quinta-feira, 21 de novembro de 2013

PEDRO LUIZ RODRIGUES- ARGENTINA E VENEZUELA, EM CRISE, BUSCAM SAÍDAS INCOERENTES

Os principais aliados do Brasil na América do Sul, a Argentina e a Venezuela, ambos enfrentando graves problemas econômicos – decorrentes não do imperialismo das potencias ocidentais, mas da extraordinária incompetência de seus próprios governos – estão enveredando por caminhos que poderão produzir resultados negativos para os interesses brasileiros.

Na Argentina, a Presidente Cristina Kirchner, voltou com a carga toda depois de ter passado um mês internada. Deve ter meditado longamente sobre o desempenho desfavorável de seus candidatos nas eleições parlamentares de outubro e decidiu promover uma grande faxina na área econômica, completada com e destituição, anunciada ontem à noite, do secretário de Comércio, Guillermo Moreno.

A saída de Moreno (que ocupava o cargo desde 2005) à primeira vista devia ser motivo de comemoração. Era excessivamente, poderoso e trapalhão. Partiu dele, por exemplo, a decisão de intervir no INDEC (o equivalente ao IBGE argentino) para manipular as estatísticas, inclusive as da inflação e do crescimento, o que fez o país oficial descolar da realidade a tal ponto que até mesmo o governo perdeu a noção das coisas.

Moreno negociava com os empresários na base da borduna. Estes aceitavam as frequentes cacetadas em troca dos benefícios que passaram a auferir com a construção de uma verdadeira muralha protecionista que tentou, sem muito sucesso, proteger a situação do balanço de pagamentos. O fato é que as reservas cambiais do país estão hoje em seu nível mais baixo desde 2007 e a inflação disparou.

Moreno era trapalhão, mas era conhecido e com ele o Brasil aprendeu a lidar ao longo dos anos. Mas agora o comando da economia passa a Axel Kicillof, o “soviético” como o chamam pelas costas, um teórico ortodoxo pouco afeito às armadilhas da realidade. Os mercados não comemoraram. Depois do anúncio de seu nome a bolsa de Buenos Aires caiu 6,6% e o dólar paralelo escalou para $10.

No La Nación, de hoje, Joaquín Morales Solá observa que Moreno está indo embora, mas que ninguém pode assegurar que acabará também a ‘morenização’ de um governo que se acostumou à arbitrariedade e ao excesso de intervenção na economia. Diferentemente de Roberto Lavagna, a quem substituiu, Kicillof terá plenos poderes. O problema é que de Morena era intervencionista, o novo ministro “es diretamente estatista”.

Como a situação das contas externas do país não andam lá muito bem das pernas, sou da opinião que Kicillof tornará a Argentina ainda mais protecionista.

Na vizinha setentrional, a Venezuela, mais grave, as coisas vão se desconjuntando aceleradamente. O presidente Maduro decidiu tornar ilegal a lei da oferta e da procura, criação perversa do imperialismo para impedir que os pobres venezuelanos comprem suas televisões a plasma. O exército agora ocupa as lojas para assegurar que os preços se manterão nos patamares desejados pelo governo.

Não precisamos de muito esforço mental para saber que a substituição de adequadas políticas monetária e fiscal pela baioneta somente agravará a crise de abastecimento que há meses afeta o país. As prateleiras já estão vazias e não se sabe como os generais da banda vão fazer para mantê-las com produtos.

Como a irracionalidade não tem limites, agora vem o Congresso venezuelano de aprovar a chamada Lei Habilitante, outorgando poderes especiais ao presidente Nicolás Madura, que durante um ano poderá legislar por decreto contra o terrorismo econômico que, na opinião do oficialismo, é a causa da profunda crise pela qual atravessa hoje a Venezuela.

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