sábado, 30 de novembro de 2013

“Após contar para ela quem são os nossos futuros presidenciáveis, vi a Esperança fazer a mala e ir embora.” (Pócrates)

“Dizem que se parecemos com nossos donos. Eu não sabia que era um mau-caráter.” (Bilu Cão)

“Para saber-se ignorante é preciso estudar muito.” (Filosofeno)

“Embarquei minha saudade nas asas de um passarinho. Lá vai ela visitar você.” (Mim)

ÔNIBUS BRASIL

Um ônibus lotado de turistas brasileiros subia pelos Andes, abismos assustadores deixavam inquietos os passageiros. O veículo apresentava ruídos estranhos, que todos a bordo notaram. Por diversas vezes foram falar com o motorista sobre isso, que apenas dizia: “tudo normal, logo ali na frente vai parar.” Assim foi até que o ônibus despencou pela ribanceira. Quando parou lá embaixo, um dos viajantes que não estava totalmente quebrado perguntou para o colega:
”Como é mesmo nome desse motorista filho da puta?”

“Parece que é Mantega”, respondeu o outro se esvaindo em sangue.

“E como dizia um amigo surdo-mudo que também não falava por sinais, pois lhe faltavam todos os dedos: “Quem muito anda com morcegos acaba dormindo de cabeça para baixo.” (Mim)

"Gato calado também bebe leite e puder come o passarinho.” (Eriatlov)

“O eleitor gosta de ser comprado e nós gostamos de comprar. Assim só temos compromisso da boca para fora.” (Deputado Arnaldo Comissão)

“Se eu tiver que escolher entre o Papa e o ar-condicionado, irei escolher o ar-condicionado.” (Woody Allen)

“Pior do que ter um Papa argentino só mesmo se ele fosse o Maradona.” (Mim)

“O mito diabo só prolifera em mentes onde abunda a ignorância.” (Filosofeno)

“Colocam maldades feitas na minha conta. Dizem que entro no corpo das pessoas para cometer barbaridades. Eu não entro no corpo de ninguém, na verdade não estou entrando nem mesmo no corpo de minha mulher.” (Satanás)

Ah, que inveja da Alemanha! Que inveja! Uma coligação de governo sem maracutaia!

Ricardo Setti-Veja


Angela Merkel e seus aliados, Sigmar Gabriel, presidente do SPD (esq), e Horst Seehofer, presidente da CSU (dir.) (Foto: Michael Sohn / AP)
Merkel com seus aliados, o presidente do SPD, Sigmar Gabriel (esq.), e o presidente da CSU, Horst Seehofer: coligação de governo séria, em um pais sério onde, segundo a revista “The Economist”, “a palavra sério quer dizer exatamente isto” (Foto: Michael Sohn / AP)
Esta semana a chanceler da Alemanha, Angela Merkel — a governante mais poderosa da Europa e uma das líderes mais influentes do mundo — fechou um acordo para que seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU) e seu partido irmão União Social-Cristã (CSU), do Estado da Baviera, governasse em coligação com os tradicionais adversários do Partido Social-Democrata (SPD).
Merkel terá uma maioria esmagadora: num Parlamento de 631 deputados, como o Bundestag alemão, terá uma bancada de 503.
E sabem como se procedeu a aliança com os social-democratas?
Merkel NÃO aparelhou o governo com os sindicalistas aliados do SPD para agradar os novos aliados.
Merkel NÃO loteou cargos de confiança no governo entre os partidos da coligação.
Merkel NÃO prometeu destinar “emendas parlamentares” para que os deputados da coligação distribuam verbas em fontes luminosas e ginásios de esportes em suas regiões de origem.
Merkel NÃO decidiu rechear as seríssimas e rigorosas agências reguladoras do governo alemão — em áreas como telecomunicações, transportes terrestres, aviação e energia — com cupinchas dos aliados, nomeados (como ocorre no Brasil) por sua ideologia ou militância, e não por sua competência.
Merkel NÃO resolveu aumentar os atuais 14 Ministérios existentes para abrigar políticos.
Merkel, é claro, NÃO acertou qualquer mensalão para atrair deputados para a base de apoio de seu governo.
Merkel, em suma NÃO FEZ NADA do que se costuma fazer no Brasil do lulopetismo, em nome desse monstro invisível chamado “governabilidade”, que justifica todo tipo de atropelo ao bom senso, à meritocracia e à moralidade pública.
O que fez a firme chanceler alemã, há oito anos e três eleições no poder, para fechar uma coligação que vai permitir que governo tranquilamente por todo seu mandato de quatro anos?
Merkel fez o que se faz nos governos decentes de países sérios — e, como escreveu há algum tempo a revista britânica The Economist, a chanceler vem conduzindo “um governo sério, num país sério onde a palavra sério quer dizer exatamente isto”: discutiu, durante um mês, em que medidas para o bem da Alemanha democratas-cristão e social-democratas — que divergem em inúmeros pontos — concordam.
O Bundestag, o parlamento alemão: entre 631 deputados, Merkel terá o apoio de 503 -- sem mensalão, sem aparelhamento do Estado, sem aumentar o número de ministérios... (Foto: bundesfinanzministerium.de)
O Bundestag, o parlamento alemão: entre 631 deputados, Merkel terá o apoio de 503 — sem mensalão, sem aparelhamento do Estado, sem aumentar o número de ministérios… (Foto: bundesfinanzministerium.de)
Os pontos sobre os quais ambos concordam foram a ponte para o acerto político. Mas, em se tratando de um pais sério, esses pontos foram esmiuçados em um sólido documento de 170 páginas contendo o programa que o governo de coalizão entre dois grupos adversários executará.
As 170 páginas prevêem, com detalhes, como se darão as melhoras no sistema de previdência social, em quais projetos serão aplicados os investimentos adicionais na área de educação e pesquisa científica, o que deve ser feito para aperfeiçoar e ampliar os sistemas de transportes (rodovias, as já fabulosas autobahns, e ferrovias), o estabelecimento por lei, a partir de 2015, de  um salário mínimo (8,5 euros — 27 reais — por hora, o que significa algo como 4.320 reais mensais) — não existe salário mínimo legal na Alemanha, só os valores estabelecidos em acordos entre sindicatos de patrões e de trabalhadores — e até os requisitos exigidos para que aos cidadãos alemães seja possibilitado algo até agora inexistente, a dupla cidadania.
Detalhe importante: o documento inclui o compromisso férreo de não se aumentar impostos durante os próximos 4 anos.
Enquanto isso, num grande país do Hemisfério Sul, que tem 39 ministros e 20 mil cargos de confiança loteados entre cupinchas dos partidos do governo…

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

‘Soviete da Papuda’, um artigo de Antônio Machado de Carvalho

Publicado no jornal O Tempo desta quinta-feira
ANTÔNIO MACHADO DE CARVALHO
“Uma trinca de bandidos, convivas habituais de ricaços e poderosos, hospedou-se na Papuda. Gente distraída pode associar o nome incomum ao daqueles lugares exóticos do mundo tropical. Algo do tipo hotéis e Spa’s suntuosos, dos tantos que proliferam no Brasil, destinados a abrigar figurões em momentos de tédio existencial. Mas, não. Não é uma casa de repouso e sim uma reles penitenciária, agora tristemente famosa, similar às que no resto do mundo se devotam a punir malfeitores. A trinca, então, lá aportou, por determinação do Supremo Tribunal Federal, acompanhada de um séquito (outros condenados no processo do mensalão). Ao manter os prisioneiros na comarca de Brasília, o ministro Joaquim Barbosa revelou relevante preocupação: o sistema carcerário brasileiro poderia ficar contaminado caso os patifes fossem deslocados para outros estados da federação. Melhor seria, socialmente, se ficassem próximos da vasta grei que prolifera no ambiente depravado de Brasília.
Mas a companheirada dos quadrilheiros parece que não entendeu o alcance da medida. O ilustre ministro vem sendo atacado brutalmente por eles. Tuítam pela internet coisas do gênero: “Joaquim Barbosa, o negro que traiu o Brasil, negro mau-caráter. Graças ao Dirceu, ele foi nomeado ao STF e esse fdp agradece assim”, nestes exatos termos. Um espanto! Causa espécie que ruidosas lideranças que combatem o racismo nada digam a respeito. Aliás, nem a OAB, nem ONG’s variadas e nem pomposos mandarins acadêmicos, todos supostos defensores de ações afirmativas. Essa odiosa omissão se explicaria, talvez, pela peculiar visão de mundo petista. Nela, há bons crioulos (os “nossos” pretos, claro, os que caem de quatro a um aceno do sinhô), e negros ingratos, como o Barbosão, sujeitinho pernóstico que não sabe o seu lugar.
Filas se formaram às portas da Papuda em reverência aos novos hóspedes. Cuidem-se, rápido, o PCC, o Comando Vermelho e os Amigos dos Amigos. A nova elite penitenciária chegou. Quem manda no pedaço, doravante, é o Soviete dos Papudos, sob o tacão experiente de José Dirceu, secundado por Genoíno e Delúbio, forjados nas cartilhas de Lenine, Mao Tsé Tung e Fidel Castro. Uma inovação tropicalizada aos manuais leninistas se dará com a inclusão do lumpen-proletariado nas articulações para construir um novo Brasil. Em breve, Marcola, Fernandinho Beira-mar e Elias Maluco se curvarão prestando vênias aos companheiros de armas.
A Papuda propiciará um benefício adicional. Entrará no rol dos roteiros turísticos mais apreciados da capital da República. Quem sabe, o governo do Distrito Federal não constrói um shopping popular para vender artesanato e lembranças com imagens de tão caricatas figuras? O mercado capitalista tem dessas coisas. Em vez de “tudo acabar em livro”, como queria o poeta, tudo acabaria mesmo no comércio e na mais vil pecúnia. Vivas, pois, aos guerreiros e heróis da república lulista.

