terça-feira, 26 de novembro de 2013

As redes sociais radicalizam a política?

Em artigo no GLOBO hoje, Pedro Doria argumenta que o avanço das redes sociais foi diretamente proporcional ao radicalismo crescente nos debates políticos. Cada grupo procura apenas reforçar suas teses preconcebidas, encontram mais facilmente seus pares, e isso torna o radicalismo mais comum.
Doria tem um ponto. Podemos notar isso no Facebook, certo clima de Fla x Flu. Mas cita exemplos ruins para sua tese. Concorda com a ombudsman da Folha e com Míriam Leitão, ignorando que ambas simplesmente rotularam oponentes – Reinaldo Azevedo e eu mesmo, no caso da segunda – que nem são exatamente radicais.
Em seguida, citou Frei Betto para reforçar seu ponto, uma vez que o ex-guerrilheiro também escreveu sobre o radicalismo crescente à esquerda e à direita. Frei Betto? Agora virou ícone do ponto de vista moderado? Só no Brasil mesmo isso pode passar!
Eis justamente meu ponto de discordância com Doria: no clima tupiniquim, o radicalismo de esquerda passou a ser visto como postura moderada, enquanto qualquer visão mais liberal ou conservadora é automaticamente tachada de radical. Assim não dá!
Portanto, gostaria de sugerir outra tese: a de que as redes sociais permitiram que um grande grupo silencioso, sem representação da grande imprensa, tivesse finalmente voz. Cansados de ver esse suposto neutralismo da mídia, que no fundo sempre tem viés de esquerda, essas pessoas buscaram na internet opções para extravasar.
Afinal, muito antes do avento da internet, já tínhamos marxistas atuando na política. O marxismo, por acaso, não é radical? Como Doria explica isso? Não dá para afirmar que o radicalismo nasceu com as redes sociais, quando lembramos que o próprio PT sempre contou com milhões de simpatizantes. O PT não é radical?
O alerta de Doria deve ser levado a sério: devemos buscar o contraditório, o diálogo civilizado com quem discorda de nossa visão. Isso é saudável, e inclusive uma postura altamente liberal, pois parte da premissa de nossa falibilidade.
Mas procurar debater de forma aberta com quem discorda não é o mesmo que ser sempre em cima do muro, ou alçar o “pragmatismo moderado” ao patamar de religião. Em vários momentos fará mais sentido adotar um ponto com firme convicção. Não vejo mal nisso, e sim no dogmatismo típico dos fanáticos.
A grande imprensa está incomodada por perder espaço para a internet. Compreensível. Mas deveria usar isso para uma reflexão autocrítica também. Será que se deve apenas ao fator “bolha” das redes sociais, onde os similares se unem? Ou será que pode ter alguma ligação com esse falso neutralismo da própria imprensa?
Por fim, acrescento uma terceira opção: os próprios partidos de esquerda criaram um clima de segregação na sociedade. Obama claramente fez isso nos Estados Unidos, assim como Lula no Brasil. Nós contra eles, pobres contra ricos, trabalhadores contra empresários, mulheres contra homens, gays contra heterossexuais, negros contra brancos, enfim, a velha tática do dividir para conquistar.
Ao abusar dessa retórica, a esquerda conseguiu criar um verdadeiro racha em vários países. A reação do lado de lá passa a ser vista como radicalismo, enquanto, na verdade, vem combater esse radicalismo original da esquerda. Não me agrada a postura de Marco Feliciano, mas será que ele teria eco sem Jean Wyllys e tantos outros radicais “progressistas”?
Rodrigo Constantino

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