quinta-feira, 29 de agosto de 2013

No comunismo é assim: fuzilado por ter uma bíblia ou gravar vídeos “pornográficos”, por Rodrigo Constantino

A ex-amante de Kim Jong-un foi executada na Coreia do Norte, junto a um grupo de músicos. Diz a matéria da Exame:
A cantora Hyon Song-wol, tida como um possível affair do líder norte-coreano Kim Jong-un, foi executada na Coreia do Norte junto a um grupo de músicos acusados de gravar e vender pornografia, informou nesta quinta-feira o jornal sul-coreano “Chosun Ilbo”.
O jornal de maior tiragem do país, que cita fontes chinesas, revelou que a cantora foi detida no último dia 17 de agosto por violar as leis norte-coreanas contra pornografia e,apenas três dias depois, foi executada em público.
O suposto affair de Kim Jong-un foi executada junto a outras 11 pessoas, muitos membros da orquestra Unhasu, assim como músicos e dançarinos do grupo Wangjaesan Light Music Band.
Todos eles estavam acusados de gravar e vender vídeos pornográficos e, segundo uma fonte citada pelo jornal, também foram condenados por possuírem muitas bíblias, fato que fez com que os mesmos fossem tratados como dissidentes políticos.
Acredita-se que Kim Jong-un manteve há 10 anos uma relação com a cantora, embora tenha encerrado essa relação por não ter tido a aprovação de King Jong-il, pai do atual líder norte-coreano.
Após a ruptura, Hyon se casou com um soldado, enquanto Kim Jong-un se casou com outra cantora, Ri Sol-ju, que também foi integrante da orquestra Unhasu.
A fonte citada pelo jornal sul-coreano revelou que os 12 artistas foram executados diante de outros membros de seus grupos e de seus familiares, os quais teriam sidos transferidos para campos de trabalho. 
Então é assim: o infantil ditadorzinho comunista resolve apagar a ex-amante, elimina junto outras 11 pessoas para parecer algo mais generalizado, e a acusação oficial é fazer vídeo “pornográfico” e ter muitas bíblias, o que basta para ser um perigoso contrarrevolucionário em países comunistas. O “julgamento” dura menos de três dias, e a execução se dá em público, para efeito “pedagógico”.
Comunismo foi e é assim, sempre. A cantora Miley Cyrus, ou Hannah Montanna para os menos íntimos, seria torturada e fuzilada na Coreia do Norte com esse show. No mundo capitalista ela é apenas vista como indecente, idiota ou imoral, e as pessoas desligam a TV ou mudam o canal. Eis o abismo intransponível entre capitalismo e comunismo.
Há suspeitas de que o ditador mandou executar a “ex” a pedido da atual, por ciúmes. No capitalismo é assim: o marido manda flores ou compra uma joia para a mulher, tentando apaziguar o ciúmes da ex-namorada. No comunismo, para fazer um agrado a sua mulher, o líder máximo do povo manda meter uma bala na nuca da outra. Eis o abismo intransponível entre capitalismo e comunismo.
Quem quiser saber mais detalhes da vida na Coreia do Norte, recomendo o livro Fuga do Campo 14, do jornalista Blaine Harden contando a história de um fugitivo que nasceu e viveu por 23 anos naquele inferno vermelho. É impressionante o relato do pobre rapaz.
Mas era esse o regime que José Genoino queria implantar no Brasil, e que mereceu elogios do ministro Luís Roberto Barroso no STF essa semana. É ou não é de embrulhar o estômago?
PS: A acusação de pornografia como desculpa para a execução chega a ser patética quando lembramos dos fortes “boatos” de que o papai dele, Kim Jong-il, praticava verdadeiras orgias quando viajava de trem para a China. Mas comunismo é assim mesmo: a casta do poder pode tudo, os demais, nada.

