sexta-feira, 23 de agosto de 2013

EL PAÍS- Médicos cubanos e deserção


Deserção — O jornal El País entrevistou o médico cubano Julio César Alfonzo, formado em 1992 na Universidade de Havana e diretor atual da Organização Solidariedade Sem Fronteiras, grupo com sede em Miami que pretende dar apoio econômico e logístico aos cubanos que quiserem desertar durante missões médicas internacionais. “Eles estão formando médicos em tempo recorde para suprir as necessidades de exportação e isso tem sido feito em detrimento da qualidade de formação dos médicos e da medicina de Cuba, que costumava ser de primeira. Isso está ocorrendo desde que começou a parceria com a Venezuela entre 2003 e 2004”, disse o médico.

Segundo Alfonzo, nos últimos anos 5.000 profissionais da saúde cubanos desertaram durante missões internacionais, a maioria fugindo para o sul da Flórida — justamente a região onde fica Miami. A cada semana, sua organização recebe entre sete ou oito telefonemas de médicos que querem fazer o mesmo. “Pelo menos 95% deles nos ligam da Venezuela. Lá eles vivem em condições muito ruins, são enviados aos piores lugares, onde estão todos os delinquentes, sem nenhuma garantia para sua vida”, afirmou Alfonzo ao El País.

Reynaldo-BH: Os doutores de Fidel não são bem-vindos ao nosso país

REYNALDO ROCHA
Poucos atos ofendem mais a dignidade humana que o de enganar, mentir e fazer de quem ouve uma marionete na certeza da inação e do esquecimento.
Hoje somos todos marionetes nos cordéis ou em mãos de artistas mambembes.
O governo conseguiu o que queria. Usou da mentira e de afirmações que não se sustentam nem por um dia para arquitetar e dar continuidade a uma entrega da saúde no Brasil em mãos de cubanos. Os mesmos que erraram no diagnóstico e tratamento de Hugo Chávez.
Onde a medicina massificada abriu mão da competência em nome de uma propaganda ridícula baseada em número de médicos mal formados.
Alexandre Padilha ─ o ex-médico que envergonha a classe a que um dia pertenceu ─ informou ao país que o plano de importação de médicos cubanos estava sepultado. O foco estava voltado para os europeus.
Como de se prever, estes não vieram. Sabem o que os espera.
E, de repente, de modo quase surpreendente (a se crer no anunciado cancelamento), estamos com 4 mil doutores de Fidel em nosso país. Não são bem vindos. Entre eles, enquadram-se brasileiros formados em Cuba a partir de seleção por “critérios ideológicos”, idealistas que querem ─ antes da diagnose ─ propagandear as delícias do regime cubano, bolivariano ou lulopetista e, por fim, médicos que se submetem a receber R$ 2 mil de um total de R$ 10 mil pagos ao governo de Cuba como forma de sobrevivência, além de terem as famílias impedidas de sair da ilha do Coma Andante.
Que país disporia de 4 mil médicos, de modo imediato , para serem deslocados? Seriam os melhores os que atendem em Havana? Deixariam seus pacientes desamparados ou com outro profissional? Ou a lógica diz que são o restolho do restolho, os que sequer trabalham na própria Cuba dos Castro?
Precisam dispor de seus salários para o governo? Aceitam ─ por quê? ─ receber um percentual ridículo pelo trabalho pago? Quem os escolheu? Porque não serão submetidos ao Revalida?
Desembarcarão no Brasil com gaze, esparadrapo, estetoscópio, equipamentos de exames básicos, equipamentos de eletro cardiograma, macas, leitos e sabão para lavar as mãos, que faltam aos médicos brasileiros?
Trarão ambulâncias equipadas com desfibriladores? Enfermeiros formados que não confundam soro com cortisona? Nada disso foi levado em conta. Se antes o lulopetismo roubava, deixava roubar e mentia, hoje concorda com mortes mais que previsíveis. Não haverá NENHUMA melhoria! Podem cobrar! Não existe mágica. Medicina não é curandeirismo. É ciência. E para tanto, precisa dos meios para poder existir.
O que importa são os quase meio bilhão de reais por ano a serem enviados ao governo de Cuba! E a propaganda. Agora, sem nenhuma reclamação dos médicos que NÃO irão atender, mas são proibidos de se manifestarem. Eles são EMPREGADOS do governo cubano, não do brasileiro. São pagos pelo GOVERNO DE CUBA. Dependem do humor dos comandantes que trocou soldados por médicos. Mesmo na Venezuela este sistema de trabalho escravo não deu certo. A população ─ mesmo falando a mesma língua, que não é o caso ─ evitava os cubanos por considera-los despreparados. Tanto é que os 4 mil que desembarcam com as bençãos de Dilma et caterva estavam, antes, na Venezuela. Até lá o contrato não foi renovado.
A saída por cá? Em um ano teremos o desastre e a explicação oficial: “tentamos, mas não deu certo”.
Não é estranho que em ano eleitoral estes valores astronômicos sejam enviados a Cuba? Retornarão? Ou alguém esqueceu dos dólares enviados em caixas de whisky para a campanha de Lula? Do tal “padre” cubano que dizia a todos estar financiando a campanha do Imperador de Garanhuns? Em um cenário de maior atenção INTERNA para financiamentos de campanha, que tal ter financiamento externo? É delírio ou os fatos indicam isso?
A saúde do povo? Dane-se, parecem dizer. Se o cidadão morre por falta de médico, nada altera. Agora morrerão por falta de competência. Fica tudo do mesmo tamanho.
Só acho que há uma conspiração mundial (aí incluído Estados Unidos, Europa, México e até América Latina!) que quer ver o governo Lula, digo Dilma, naufragar!
Afinal, houve claramente um boicote desta classe gananciosa de médicos que, NO MUNDO TODO (à exceção de Cuba!), à generosa oferta de Padilha e Dilma: receberem pelo pouco trabalho ─ basta emitir atestados de óbito.
A culpa é dos médicos!

