quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Lucro da Caixa cresce, mas cuidado! A Caixa pode conter um furo no fundo…

A Caixa Econômica divulgou o resultado do terceiro trimestre de 2013, com estabilidade no lucro em relação ao trimestre anterior, mas crescimento de quase 20% no ano em relação a 2012.
Em setembro, os ativos totais administrados alcançaram R$ 1,5 trilhão. Desses, R$ 858,4 bilhões representavam os ativos próprios da Instituição, expansão de 27,5% em 12 meses. O número é reflexo do aumento de 40,0% da carteira de crédito, que alcançou saldo de R$ 463,4 bilhões e representava 17,7% do crédito do SFN.
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Para o presidente da Caixa, Jorge Hereda, “os resultados alcançados demonstram a sustentabilidade da estratégia da CAIXA e o seu papel de instituição financeira e agente de políticas públicas, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população brasileira”.
Há controvérsias. A voracidade no crescimento da carteira de crédito da Caixa acende várias luzes amarelas para os mais atentos. O fato de a inadimplência ainda estar em patamar baixo e o lucro parecer elevado não altera isso: durante a fase da fomentação de uma bolha, os indicadores parecem positivos mesmo.
Foi assim na Irlanda, Espanha e Estados Unidos. A Fannie Mae parecia em ótimo estado de saúde financeira, com baixíssima inadimplência. Pouco tempo depois, estava quebrada. O único indicador que alertava para isso era o enorme grau de alavancagem.
Nesse aspecto, a Caixa assusta também. É o banco mais alavancado do país, entre os maiores. Possui R$ 32 de ativo para cada R$ 1 de patrimônio líquido. Mesmo observando apenas sua carteira de crédito, há mais de R$ 17 emprestados para cada R$ 1 de patrimônio. Ou seja: basta que míseros 5% dessa carteira sejam podres para que todo patrimônio vire pó!
Fonte: Caixa
Fonte: Caixa

O índice de inadimplência da Caixa é um dos menores do setor, perto de 2%. Enquanto houver pleno-emprego, esse nível pode continuar baixo. Mas o que acontecerá se o desemprego aumentar? O estrago no balanço da Caixa seria enorme. Dependendo do tamanho, fatal. 
É muito cedo, portanto, para celebrar os números do terceiro trimestre. Qualquer empresa teria dificuldade de administrar um crescimento tão rápido, de 40% em um ano (quanto aumentou a carteira de crédito da Caixa). Uma empresa estatal e do tamanho da Caixa, então, sem dúvidas criou novos problemas com essa expansão impressionante, motivada mais por critérios políticos do que econômicos.
Seria bom ter os tristes exemplos dos outros países em mente, para evitarmos o mesmo destino… 
Rodrigo Constantino

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