sábado, 23 de novembro de 2013

Não é falha na comunicação; é equívoco ideológico mesmo!

Excelente o artigo do meu ex-professor da PUC, Rogério Werneck, no GLOBO hoje. Bate em uma tecla que tenho insistido bastante por aqui: a de que o governo vive negando a realidade e buscando bodes expiatórios para não admitir o óbvio.
A nova malandragem está em responsabilizar o ruído na comunicação pelo desempenho medíocre da economia. Essa tática de colocar a culpa na falha de comunicação entre governo e empresários, defendida por Delfim Netto e companhia, não convence ninguém minimamente atento. Diz Werneck:
Não é preciso análise exaustiva das muitas evidências de que tal interpretação não faz sentido. Basta concentrar a atenção em poucos fatos relacionados à política fiscal. O que mais preocupa é que o governo se recusa a aceitar que fez escolhas equivocadas, que precisam ser urgentemente corrigidas. Muito pelo contrário, continua determinado a insistir nos mesmos erros.
Há algumas semanas, chegou a ser noticiado que, para evitar que a dívida brasileira fosse rebaixada pelas agências de classificação de risco, o governo estaria disposto a fechar dois grandes flancos que têm dado margem a avaliações muito negativas da condução da política fiscal. Seriam gradativamente eliminadas as vultosas transferências do Tesouro ao BNDES. E, no registro das contas públicas, não seriam mais utilizados truques contábeis. A escalada de “contabilidade criativa” dos últimos anos seria afinal encerrada.
Houve até quem acreditasse. Mas, poucos dias depois, a real extensão dessa suposta disposição de levar à frente tais mudanças pôde ser devidamente aferida. Perante uma plateia de sindicalistas, o presidente do BNDES denunciou as pressões pela redução de aportes do Tesouro à instituição como parte de um “ataque conservador” desferido contra o banco. E esclareceu que, na verdade, os desembolsos do BNDES em 2013 deverão atingir o nível recorde de R$ 190 bilhões.
Na mesma semana, em entrevista concedida à revista “Época”, o secretário do Tesouro Nacional exaltou o “sólido” estado das contas públicas no país e, quando indagado sobre os truques contábeis que tanto descrédito vêm trazendo ao registro das contas, permitiu-se partir para o deboche, declarando não saber o que era “contabilidade criativa”.
Ou seja, o problema não está na forma pela qual a mensagem está sendo passada, mas no conteúdo da mensagem mesmo. O governo Dilma acredita no intervencionismo exagerado, na expansão fiscal como instrumento desejável para estimular a demanda (quando o problema é do lado da oferta), no poder milagroso dos bancos estatais de criar recursos do além, etc.
Uma banda pode tentar culpar o fracasso do show na qualidade do som, nos equipamentos, na acústica do local, na chuva que resolveu cair no dia. Mas se o defeito estiver na própria banda, cujos integrantes não possuem talento algum, são desafinados, fora de ritmo e tudo mais, não adianta garantir as melhores condições para um bom espetáculo; ele não será possível com aquele grupo tocando.
É isso que acontece na economia brasileira hoje. A equipe, liderada pela própria presidente Dilma, precisa melhorar bastante para ficar apenas medíocre. O resultado não poderia ser bom, mesmo contratando o melhor comunicador do planeta…
Rodrigo Constantino

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