O susto (Brasil & Brics), por Caio Blinder

Eu iniciei esta looooonga primeira semana pós-férias escrevendo sobre meu susto em São Paulo, onde, entre outras coisas, deu para sentir a babaca euforia eike batistiana cedendo lugar ao catastrofismo. Vamos fechar a semana ampliando o arco, falando do susto Brasil (e Brics). Ainda um pouco enferrujado pela dolce vita das férias, meio preguiçoso, eu pego carona num texto do economista sueco Anders Aslund, um dos gurus da transição de economias planificadas para economias de mercado, especialmente no finado bloco soviético.
Mas, neste texto publicado no Financial Times, o tema de Aslund é o funesto bloco de marketing alcunhado de Bric. Ele deixa no singular mesmo, nem comprando o abuso de marquetagem que foi acrescentar o S (South Africa, África do Sul), ao bloco formado por Brasil, Rússia, Índia e China, na sopa de letrinhas cozinhada pelo economista inglês John O’Neill em 2001.
O deslumbramento com o bloco acabou. O susto para Aslund não é que tenha terminado, mas que tenha demorado tanto tempo para cair a ficha. Nos quatro países, existe uma deterioração econômica, em escalas diferentes, evidentemente. Jim O’Neill, sem dúvida, antecipou tendências ao cunhar o termo em 2001. Aslund lembra que entre 2002 e 2008 o mundo viveu um dos maiores booms de commodities e crédito da história.
Este baile da ilha Fiscal se alongou por mais uns cinco anos graças ao afrouxamento monetário nas economias maduras (a destacar nos EUA), o que resultou na inundação de financiamento fácil nos mercados emergentes.
Foram anos mal aproveitados de fartura de preparação para dias inglórios. Brasil e Rússia foram prejudicados pela baixa dos preços de commodities, os bancos chineses estão alavancados e a Índia padece de muitas doenças, como alta inflação, corrupção e governança medíocre. Há o consolo indo-brasileiro: são duas democracias. Aliás, a promessa deste colunista é escrever com mais denodo sobre a Índia de agora em diante.
Aslund destaca a arrogância dos quatro países nos tempos do boom. Ele lembra a construção de elefantes brancos. Em 2008, a China bateu o recorde de gastança esportiva: US$ 40 bilhões para sediar as Olimpíadas de Pequim. Agora em 2014, a Rússia vai torrar estimados US$ 50 bilhões nas Olímpiadas de inverno, em Sochi (em 2010, o custo em Vancouver foi de US$ 6 bilhões). E temos, é claro, os folguedos brasileiros (Copa em 2014 e Olimpíadas no Rio em 2016), que engatilharam protestos de rua. Tirando a China, os outros integrantes do bloco são uma história de gargalos devido à ausência de investimentos vitais de infraestrutura.
O pensamento econômico também está entupido. Há uma visão protecionista e estatizante das elites governantes. No Parlamento russo, um dos mais influentes deputados, Igor Rudensky, teve a audácia de dizer que “nós precisamos preservar tudo de positivo da experiência histórica soviética”.
A festa do Bric acabou, mas não o porre. Assusta.