“Peço que não rezem por mim. Vai que por um grande azar eu acabe no paraíso junto do R.R. Soares, Edir Macedo e outros santificados? Como ficará a minha reputação? (Climério)

“Fui reprovado no ensino fundamental em Ensino Religioso. Fiz igual ao Woody Allen: tentei colar olhando para dentro da alma do meu colega.” (Mim)

Reportagem de VEJA expõe as sombras que envolvem a disputa entre a agência do PT e a tropa de Franklin Martins

Augusto Nunes
Por que será que a Pepper, depois que se tornou a agência do PT para a internet, conseguiu tantos clientes no governo e em estatais? Será que o PT está usando verbas do Estado para remunerar sua agência, cujo faturamento não para de engordar? Na edição que logo estará nas mãos dos assinantes e nas bancas, VEJA mostra que, além dessas perguntas à espera de respostas imediatas, há alguns mistérios a desvendar.
Um dos mais intrigantes é a disputa entre a Pepper e o ex-ministro Franklin Martins pelo comando da guerra suja nas redes sociais que o PT pretende travar contra os adversários. Franklin não aceitou trabalhar em parceria com a Pepper. O que ele quer é chefiar sem interferências o exército das trevas recrutado para agir na internet. A posição intransigente sugere que Franklin está decidido a usar como achar melhor a tropa liberticida? Até para combater a candidatura de Dilma Rousseff?
Franklin Martins é da tribo que acha que os fins justificam os meios. Nada do que vem de figuras assim é surpreendente. São incapazes capazes de tudo ─ menos de fazer a coisa certa. Confira a reportagem de VEJA.

Rodrigo Constantino dá dica de férias para a esquerda caviar


Dica imperdível de férias para a esquerda caviar

Alô, Wagner Moura! Alô, Chico Buarque! Alô, Verissimo! E tantos, tantos outros ícones da nossa querida esquerda caviar: anotem essa dica imperdível para suas próximas férias (e não digam que não sou um cara legal):
O Emoya Luxury Hotel and Spa, na África do Sul, tem uma atração especial para os seus hóspedes: a Shanty Town. Trata-se da reprodução de uma favela feita no resort de luxo para acomodar clientes “mais extravagantes”.
Com diária de R$ 192 (barraco para quatro pessoas), o cliente pode ter a experiência “autêntica” de viver em uma favela. O barraco é feito com os mesmos materiais das moradias originais da região.
Mas, ao contrário de um barraco tradicional – sem energia elétrica e aquecimento -, cada unidade da favela do resort tem sistema de aquecimento sob o chão e acesso à internet.
A favela de luxo recebe até 52 pessoas.
Vejam o vídeo promocional:
Isso é ainda melhor do que o lixão limpinho do Projac, onde Zé de Abreu se sentia em casa naquele personagem que lhe expandia o caráter. Vocês podem simular miséria sem nem ter de se misturar aos pobres de verdade!
Não é o máximo? Dá para brincar de pobre e voltar para o Leblon ou Paris de alma lavada! Pensem só, naquele próximo “jantar inteligente”, entre um caviar e outro, você poder jogar na cara da turma descolada:
- Agora sim, posso dizer que conheço a vida em uma comunidade! Fui pobre por uns dias. Fiquei hospedado em um barraco. A calefação era forte demais, isso foi um problema. Mas, tirando isso, que experiência! Entrei em contato com meu “eu”, sabem? Voltei muito mais “espiritualizado”. Ainda li um livro do Chalita durante a estadia. Sou outra pessoa. De verdade. Garçom, traz logo minha champanhe, droga! Que demora, caramba! A gente vai para esses hotéis e esquece como o serviço aqui é ruim…
Tenho certeza de que seus colegas vão babar de inveja. Se forem intelectuais, então, que amam o pobrismo, mas nem sempre podem pagar o voo de primeira classe para enaltecê-lo, é capaz que surtem com tanto rancor.
Boa viagem!

DOR

Existe uma expressão russa que diz: se você acorda sem sentir nenhuma dor, sabe que está morto. Embora a vida não seja apenas dor, a experiência da dor, que é especial em sua intensidade, é um dos sinais mais seguros a força da vida. Schopenhauer disse: “Imagine essa corrida transportada para uma utopia onde tudo cresce sozinho e os perus voam de um lado para o outro já assados, onde os amantes se encontram  sem qualquer demora e possuem um ao outro sem qualquer dificuldade; em tal lugar certos homens morreriam de tédio ou se enforcariam, outros lutariam e se matariam entre si, e assim criariam para si mesmos mais sofrimento do que a natureza inflige a eles. O pólo oposto do sofrimento é o tédio.” Acredito que a dor precisa ser transformada, mas não esquecida; contrariada, não obliterada.

Andrew Solomon- O Demônio do Meio-Dia

“Ainda não sabemos se existe vida inteligente em outros planetas. Quem sabe até possa existir, pois para o universo a cota de burros já foi preenchida pelos terráqueos.” ( Mim)

“Já tive dinheiro e amigos. Perdi o primeiro, perdi todos.” (Limão)

“Não leio escritores comunistas. O que terá de interessante para dizer um cego que não quer enxergar?” (Mim)

Suas meias aparecem furadas nos dedos? Já tentou cortar as unhas?

Certas madames são tão limpinhas que até suas pererecas tem o carimbo da Inspeção Sanitária.” (Eulália)

“Antes o SERASA que o cemitério.” Pafúncio)

“Antes ser um burro anônimo que uma cavalgadura famosa.” (Pócrates)

“Alma é igual político honesto: pode até existir, mas ninguém vê.” (Limão)

Reinaldo Azevedo expõe a moral “deles”, que é a completa imoralidade

Está excelente o artigo de hoje de Reinaldo Azevedo na Folha, sobre a mentira como método de luta pelo poder do PT. Dentre todas as atrocidades praticadas pelos petistas, talvez a que mais me tire do sério é esse abuso do duplo padrão moral. São capazes de reverter em 180 graus o discurso, dependendo de quem ou o que está sendo julgado.
Aprenderam com os comunistas do passado. Acuse o inimigo do que é, minta, dissimule, faça o que for preciso pela “revolução”. É só o que conta. Haja Engov para aturar essa gente. Abaixo, alguns trechos do artigo:
O PT nem inventou a corrupção nem a inaugurou no Brasil. Mas só o partido ousou, entre nós, transformá-la numa categoria de pensamento e numa teoria do poder. E isso faz a diferença. O partido é caudatário do relativismo moral da esquerda. Na democracia, sua divisa pode ser assim sintetizada: “Aos amigos tudo, menos a lei; aos inimigos, nada, nem a lei”. Para ter futuro, é preciso ter memória.
Eliana Tranchesi foi presa em 2005 e em 2009. Em 2008, foi a vez de Celso Pitta, surpreendido em casa, de pijama. Daniel Dantas, no mesmo ano, foi exibido de algemas. Nos três casos, e houve uma penca, equipes de TV acompanhavam os agentes federais. A parceria violava direitos dos acusados. Quem se importava? Lula batia no peito: “Nunca antes na história deste país se prendeu tanto”. Era a PF em ritmo de “Os Ricos Também Choram”.
[...]
Até que chegou a hora de a trinca de criminosos do PT pagar a pena na Papuda. Aí tudo mudou. O gozo persecutório cedeu à retórica humanista e condoreira. Acusam a truculência de Joaquim Barbosa e a espetacularização das prisões, mas não citam, porque não há, uma só lei que tenha sido violada. Cadê o código, o artigo, o parágrafo, o inciso, a alínea? Não vem nada.
Essa mentalidade tem história. Num texto intitulado “A moral deles e a nossa”, Trotsky explica por que os bolcheviques podem, e devem!, cometer crimes, inaceitáveis apenas para seus inimigos. Ele imagina um “moralista” a lhe indagar se, na luta contra os capitalistas, todos os meios são admissíveis, inclusive “a mentira, a conspiração, a traição e o assassinato”.
[...]
José Dirceu quer trabalhar. O “consultor de empresas privadas” não precisa de dinheiro. Precisa é de um hotel. Poderia fazer uma camiseta: “Não é pelos R$ 20 mil!”. Paulo de Abreu, que lhe ofereceu o, vá lá, emprego, ganhou, nesta semana, o direito de transferir de Francisco Morato para a avenida Paulista antena da sua Top TV, informou Júlia Borba nesta Folha. O governo tomou a decisão contra parecer técnico da Anatel, com quem Abreu tem um contencioso razoável. Dizer o quê? Lembrando adágio famoso, os petistas não aprenderam nada nem esqueceram nada.
Aos amigos, tudo, menos a lei. Aos inimigos, José Eduardo Cardozo e Cade. É a moral deles.
Ou o Brasil se livra do PT, ou o PT acaba com o Brasil.
Rodrigo Constantino

