenção no final de 2013. Mas em 24 de abril de 2014 a direção publicou em sua página na internet um comunicado que mostrava a profundidade dos problemas operacionais. Há um mês e meio afirmavam que dos 239 insumos, fármacos e equipamentos médicos de uso corrente utilizados em seus estabelecimentos afiliados, 200 estavam esgotados no país e o resto se conseguia com muita dificuldade. Hoje García sente que esta situação não mudou. Reuniram-se em três ocasiões com o Ministério da Saúde e comprovaram as dificuldades burocráticas dos fornecedores nacionais para receber dólares, como a maioria dos setores do país.
Trata-se de um capítulo – mais um – que revela os estragos do controle de câmbio na economia local, em vigor desde 2003. Depois de 11 anoso modelo econômico chavista parece estar esgotado. Não chegam ao Governo os dólares subsidiados para entregar aos fornecedores das clínicas, os quais importaram insumos contando com este dinheiro. O elevado gasto público, os compromissos com as alianças políticas no Caribe e a impossibilidade de aumentar a produção de petróleo por conta dos problemas operacionais da Petróleos de Venezuela provocaram a acumulação de dívidas quase impossíveis de manejar com todo o setor privado, de vocação importadora por antonomásia. A corporação da medicina privada calcula que o Estado deve aos importadores locais de equipamentos médicos por volta de 1,3 bilhões de dólares (2,90 bilhões de reais) desde 2012. Depois de três reuniões, conta García, o Governo só pagou 10% deste compromisso.
O Governo assegura que saíram mais de 20 bilhões de dólares (44,68 bilhões de reais) em importações fictícias e que por esta razão está restringindo a entrega da moeda norte-americana. E deu a tarefa de revisar com lupa esta dívida que mantém com o setor privado. O Governo, enquanto isso, assumiu a intermediação de um esforço para reativar a economia, mas não teve melhor desempenho. Por vezes devido à ineficiência, em outras pela falta de perícia e em outras pelo setor não ter sido levado em conta. Este é o caso das clínicas. Cristino García diz que o Ministério da Saúde está importando material médico do Uruguai e da Argentina para o setor público para abastecer hospitais. A associação não está incluída entre os destinatários.
As cifras da inflação no setor de serviços hospitalares – 12,3% até março, muito mais que a média nacional de 9,8% até este mês – dão conta também da crise do negócio. Há um ano o governo regulou os preços que as clínicas privadas deviam cobrar por seus serviços. García afirma que 83% de seus afiliados fecharam o balanço de 2013 no vermelho. Depois de descrever todo este panorama não lhe restam dúvidas. “A medicina privada na Venezuela atravessa a pior crise de sua história”.
EL PAÍS

Os feriados e o PIB

Celso Ming
Se junho e julho já são naturalmente meses de festejo, férias e de menos trabalho, neste ano serão especialmente carregados de feriados gerais.
Se a seleção brasileira chegar às finais da Copa do Mundo, além da parada de ontem em São Paulo, haverá ao menos mais seis nas cidades que sediarão as partidas. No restante do País, servidores públicos e funcionários do setor privado devem ser liberados ao meio-dia ou ao menos três horas antes dos jogos, a depender do que for deliberado pelas autoridades locais ou, mesmo, pela direção das empresas. Cidades-sede de outros jogos da Copa, como Porto Alegre, Salvador e Recife, decretaram ponto facultativo nesses dias. No Rio, os dias com jogos no Maracanã serão feriado.
E qual será o impacto desse calendário atípico deste meião de ano sobre a atividade econômica do Brasil, que já não vinha bem das pernas?
"Os trabalhadores serão menos produtivos", adverte Fernando de Holanda Barbosa Filho, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). Para ele, o setor de turismo de negócios em São Paulo será fortemente prejudicado: "Ninguém marcou convenções, congressos, nem reuniões ou viagens profissionais nesse período de Copa".
Alessandra Ribeiro, economista da Tendências Consultoria, pensa diferentemente. Para ela, a quebra de atividade econômica não deverá ser relevante. "Já enfrentamos uma conjuntura enfraquecida e de competitividade em baixa. Isso é mais relevante do que qualquer efeito marginal que a Copa possa produzir."
O vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Azevedo, também acredita que os impactos serão meramente episódicos. "As perdas em horas trabalhadas têm influência pequena no atual cenário de perda de confiança", diz. Do lado positivo, haverá ligeiro aumento na demanda por bebidas, vestuário e itens de ornamentação: "Esse movimento já foi captado". Azevedo acrescenta que, apesar dos estragos no turismo de negócios, os setores a hotelaria e as atividades de entretenimento, como bares e restaurantes, também deverão ser beneficiados.
Fernando Fix, economista-chefe da Votorantim Wealth Management, calcula que os turistas estrangeiros devem deixar R$ 8,6 bilhões, o equivalente a 0,17% do PIB. "É um resultado macroeconômico de baixo alcance comparado com as dimensões da economia brasileira", afirma.
Os efeitos positivos a serem gerados pelo turismo, no entanto, ficaram aquém do esperado, argumenta Fernando de Holanda Barbosa Filho: "O impulso de demanda não se concretizou como se imaginava, da mesma forma como ocorreu na Olimpíada de Londres". As expectativas do setor hoteleiro, por exemplo, ficaram frustradas.
Mais relevante, para Fix, são os efeitos psicológicos provocados pela perda de confiança que aparentemente foi potencializada pela disseminação da percepção de que houve inversão de prioridades na utilização de verbas públicas: "Os atrasos e os estouros nos orçamentos das obras dos estádios e da infraestrutura podem ter contribuído em parte para essa perda de confiança", afirma. / COLABOROU DANIELLE VILLELA

