domingo, 15 de dezembro de 2013

RODRIGO CONSTANTINO- Financiamento público de campanha não é a solução

O STF está debatendo sobre a questão do financiamento de campanhas eleitorais, e alguns ministros têm dado sinais claros de que são contra o financiamento privado. É o caso do ministro Dias Toffoli, que disse: ”O financiamento público de campanha surge como a única alternativa de maior equilíbrio e lisura das eleições”. Isso não faz o menor sentido.
Em primeiro lugar, é preciso sempre lembrar que já existe financiamento público de campanha, via fundo partidário e “horário gratuito”, que não tem nada de grátis. São os pagadores de impostos que bancam essa farra, que em nada reduz a corrupção ou o uso de caixa dois.
Expandir esse financiamento público e abolir ou limitar muito a doação privada seria, além de medida hipócrita, uma saída totalmente ineficaz para desestimular a simbiose entre grandes empresas e governo. Claro que há oportunistas que financiam candidatos apenas de olho no retorno monetário depois. Esses vão continuar fazendo a mesma coisa, como aliás já fazem, só que por fora do sistema legal.
Mas há também quem doa por acreditar nas ideias, nos programas, na honestidade dos candidatos. é um direito individual básico que não pode ser tolhido. Forçar todos a contribuir com um mesmo fundo coletivo que será repartido entre os diferentes partidos é desrespeitar as preferências subjetivas de cada um. É obrigar um liberal a financiar um partido socialista, ou vice-versa.
Sem falar que isso beneficia de forma desproporcional aqueles partidos maiores, já estabelecidos, com ampla base de apoio. Ou seja, é um caminho que favorece o status quo, em detrimento de novas legendas que possam surgir para atender uma demanda reprimida.
É o caso do Partido NOVO, que vem fazendo um esforço para nascer e crescer de forma orgânica, somente com o apoio de indivíduos que realmente acreditem no projeto. Não é como aqueles partidos ligados a sindicatos que nascem num piscar de olhos, sabe-se lá com que tipo de financiamento.
O fundador do NOVO, João Dionísio Amoedo, chegou a lamentar o rumo dos debates no STF, escrevendo em seu Facebook: “Proibir o financiamento privado, em campanha eleitorais, como medida de combate a corrupção é como aprovar o desarmamento e acreditar que estamos combatendo a violência”.
Uma boa analogia, já que sabemos que o desarmamento de civis inocentes (uma vez que os marginais não vão devolver suas armas) serve apenas para o regozijo daqueles que ligam mais para as aparências do que para os resultados concretos de suas ações.
As duas principais causas para a corrupção e essa absurda simbiose entre grandes empresas e governo são o tamanho do estado e a impunidade. Enquanto ambas não forem atacadas, o restante é ou medida paliativa, ou desvio de foco com resultado ainda pior.
O prêmio de chegar ao governo é alto demais porque o governo concentra 40% de tudo que é produzido pela iniciativa privada. E o risco de fazer esquemas corruptos é baixo devido à impunidade. São esses os pontos principais que quem realmente quer reduzir a corrupção precisa endereçar. Dificultar financiamento privado e impor financiamento público não vai melhorar nada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Seguidores

Arquivo do blog

LIBERDADE COMO NOSSO DOM MAIOR

Ser livre para ir e vir!Pela liberdade de expressão.Pela humanidade contra os pregadores da escuridão que assolam nosso mundo moderno.Democracia verdadeira sempre,não aquela de fachada que persegue quem não compartilha de suas idéias.