LULA, NO CHILE, EL HOMBRE DE LAS BROMAS…EL EMBROMADOR!

O ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva é, sabemos, uma figura de inexcedível carisma. Poucos homens públicos dele se aproximam em termos de charme e de maleabilidade, qualidades valorizadas no mundo complexo e midiático de nossos dias. Lula encontrará pontos de convergência e assuntos para conversar com quem quer que esteja por perto, de George W. Bush ao Papa Francisco.
Esse seu jeito multifacetado produz, contudo, convulsões entre os que tentam encaixá-lo em compartimentos estanques, em termos filosóficos ou ideológicos. A gente mais à esquerda do espectro político, esta então, se irrita, sem saber o que fazer. No caso do Partido dos Trabalhadores, a questão assume características ainda mais dramáticas. O que seria o PT, em termos eleitorais, sem a presença Lula? Pouca coisa, principalmente agora que os outros carismáticos do partido (José Dirceu, Genoíno) são cartas fora do baralho.
Li, outro dia, interessante entrevista do filósofo paranaense Ivo Tonet, para quem Lula jamais foi um verdadeiro socialista. E, mais, teria ajudado a transformar o PT num partido burguês: “todas as ações práticas e concepções teóricas(sic) que hoje norteiam o PT são tipicamente burguesas. Chamar o Partido dos Trabalhadores de esquerda é não ter idéia do que é esse conceito”.
Ainda Tonet:: “Reformas pontuais qualquer partido pode fazer, uns mais, outros menos. Mas o PT é a expressão de grandes grupos econômicos que se digladiam com outros grupos econômicos, que estão no PSDB, no DEM, entre outros. É uma briga de cachorro grande dentro do capital. E Lula é do tipo “nem contra nem a favor, pelo contrário”. Lula é uma figura extremamente sagaz. Eu o comparo ao Prín­ci­pe de Maquiavel. Veja o Príncipe e verá Lula. Ele nunca diz “não” para alguém. Com isso, ele conseguiu costurar com Deus e com o diabo. Tudo servindo aos interesses do capital. Visto dessa forma, é claro que ele é um anticomunista. Mas claro que ele não vai dizer isso nunca. Mas, na prática, é.”
A entrevista de Tonet veio-me à memória ao ler, hoje cedo, no El País (Madri) que na visita que está fazendo a Santiago do Chile, Lula, depois de abraçar Camila Vallejo – a encantadora e decidida líder do movimento estudantil chileno, hoje deputada pelo Partido Comunista, declarou-a representante de um pensamento novo para a política latino-americana. Comunismo, pensamento novo? É de fazer a família Castro se esborrachar de tanto rir.
Mas talvez por ter percebido que havia se excedido, Lula deixou subentendido que o excesso era um afago que devia à Vallejo. Ela o havia convidado a visitar Santiago em 2011, no calor das manifestações estudantis, mas Lula não pode aceita-lo “para evitar problemas diplomáticos”, disse, em tom de brincadeira. El País registrou: “Los invitados, entre los que se contaba la propia geógrafa de 25 años, han celebrado la broma de Lula, que ha presumido de su labia y buen humor.
Os analistas chilenos tentaram interpretar a visita de Lula como uma iniciativa do Brasil para se aproximar do Chile. A atual administração do Chile, muito prudentemente, privilegiou os vínculos do país com a Aliança do Pacífico. Mas Bachelet, se vitoriosa no segundo turno das eleições de seu país, pretenderia reforçar as relações do Chile com o Brasil e a Argentina.
Foram palavras educadas, de bom vizinho. Governos chilenos, de esquerda, centro ou direita têm sempre claro os interesses de longo prazo do país e não são chegados a extravagâncias que possam comprometer o futuro.
Pedro Luiz Rodrigues

E como dizia o velho ermitão José que morava num buraco de tatu, não porque não tinha casa, porque não tinha nada, apenas para fugir das maldições e do bafo da velha mulher: "Peru esperto em dezembro só bebe água." (Mim)

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

“Alguns homens públicos são dotados de muita dignidade. Por exemplo: Só se vendem à vista, jamais em prestações.” (Mim)

“Se Fidel comesse o que o homem comum come em Cuba já estaria podre há trinta anos. Jamais chegaria a múmia.” (Cubaninho)

“Pessoas como Lula, por exemplo, não tem outro por dentro. Mas têm duas línguas: uma para dizer bobagens e outra para confirmá-las.” (Al Zen Aimer)

“Detesto reunião familiar. Nela sempre volta o assunto ‘capar o Bilu’.” (Bilu Cão)

“Nuvens escuras carregadas de ignorância passeiam pela América Latina. Torçamos para esta tempestade não nos dizime.” (Pócrates)

“Somos todos felizes em Cuba.” Frase ganhadora do Grande Concurso de Mentiras de Havana. (Cubaninho)

O GERENTE

Em um hotel de Brasília, uma perua espalhafatosa desce as escadas e avança na direção do balcão principal, aos berros:
- Fui roubada! Fui roubada!
O balconista, perplexo, tenta acalmá-la:
- Minha senhora, tem certeza disso? O que lhe roubaram?
- Meus lindos brincos de ouro! Da nova coleção! Valem uma fortuna!
- Calma, senhora. Será que não é algum mal-entendido? Já procurou em todos os lugares? Já perguntou à camareira?
- Não está em canto algum! Eu não perdi meus brincos! Ganhei de presente do meu marido e cuido muito bem deles. Estavam no COFRE! Entendeu? Dentro do cofre, com senha e tudo! Como alguém pode ter roubado meus brincos dentro do cofre?
O balconista ficou ainda mais perplexo. A situação era complicada mesmo. O que ele poderia fazer?
- De fato, minha senhora, se tem certeza disso, então temos um grande problema…
- Mas por que você acha que estou tão transtornada, meu filho?! Quer saber, não adianta eu falar com um subalterno. Chama logo o gerente desse hotel!
- Entendo… Aguarde um minuto, por favor. Temos um novo gerente, mas confesso que ele vive ocupado e quase nunca o vemos. Fica em uma sala dos fundos recebendo políticos e empresários, que chegam e saem sempre com malas. Vou chamá-lo agora mesmo.
Dez minutos depois, chega o gerente, usando um curativo no nariz (parece que tinha feito uma plástica recentemente):
- Pois não, em que posso ajudá-la?
- Já expliquei para o balconista. Eu fui roubada! Levaram meus enormes brincos de ouro de dentro do cofre, enquanto estava fora, fazendo compras no shopping! Exijo uma explicação imediatamente!
- A senhora me parece uma pessoa muito distinta, com muitas posses. Veja bem, essa coisa de roubo é bem relativa. Digamos que alguém levou sim suas jóias, mas para financiar uma causa revolucionária em nome dos pobres. Isso não seria mais compreensível?
- Como é que é?! O senhor está maluco??? Aquelas jóias são MINHAS! Meu marido as comprou! Que conversa furada é essa de revolução agora?
- O Brasil tem muita desigualdade social. A senhora nunca leu nada do Sakamoto? Deveria. Seus brincos não vão lhe fazer tanta falta, mas podem ajudar algum político ungido e abnegado a comprar votos no Congresso para aprovar reformas socialistas, controlar a imprensa golpista, e…
- Ei, eu estou lhe reconhecendo! Você não é aquele ex-poderoso ministro, que foi acusado de chefe de quadrilha e acabou preso e tudo? Como é que está trabalhando de gerente de hotel agora? E ainda por cima justificando o injustificável, o roubo de uma hóspede?!
Reconhecido, o gerente abaixa os olhos, mas depois insiste no discurso:
- Não importa quem eu seja. O importante é que a ética é algo muito relativo, e não podemos ser moralistas…
- Cala a boca! Quer saber? Isso não é caso para gerente resolver. Vou é chamar a polícia logo de uma vez. Quem roubou meu brinco tem que ir para a cadeia!
- Nem se dê ao trabalho, minha senhora. É para lá que eu vou assim que acabar o expediente mesmo.
Fim.
Rodrigo Constantino