Dora Kramer- Mistura de estações

Dora Kramer
Quando o Brasil foi escolhido como sede da Copa do Mundo, a ideia era que a euforia tivesse vida longa e que o governo estivesse agora sendo tão festejado quanto a seleção que ontem entrou em campo para derrotar a Croácia por 3 a 1.
A intenção era recolher dividendos políticos. A realidade, contudo, não permitiu o cumprimento dos desígnios e o que se vê é o governo perdendo a confiança da população devido à deterioração da economia, que assume uma dimensão superlativa justamente pela realização da Copa com seus gastos e atrasos.
Não é o resultado em campo que vai determinar o resultado das eleições, embora a ineficácia fora dele tenha contribuído bastante para que se consolidasse a percepção de que a capacidade do governo de "realizar" não correspondia aos fatos.
Sem muito a fazer para inverter a tendência de queda na intenção de votos e no aumento da rejeição nas pesquisas, a presidente Dilma Rousseff tenta nitidamente tirar algum partido da Copa. Faz uma manobra para virar o jogo e dizer que as coisas são o contrário do que na verdade são.
Diz a presidente que nem na ditadura se misturava o futebol com a política. Não é verdade. O ditador da vez a que se referia Dilma, em 1970, Garrastazu Médici, misturava sim. O que não havia era espaço para contestações, em manifestações. Não havia sequer eleições.
Agora ninguém está misturando nada com nada. O que há é uma insatisfação concreta com os serviços públicos, a ação de vândalos e a incapacidade do poder público, em todas as esferas, de responder de maneira adequada. Isso em relação a junho de 2013.
As promessas da ocasião ficaram pelo meio do caminho ou eram inexequíveis (Constituinte exclusiva para reforma política, por exemplo) e a baderna correu solta até espantar os manifestantes de boa-fé das ruas.
Em 2014, os protestos voltaram com outro perfil: categorias profissionais e movimentos, alguns politicamente instrumentalizados, que procuraram tirar proveito da visibilidade do Mundial para obter vantagens dos governos. Alguns com sucesso.
Mas não há nisso uma linha de ligação direta com os jogos propriamente ditos. A não ser aquela que a própria presidente estabelece quando atribui as críticas aos gastos e aos atrasos - o chamado mau humor geral - aos opositores do governo.
Dilma os qualifica de "pessimistas" e determina que foram "derrotados". Eram também assim chamados os que alertavam para a condução errática da economia enquanto o governo previa crescimento irreal do PIB e dizia que o aumento dos preços não era motivo de preocupação. Se alguma tese saiu derrotada aí não foi a dos que estavam sendo apenas realistas.
Agora a presidente faz uma manobra em que tenta confundir os críticos à incompetência governamental com maus brasileiros que torcem pela derrota da seleção. Foi esse o recado de seu último pronunciamento em cadeia de rádio e televisão.
Impossibilitada de colher os louros de uma organização à altura das promessas feitas sete anos atrás pelo antecessor, Lula da Silva, Dilma opta por criminalizar o senso crítico da população em relação aos deveres do poder público e a consciência de que a realização da Copa do Mundo no Brasil não é uma dádiva merecedora de gratidão eterna.
Se alguém está misturando as estações - de propósito e convenientemente com sinal trocado - é a própria presidente, que vai à televisão dizer que há uma campanha contra a Copa que, na verdade, é uma campanha contra o governo. Só faltou dizer explicitamente, porque implicitamente deu a entender, que quem não vota nela não gosta do Brasil. Por esse raciocínio, sua queda nas pesquisas é grave crime de lesa-pátria.
Tudo fantasia, fruto de manipulação marqueteira. Na batata, como se dizia antigamente, agora todo mundo vai torcer. E, em outubro, votar como bem entender.

Nelson Motta- Imagina depois da Copa


Lula chegou a atribuir o baixo crescimento do PIB ao mau humor dos empresários, trocando a consequência pela causa


Alguma coisa está dando errado e o estrategista João Santana deve estar muito preocupado: quanto mais se intensifica a propaganda oficial em todas as mídias, alardeando as realizações do governo e todos os ganhos com a Copa do Mundo, mais caem a aprovação e as intenções de voto da presidente Dilma e mais aumentam os seus índices de rejeição. E a Bolsa sobe.

