sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

JORGE OLIVEIRA - NÃO APOSTE UM TOSTÃO NA REELEIÇÃO DA DILMA

Brasília – Os atuais números da Dilma não são garantia de reeleição. O que pesa nos bons índices da presidente ainda são as mais de 13 milhões de famílias que vivem do Bolsa Família. Quando se transforma isso em eleitor – pelo menos três por cada família – têm um peso expressivo favorável a presidente. A análise mais cuidadosa desses estudos derrete o favoritismo da candidata quando constata que quase 60% dos eleitores ainda estão indecisos, o que significa que os candidatos Aécio, Eduardo e a própria Dilma estão dividindo um universo de votos de apenas 40% do eleitorado.

É muito cedo, portanto, para o PT cantar de galo. O Lula, experiente em campanhas políticas, sabe disso muito bem. Para chegar à presidência da república, ele disputou três eleições. Pra chegar lá teve que disputar um segundo turno com José Serra e,  já no cargo,  amargou  nova disputa  com Geraldo Alkmin, até então um desconhecido no Brasil. Ao contrário de FHC que ganhou as duas eleições já no primeiro turno.

Os números que aparecem nas pesquisas de vários institutos são meros instrumentos de amostragem do momento. A Dilma com 40%, Aécio com quase 20% e Eduardo Campos beirando os 10% não refletem o desejo da grande maioria dos eleitores do país. Mesmo assim, pode-se constatar, para desespero dos socialistas, que Marina Silva até o momento não acrescentou um votinho sequer à urna de Campos. Transferência de voto é coisa difícil quando não se tem ainda dinheiro nem estrutura de campanha.

Dilma não ganhou a eleição com atransferência de votos pura e simplesmente. Foi eleita principalmente porque Lula azeitou a máquina do governo, favorecendo-a. Transformou-a em Mãe do PAC quando o dinheiro era distribuído a rodo para prefeitos e governadores, a economia saltava aos olhos do primeiro mundo em crise; o fortalecimento de uma aliança que trouxe, entre outros partidos, o PMDB inteiro para dentro do PT; e a fragilidade do José Serra, um candidato paulista, que age como paulista e fala como paulista. Ou seja: desconhece a linguagem do povão e a necessidade das regiões mais carentes do Brasil, como o Nordeste, por exemplo, onde se concentra até hoje o maior eleitorado do PT.

No momento atual, a presidente não tem que azeitar a máquina para um sucessor. Vai lubrificar a sua própria campanha. Correr atrás para juntar os partidos e tirar deles um bom tempo de televisão para viabilizar a sua campanha, engenharia difícil hoje. Ocorre, entretanto, que a sua inexperiência política em eleições pode levá-la a perder terreno para dois dos seus principais rivais: Aécio, cujo partido, o PSDB, governa São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais; e Eduardo Campos, do PSB, que promete esvaziar o manancial de votos do PT no Nordeste, de onde ele oriunda.

Pesa contra Dilma a sua falta de base política. Nasceu em Minas Gerais e morou a maior parte do tempo no Rio Grande do Sul.Nesses dois estados nunca se elegeu a coisa alguma, portanto não tem intimidade com esse eleitorado. Quis o destino que chegasse à presidência atropelando a escadinha política. Ao contrário dos seus adversários, Dilma não tem o traquejo do político calejado, do abraço, do aperto de mão e da manha com o eleitor. Deve concentrar a campanha na televisão para superar todas as dificuldades como a de não ter uma marca  própria de governo, por exemplo, e viver à sombra de Lula.

Ora, se os seus principais adversários também acertarem a mão nos programas de TV, a Dilma terá uma eleição difícilmesmo usando a máquina e a força do partido. E no segundo turno, já previsto, não se deve apostar um tostão na reeleição da presidente.

Conspira ainda contra a presidente, segundo as pesquisas revelam,  o sentimento de mudança incorporado pelo povo para 2014.
Diário do Poder

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