Alec Baldwin, ícone da esquerda caviar, experimenta do próprio veneno

Rodrigo Constantino


Fonte: Veja
Uma declaração homofóbica do ator Alec Baldwin o colocou no olho na rua:
Se já não era um campeão de audiência com o Up Late with Alec Baldwin, talk-show que comandava uma vez por semana no canal pago americano MSNBC, Alec Baldwin se desgastou de vez após atacar um fotógrafo com declarações homofóbicas. O ator foi dispensado nesta terça-feira pelo canal. Com isso, o programa, suspenso desde o último dia 15, foi definitivamente cancelado.
Confesso que é divertido quando os ícones da esquerda caviar experimentam do próprio veneno. Baldwin foi um daqueles que acabaram cortados do meu livro, mas merecia estar lá, com destaque. É alvo do humor ácido dos criadores de “South Park”, que o esculacham no filme “Team America”.
Segue a parte do livro que acabou não sendo publicada:
Alec Baldwin
O ex-marido de Kim Basinger é um dos grandes representantes da esquerda caviar em Hollywood. Quase toda causa “progressista” encontra nele uma voz fiel. Como, porém, esse “amigo da Humanidade” trata aquelas pessoas mais próximas?
Melhor nem querer saber. Sua filha foi alvo de sua incrível compaixão pelo próximo, e não tem coisas boas a relatar. Na verdade, a gravação de sua secretária eletrônica prova como essa gente que ama a Humanidade pode ser cruel com o ente mais próximo. Baldwin disparou para sua filha: “Eu não ligo a mínima que você tenha 12 ou 11 anos de idade, ou que você seja uma criança”.
Deixando de lado o fato de o próprio pai não saber quantos anos ao certo sua filha tem, será que essa é uma forma humanitária de tratar as pessoas, especialmente crianças, especialmente a suacriança? Ele continuou com sua metralhadora giratória, afirmando que faria com que ela entendesse a “pequena porca estragada” (“rotten little pig”) que ela era.
Claro que nada disso impediu o sucesso de seu livro. O assunto? Pais divorciados e maravilhosos, que deveriam ficar mais tempo com seus filhos. Eis o titulo pomposo do livro: A Promise to Ourselves: A Journey Through Fatherhood and Divorce. Ele ataca o sistema judiciário californiano que trata os pais divorciados como cidadãos de segunda classe. Talvez, em seu caso particular, esse tratamento fosse merecido…
Na linha já conhecida de um peso para duas medidas, Baldwin era um feroz crítico da ajuda aos bancos durante a gestão Bush. Ele disse: “Para o inferno com Wall Street… Não dê dinheiro a eles!” Mas quando Obama assumiu, e pasmem!, expandiu a ajuda aos bancos, Baldwin abandonou toda a sua revolta.
Ele é ainda membro do conselho de uma entidade de caridade voltada às artes. Só um detalhe: seu financiamento vem de bancos como Merrill Lynch ou gigantes do petróleo como Exxon Mobil. Parece que o dinheiro dos banqueiros não é tão ruim assim quando o destino nos interessa.
Falando sobre a vitória de Bush em 2000, Baldwin a comparou com o atentado de 11 de setembro do ano seguinte, afirmando que as eleições causaram “tanto dano aos pilares da democracia quanto os terroristas aos pilares do comércio em Nova York”. Podemos apenas pensar qual seria a reação em Hollywood se um ator famoso fizesse uma declaração dessas envolvendo o aclamado presidente Obama…

O MODELO É DELA!

Rodrigo Constantino

“O modelo, meu querido, é meu”

“Na hora de se defender, todo mundo tem o direito de falar o que quer. O modelo, meu querido, é meu. Eu não tenho conhecimento de nenhum investimento dessa envergadura antes do meu governo, antes de 2013. Você me mostra aonde”.
Foi o que disse a presidente Dilma em Santa Catarina, depois de afirmar que o país passou 20 anos sem investimento em infraestrutura (isso inclui os 8 anos de Lula?). Concordo e discordo. Primeiro, a discordância.
Não é verdade que o país ficou esse tempo todo sem investimento, ou que algo mudou muito com Dilma. No fundo, o Brasil tem tido pouco investimento em infraestrutura em todos os últimos governos. O custo Brasil ainda é muito alto, e nenhum deles fez as necessárias reformas estruturais.
Mas o PSDB privatizou setores e empresas importantes, como o próprio setor de telecomunicações, e isso atraiu muito investimento (quase R$ 200 bilhões nos primeiros anos). As ferrovias também foram vendidas e bilhões foram investidos. Parte do setor elétrico passou pelo mesmo processo. Dilma, portanto, inventa factoides de olho nas eleições.
Quanto à concordância, não há como negar que o modelo é dela. O modelo que tem 70% de financiamento do BNDES, sem marco regulatório decente, que faz licitações e depois fica anos sem fazer novas rodadas por fatores ideológicos (como no setor de petróleo), que atrai grupos inexperientes para controlar ativos importantes (como em alguns grandes aeroportos), e que fez com que a Odebrecht tomasse conta do país, praticamente – este modelo é mesmo de Dilma.
Após anos na oposição condenando todas as privatizações, entrando com liminares na justiça, fazendo terrorismo eleitoral durante as campanhas, eis que o PT resolve privatizar também e ainda posa como o criador de um modelo todo especial que atrai mais investimentos. A cara de pau, minha querida, é sua!

Novo eufemismo para bajulador: Ciclista. Dobra os joelhos e anda curvado.

“A figura do demônio ajuda e muito no trabalho dos religiosos tosquiadores pecuniários. As ovelhas assustadas perdem a lã e permanecem prostradas.” (Climério)

“É o conteúdo que faz a vida. Dois dias podem ser mais longos que quarenta anos vazios.” (Krigenlein- Grande Hotel- de Vicki Baum)

“Os padres deveriam se casar. Isso para o saudável descanso de paroquianas assanhadas” (Mim)

“Creio que a única serpente que falou com Eva no paraíso foi a cobra do Adão.” (Limão)

“A insegurança toma conta de nós. O estado não garante mais ninguém. Homens frouxos, leis frouxas e bandidos sem medo. Aonde iremos assim?” (Mim)

“A solidão às vezes nos obriga a uma convivência difícil.” (Filosofeno)

Perguntar não é ofensa: Dirceu como gerente do hotel não afastará do estabelecimento clientes que não gostariam de ajudar no pagamento do salário de um comuna que detesta o capitalismo e a imprensa,digamos, sem controle social?

Se piorar, estraga

DORA KRAMER - O Estado de S.Paulo


Evidente que o PSDB adoraria ver o senador Aécio Neves explodindo nas pesquisas de intenção de votos para a Presidência em 2014 desde já.

Mas, uma vez que o hoje pré-candidato fica ali patinando entre 13% e 15%, o partido prefere deixar de lado o conceito de "se a eleição fosse hoje" para trabalhar o cenário de maneira mais estratégica.

Mantém sob uma estreita vigilância os índices da presidente Dilma Rousseff e do governador Eduardo Campos. Óbvio, diriam o senhor e a senhora, moças e rapazes. Afinal de contas, quanto menos pontos Dilma ganhar, melhor para Aécio. O mesmo se aplicando a Campos, que disputaria com ele uma vaga no segundo turno, não é mesmo?

Não, da perspectiva do senador mineiro não é assim. Aliás, se não chega a ser radicalmente o oposto, é quase isso. A torcida na seara tucana daqui até o início oficial da campanha é para que a presidente não caia nas pesquisas de opinião. A última do Ibope lhe dá 43%.

Se subir um pouco - muito pouco, nada que indique vitória consolidada no primeiro turno - não faz mal. E qual a razão? Aí, sim, emerge a obviedade: porque quanto menos competitiva Dilma se mostrar, mais aumentam as chances de o ex-presidente Lula da Silva disputar para afastar o risco de o PT sair do poder.

Um detalhe antes de passarmos ao raciocínio de Aécio Neves em relação a Eduardo Campos: pelo mesmo motivo tem muita gente no PT que não vê com maus olhos a recuperação lenta dos índices de satisfação com o governo de Dilma. É a turma do "volta Lula". A maioria, e nem tão silenciosa, como reza a expressão.