Imagina depois da Copa, com metade do tempo do horário eleitoral na televisão ocupado por avassaladora publicidade triunfalista tentando convencer os eleitores que a sua vida e seu país estão muito melhores do que eles pensam. E que quem ganha salário de mil reais agora é classe média.

Não dá para rejeitar as pesquisas agora e aceitá-las há três anos, quando eram positivas. Nem responsabilizar a “mídia golpista”, se há dois ou três anos, apesar dela, a aprovação do governo era muito maior. Resta sempre a conspiração. Blogueiros oficialistas denunciam que todas essas manifestações que estão parando cidades por aumentos salariais têm o único objetivo de impedir a reeleição da presidente Dilma… rsrs.

Lula chegou a atribuir o baixo crescimento do PIB ao mau humor dos empresários, trocando a consequência pela causa. Mas quem azedou o humor de 70% da população? Se fosse Chávez dizia logo que era uma conspiração do Império e explicava tudo, mas aqui nem o Zé Dirceu ousaria tanto.

Como explicar que só pouco mais da metade dos delegados na convenção do PMDB, mesmo com o vice da chapa e todos os seus cargos no governo, tenha votado pelo apoio à candidatura de Dilma? Numa votação secreta, no escurinho da cabine… com delegados peemedebistas… vocês sabem como é… ainda bem que os peemedebistas não traem seus aliados… só quando é pelo bem do Brasil… rsrs.

A saia está tão justa que a estratégia de Dilma tem sido responder com veemência e cheia de razão… a acusações que não lhe foram feitas, mas não consegue se defender das evidências que provocam danos à sua candidatura: crescimento baixo + inflação alta + obras atrasadas = má gestão.

Se João Santana conseguir reverter isso, mereceria ser ele o presidente, e não Dilma.

Beckenbauer suspenso

Beckenbauer - Fifa aplica a primeira punição em relação ao escândalo das suspeitas de compra de votos pelo Catar para realizar a Copa de 2022. Franz Beckenbauer foi suspenso por 90 dias de todas as atividades do futebol por se recusar a cooperar com as investigações da entidade. (Jamil Chade, Rio de Janeiro - O Estado de S. Paulo)

Dilma vaiada em Copacabana

Do blog do Coronel

Dilma vaiada pelo povão em Copacabana.

Espaço na areia de Copacabana possui 42 mil metros quadrados Foto: Marcelo Piu / Agência O Globo
Às 17:09 de ontem, o Estadão publicava:

Ao aparecer no telão, a presidente Dilma Rousseff foi vaiada por torcedores presentes à Fifa Fan Fest na Praia de Copacabana. Até estrangeiros entoaram vaias. Já a entrada da seleção brasileira em campo foi muito aplaudida e o hino foi cantado. A área comporta 20 mil pessoas e está bem cheia.

Após as vaias, nas redes sociais, os defensores do PT alegavam que só houve vaias porque não havia pobres e, especialmente, negros no jogo de abertura da Copa do Mundo. Não podem dizer o mesmo sobre uma multidão, na praia mais popular do Brasil, em evento com ingresso gratuito.

