domingo, 1 de dezembro de 2013

Fogo no Simon Bolívar!


Rodrigo Constantino

Um curto-circuito teria causado o incêndio no auditório Simon Bolívar, do Memorial da América Latina. O projeto é de Oscar Niemeyer e conta com uma grande mão aberta e sangrando, alusão às “veias abertas da América Latina”, bíblia esquerdista escrita por Eduardo Galeano, que retrata a nossa “exploração” pelo “império estadunidense”.
Há bombeiros feridos, alguns em estado grave. Desejo, antes de tudo, melhoras logo. Obras de Tomie Ohtake se perderam, consumidas pelas chamas. Lamento profundamente a perda.
O verdadeiro incêndio que gostaria de ver não é este, literal e que danifica obras de arte e machuca pessoas, mas sim um simbólico, que destruísse finalmente esse atraso ideológico que é o socialismo, tão adorado por intelectuais e artistas abaixo da linha do Equador.
Ironicamente, os bolivarianos, herdeiros do velho socialismo, exumaram, literalmente, Simon Bolívar como novo herói da causa. Só há um detalhe: o outro herói, profeta dos crentes, Karl Marx, não tinha coisas boas a dizer sobre Bolívar. Escreveu uma biografia do homem o chamando de covarde para baixo.
O economista Paulo Guedes chegou a escrever dois artigos no GLOBO sobre o assunto, para desespero dos bolivarianos marxistas. Até a embaixada da Venezuela tentou reagir. Faltaram apenas argumentos. Vejam alguns trechos de um dos artigos de Paulo Guedes:
“Proclamando-se libertador e ditador da Venezuela, Simón Bolívar formou uma tropa de elite para sua guarda pessoal. Sua ditadura não tardou a degenerar em anarquia. Os negócios importantes eram entregues aos amigos, arruinando as finanças públicas. O entusiasmo popular tornou-se descontentamento. (…) Em 4 de janeiro de 1817, decretou a Lei Marcial, concentrando todos os poderes em suas mãos. Passados cinco dias, quando o general Arismendi caiu numa emboscada dos espanhóis, o ditador fugiu para Barcelona. Em 5 de abril, os espanhóis tomaram essa cidade, e as tropas patriotas retiraram-se para uma fortificação nas proximidades. Bolívar deixou seu posto à noite, transferindo o comando ao coronel Freites, com a promessa de voltar com mais soldados. Confiante, Freites recusou a proposta de capitulação e foi trucidado com toda a guarnição pelos espanhóis.” 
“Presidente e libertador da Colômbia, protetor e ditador do Peru, padrinho da Bolívia, promoveu congresso no Panamá com Brasil, La Plata, México e Guatemala, sob pretexto de criar um novo código democrático internacional. O que Bolívar realmente queria era ser o ditador de uma federação sul-americana. Insistia na necessidade de se outorgarem novos poderes ao Executivo. Sob pressão de suas baionetas, assembléias populares em Caracas, Cartagena e Bogotá investiam-no de poderes ditatoriais. Bolívar exortava os cidadãos a expressar seus desejos por modificações na Constituição”, registra Marx no verbete “Bolívar y Ponte” (1857), preparado para a “Nova Enciclopédia Americana”. 
A evidência é devastadora: Karl Marx é visceralmente antibolivariano. As críticas de Marx a Simón Bolívar são de extraordinária ferocidade. Descredenciam suas manobras militares, depreciam suas motivações políticas e desqualificam seu caráter pela exposição de repetidos episódios de covardia e deslealdade
Resta saber quem chora pela destruição do Memorial Bolivariano Marxista: os marxistas ou os bolivarianos? A ignorância de ambos é uma bênção para sua dogmática união…

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