quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O enigma Pizzolato, por Alexandre Garcia

Um fiasco para as autoridades brasileiras é a fuga de Henrique Pizzolato. Consta que tenha atravessado a fronteira com o Paraguai e obtido novo passaporte italiano(e da Comunidade Européia) no consulado da Itália de Assunção, alegando perda do documento. Depois, decolou para Roma ou Milão. Até agora não se sabe aonde, na Itália, está Don Enrico Pizzolato, della mafia brasiliana. Foi condenado, em agosto do ano passado, por peculato, por 11 a zero (até Toffoli e Lewandowski aceitaram as provas contra ele). Teve mais de um ano para preparar a fuga. Além de retirar passaportes, não seria óbvio instalar tornozeleira?

Por escrito, Don Pizzolato afirma que sai "para ter uma novo julgamento na Itália, em tribunal que não se submete às imposições da mídia empresarial". Suponho que em contraposição da mídia empresarial, ele prefira a mídia estatal, como em Cuba. Mas na Itália também tem mídia empresarial. Ele esqueceu que o então presidente Lula e o então Ministro da Justiça, Tarso Genro, alegaram que a Justiça Italiana faz julgamento político e perseguição - para justificar o asilo que concederam ao autor de quatro assassinatos, Césare Battisti. Pizzolato argumenta que está protegido pelo tratado de extradição Itália-Brasil - que Lula e Tarso Genro desprezaram no caso Battisti. Pizzolato não cometeu crime na Itália e Battisti falsificou passaporte brasileiro.

A fuga enfraquece as posições de resistência e desafio de José Dirceu e José Genuíno. Os gestos dos dois, ao se entregarem, também ficam maculados pela foto do tesoureiro Delúbio Soares, com a cabeça coberta pelo paletó, no carro da polícia - imagem padronizada por corruptos presos. Pizzolato, que foi diretor da CUT e do Banco do Brasil, integrante das finanças da campanha de Lula, está no PT há duas décadas e fez coro com a alta direção petista: os ex-presidentes do partido, Dirceu e Genuíno e o tesoureiro Delúbio: consideram-se presos políticos, vítimas de um tribunal de exceção.

Estavam de cabeça quente com a prisão inesperada e não tiveram tempo de refletir: o tribunal de exceção tem 11 juízes e oito foram nomeados por Lula e Dilma; e o país que tem presos políticos - como Cuba -, é governado pelo PT há 11 anos. Se estivessem de cabeça fria, diriam que democracia é assim e que a grandeza do partido que está no governo é de tal forma que não interfere em outro poder, ainda que os condenados e presos tenha sido da mais alta hierarquia da agremiação. E Genuíno não gritaria "Viva o PT!" ao se entregar, para não jogar a pecha da condenação transitada em julgado sobre o partido. Foram oito anos de investigações, direito de defesa e julgamento. Não podem se queixar.

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