Caio Blinder- A guerra em Siraque

Com suas operações de fusões e aquisições (sem esquecer as decapitações e crucificações), o grupo jihadista Estado Islâmico do Iraque e da Síria se consolidou como uma Internacional Terrorista, inspirada pela rede Al Qaeda, que investe no projeto sem fronteiras de um califado. O grupo prospera na porosa fronteira Síria/Iraque, que virtualmente desapareceu nos últimos meses, na avaliação de analistas como Andrew Tabler, do Washington Institute for Near East Policy.
Os militantes jihadistas realizaram um dos seus ataques mais audaciosos na terça-feira com a ocupação da estratégica Mosul, a segunda cidade do Iraque, o que compensa algumas perdas na frente síria, especialmente em confrontos com outras facções rebeldes (tanto moderadas como rivais islâmicos).
Na Síria, existe uma guerra civil dentro da guerra civil e o regime Assad “modera” seus ataques contra os mais radicais entretidos em combates contra grupos financiados e armados por países árabes como a Arábia Saudita e o Ocidente. Já no Iraque, foi um vexame para o governo de Nouri al-Maliki, o xiita que é próximo tanto de Assad como do regime iraniano, sofrer esta perda em Mosul para insurgentes sunitas. As tropas governamentais debandaram de Mosul e, nesta quarta-feira, os dados eram de mais de 500 mil refugiados.
Onze anos depois da invasão do Iraque por George W. Bush e dois anos e meio da retirada das tropas americanas, o conflito teve uma mutação. Temos a guerra em Siraque, devido ao contágio da guerra civil síria no Iraque. É provável que os militantes do Estado Islâmico do Iraque e  Síria não consigam controlar a estratégica Mosul por muito tempo (embora seja bom lembrar que as tropas iraquianas ainda não conseguiram retomar outras cidades importantes ocupadas como Fallujah e Ramadi). A vitória psicológica é escancarada e o golpe político contra o governo Maliki é imenso.
E está claro como foi precipitado decretar o sucesso da contra-insurgência americana no Iraque, uma alegação que facilitou a retirada das tropas do país. O negócio é decretar vitória e cair fora. Nem pensar em regressar. Em 2007, o comandante de uma brigada americana, o coronel Stephen Twitty, disse a o jornalistas que “nós realmente vemos Mosul como um modelo para todo o Iraque”, ou seja, o modelo de contra-insurgência de atuação conjunta de tropas regulares com tribos azeitadas com dinheiro para combater a insurgência sunita. No entanto, o que vemos hoje é o controle de partes de Falluja e Ramadi pelos jihadistas.
O Estado Islâmico do Iraque e da Síria tem uma área de influência que se estende do leste da Síria ao oeste do Iraque. Seu comando é composto de veteranos de uma década de insurgência contra as tropas americanas no Iraque e também contra os xiitas. Seus militantes vieram de todas as partes do mundo árabe, assim como da Europa Ocidental, Cáucaso  e sul/sudeste da Ásia, delirando e matando em nome deste califado no fértil terreno da guerra civil síria, especialmente quando os grupos rebeldes mais moderados não conseguiram virar o jogo no começo do conflito. Em termos concretos, existe um enclave militante binacional e, em termos estratégicos, os jihadistas querem enfraquecer o já frágil estado iraquiano e expandir o teatro de operações na Síria.
Os jihadistas deverão saquear o que puderem em Mosul, além de cobrar por “proteção (são terroristas mafiosos), em lances que deverão vitaminar o grupo na Síria. A guerra civil no país apenas parcialmente controlado por Assad está longe de fim e o Iraque é palco de uma escalada de sectarismo. Na Síria, os americanos vacilam em armar rebeldes que combatem Assad, que, por sua vez,  é municiado convictamente por russos, iranianos e conta com tropas do Hezbollah, o movimento terrorista xita no Líbano. Já no Iraque, os americanos fornecem armamento pesado para o governo Maliki. O poder de gente como o genocida Assad e o sectário Maliki alimenta os insurgentes sunitas nos dois países e mobiliza militantes multinacionais no planeta Jihadistão.
A invasão americana guindou os xiitas ao poder no Iraque e vitaminou o regime iraniano. O Ocidente sente azia do regime Assad e teme os jihadistas sem fronteiras. Não ajudou quem deveria ter ajudado lá atrás, conforme salienta agora o ex-embaixador americano na Síria, Robert Ford, um defensor da assistência a grupos mais moderados e que após renunciar ao cargo governamental está à vontade para criticar a política oficial.
Neste quadro poroso na Síria e no Iraque, hoje quem é amigo? Quem é o maior inimigo? Siraque não é para amadores.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Grupos de interesse organizados e o Decreto 8.243