Sobre o governador de Pernambuco, a visão também se baseia no princípio do nem tanto ao mar nem tanto à terra. Na ótica tucana, foi bom que a aliança com Marina Silva não produzisse efeito imediato sobre as intenções de votos de Campos (7%), mas também não será bom se esse índice não começar a melhorar. Antes que o governador pense ainda remotamente em desistir da disputa.

Mal comparando, no embate entre Paulo Maluf e Tancredo Neves no colégio eleitoral de 1985, deu-se algo parecido, registre-se bem, em circunstâncias totalmente diversas. Em dado momento Tancredo começou a abrir uma vantagem tão grande sobre Maluf que o medo passou a ser o de que ele renunciasse à candidatura e inviabilizasse a escolha do candidato de oposição.

Ou seja, na política também tem uma hora em que é preciso cuidar do equilíbrio ecológico para o ambiente não se deteriorar.

Essa preocupação com a estabilidade de forças inclui a segunda fase da eleição. Aécio Neves e Eduardo Campos estão em permanente contato e, de quando em vez, veem a necessidade de tornar essa aproximação explícita. Marcam um encontro - como se precisassem dessa formalidade para conversar - e posam para fotos. Sempre dizendo que é tudo muito sigiloso.

Constroem, assim, não só palanques estaduais, conforme alegam. Buscam principalmente solidificar pontes de apoio mútuo para quem conseguir passar à etapa final.

Empurra. A reunião da Mesa Diretora da Câmara para discutir a abertura do processo de cassação de José Genoino foi adiada sob a alegação de que parte dos deputados não estará em Brasília hoje.

E por que suas excelências diretoras não estarão? Para não dar número suficiente para que se realize a reunião marcada desde a semana passada para esta quinta-feira.

Bilheteria. Gerentes de hotéis em Brasília estranham o salário (R$ 20 mil) oferecido pelo Saint Peter a José Dirceu. Altamente inflacionado, segundo eles, em relação ao mercado.

Desconsideram, contudo, que Dirceu será uma atração à parte para o estabelecimento.

O erro do Papa Francisco. Ou: Cada macaco no seu galho

Prezado leitor, não sei se já reparou, mas não tenho texto algum sobre física quântica no blog. Sabe por que? Simples: porque não entendo nada desse assunto. Sou um completo ignorante quando se trata de quarks e coisas do tipo.
É verdade que de vez em quando me aventuro em águas distantes de minha área de especialização, a economia, mas sempre quando sinto que tenho algum conhecimento razoável sobre o assunto, e mesmo assim procuro ser mais humilde nessas horas.
Desde Adam Smith sabemos da importância da especialização. A quantidade de conhecimento disponível é tão grande que ninguém tem como saber de tudo. Por isso é bom ter cuidado quando for opinar sobre temas que fogem da área de atuação. Cada macaco no seu galho. É um bom conselho para o Papa Francisco.
Figura carismática, que conquistou minha simpatia, que exala sinceridade e compaixão. Mas isso não o impediu de tecer duras críticas ao capitalismo e aos “especuladores” em sua primeira exortação apostólica. Não é novidade. A Igreja Católica tem uma relação complicada e ambígua com o capitalismo desde sempre, e a Encíclica Populorum Progressio, escrita pelo Papa Paulo VI, era um documento completamente socialista.
Em uma das passagens, o Papa diz que é lamentável que o sistema da sociedade tenha sido construído considerando o lucro como um motivo chave para o progresso econômico, a competição como a lei suprema da economia, e a propriedade privada dos meios de produção como um direito absoluto que não tem limites e não corresponde à “obrigação social”.
Em outras palavras, o Papa Paulo VI lamentou que o capitalismo de livre mercado predominasse em relação ao socialismo. Os interesses coletivos, sabe-se lá quem os define, estariam acima do direito de propriedade privada, o que torna indivíduos meios sacrificáveis pelo “bem comum”.
O Papa ignora que, no livre mercado, o lucro é fruto do bom atendimento da demanda dos consumidores, ou seja, é o indicador de que os indivíduos, por meio de trocas voluntárias, estão satisfeitos. Todos sabem o que aconteceu nos países que tentaram abolir o lucro, a competição e o direito de propriedade privada. O resultado foi a miséria, a escravidão e o terror. São consequências inexoráveis do socialismo colocado em prática.
O Papa Francisco não foi tão longe, mas foi na mesma direção. Poderia entender se a crítica fosse voltada aos excessos do capitalismo, do individualismo, da especulação gananciosa desmedida. Mas especular é algo que todos fazemos, pois ninguém sabe o futuro. Foi o comércio, visto como atividade de filisteu por muitos intelectuais e católicos, que trouxe tantos avanços para a humanidade, inclusive no campo das virtudes morais.
Como diz Matt Ridley em The Rational Optmist, é “milagroso” o fato de que confiamos em um vendedor que nos é totalmente estranho e desconhecido. Nem sempre foi assim. Grupos tribais queriam exterminar o “outro”, o estranho ameaçador. Esse tipo de confiança moderna, de laço social, cresceu junto com a impessoalidade do capitalismo, tão atacado por gente da esquerda e também por alguns católicos.
Até mesmo as artes elevadas, que tocam o espírito humano, devem bastante ao capitalismo e à especulação. Basta lembrar que os centros artísticos eram também locais com o comércio mais desenvolvido, como Florença, Amsterdã, Londres e Veneza. Capitalistas ricos foram importantes mecenas das artes, inclusive as sacras.
Não pretendo ensinar o Papa a rezar a missa, muito menos em latim. Longe de mim! Mas seria bom se o Papa tampouco quisesse nos ensinar sobre capitalismo e especulação. Não é sua especialidade. Claro, ele tem total direito de emitir suas opiniões. Mas no caso, não passam disso: opiniões de um leigo no assunto. Que, infelizmente, repercutem muito e influenciam várias pessoas.
Depois a Igreja Católica fica perplexa ao constatar que perde cada vez mais espaço para os protestantes, que adotam discurso menos agressivo contra o capitalismo e o desejo natural que temos de enriquecer…
Rodrigo Constantino

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

“Após criar o homem parei de beber.” (Deus)

REFÚGIO

Mansa é a manhã que me recebe
No campo verde que a vista alcança
A montanha ao fundo é a guardiã
Deste lugar belo e silencioso
Caia agora uma fina garoa
Que é do meu gosto sempre
Sem alarde na sua calma e fria mão
Apaga o fogo da ira
Que em meu coração há pouco flamejava.


RECLAME- Cinqüenta Tons de Cinza é o seu livro de cabeceira? Veja só o bem que DILMEX fez para você!

RECLAME- DILMEX é o único medicamento existente que consegue deixar você mais burro do que realmente você é.

“Estes são os meus princípios. Se você não gosta deles, eu tenho outros.” (Groucho Marx)

“Hitler e sua trupe estão fodidos aqui no inferno. Eles não sabiam da existência dos diabinhos judeus.” (Satanás)

“O inferno está ficando tedioso. Também pudera, já temos 60% de cristãos, 10% de ateus e o restante de muçulmanos.” (Satanás)

“Deus é pelo dízimo e não por mim.” (Limão)

“O Humor é o meu pastor e nada me faltará.”(Mim)

“O processo é simples. Nascer, crescer, viver e morrer. Não há nada de sobrenatural nisso.” (Filosofeno)

“Não fomos educados para encarar a morte como uma coisa natural. E como isso nos fez e faz sofrer.” (Filosofeno)

“No principio era o Verbo. Isso até descobrirem que bom mesmo era a Verba.” (Mim)

“O Brasil caminha. Mas para onde estará indo?” (Filosofeno)

“Já tivemos no mundo dos mais diversos movimentos reivindicatórios. Porém o Movimento dos Sem-Papel na Venezuela é único.” (Mim)

“O amanhã são seis letras e muitas incertezas.” (Mim)

“Não espero a lua cair do céu. Vou até ela montado nos meus sonhos.” (Filosofeno}

“Muito homens para subir na vida vão suprimindo princípios. Quando chegam ao topo já não possuem mais nenhum.” (Filosofeno)

TEMPOS

 “Em relação aos tempos estranhados que vivemos havia mais equilíbrio, respeito, qualidade intelectual, formação e vocação. Não era um paraíso, havia como sempre houve deformações graves. Mas a política não se transformara num negócio da forma acachapante como se vê hoje. Se não deixava de ter um lado mau, tinha um lado bom.” Dora Kramer

“Cultivamos em nossa família a arte da mentira. É um dom nosso. Só meu bisavô é que se deu mal e teve a língua cortada.” (Helldir Macedo)

“Minha língua e meus dedos possuem calos. Meus dedos de tanto contar dinheiro e minha língua de tanto contar lorotas.” (Helldir Macedo)

"Não fosse pela unha encravada, dor de dente, bico-de-papagaio, artrite, pedra nos rins enxaqueca, estaria tudo bem comigo." (Chico Melancia,o otimista.)

