sábado, 17 de agosto de 2013

JORGE OLIVEIRA- TSE: SUJOU, SUJOU!



Brasília – A Ministra Carmem Lúcia, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, abortou a “Operação “Serasa” antes que os dados de 141 milhões de brasileiros caíssem nas garras de uma empresa que vive de aterrorizar os consumidores fazendo cobranças, enviando cartas e pressionando para receber dívidas atrasadas. Louvável a ação da ministra ao dizer abertamente que desconhecia as negociações entre o tribunal que administra e uma empresa privada.



Mas a confissão verdadeira da ministra também gera desconfiança nos brasileiros. Ora, se ela desconhecia fato tão grave à frente do TSE não é o caso de fazer uma limpa e demitir todos os responsáveis pela “Operação Serasa”? Esse caso se tornou público pela inconveniência de um acordo lesivo aos milhões de eleitores, que teriam seus dados manipulados por uma empresa de cobrança. A pergunta é: não existiriam outros casos dentro do TSE, patrocinados pelos mesmos funcionários, que quebraram a confiança da ministra, expondo-a às críticas públicas?



O Tribunal Superior Eleitoral não pode sofrer abalos, escândalos. É um órgão fiscalizador das normas eleitorais do país, responsável pela lisura das eleições e pelo aval daqueles que chegam ao poder máximo, o da presidência da república. Portanto, é inconcebível que em menos de um mês dois escândalos seguidos do TSE ocupem as manchetes dos jornais. O primeiro, da Serasa, a ministra, num momento de lucidez, conseguiu barrar. O segundo, registrado esta semana pela revista Veja, é também grave. Mas irreversível.



O auditor Rodrigo Aranha Lacombe, responsável por checar as contas de campanhas dentro do tribunal, denunciou em depoimento que o ministro Ricardo Lewandowski , na presidência do TSE em 2010, sumiu com os resultados das suas investigações que impediriam a Dilma de tomar posse por irregularidades na prestação de contas de campanha. Era, na verdade, a segunda vez que o ministro usava de artifícios para livrar o PT de enrascada dentro do tribunal.



No Brasil do faz-de-conta, evidentemente tudo fica como está. Esta semana, o ministro senta junto a seus pares no STF para julgar recursos dos mensaleiros. Na primeira etapa do julgamento, Lewandowski, que fez carreira em São Bernardo do Campo, berço político do ex-presidente Lula, pediu a absolvição de Zé Dirceu, Marcos Valério e de João Paulo Cunha. Defendeu que não houve compra de votos, mas um crime menor, o eleitoral, envolvendo dinheiro de caixa 2 que irrigou a corrupção no governo Lula, tese derrotada dos mensaleiros.



O Tribunal Superior Eleitoral até agora não se manifestou sobre a denuncia do desaparecimento da pericia do auditor, como era de se esperar pela gravidade das acusações. Se não se explicar à população, a imagem que ficará é de um tribunal suspeito, manipulado à influencia de políticos poderosos, deplorável para a dignidade de uma grande Corte.

Diário do Poder

ÉPOCA- Dilma e a volta dos que não foram, por Guilherme Fiuza

É dura a vida sem teleprompter. Dilma Rousseff tem ótimas ideias quando lê o que seu marqueteiro escreve para ela dizer à nação. Nem é preciso decorar. Basta dar ênfase às palavras sublinhadas, sorrir quando a rubrica manda sorrir – e surge a estadista. Outro dia, a presidente tomou coragem e resolveu dar uma entrevista por ela mesma, na bucha, sem efeitos especiais. Era para a mídia impressa, então ninguém veria suas famosas pausas na busca aflita pela linha de raciocínio. Mas a coisa complicou mesmo assim. Alguém precisa urgentemente inventar o teleprompter 24 horas.

Na fatídica entrevista à Folha de S.Paulo, Dilma se soltou. “Eu tô misturada com o governo dele total”, disse, numa referência à administração do seu antecessor e padrinho. Nesse tom despachado, tipo estadista de beira de estrada, chamando a repórter de “minha querida” sempre que se irritava (tentando ser contundente sem o bendito letreiro do teleprompter), a presidente produziu uma pérola. Respondendo sobre a queda de sua popularidade, e as consequentes especulações em torno de uma volta de Lula à Presidência em 2014, Dilma disse: “Lula não vai voltar, porque ele não saiu”.

Se o marqueteiro presidencial assistia à entrevista, deve ter suspeitado que o grande momento chegaria. Na busca por tiradas espertas, numa espécie de arremedo brizolista (frases de efeito para não responder ao que é perguntado), Dilma já tinha dito coisas como “tudo o que sobe, desce” – para em seguida emendar, triunfal: “Tudo o que desce, sobe”. E isso acompanhado do gestual de malandragem, usando o dedo indicador para arregalar o olho puxando a pele para baixo, tipo “eu sei das coisas”. No que veio a pergunta sobre o retorno de Lula, ela não teve dúvida: rebateu com uma variação do famoso “a volta dos que não foram”.

A declaração de que Lula não voltará porque não saiu significaria, num país atento e saudável, um fim de linha. Uma admissão cabal e inequívoca de nulidade – a maior autoridade da República desautorizando publicamente a si mesma. A patética confissão de uma marionete. O Brasil passou os últimos dois anos e meio cultivando fetiches para dar recordes de aprovação a Dilma: as mulheres no poder, a grande gestora que enquadra os políticos, a “presidenta” que fala menos (do que Lula) e faz mais, a faxineira ética que não tolera os métodos duvidosos do seu antecessor, a “gerentona” que domou o PT etc. Enquanto o Brasil vivia feliz da vida esse delírio, Dilma agia como se Lula fosse um retrato amarelado na parede. “No meu governo mando eu”, e daí para cima.

De repente, num soluço das pesquisas de opinião, a carruagem vira abóbora. A Cinderela dos oprimidos volta à condição de serviçal e revela a fada madrinha barbuda (ou bigoduda). Ninguém entendeu mal, ninguém ouviu errado. Dilma declarou espontaneamente, sem teleprompter, que Luiz Inácio da Silva nunca saiu da Presidência da República. Não é uma dedução. A pergunta era sobre uma possível volta de Lula à Presidência. Portanto, Dilma declarou que “ele não saiu” da Presidência. Se ela não sabe o que diz, não pode presidir um país. Se sabe – pelo significado do que disse –, também não pode.

O Brasil, por alguma razão misteriosa, se recusa a ver é que Dilma é o Celso Pitta de Lula. Uma personagem inócua, eleita por um país irresponsável, para guardar o lugar do PT e seus sócios na mina de ouro do Planalto. O resultado disso é um governo faz de conta, em que o titular de fato circula por aí fazendo lobby, e a titular de direito solta balões de ensaio para distrair a plateia. Um governo que mente à luz do dia sobre suas próprias contas, que vem anunciar um corte orçamentário de fantasia, quando, na realidade, acaba de gerar o pior resultado fiscal desde o governo passado, avacalhando progressivamente a meta de superavit. Na mesma entrevista, a presidente que é mas não é defende seu ministro da Fazenda, ridicularizado mundo afora, para negar a evidente escalada inflacionária.

Quanto vale a retórica oca de uma autoridade sem poder?

Esse poder emana de um povo que sai às ruas sem saber por quê. Quem sabe o papa Francisco não dá uma passadinha no Palácio e resolve essa bagunça?

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