Por Bernardo Santoro, publicado no Instituto Liberal
O Decreto n. 8.243/14 entrou em debate no Congresso Nacional. Tem por objetivo instituir a Política Nacional de Participação Social – PNPS e o Sistema Nacional de Participação Social – SNPS, de modo a “fortalecer e articular os mecanismos e as instâncias democráticas de diálogo e a atuação conjunta entre a administração pública federal e a sociedade civil” (art. 1o). O Congresso ameaça anular o decreto através de um Decreto Legislativo, após pressão de parte da sociedade e da imprensa contra o seu teor.
O conceito de sociedade civil organizada, historicamente, se refere às organizações voluntárias com finalidades específicas promovidas por indivíduos, em conjunto, sem relação com o Estado. Portanto, a característica básica do conceito de sociedade civil organizada é justamente se contrapor ao Estado através da sua auto-organização com fins específicos, que podem ter a ver com interesses sociais mais amplos, como caridade e filantropia, ou até mesmo de ajuda mútua com fins mais egoístas, como clubes e sindicatos.
Já a mistura dessa sociedade civil, que deve ser autônoma e anti-estatal por excelência, com a estrutura de Estado, a descaracteriza. A sociedade civil deixa de ser vista como associação voluntária autônoma de fins específicos e passa a ser um grupo de pressão política para promoção de interesses organizados, ou, para ser mais específico, uma gangue de lobistas.
Portanto, essa lei que regulamenta a “participação da sociedade civil na gestão pública” está praticando um eufemismo. Essa lei nada tem a ver com participação popular, tem a ver com lobby de agentes politicamente organizados. É a institucionalização do lobby junto ao poder executivo, tal como já existe hoje junto ao poder legislativo e judiciário através das chamadas “audiências públicas”.
Na verdade, deveria haver um debate anterior ao Decreto em si, acerca da legitimidade do lobby junto aos governos para busca de fins particulares. Uma das minhas maiores preocupações sempre foi o uso da máquina pública para fins particulares. Frederic Bastiat já denunciava o uso da máquina do Estado para “falsas filantropias” com dinheiro alheio há mais de duzentos anos. Com a descaracterização do princípio liberal da isonomia, que assegurava o tratamento igualitário de todos perante a lei e o Governo, sem distinção de qualquer natureza, por uma visão de tratamento de “desiguais a partir da desigualdade”, toda uma série de favorecimentos pessoais passou a ser institucionalizada e legitimada a partir da discussão democrática, onde o grupo de interesse mais forte e organizado lesava toda a sociedade.
Há quem defenda, no entanto, a legitimidade do lobby como sendo parte do jogo democrático. Quem considera válido o referido Decreto certamente entende que lobbies são parte da vida democrática e que é legitima a distribuição forçada de parte da riqueza social para esses grupos de interesse se os mesmos saírem como vencedores da contenda política, seja através de eleições, seja através da pressão junto a órgãos do poder executivo, tal como esse Decreto dispõe e regulamenta. Eu, certamente, não sou uma dessas pessoas. Ainda acredito na moralidade da propriedade privada, da produção livre e do enriquecimento através da satisfação de consumidores e não da pressão política.
E essa moralidade precisa ser levada em consideração. O Deputado Federal Alessandro Molon (PT/RJ) declarou, de maneira bastante espirituosa a meu ver, que “se os partidos de direita não têm inserção social, não tem base social, lamento, mas isso não podemos resolver”. Essa declaração é equivocada na premissa da existência de partidos com vocação de direita no Brasil. O movimento liberal brasileiro está agora criando um partido de direita liberal (o Partido Novo) e o movimento conservador brasileiro está agora descobrindo o PSC como partido de direita conservadora, e só agora o próprio PSC se descobre como partido conservador. A declaração do Deputado seria absolutamente correta se ele declarasse que “liberais e conservadores não têm inserção em movimentos sociais”. Isso sim seria uma verdade irrefutável. E não têm inserção porque esses cidadãos não têm tempo e dinheiro à disposição para participar de tais movimentos, pois, dentro da própria moralidade desses cidadãos, eles estão exercendo sua propriedade privada criando produtos e serviços no mercado para enriquecer através da satisfação de consumidores. A moralidade liberal e conservadora é avessa, pela sua natureza, ao saque estatal (obviamente não estou aqui me referindo aos movimentos conhecidos como neoliberais e neoconservadores, que distorcem as referidas visões clássicas com fins de saque estatal), e seus afiliados estão no mercado, trabalhando, produzindo e gerando riqueza.
Isto posto, cabe agora a pergunta: exatamente para que servem os tais conselhos e comissões de políticas públicas criados pelo Decreto? De acordo com o art. 5o, o Governo deve “considerar” o que foi deliberado por esses órgãos. Mas o que é “considerar”? É aplicar suas ordens diretamente? Indiretamente? São diretrizes? Essas questões restam não respondidas. Podemos trabalhar com duas possibilidades:
1 – Os conselhos e comissões tem algum poder de fato ou de direito: se isso ocorrer, trata-se de uma quebra de fato do processo democrático, que é um dos pilares da Constituição. As políticas públicas deixariam de ser feitas por representantes democraticamente eleitos e passariam a ser elaboradas por pessoas sem nenhuma legitimidade, exercendo poder justamente porque tem tempo para estar nas comissões por não estarem trabalhando e produzindo para a sociedade, o que traz péssimos incentivos econômicos e questionamentos sobre a moralidade das fontes financeiras que estão mantendo extra-oficialmente esse militante dentro dos conselhos;
2 – Os conselhos e comissões não tem nenhum poder de fato ou de direito: se realmente essa é a realidade, como defendem certos juristas ligados ao PT, então simplesmente não há necessidade nenhuma de se ter qualquer conselho ou comissão, e a presença lobista desses movimentos sociais podem continuar a ocorrer como se dá atualmente, diretamente juntos aos gestores e agentes políticos, sem que o Estado precise usar recursos que seriam melhor destinados em escolas e hospitais para bancar a estrutura física e os gastos dessas comissões, pois ainda que os comissários não sejam remunerados, há uma série de gastos para o exercício dessa atividade que seriam custeados pelo Governo em detrimento de reais necessidades públicas.
Em suma, na melhor das hipóteses, esses conselhos são inúteis e dispendiosos. Na pior das hipóteses, são instrumentos anti-democráticos e também dispendiosos.
O que o Brasil precisa agora não é de mais instrumentos de facilitação de lobbies. O que precisamos é desmontar esse aparelho estatal que distribui benesses de maneira concentrada para grupos de interesses específicos, sejam eles “populares” ou “burgueses”. Precisamos atacar e não montar esses “sovietes” modernos que criam benefícios imerecidos para movimentos sociais, e também atacar e desmontar os BNDES e agências de fomento que subsidiam grandes empresários às custas de todos, o que também é um problema grave de favorecimento pessoal no Brasil.
Legitimar um lobby através da existência prévia de outros lobbies vai apenas nos transformar em um Estado em que todo mundo enriquece através das conexões que possui, e não através do valor da sua produtividade para a sociedade. E essa é uma receita certa e infalível para o caos sócio-econômico.

