domingo, 1 de dezembro de 2013

Henrique Meirelles: a batalha é cultural, por Rodrigo Constantino

Confesso que tenho gostado de quase todos os artigos de Henrique Meirelles em sua coluna de domingo na Folha. São textos com viés claramente liberal, apesar de ele ter sido presidente do Banco Central em um governo petista (e, convenhamos, deixou saudades quando saiu, pois o que veio em seu lugar… é melhor nem comentar).
No artigo de hoje, Meirelles foca em um aspecto fundamental, que já tenho alertado há anos: a batalha por um Brasil mais próspero e livre é, acima de tudo, cultural. O custo Brasil, a infraestrutura, a mão de obra desqualificada, a carga tributária, a burocracia, tudo isso é extremamente relevante, mas não existe em um vácuo de ideias. Ao contrário: é a mentalidade da população que endossa e permite esse quadro lamentável.
Sem um ambiente cultural que valorize o empresário, o lucro, a meritocracia, o livre mercado, simplesmente não teremos capacidade de reverter esse quadro de intervencionismo estatal asfixiante. Diz o autor:
Tive primeira visão mais crítica da questão quando li há muitos anos o diário de Charles Darwin sobre sua volta ao mundo nos anos 1830, na qual desenvolveu a teoria da evolução.
Ao passar pelo Brasil, o que mais chamou sua atenção foi o conceito de que homem de bem era o que se dedicava às coisas nobres, como as artes, e não às coisas “menores”, como o trabalho, visto como atividade de escravos ou mal-intencionados. Mal-intencionado era todo aquele que quisesse ganhar dinheiro almejando o lucro, fosse comerciante ou agricultor.
De lá para cá, o país evoluiu muito com o fim da escravidão, a urbanização, as ondas migratórias, a massificação educacional e a ocupação produtiva do interior. Hoje o Brasil busca produtividade e conta com uma classe de trabalhadores e com empreendedores cientes do valor do trabalho.
Porém resiste em setores importantes uma visão arcaica contra o lucro e a meritocracia. Ter consciência de que ela é fruto de raízes culturais ultrapassadas contribui para seguir o processo de valorização da cultura do empreendedorismo, da meritocracia, da remuneração segundo a produtividade de cada um.
Quanto mais esses valores prevalecerem, mais perto estaremos do desenvolvimento que buscamos para todos.
Sonho com o dia em que os empreendedores serão os heróis nacionais, com nome em ruas e tudo mais, em vez de políticos que posam como defensores do povo humilde, enquanto vivem no conforto graças ao trabalho alheio desses empreendedores.
A busca pelo lucro em ambiente de livre concorrência precisa ser enaltecida, não demonizada. A principal mudança que o Brasil precisa é cultural. O resto depende disso…

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