Israel vai, por Caio Blinder

Será que vai sobrar ou não para Israel se os americanos atacarem alvos sírios? Israel é suspeito habitual no mundo árabe e a probabilidade de algum tipo de retaliação vai depender do alcance do ataque americano, que perdeu o senso de urgência devido a obstáculos diplomáticos e políticos. Muito improvável que seja alguma ação direta do regime Assad. Este regime, porém, não carece de capangas terroristas para aprontar alguma coisa. Pode ser o Hezbollah ou algum grupelho palestino. Dos aliados iranianos do ditador Bashar Assad, já foi incrementado o foguetório retórico.
Israel claro que está sempre alerta em uma vizinhança tão perigosa. Está alerta e monitorando. O regime Assad e seus patronos e asseclas têm motivos para muita irritação com Israel. Enquanto sua população se previne com máscaras de gás, em caso de retaliação, a inteligência israelense está ativa para desmascarar a farsa do regime Assad, que nega o uso de armas químicas na guerra civil, o pretexto para a punição americana.
Desde a semana passada, pipocam as revelações de que o grosso das evidências sobre a responsabilidade do regime Assad (dentro ou à margem da cadeia de comando) foi fornecido pela inteligência militar israelense. A unidade 8200, especializada em monitoramento eletrônico, interceptou conversas entre militares sírios e os dados foram passados para os americanos. Os partidários de Edward Snowden e Glenn Greenwald vão denunciar?
De acordo com o Canal 2, da televisão israelense, as armas químicas foram disparadas por uma brigada da Quarta Divisão Blindada do Exército, que está sob o comando de Maher Assad, irmão do ditador e sujeito barra pesada, mas muito barra pesada. Conforme o canal de televisão, a avaliação da inteligência em Israel é que o ataque da semana passada nos subúrbios de Damasco era possivelmente o começo de uma operação mais ampla.
Dá para confiar nestas informações de um canal de televisão, assim como de outros órgãos da imprensa como as revistas Focus (Alemanha) e Foreign Policy (EUA), que também fizeram revelações nesta área? Eu estou apostando nelas (e com transparência reconheço meu prontuário de erros de avaliação na crise síria).
O fato é que o aparato de segurança e de inteligência de Israel está meio perdido (quem não está?) sobre as marchas e contramarchas da Primavera Árabe, mas no caso do esquema militar sírio até que ele tem um bom prontuário. Estava bem informado sobre o reator nuclear destruído pela Força Aérea israelense em setembro de 2007. Nem altos comandante do Exército sírio sabiam da existência deste projeto secreto. Nos últimos meses, foram quatro ataques cirúrgicos de Israel contra alvos miltares sírios.
O papel de Israel na guerra civil é complicado, especialmente agora que jihadistas são cruciais entre as forças rebeldes, com o temor de que tenham acesso a material químico. Existe a tentação de torcer para que os dois lados percam ou desejar boa sorte para ambos. Mas, de novo, a postura israelense é complexa.
A visão que hoje prevalece no establishment de segurança e no governo Netanhayu é que o enfraquecimento do regime Assad é melhor negócio para Israel, pois prejudica a milícia libanesa Hezobllah e o Irã, os aliados regionais de Damasco. Israel vislumbra o conflito sírio do prisma do uso de armas de destruição em massa. Se Assad cruza impunemente a linha vermelha traçada pelo governo Obama, qual é a mensagem para os iranianos?
Mas existe também a visão de gente neste aparato de segurança e governamental de Israel que anarquia ou triunfo dos extremistas sunitas serão piores negócios que a derrota de Assad. Apesar dos pesares, o ditador Assad é figura familiar e manteve o status quo na fronteira desde a guerra de 1973.
O fato concreto é que os tempos mudaram e há uma frente de incertezas não apenas para Israel, mas para a região e o mundo. Mesmo que a operação militar americana tenha objetivos limitados, seus desdobramentos poderão ser outra história.
Vai saber o que irá acontecer.