Quem foi o culpado?

Vaiada
Vaiada
O Planalto tomou todas as precauções para evitar vaias para Dilma Rousseff  no Itaquerão (leia mais aqui). Mas algo saiu errado e um dado fundamental para a estratégia anti-vaias falhou: Dilma apareceu nos telões. E, claro, foi vaiada.
Agora, seus assessores, atônitos, buscam explicações para a falha.  Havia mesmo uma combinação com os responsáveis pelas imagens de não filmá-la? E, se havia, quem descumpriu o combinado?
Por Lauro Jardim

NÃO FOI ROMPANTE

Espetáculo no STF
Espetáculo no STF
O espetáculo encenado ontem no STF por Luiz Fernando Pacheco, advogado de José Genoino, não foi um rompante. Na véspera em Brasília, num jantar em homenagem a José Gerardo Grossi, Pacheco já antecipava a interlocutores que faria o que fez. No script não estava, por certo, o final  da cena ao estilo pastelão.
Por Lauro Jardim

Contas Abertas-Dilma faz comparações inadequadas sobre gastos da Copa

12 de junho de 2014 
Dyelle Menezes, Gabriela Salcedo e Marina Dutra
Infográfico certoA comparação utilizada por Dilma Rousseff em pronunciamento realizado na terça-feira (10), em rede nacional, foi, no mínimo, inadequada. O que ela chamou de “investimento”, termo utilizado pela presidente para classificar os R$ 1,7 trilhão desembolsados para Saúde e Educação, na realidade envolve, predominantemente, despesas correntes.
A natureza de despesas “Investimentos” engloba apenas os dispêndios com obras e compra de equipamentos, ou seja, aqueles que contribuem diretamente para a formação ou aquisição de um bem de capital. É nessa modalidade de despesa que se encaixam os gastos com os estádios.
Não foi nesses moldes que Dilma contabilizou o investimento em Saúde e Educação. Conforme pesquisa realizada pelo Contas Abertas, para chegar aos R$ 1,7 trilhão, juntou-se o valor global gasto tanto pelo governo federal, quanto pelos estados e municípios nas respectivas áreas. O número inclui todas as despesas com custeio, como água, luz, vigilância, manutenção e pagamento de pessoal, ou seja, vai do cafezinho da recepção do hospital ao giz da sala de aula.
O deputado Romário (PSB-RJ) afirmou ser lamentável a presidente da República dissimular números para confundir a população. “Ela não pode comparar investimentos em estádios com o orçamento global para saúde ou educação. Investimentos com estádios devem ser comparados com investimentos na construção de hospitais ou escolas”, afirmou o parlamentar.
Com a contabilização da despesa global, Dilma procurou demonstrar que o governo teria “investido” 212 vezes mais em Saúde e Educação do que o valor gasto em estádios – R$ 8 bilhões, tornando ínfimo o valor das arenas. A comparação leva em conta todo o valor empenhado na “ Função Saúde” e na “ Função Educação” , na União, nos estados e nos municípios, entre 2010 e 2013, período em que os estádios estavam sendo construídos.
O parlamentar também destacou que alguns estádios, em sua maioria financiados com dinheiro do governo federal, serão pagos pelos estados e municípios – além do Distrito federal – , com recursos públicos . Dessa forma, segundo ele, não é correto, por exemplo, comparar o valor que a União gasta com saúde com os R$ 1,6 bilhão que o Distrito Federal gastou com construção do Mané Garrincha.
“Dilma está tentando defender o indefensável e cada dia se enrola mais com suas próprias palavras”, defende Romário.
Em termos de comparação, com os R$ 8 bilhões gastos na construção dos estádio seria possível construir 4.000 Unidades de Pronto Atendimento (UPA 24h) de porte II, que cobrem locais que possuem entre 100 mil e 200 mil habitantes e recebem até 300 pacientes diariamente.
Com o valor também seria possível erguer 2.263 escolas com capacidade de 432 alunos por turno, cada. Uma escola com 12 salas de aula e quadra coberta, financiada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), custa R$ 3,5 milhões.
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Aliados em fuga