ALIADOS RELUTAM EM FAZER AVANÇAR A AGENDA DO GOVERNO NO CONGRESSO

O Governo está perdendo a paciência com seus aliados, em particular com o PMDB, pois já percebeu que não pode contar com eles para fazer avançar a agenda de interesse do Partido dos Trabalhadores no Congresso.

O PMDB, o mais poderoso desses aliados, mostra-se, por sua vez, cada vez menos disposto em continuar a exercer o papel de cordeirinho, que dá tudo em troca de pasto macio e de algum cafuné eventual.

Novas lideranças acham que se seguir do jeito que está, o partido vai se enfraquecer e pode mesmo acabar comprometendo definitivamente sua história e identidade.

A postura mais altiva do PMDB é exibida no dia-a-dia da política, principalmente por seu líder na Câmara, o Deputado Eduardo Cunha, do Rio de Janeiro, o parlamentar que mais nomes feios tem recebido dos altos escalões palacianos nos últimos tempos.

De fato, em boa medida devido à atuação de Cunha, a tramitação de projetos de interesse do Governo estão engarrafadas no Congresso.

Ontem, por exemplo, terminou sem sucesso, mais uma reunião do chamado Conselho Político (do qual fazem parte ministros, líderes e dirigentes dos partidos da base do governo, e que contou com a presença da própria Presidente Dilma Rousseff).

Três projetos que o Governo quis ver aprovados rapidamente (marco civil da internet, multa do FGTS e porte de armas para agentes penitenciários) estão empacados, pois os líderes aliados não concordam com suas disposições.

O líder do novo Pros, o deputado Givaldo Carimbão, à saída do encontro disse sem rodeios que o líder do PMDB continua sendo o principal opositor às propostas do governo. Anthony Garotinho chegou mesmo a dizer que, mantido esse ritmo, a Câmara não vai votar nada mais este ano, deixando tudo para 2014.

No caso do novo marco regulatório da mineração a situação é similar. O governo, que estudou a matéria a portas fechadas por muitos anos, preconizava o diálogo, mas na prática queria ver o projeto aprovado sem grande modificações. Sua intenção original era o de apresentá-lo como Medida Provisória, foi desaconselhado. Buscou o atalho da urgência constitucional. Teve de recolhê-la e agora o tema da mineração vem sendo efetivamente discutido pela sociedade, graças ao empenho do Eduardo Cunha e de outros parlamentares, como o relator Leonardo Quintão (PMDB-MG).

Consta que o Palácio do Planalto cogita de pedir a retirada dos projetos apresentados. Se assim o fizer, não reapresentará o projeto do marco regulatório, deixando-o na prateleira até 2015, na hipótese de uma reeleição de Dilma. Quanto à definição das novas regras e alíquotas do Cfem (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais), poderá apresentá-las por Medida Provisória e esperar para ver o que acontece.

Como o ano que vem é eleitoral, somente em 2015 voltaremos a ter a atividade legislativa funcionando a pleno vapor.
Pedro Luiz Rodrigues-Diário do Poder

Pela tangente

DORA KRAMER - O Estado de S.Paulo


Não existe uma solução fácil para a Câmara resolver a questão dos mandatos dos deputados condenados no mensalão.

Para José Genoino, tenta-se a saída da aposentadoria por invalidez. Nos casos de Pedro Henry, Valdemar Costa Neto e João Paulo Cunha - os dois primeiros aguardando mandado de prisão e o último o julgamento de embargo infringente - há o desejo corrente na Casa de que eles renunciem.

A aposentadoria de Genoino garantiria a ele o salário de deputado e evitaria que seus pares se vissem diante de um dilema em face de sua condição de saúde: se cassam, podem parecer desumanos; se não cassam, estarão de novo ignorando a incompatibilidade entre uma condenação criminal e a posse de um mandato parlamentar.

Em relação aos outros três, a torcida pelas renúncias busca do mesmo modo resguardar o conforto de suas excelências, que não querem enfrentar o problema. Preferem não cassar ninguém, tampouco querem correr o risco de vexame maior ainda que a absolvição de Natan Donadon.

E já que correndo o bicho pega e ficando o bicho come, a Câmara escolheu sair pela tangente, tentando transferir suas decisões (e mais uma vez abrindo mão de suas prerrogativas) para uma junta médica e para os próprios condenados. A isso se dá o nome de fuga de responsabilidade.

Temporária, é verdade. No caso do mensalão nem aposentadoria nem renúncia anulam um inevitável conflito de posições entre uma das Casas do Poder Legislativo (e não o Poder como um todo, conforme lembrou em artigo recente o professor Walter Ceneviva) e o Supremo, cuja ordem na Ação Penal 470 foi pela perda automática dos mandatos.

A respeito dos demais - mais de 800 processos e ações contra parlamentares no Supremo, segundo levantamento do Estado -, em algum momento o Congresso terá de definir se aprova ou não o fim do voto secreto para cassações e a emenda que dirime a dúvida sobre dois artigos da Constituição e deixa patente que os condenados perdem seus mandatos de imediato.

A protelação adia, mas não resolve o problema que, mais cedo ou mais tarde, terá de ser enfrentado. Quanto mais cedo, menor o desgaste.

Caldo de galinha. Na cabeça dos articuladores da candidatura presidencial do PSDB, o partido deveria negociar o apoio do PSB à reeleição do governador Geraldo Alckmin deixando a vaga de vice na chapa de fora das tratativas.

Se eleito, Alckmin terá de deixar o cargo vago durante meses se quiser concorrer a algum posto eletivo em 2018. Isso significaria abrir espaço para o partido de Eduardo Campos ocupar o Palácio dos Bandeirantes.

A preferência por ora é que o candidato a vice seja um político ligado ao ex-governador José Serra.

Pé ante pé. Disposto a manter a candidatura do senador Lindbergh Farias (11% no Ibope) ao governo estadual, o PT do Rio anunciou em outubro que no mês seguinte deixaria os cargos no governo Sérgio Cabral, do PMDB, cujo candidato é o atual vice, Luiz Fernando Pezão (4%).

Pois bem, novembro acabou e os petistas adiaram a entrega dos cargos para dezembro. Fica a dúvida: qual a dificuldade?

Reforma FC. A ideia foi lançada na semana passada por Tutty Vasques: o espírito do movimento Bom Senso FC poderia muito bem baixar em Brasília. Se os jogadores se juntam por um futebol melhor, por que políticos, de todos os partidos, interessados na melhoria da política não fazem o mesmo?

De fato, questão de vontade e iniciativa. Se a intenção era fazer piada, Tutty acabou apontando, a sério, um caminho das pedras.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

“Quando durmo estou seguramente entre os melhores homens deste país.” (Climério)

“O homem quando teve consciência de si não aceitou a ideia de que é finito. Para dar fim á sua angústia criou deuses e paraísos pós-morte.” (Filosofeno)

ZOÓLATRA

Conheci uma deusa loura
Numa festa de amigos
Meus olhos grudaram na pessoinha
Meu coração caiu de amores
Ficamos juntos por algum tempo
Até eu descobrir que ela era zoólatra
E como não sou cão nem gato
Pouco tempo depois
Recebi um pontapé na bunda.

PARADOXO

Vejam só como são as coisas
O defunto está deitado sobre uma cama de flores
Para ele agora pouco importa
O paradoxo fica por conta de quando vivo
Foi posto a dormir pelos mesmos floristas
Numa cama de espinhos.

NA ESPREITA

Abro completamente a porta do coração
E deixo a amizade entrar
Mas se eu não tomar cuidado
A falsidade aproveita a ocasião
E também entra junto.

Você sabe o que farão os comunistas se o mundo estiver acabando? Marcarão uma reunião para marcar uma reunião. E o mundo puzt!

Recordar é viver

‘O PT aprofundou o processo de desmoralização da política’, acusa Villa. Ser ‘amigo do rei’ nunca foi tão importante para o sucesso


RODRIGO CONSTANTINO
Publicado:26/11/13 - 0h00


“O Brasil de hoje é uma sociedade invertebrada. Amorfa, passiva, sem capacidade de reação. É uma República bufa, uma República petista.” Assim conclui Marco Antonio Villa em seu novo livro, “Década perdida”, onde disseca os dez anos de PT no poder. É um trabalho conciso de historiador, resgatando os principais acontecimentos desta triste época.