Perverter o debate é a esperteza de sempre, por Erico Valduga

Dona Dilma não apresenta as provas do preconceito que afirma existir contra os médicos cubanos; mas de fato não interessa ao petismo se existem ou não

BOA PARTE DOS BRASILEIROS foi informada ontem, em especial pelas redes de TV e pela internet, que a chefe do Executivo imperial, Dilma Rousseff, afirmou que há “grande preconceito” contra os médicos cubanos que vieram trabalhar no Brasil. Ela seguiu à risca, mais uma vez, a cartilha dos petistas, que é tentar desclassificar quem deles discorda, para escapar do debate de argumentos. É natural que as pessoas prestem atenção ao que diz o presidente da República, cuja voz é amplificada pela bilionária máquina da propaganda oficial. Mas não é natural, e não contribui para o aperfeiçoamento das instituições políticas da nação, usar esta máquina para tentar lograr os cidadãos, mistificando a realidade. Pergunta-se: em que consiste o preconceito afirmado? Não disse, pois só lhe interessa assentar o rótulo – é preconceito, e pronto.

NÃO APONTOU UMA, que fosse, prova de discriminação contra os cubanos. Mas, no Senado e na Câmara dos Deputados, ainda ontem, parlamentares do seu partido referiram como exemplos de “preconceito” a observação destrambelhada sobre a parecença das médicas com empregadas domésticas, feita por uma jornalista, como se o jornalismo estivesse livre da cota de idiotas; e a recepção hostil aos cubanos em Recife, episódio nordestino que ainda não foi bem explicado, mas indica, em princípio, que a medicina também possui a tal cota. Se estas estultices levaram o político no mais poderoso cargo da República a concluir que existe preconceito contra os médicos da ilha caribenha, no país que se destaca no mundo pela bem-sucedida integração multirracial, estamos mais mal-parados do que pensamos, prezados leitores.

OU SERIA PRECONCEITO (1) estranhar que o governo federal tenha montado na surdina, ao longo de mais de ano, a agora deflagrada operação Cuba; (2) duvidar do acerto, ante um mínimo razoável de qualidade do serviço a ser prestado, da isenção do exame Revalida; (3) questionar o custo direto de R$ 10 mil de cada médico, quando cada um receberá de fato R$ 2.5 mil a R$ 4 mil, cabendo o restante, maior parte do dinheiro, a uma ditadura que aluga a força de trabalho de seus cidadãos; (4) discordar do confinamento territorial, além do social, a que estão submetidos, o qual viola o elementar direito humano de ir-e-vir, o que não ocorre com os profissionais de outras nacionalidades; e (5) destacar como inaceitável que eles não possam trazer seus familiares, se o desejarem, porque estes ficam na ilha como penhor do seu comportamento conforme os contratos fascistas. São bem-vindos os médicos cubanos, mas não na condição de escravos modernos.

Estatal é assim: falta água porque sobra água!, por Rodrigo Constantino

Na frase da epígrafe de Privatize Já, usei a conhecida provocação de Milton Friedman: se o governo federal for colocado para administrar o deserto do Saara, em cinco anos faltará areia. Alguns pensam ser brincadeira ou hipérbole. Quisera eu! É observação fatual. Duvida?
Temos um caso aqui mesmo, no Brasil. Não de deserto, mas de água. Imagine uma cidade em que um dos principais riostransborda por excesso de água. O que o leitor acha que aconteceria? Resposta: falta abastecimento de água na cidade! Motivo: uma estatal é responsável por ele, e não tem capacidade de escoar tanta água, sendo obrigada a desligar os motores na estação de captação.
O caso aconteceu em Novo Hamburgo, e a cidade decretou situação de emergência. Parece notícia do Planeta Bizarro, onde as coisas acontecem ao contrário: “O abastecimento de água da cidade foi cortado, com previsão de retornar apenas no domingo, devido à velocidade com que o nível do Rio dos Sinos está subindo”. Tem água demais, logo, é preciso cortar o fornecimento de água.
Segundo o diretor da Comusa (a estatal que cuida do abastecimento), Mozar Dietrich, é uma situação que ainda não havia ocorrido na cidade: “Estamos com uma situação de enchente muito maior que as outras que já houveram na cidade. Estamos alertando as pessoas para que façam uma economia bastante severa e preservem o volume que têm nas caixas-d’água”.
O corte no abastecimento se dá para preservar o maquinário da estação de captação de água,que tem alto custo e não teria reposição imediata, de acordo com Dietrich. É preciso esperar a água escoar para que os equipamentos sejam novamente ligados, por isso a previsão é de que a volta seja apenas no domingo.
Pergunto: alguém acha que uma empresa privada, cujo lucro dependesse do bom atendimento aos clientes e da quantidade de água fornecida, deixaria isso acontecer? Pouco provável. Dias sem vender água seriam dias de prejuízo, que doeria no bolso dos proprietários. Os incentivos são bem diferentes.
Há precedentes nesse setor de privatização bem-sucedida. Não há motivo para o governo ser gestor de abastecimento de água. Sim, é um produto essencial. Mas o próprio mercado pode cuidar disso. E cuida, quando possível, de forma bem mais eficiente que o governo. Estatal é assim mesmo: falta água porque sobra água!