Dora Kramer- O Estado de São Paulo
Depois de 40% dos convencionais do PMDB explicitarem sua discordância com a renovação da coalizão com o PT para a reeleição da presidente Dilma Rousseff, significando que parte robusta da mão de obra do partido não fará campanha para ela, agora é a vez de o PSD se rebelar contra a aliança.
O desconforto vem crescendo na mesma proporção da queda dos índices de intenção de votos e do aumento do grau de rejeição da presidente nas pesquisas.
Os dados apurados pelo Datafolha sobre São Paulo foram considerados definitivos: no maior colégio eleitoral do País, ela aparece praticamente empatada com o tucano Aécio Neves no primeiro turno e no segundo perderia tanto para ele quanto para Eduardo Campos por larga margem.
Em uma conversa marcada para ontem com o ex-prefeito Gilberto Kassab, o secretário-geral do PSD, Saulo Queiroz, seria o porta-voz da cobrança por uma definição imediata e radical. Quer dizer o seguinte: não apenas por uma aliança com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, assumindo o lugar de vice na chapa pela reeleição, mas um rompimento no plano nacional.
Uma volta atrás na palavra empenhada de que o partido estaria com a presidente em quaisquer circunstâncias. Em São Paulo a união com o PSDB seria uma mera "soma de conveniências", com suspensão temporária da antipatia mútua entre Alckmin e Kassab.
Em relação à eleição para a Presidência, o argumento para a ruptura é o seguinte: o compromisso do PSD nunca foi com o PT e sim com Dilma Rousseff; na medida em que sua candidatura "derrete" (sim, essa é a expressão usada), o partido não pode nem deve se sentir obrigado a derreter junto.
O ambiente interno no PSD é de rebelião contra a aliança, sentimento que pode vir a se expressar na convenção do partido marcada para o fim do mês.
O cenário ideal na avaliação dos pessedistas seria Kassab aceitar romper com Dilma e negociar uma aliança formal com o PSDB e a indicação do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles para vice na chapa de Aécio Neves.
Pelo sim, pelo não, fato é que o tucano havia decidido anunciar seu vice antes da convenção do partido marcada para o próximo sábado. Mas agora faz suspense e deixa no ar a possibilidade de deixar o anúncio para depois, a fim de avaliar se insiste na chapa puro-sangue ou se consegue atrair algum aliado que acrescente capital eleitoral.
Fonte segura. Defensor do financiamento público de campanha, o PT já arrecada boa parte desse tipo de recurso por meio do dízimo que os filiados empregados na máquina pública são obrigados a pagar ao partido.
Ao fim e ao cabo, significa transferência do dinheiro do contribuinte - petista ou não - para os cofres da agremiação. No início do primeiro governo Lula, a oposição levantou essa questão, mas estavam todos tão encantados com o "governo operário", ao qual tudo era permitido, que ninguém deu atenção.
Faca no peito. A ex-senadora Marina Silva tem todo o direito de não gostar da decisão do PSB de São Paulo de apoiar o governador Geraldo Alckmin.
Só não dispõe da prerrogativa de tentar impor sua vontade à resolução de seção regional de um partido ao qual escolheu se filiar quando sua própria legenda não obteve registro na Justiça Eleitoral.
Marina ameaça não participar da campanha de Eduardo Campos em São Paulo se a convenção do PSB não mudar a resolução do diretório para seguir a orientação dela.
Se a ideia da ex-senadora era comandar, deveria ter-se filiado a um partido que lhe desse a legenda para concorrer à Presidência, e não se oferecer ao PSB, aceitando a condição de coadjuvante de luxo. Pela ordem natural das coisas, protagonista será, assim que a Rede Sustentabilidade obtiver o registro.
Aí terá legitimidade para mandar e desmandar.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Leiam o diz este professor. É a nossa realidade educacional. - Um professor liberal no ensino público