Villa optou por um relato cronológico, expondo os fatos mais marcantes de cada ano. Basta relembrar a quantidade infindável de escândalos para derrubar todos os mitos criados pelo PT, inclusive o maior deles: o de que Lula é um operário que chegou ao poder para mudar tudo e beneficiar os mais pobres.

O lulismo, ao contrário, foi um grande passo na mesma direção do que há de pior em nossa política. O patrimonialismo foi fortalecido, as oligarquias corruptas nunca tiveram tanto poder, os sindicatos jamais foram tão vendidos, o aparelhamento da máquina estatal foi total. A tudo isso, somou-se o culto à personalidade, o messianismo típico das republiquetas populistas latino-americanas.

Dispostos a tudo pelo poder, Lula e o PT abusaram das mentiras, das práticas mais nefastas na política, das alianças indigestas com os velhos “picaretas” acusados pelo partido, do mensalão, o maior esquema já visto para tentar controlar o Congresso e destruir a democracia.

O que Villa faz é mostrar um filme do enorme estrago causado pela passagem do PT pelo poder nessa década. Com fortes ventos favoráveis vindos de fora, basicamente pelo elevado crescimento chinês e o baixo custo do capital no mundo, o Brasil teve desempenho econômico medíocre.

Crescemos bem menos do que a média dos emergentes, e com inflação bem maior. O pouco que crescemos se deu por fatores insustentáveis, como o irresponsável endividamento do governo e das famílias, estimulado pelo próprio governo. Faltou um projeto de país, e sobrou a visão míope de se pensar apenas nas próximas eleições.

O engodo que foi o lulismo, incluindo dois anos de sua “criatura” Dilma, fica evidente no livro, com a quantidade absurda de promessas irreais, factoides criados somente de olho nas campanhas eleitorais. Foi a era do marqueteiro, tudo voltado às aparências, sem preocupação com resultados concretos.

O desrespeito com as instituições republicanas foi total, chegando várias vezes ao escárnio. “O PT aprofundou o processo de desmoralização da política”, acusa Villa. Ser “amigo do rei” nunca foi tão importante para o sucesso. As bases da pirâmide foram compradas com esmolas, no pior estilo coronelista, e o topo, representado pelo grande capital, teve o BNDES a seu dispor, em magnitude jamais vista.

Os artistas também se venderam pelo “apoio cultural”. Nada mais é realizado nesta área sem que tenha a participação estatal, criando-se uma relação de completa dependência. A esquerda caviar e o PT desenvolveram uma simbiose umbilical, destruindo qualquer chance de integridade artística na maioria dos casos.

No âmbito externo e diplomático, o lulismo também deixaria sua marca podre. O Itamaraty tem sido responsável por vexames internacionais, deixou de lado sua tradicional postura de isenção, aderindo ao bolivarianismo e se alinhando aos piores ditadores. O viés ideológico e os objetivos partidários estiveram acima dos interesses nacionais. O Mercosul é um atraso de vida, e acordos bilaterais de livre comércio não foram selados por culpa do PT.

Por trás de tudo isso, como aponta Villa, há uma oposição acovardada, tímida, incapaz de combater com determinação o avanço do lulismo. Em 2005, essa postura equivocada ficou evidente, no erro estratégico de deixar o PT sangrar com o mensalão na expectativa de derrotá-lo nas urnas. Foi um marco do “vale tudo” adotado por Lula. Sua vitória foi a derrota da ética, a morte da jovem República ainda em construção.

Como o autor reconhece, não será nada fácil tirar o PT do poder. Primeiro, porque muitos grupos de interesse foram capturados. O PT transformou as estatais e seus poderosos fundos de pensão em instrumentos partidários. “Estabeleceu uma rede de controle e privilégios nunca vista na nossa história.”

Segundo, porque boa parte da população parece não se dar conta do que é o PT, um partido que sequer respeita seu próprio estatuto, preferindo defender, em vez de expulsar, criminosos condenados em última instância pelo STF, com ministros escolhidos pelo próprio PT. O povo tem memória curta. E aqueles que não se lembram do passado estão condenados a repeti-lo. O livro de Villa é um antídoto contra esse esquecimento. Leiam!

TURBINANDO OBRAS

TURBINANDO OBRAS
A presidente Dilma volta a bater o bumbo no dia 10 de dezembro.
Nesta data, ela e um séquito de ministros do governo, estarão nas usinas [hidrelétricas] de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia. Ela vai inaugurar o início das operações das usinas e a primeira linha de transmissão que levará a energia gerada, pelo rio Madeira, ao sistema integrado nacional.
Serão inauguradas algumas turbinas e isto significa que a presidente Dilma pretende voltar ao empreendimento outras vezes durante o ano que vem.
Acontece que, quando concluídas, as usinas de Jirau terá 46 turbinas e a de Santo Antônio 50 turbinas.
A ideia no governo é, como se diz, chupar até o último bagaço da laranja.

As redes sociais radicalizam a política?

Em artigo no GLOBO hoje, Pedro Doria argumenta que o avanço das redes sociais foi diretamente proporcional ao radicalismo crescente nos debates políticos. Cada grupo procura apenas reforçar suas teses preconcebidas, encontram mais facilmente seus pares, e isso torna o radicalismo mais comum.
Doria tem um ponto. Podemos notar isso no Facebook, certo clima de Fla x Flu. Mas cita exemplos ruins para sua tese. Concorda com a ombudsman da Folha e com Míriam Leitão, ignorando que ambas simplesmente rotularam oponentes – Reinaldo Azevedo e eu mesmo, no caso da segunda – que nem são exatamente radicais.
Em seguida, citou Frei Betto para reforçar seu ponto, uma vez que o ex-guerrilheiro também escreveu sobre o radicalismo crescente à esquerda e à direita. Frei Betto? Agora virou ícone do ponto de vista moderado? Só no Brasil mesmo isso pode passar!
Eis justamente meu ponto de discordância com Doria: no clima tupiniquim, o radicalismo de esquerda passou a ser visto como postura moderada, enquanto qualquer visão mais liberal ou conservadora é automaticamente tachada de radical. Assim não dá!
Portanto, gostaria de sugerir outra tese: a de que as redes sociais permitiram que um grande grupo silencioso, sem representação da grande imprensa, tivesse finalmente voz. Cansados de ver esse suposto neutralismo da mídia, que no fundo sempre tem viés de esquerda, essas pessoas buscaram na internet opções para extravasar.
Afinal, muito antes do avento da internet, já tínhamos marxistas atuando na política. O marxismo, por acaso, não é radical? Como Doria explica isso? Não dá para afirmar que o radicalismo nasceu com as redes sociais, quando lembramos que o próprio PT sempre contou com milhões de simpatizantes. O PT não é radical?
O alerta de Doria deve ser levado a sério: devemos buscar o contraditório, o diálogo civilizado com quem discorda de nossa visão. Isso é saudável, e inclusive uma postura altamente liberal, pois parte da premissa de nossa falibilidade.
Mas procurar debater de forma aberta com quem discorda não é o mesmo que ser sempre em cima do muro, ou alçar o “pragmatismo moderado” ao patamar de religião. Em vários momentos fará mais sentido adotar um ponto com firme convicção. Não vejo mal nisso, e sim no dogmatismo típico dos fanáticos.
A grande imprensa está incomodada por perder espaço para a internet. Compreensível. Mas deveria usar isso para uma reflexão autocrítica também. Será que se deve apenas ao fator “bolha” das redes sociais, onde os similares se unem? Ou será que pode ter alguma ligação com esse falso neutralismo da própria imprensa?
Por fim, acrescento uma terceira opção: os próprios partidos de esquerda criaram um clima de segregação na sociedade. Obama claramente fez isso nos Estados Unidos, assim como Lula no Brasil. Nós contra eles, pobres contra ricos, trabalhadores contra empresários, mulheres contra homens, gays contra heterossexuais, negros contra brancos, enfim, a velha tática do dividir para conquistar.
Ao abusar dessa retórica, a esquerda conseguiu criar um verdadeiro racha em vários países. A reação do lado de lá passa a ser vista como radicalismo, enquanto, na verdade, vem combater esse radicalismo original da esquerda. Não me agrada a postura de Marco Feliciano, mas será que ele teria eco sem Jean Wyllys e tantos outros radicais “progressistas”?
Rodrigo Constantino