Presença VIP

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo


Se Marina Silva conseguir o registro da Rede Sustentabilidade a tempo de disputar a eleição de 2014, não terá sido pela pressão sobre a Justiça Eleitoral, bem como se não conseguir, a ex-senadora não poderá atribuir o motivo a retaliação do Tribunal Superior Eleitoral às queixas públicas sobre a demora do reconhecimento das assinaturas necessárias à criação do partido.

Na reclamação, Marina deixa implícita a suspeição de que estaria sendo prejudicada por uma aliança entre a burocracia, a má vontade de funcionários e sabotagem política nos cartórios eleitorais.

Se a Rede obtiver registro até 5 de outubro, terá sido simplesmente pelo cumprimento das exigências de acordo com a regra e não pela abertura de uma exceção, como pretende a ex-senadora aparentemente imbuída da convicção de que seus índices de intenção de voto e inequívoco respaldo social justificam o atropelo do manual.

A ex-senadora tem todo o direito de fazer marcação cerrada, a fim de se prevenir dos danos decorrentes dos excessos burocráticos. Além disso, há mesmo esquisitices que dão margem a desconfiança, como a recusa de 73,5% das assinaturas (a média nacional é de 24%) em São Bernardo do Campo, reduto do PT que não esconde a antipatia por Marina e chegou a liderar uma ofensiva malsucedida no Congresso para criar obstáculos legais à existência da Rede.

Nem por isso a ex-senadora dispõe de prerrogativas especiais que a autorizem a esperar da Justiça Eleitoral a concessão de privilégios. Devido ao atraso na validação das quase 500 mil assinaturas necessárias, ela propõe ao TSE que suspenda a verificação individual, publique um edital com todas elas e, se não houver contestação, as aceite como válidas.

No entanto, a base para essa contestação só pode ser o mesmo cadastro que a Justiça Eleitoral usa agora para aceitar ou recusar as assinaturas. O advogado da Rede, Torquato Jardim, sugere que depois, se comprovadas irregularidades, o tribunal poderia suspender o registro que teria, então, o inédito caráter de provisório.

Se já há essa atmosfera de perseguição, é de se imaginar a reação a uma cassação do partido. Portanto, o que se pretende é criar um fato consumado mediante o desvio do padrão legal. Não combina com o discurso de Marina Silva sobre a correção dos meios e dos modos na política.

NA ESTRADA
O governador Eduardo Campos não está perdendo chance de se contrapor à presidente Dilma Rousseff. A mais recente foi o apoio do pernambucano ao diplomata Eduardo Saboia pelo translado do senador Roger Pinto Molina de La Paz a Brasília.

"Por dever de consciência tenho de cumprimentar o diplomata que fez isso", disse ele, enquanto a presidente rebatia com rudeza declarações de Saboia e suspendia a indicação do atual embaixador na Bolívia para assumir a representação na Suécia, por suspeita de sua participação na fuga de Molina.