Bons de bico, por Dora Kramer

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo


Quando o PSDB elegeu o senador Aécio Neves presidente do partido, em maio último, automaticamente consolidou seu nome para concorrer à Presidência da República em 2014. Os tucanos não queriam dar mais espaço às tergiversações e aos vaivéns que marcam suas decisões sobre candidaturas presidenciais há mais de dez anos.

O próprio Aécio já havia dado ao assunto atestado de questão vencida, ao declarar que sua eleição significava a virada da página das divisões e disputas internas no partido. Portanto, não há que se falar em prévias para escolha da candidatura presidencial sem se atentar para a evidência de que se trata de uma fabulação em torno de um fato consumado.

O partido abre um debate a respeito de algo decidido; de onde, não há remota possibilidade de ocorrer uma disputa na acepção do termo. Então, qual a utilidade de tudo isso? Pelo jeito, só para ganhar tempo e espaço no noticiário, conquanto tal atitude não preste as devidas homenagens ao discernimento do respeitável público de um filme visto e revisto.

Essa história de prévias surgiu a partir da disposição cada vez mais clara do ex-governador José Serra de se candidatar em 2014._ preferencialmente à Presidência. Seus aliados resistem a deixar o PSDB e ele, por sua vez, mede o efeito da saída sobre esse grupo.

Diante do falatório, o senador Aécio resolveu rebater dizendo que aceita as prévias e Serra devolveu a bola afirmando que tudo bem, mas quer conhecer as regras sobre a abrangência de participação, prazos, condições de igualdade na competição e saber qual a "taxa democrática" da disputa.

O jogo de cena agride a lógica. Primeiro, não existe a hipótese de resultado que não a vitória de Aécio. E depois Serra fala de exigências que sabe muito bem que não vão e não podem ser cumpridas. Exemplo: como se mede a "taxa democrática"?

Falam por falar. Os tucanos não querem que Serra saia. Por menos chance que ele tenha devido à alta rejeição nas pesquisas e às dificuldades de alianças e financiamento numa campanha pelo PPS que negocia a filiação com ele, dividiria o eleitorado no mesmo campo e reduziria as chances do PSDB de estar no segundo turno.

A preliminar é: Serra quer mesmo ser candidato a presidente? Na interpretação de tucanos, a declaração dada por ele em Brasília na última quarta-feira admitindo a possibilidade é um sinal de que está iniciando os preparativos para sair do partido. Justamente porque tem perfeita noção da impossibilidade de ser candidato pelo PSDB.

Poderia ficar e disputar o Senado? Poderia, mas não há garantia de nada. Aliás, nada está garantido, saindo ou ficando. Trata-se agora de avaliar qual a decisão menos prejudicial.

De um lado, seus (ainda) companheiros de partido tentam convencê-lo de que é melhor ficar. A dúvida é: melhor para quem, para ele ou para eles?

De outro lado, o presidente do PPS, deputado Roberto Freire, repete nas conversas com Serra que a insegurança é geral. "Não se dizia que a reeleição de Dilma Rousseff estaria assegurada? Hoje esta é uma possibilidade, mas não é uma certeza como já foi", argumenta.

Embora admita que existam muitas críticas em relação ao (ainda) tucano, Freire percebe reconhecimento aos atributos dele como gestor. "Num quadro de crise econômica, o eleitor vai levar em conta a capacidade dos candidatos de enfrentar situações difíceis e este é um ativo inegável de Serra."

As tratativas com o PPS estão avançadas, embora não concluídas. O limite para a decisão, em tese, é o dia 5 de outubro. Na prática, porém, o prazo legal não é o mesmo que o prazo político.

Se resolver mesmo trocar de partido, mas deixar para anunciar a decisão na última hora, José Serra não terá tempo para articular adesões reduzindo a densidade política de sua filiação ao PPS para ser candidato a presidente.

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