‘Uma babá de ouro’, de José Casado

Publicado no Globo desta terça-feira
JOSÉ CASADO
A morena de 29 anos, traços indígenas, olhos castanhos e cabelos clareados, encantou o senador. Levou-a para casa, para cuidar dos filhos.
Semanas atrás, descobriu-se que Gabriela Quintana Venialgo recebia um salário mensal equivalente a R$ 8.200: metade saía da folha de pagamentos do Legislativo; outra metade vinha do caixa de Itaipu Binacional, cujo controle é partilhado entre as empresas estatais de energia do Brasil (Eletrobras) e do Paraguai (Andes).
Gabriela agora é uma mulher famosa. Se tornou a “babá de ouro” do senador paraguaio Víctor Bogado, que também inscreveu uma voluptuosa ex-miss na folha salarial do Congresso.
Parecia ser apenas outro escândalo num trecho da América do Sul onde a corrupção ergueu um país de dois andares. O primeiro é reconhecido pela cartografia internacional e identifica o Paraguai com 406 mil quilômetros quadrados de extensão — área equivalente ao Mato Grosso do Sul.
O segundo andar é de papel pintado, plasmado nas escrituras de propriedade guardadas pelo governo. Tem 122 mil quilômetros quadrados. Esses dois Paraguais somam um território de 528 mil quilômetros quadrados — quase o tamanho de Minas Gerais. Na diferença entre o real e o de papel, cabem juntos os estados do Rio, Espírito Santo, Sergipe e mais uma área igual a duas Brasílias.
O Paraguai tem peculiaridades. Na economia, por exemplo, o contrabando é responsável por boa fatia do Produto Interno Bruto: para cada dólar registrado como receita de exportações realizadas ao Brasil, existem outros três dólares obtidos na venda ilegal de mercadorias ao mercado brasileiro, segundo dados oficiais.
Parecia ser apenas mais uma drenagem política do caixa de Itaipu Binacional. A construção dessa usina hidrelétrica, com represa da altura de um edifício de 65 andares, produziu fortunas e núcleos de poder tanto no Brasil quanto no Paraguai.
Elas surgiram entre 1975 e 1982 na poeira de despesas públicas colossais, como a compra de um volume de concreto suficiente para se construir 210 estádios do porte do Maracanã e de quantidade de ferro bastante para montagem de 380 torres Eiffel. Por anos seguidos a rarefeita contabilidade de Itaipu registrou a compra de caminhão com 30 toneladas de cimento a cada quinze minutos, 24 horas por dia.
Há dez dias, no entanto, o Paraguai vive uma convulsão política por causa do senador Bogado e sua “babá de ouro”. O Ministério Público resolveu processá-lo, mas 22 dos 45 senadores impediram a retirada da imunidade parlamentar. Desde então, assiste-se a uma avalanche de protestos contra a corrupção.
Entidades empresariais aderiram. Lojas, restaurantes e empresas médicas publicam anúncios pedindo a renúncia dos 23 que confundem imunidade com impunidade. Em Santa Catarina, hotéis onde políticos paraguaios veraneiam já expõem cartazes: “Os 23 não são bem-vindos.”
O escrache avançou no fim de semana. Restaurantes em Assunção se recusaram a atender as senadoras Blanca Fonseca e Zulma Gómez. Óscar Daher foi expulso de uma pizzaria aos gritos de “fora ladrão”. Outros foram impedidos de entrar em shoppings. Nas igrejas houve homilias e sindicatos começaram a organizar uma greve geral.
Há uma novidade nas duas margens do Rio Paraná: os donos do poder já não podem delinquir com impunidade absoluta.

QUALIDADE SOCIALISTA NA EDUCAÇÃO- BURROS VERMELHOS EM PROFUSÃO- Enem 2012 repete 2011 e mostra poucas escolas públicas na elite

O RELINCHO- Pesquisadores encontraram no norte do Mato Grosso uma antinha que não só fala asneiras como faz discursos demagógicos. Espíritas estão achando que é Hugo Chávez reencarnado.

O grande salto. Ou: Seriam os eleitores do PT como os lêmingues?

Após dois mandatos de Lula e um de Dilma, o PT ainda reclama da “herança maldita” da era FHC e pede mais 4 anos para, agora sim!, entregar bons resultados econômicos. Crescemos menos do que a média dos emergentes nesse período, e tivemos inflação mais elevada.
Os ventos de fora nunca foram tão favoráveis para um país como o nosso, com vastos recursos naturais, população jovem e dimensão continental. Não obstante, a economia segue patinando, com crescimento medíocre. Estamos praticamente em estagflação.
Fome Zero, Trem-bala, caças novos, Belo Monte, pré-sal, milhões de creches, transposição do rio São Francisco, Minha Casa Minha Vida, Mais Médicos, Primeiro Emprego, Programa de Aceleração do Crescimento, enfim, projetos grandiosos não faltaram – ao menos não nas promessas. Quase tudo foi um retumbante fracasso ou nem saiu do papel.
Enquanto isso, a carga tributária sobe sem parar e está em nível recorde histórico, assim como o endividamento do governo, que já passa de R$ 2 trilhões! Já temos 39 ministérios também, e que excelentes serviços prestados, não é mesmo?
Não importa! O PT pede mais 4 anos. É para, finalmente, o país dar um grande salto. Como o timoneiro Mao Tse-Tung também prometera aos chineses, nos tempos em que os comunistas de lá ainda não tinham se encantado com o capitalismo.
Pois bem: eis a imagem que peguei nas redes sociais e que representa com perfeição este grande salto petista:
O grande salto
É como no mito dos lêmingues, os roedores que supostamente cometeriam suicídio em massa durante a migração em busca de novo habitat. Não é verdade, até onde sei. Mas se fosse, os brasileiros que votam no PT seriam exatamente como esses roedores.
Os argentinos e os venezuelanos estão mais adiantados, e já deram o grande salto deles. Agora sim, vamos dar nosso grande salto! Ou não…
Rodrigo Constantino

Dirceu como concierge? Pouco provável…

Rodrigo Constantino
O ex-ministro da Casa Civil José Dirceupediu nesta segunda-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para trabalhar durante o dia no Hotel Saint Peter, em Brasília. A informação foi confirmada, à noite, pelo advogado de Dirceu, José Luís de Oliveira Lima. Não foi esclarecido o trabalho que o ex-ministro fará no hotel, se o ministro Joaquim Barbosa concordar com o pedido.
Oliveira Lima disse que nesta terça-feira formulará o mesmo pedido à Vara de Execução Penal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, que recebeu delegação do STF para tomar as medidas necessárias ao cumprimento das penas dos condenados no processo do mensalão. O Saint Peter fica no Setor Hoteleiro Sul, na região central de Brasília, próximo da Esplanada dos Ministérios, do Palácio do Planalto e do Congresso.
Quer dizer então que Dirceu pretende trabalhar em um hotel? Fazendo o que? Como concierge? Carregando as malas dos hóspedes? Como garçom do restaurante? Pouco provável…
Mas lembremos que Dirceu já “trabalhou” em um hotel. VEJA fez uma grande reportagem sobre o assunto:
Desde que foi abatido pelo escândalo do mensalão, em 2005, tudo em que o ex-ministro José Dirceu se envolve é sempre enevoado por suspeitas. Oficialmente, ele ganha a vida como um bem sucedido consultor de empresas instalado em São Paulo. Na clandestinidade, porém, mantém um concorrido “gabinete” a 3 quilômetros do Palácio do Planalto, instalado numa suíte de hotel. Tem carro à disposição, motorista, secretário e, mais impressionante, mantém uma agenda sempre recheada de audiências com próceres da República – ministros, senadores e deputados, o presidente da maior estatal do país. José Dirceu não vai às autoridades. As autoridades é que vão a José Dirceu, numa demonstração de que o chefão – a quem continuam a chamar de “ministro” – ainda é poderoso.
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Imagens obtidas por VEJA e que estão na galeria que ilustra esta reportagem mostram que Dirceu recebeu, entre 6 e 8 de junho, visitantes ilustres como o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, os senadores Walter Pinheiro, Delcídio Amaral e Lindbergh Farias, todos do PT, e Eduardo Braga, do PMDB, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, e os deputados Devanir Ribeiro e Cândido Vaccarezza, do PT, e Eduardo Gomes, do PSDB. Esteve por lá também o ex-senador tucano Eduardo Siqueira Campos.
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Procurado por VEJA, Dirceu não respondeu às perguntas que lhe foram feitas. A suíte reservada permanentemente ao “ministro” custa 500 reais a diária. Quem paga a conta é o escritório de advocacia Tessele & Madalena, que tem como um dos sócios outro ex-assessor de Dirceu, o advogado Hélio Madalena. Na última quinta-feira, depois de ser indagado sobre o caso, Madalena instou a segurança do hotel Naoum a procurar uma delegacia de polícia para acusar o repórter de VEJA de ter tentado invadir o apartamento que seu escritório aluga e, gentilmente, cede como “ocupação residencial” a José Dirceu.
Estamos todos curiosos: qual emprego Dirceu pretende buscar nesse hotel? Por via das dúvidas, aconselharia todos os hóspedes a não deixar nada de valor nos quartos. Nem mesmo nos cofres!

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