Campos poderia ter se mantido neutro no assunto, mas quis comentar. Calado estava desde as manifestações de junho e calado poderia continuar, mas nos últimos dias desandou a falar.

Em reunião com empresários paulistas, na segunda-feira, questionou a capacidade de liderança da presidente e a eficácia das respostas dadas por ela aos protestos.

No dia seguinte, gravou entrevista ao Programa do Ratinho - uma espécie de estágio probatório para candidatos a presidente - e manteve o tom de crítica, desta vez à falta de "traquejo político" de Dilma.

Antes da gravação, ao comentar a movimentação do PSB em torno de sua possível candidatura, declarou que o calendário eleitoral "começa agora". Uma alteração significativa para quem afirmava até pouco tempo que as decisões de 2014 dependeriam do transcorrer de 2013, ano que, nessa perspectiva, para Eduardo Campos já terminou.

SOBRE MÉDICOS E VACINAS , por Janer Cristaldo

A presidente Dilma Rousseff acusou hoje os que têm preconceito contra a presença dos médicos cubanos no Brasil. Disse que há também médicos de outros países, além de Cuba. A presidente reiterou que os estrangeiros estão no Brasil para desempenhar o trabalho que os médicos brasileiros não querem fazer. 

"É um imenso preconceito sendo externado contra os cubanos. É importante dizer que os médicos estrangeiros, não só cubanos, vêm ao Brasil para trabalhar onde médicos brasileiros formados aqui não querem trabalhar", disse ela.

A presidente sofisma. O que se pede é que os cubanos cumpram as mesmas exigências feitas aos médicos nacionais, o exame do Revalida. O que também tem causado indignação é saber que mais da metade do salário de cada profissional vai para a ditadura cubana. 

Segundo os jornais, os médicos cubanos atuarão no Brasil em regime diferente dos que se inscreveram individualmente no Mais Médicos. No acordo, os repasses financeiros serão feitos do Ministério da Saúde para a Opas. A entidade repassará as quantias ao governo cubando, que pagará os médicos. Inicialmente nem a Opas nem o Ministério da Saúde souberam especificar quanto dos R$ 10 mil pagos por médico será repassado para os profissionais. O secretário adjunto de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Fernando Menezes, disse depois que a remuneração ficaria entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil.

O que será uma festa para quem ganhava algo em torno a cem reais por mês, menos que um chofer de táxi cubano que trabalhe junto a turistas, quantia que um mendigo brasileiro tira fácil em uma ou duas semanas nas ruas de São Paulo. Os médicos que vêm de outros países receberão a integralidade de seus salários. Por que só os cubanos entregarão parte de seus ganhos ao Estado? No fundo, é o PT erguendo o bracinho stalinista, em uma tentativa canhestra de financiar o falido regime comunista da ilha.

Não é a primeira vez que o Brasil vai em socorro da ditadura castrista. Ou já foi esquecido o caso das famosas vacinas cubanas contra a meningite, importadas pela bagatela de 250 milhões de dólares? Pelo jeito, ninguém mais lembra delas. Na grande São Paulo, a vacina cubana foi administrada em 1989 e 1990 para 2.400.000 crianças, na faixa etária de três meses a seis anos de idade. Após a campanha de vacinação, não foi observada queda do coeficiente de incidência da meningite.

Mas as vacinas eram socialistas. Quem duvida - salvo reacionários irrecuperáveis, como este que vos escreve - da excelência da medicina cubana? Em abril de 94, o ministério da Saúde brasileiro decidiu liberar o uso destas vacinas, suspensas desde 91. 