R. Penny *, publicado no Instituto Liberal
O relato pessoal de um professor de História da prefeitura de São Paulo que revela o caos e o domínio esquerdista na educação pública brasileira
Sou professor concursado. Funcionário público. Tenho estabilidade e só posso ser exonerado se aprontar algo cataclísmico. Recebo rigorosamente em dia, sou crivado de benefícios trabalhistas, posso faltar quando quiser sem ser incomodado e não tenho de apresentar resultados. Ao final da carreira gloriosa, terei direito a aposentadoria integral.
Sobrevivi à dominação comuno-petista e à coação explícita das esquerdas terroristas na universidade.
Formei-me em história, o maior reduto “intelequitual” da corja. Não tive uma mísera aula sobre História Medieval ou uma definição político-social do Império Romano. Era apenas doutrinação marxista. Qualquer postura liberal era rechaçada de imediato pela maioria estridente.
De posse do canudo, passei num concurso, para, literalmente, buscar “endireitar” um pouco o ensino de História, atualmente agonizando nas mãos dos guevaristas.
Leciono para 6° e 7° anos do Ensino Fundamental numa escola na periferia paulistana, reduto que se considera acarinhado pelo PT por receber o assistencialismo comprador de votos do partido. Tenho quórum constante. Meus alunos não faltam nem sob chuva de enxofre com medo de perder o benefício do leite ou o bolsa-família. A presença maciça é um ponto positivo, mas seria melhor se ao menos trouxessem o material escolar (que receberam integralmente da prefeitura). Anos de permissividade e tolerância à indisciplina os tornaram imunes aos poucos mecanismos de controle que tenho. Damos o material, mas não podemos exigir que o levem. Damos o uniforme, mas não podemos impedir que entrem se estiverem sem ele, e em tempos de funk ostentação, o desfile fashion se torna inevitável. O Estatuto da Criança e do Adolescente os garante. Não há fator que posso impedir o Acesso e Permanência.
E isso os alunos aprenderam. Podem não ter aprendido a decompor frações, a enumerar a herança filosófica grega e a conjugar o futuro do pretérito, mas aprenderam que, perante a lei, são inimputáveis.
Alunos me xingam e me afrontam porque represento a autoridade que eles aprenderam nas manifestações recentes a repudiar, vendo a polícia apanhar nos protestos e ainda ser considerada a culpada por isso.Fui recentemente ameaçado de ir parar “na vala” por ter erguido minha voz com um aluno. Não sou “melhor do que ele” para querer impor minha vontade. Palmas para Paulo Freire!
Não há livros didáticos para os trinta e cinco alunos de cada sala. Por ser material compartilhado, há nas páginas pichações toscamente grafadas, com xingamentos e palavras de baixo calão, com crassos erros de ortografia.
Sou orientado a usar o livro deteriorado, mesmo sendo uma tranqueira escrita por prosélitos de Fidel. Outros materiais de apoio não podem passar disso, textos de apoio, comprados com meu dinheiro. A escola não tem condições de tirar cópias a meu bel-prazer. A verba da escola tem outros importantes destinos. Não está sujeita aos meus caprichos pedagógicos e ideológicos.
Há um laboratório de informática excelente. Não posso reclamar. O professor responsável é formado em geografia. Não tem preparo. Fez dois cursos na Diretoria Regional de Educação, ministrados por alguém que deve saber menos que ele e não consegue orientar-nos a como usar o ambiente. Os alunos usam o laboratório como lan-house. A burocracia para usar o equipamento para, por exemplo, fazer uma pesquisa em sala sobre os benefícios da Revolução Industrial é desalentadora. Querem que os alunos fiquem com a opinião do livro. Foi a Revolução do Capitalismo Perverso e Assassino.
Na sala dos professores a situação é ainda mais inominável. Num quadro de avisos um aviso de greve “eminente”. Sei que a categoria presta histórica reverência ao “grevismo”, não obstante, o erro ortográfico, em tal ambiente, deveria ser imperdoável. Não conhecem a diferença entre “iminente” e “eminente”, nem o contrassenso crasso que é um funcionário público concursado, prestador de um serviço essencial, entrar em greve para questionar o salário que aceitara ao ler o edital, prestar o concurso e tomar posse do cargo.
Recebemos “formação” diária. Oito horas-aula por semana a mais no holerite. É o momento em que os educadores se reúnem e atualizam-se. Mostram as fotos da viagem de fim de semana que postaram no “face”, fazem pedidos nas revistas “Avon” e “Natura” que proliferam-se no meio mais do que qualquer livro de pedagogia. Entre uma ação pitoresca e outra, motivos de greve são aventados, afinal, ninguém é de ferro.
O representante do sindicato aparece mais vezes na escola que o supervisor da Regional. Também cumpre seu “papel” de forma mais efetiva. Há sempre a possibilidade de um novo levante irromper se um abono, benefício ou exigência da “categoria” não for acatado.
O Conselho de Escola, como propagam orgulhosamente, é soberano. Toma as decisões que ditam o rumo das verbas. Definiu a compra de um telão para a Sala de Leitura. Agora, graças ao Conselho, os alunos entram na sala, onde há oito mil livros, para assistir comédias de gosto discutível e animações da Disney. A professora de Sala de Leitura sorri e não esconde que a situação melhorou muito. Agora ninguém tira os livros do lugar e lhe dá trabalho extra. Os oito mil livros, adquiridos às expensas dos contribuintes, estão protegidos da ação dos desavisados que poderiam cometer a temeridade de querer lê-los. Estão agora onde querem que estejam: adornando prateleiras.
Em flagrante desrespeito aos alunos frequentes, se um desaparece por seis, sete ou mesmo oito meses inteiros, devo proporcionar a ele a oportunidade de fazer um (!) trabalho de compensação que apague suas faltas. O trabalho, me explicam os superiores, não deve ser difícil demais. Apenas uma documentação para o prontuário que garanta a promoção do aluno para o ano seguinte, sem ter frequentado este. E lá vou eu, passar de ano, rumo ao Ensino Médio, um analfabeto que me imprimiu uma página da wikipedia e colocou o primeiro nome em cima, em garranchos de letra de forma, já que ele não aprendeu a cursiva e foi promovido mesmo assim.
Chega a reunião pedagógica bimestral e lá vamos nós, receber um pouco mais de “Paulo-Freirezação”. Tudo de acordo com a cartilha. Nós fingimos que ensinamos e eles fingem que aprendem.
Mas tudo bem. Temos estabilidade, aposentadoria integral e, claro, greves bienais que aumentam nossos benefícios regularmente.
* Professor de História

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