Na época, a Organizacão Panamericana de Saúde (Opas) já constatara que sua eficácia era baixa em menores de quatro anos e quase nula em menores de dois. Mesmo assim, o Rio de Janeiro formalizou o pedido das vacinas. Consultei então quem entende do assunto, o professor e pesquisador Isaías Raw, do Instituto Butantã. Respondeu-me o professor Raw:

"A verdade é que a vacina cubana não imuniza crianças abaixo de dois anos (nem de quatro) onde a meningite B é mais freqüente e pode ser fatal. Crianças pequenas usualmente não respondem a polisacarídeos. Para maiores de quatro anos a vacina funciona, evitando que adultos espalhem a meningite para filhos, etc., o que não justifica o seu uso generalizado que deu a Cuba 250 milhões de dólares".

Há quem diga existir um viés ideológico na discussão a respeito dos médicos cubanos. Sem dúvida nenhuma. Prova disto são os gatos pingados que foram receber os 176 médicos que desembarcaram no Aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília, com bandeiras da UNE, do MST e da Associação Médica Nacional (AMN), entidade que reúne 650 brasileiros formados em medicina nas universidades cubanas.

“Não viemos para competir. Viemos trabalhar junto e esperamos contar com o apoio de todo o povo brasileiro”, disse Alexander Del Toro, graduado há 17 anos, que se apresentou como natural do centro da ilha, região onde “repousam os restos mortais de Che Guevara”, o médico exemplo de militância pela integração latino-americana.

Médico também exemplo de médico assassino de gatilho fácil, que admitia serenamente, em dezembro de 1964, na sede da ONU:

- Fuzilamentos? Sim, temos fuzilados, fuzilamos e seguiremos fuzilando sempre que necessário, nossa luta é uma luta à morte.

Que um médico cubano defenda Che ou o regime castrista no Exterior, entende-se. Ele é refém da ditadura. Espantoso é ver alguém no Brasil defendendo Cuba e o Che, 24 anos após a queda do Muro, 22 anos após a dissolução da União Soviética, em suma, duas décadas após a derrocada do comunismo.

Leitor de Dom Pedrito me acusa de radicalismo. Que radicalismo, companheiro? Resta alguma dúvida sobre a ineficácia das famosas vacinas cubanas? Que os médicos sejam pagos, muito louvável, digno e justo. Mas financiar uma ditadura? E se o Pinochet, em sua época, tivesse enviado médicos chilenos ao Brasil, ficando com 50 ou mais por cento de seus salários, você defenderia a vinda dos médicos chilenos? 

Enfim, numa cidade que tem uma rua em homenagem a Che Guevara, não é de espantar que existam defensores da Disneylândia das esquerdas. O que redime um pouco os pedritenses é que, na falta de informaçõe sobre o guerrilheiro, a rua acabou sendo a Rua do Che, o que naquelas plagas passa a ter outro sentido.

Sempre houve uma complacência generalizada contra a corrupção que envolve Cuba. Em 2000, manifestantes do PT, CUT e MST organizaram em São Paulo o Dia do Basta. O protesto denunciava, entre outros escândalos, o desvio de 169 milhões de reais na construção de um prédio do TRT, pelo ex-juiz do Trabalho Nicolau dos Santos Neto - Lalau para os jornalistas -, na época foragido há três meses. No mesmo dia, o MST invadia em Recife, com coquetéis molotov, um cargueiro de bandeira liberiana que transportava milho transgênico, importado como ração animal.

Ora, o rombo produzido pelo Lalau, em moeda forte, era de 89 milhões de dólares. Apenas um terço do que foi tungado do contribuinte brasileiro para a compra de um placebo socialista. Esplêndido país, este nosso: suas crianças estão expostas à fome e à delinqüência nas ruas e seus dirigentes se dão ao luxo de financiar uma ditadura no Caribe. Contra aquela corrupção, nem a imprensa nem as oposições pediram investigação.

Como tampouco pedirão sobre esta. Dona Dilma, extração da geração que louvou Castro, Che e a revolução cubana, acusa de preconceito os brasileiros que protestam contra o trabalho escravo dos médicos cubanos e deles exigem tratamento igual ao dispensado aos brasileiros. 

A presidente defende, não os médicos cubanos – que não têm culpa de sua condição – mas a mais antiga ditadura do Ocidente.

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