sexta-feira, 30 de agosto de 2013

CIENTISTAS ISOLAM O GENE BANDIDO , por Janer Cristaldo

Sempre entendi a vida de um homem como uma resultante, em primeiro lugar do acaso, em segundo da vontade de cada um. Nasci no campo, de família pobre de camponeses, e consegui vier em três países da Europa e bater pernas por boa parte do mundo. Dependeu um pouco de minha vontade. E mais ainda do acaso.

Já contei. Eu estudava em uma escola rural, na divisa entre Brasil e Uruguai. Findo o curso primário, bom em matemática, o máximo que podia aspirar era ser caixeiro nalgum bolicho das Três Vendas ou Ponche Verde, uma das poucas chances de escapar ao rabo do arado. Findas as provas, atrelei o tordilho à aranha. Uma fase havia terminado em minha vida. Voltava ao campo, talvez para lá morrer.

Dei de rédeas ao tordilho, a aranha já descia o lançante da coxilha. Foi quando Dona Ivone Garrido, uma professora vinda de Dom Pedrito para fiscalizar as provas, atravessou o alambrado de sete fios que cercava o colégio e gritou: "pára, Clotilde, teu filho é um gênio, ele não pode voltar para o campo". Minha mãe, que só queria ouvir isto, me tomou as rédeas das mãos e esbarrou o tordilho. Daqueles segundos geridos pelo deus Acaso – e aqui começa o mistério – decorrem minhas andanças e estas linhas.

Outros acasos me levaram para cá e para lá. Por acaso, encontrei a mulher que preencheu minha vida e foi companheira nos bons e maus momentos. Por acaso, e um pouco de volição, fui para a Suécia. Por acaso, li uma convocatória de bolsas para a França num jornal, concorri e ganhei quatro anos em Paris. Por acaso, tropecei em um livro de Sábato e daí decorreu um doutorado. Claro que havia sempre uma vontade permeando os acasos. Mas sem os acasos, minha vida não teria sido a que foi. 

Cientistas buscam todos os dias causas genéticas para comportamentos e opções de cada indivíduo. Já se buscou o gene do alcoolismo. Não me consta que tenha sido encontrado. Se o fosse, seria muito oportuno. Qualquer pinguço poderia justificar-se cientificamente: "Que posso fazer? É genético. Garçom, dose dupla, por favor". Nada mais confortável que atribuir a uma predestinação biológica o que depende de uma decisão.

Buscou-se depois um gene bem mais conveniente, o do homossexualismo. Mas os engenheiros genéticos parecem ser avessos a leituras históricas. No Ocidente, o homossexualismo era um comportamento normal e até mesmo desejável, antes que o cristianismo contaminasse a cultura helênica com a camisa-de-força de seu conceito de amor, como algo único e direcionado ao sexo oposto. Aliás, este poderoso mito literário ocidental, o amor, nasce na Grécia, com os poemas de Safo de Lesbos, e é antes de tudo homossexual. Em todo caso, uma causa biológica para esta opção facilitaria a vida de muitos efebos sem maior cultura histórica. “É genético, querido”.

O que está sendo cada vez mais insólito de admitir é que alguém é homossexual porque decidiu ser homossexual, porque gosta de relacionar-se com o mesmo, em suma, porque é livre de decidir com quem quer se relacionar.

Buscou-se também o gene da inteligência. Epa! Terreno minado. Imagine se este gene fosse politicamente incorreto, com preferência por certas raças. Encontrá-lo seria um desastre. Deixa pra lá, melhor não insistir nesta pesquisa.

Há uns bons quinze anos, os jornais anunciaram outro brilhante achado dos cientistas. Pois estes senhores conseguiram produzir, por meio de engenharia genética, um rato que permanece fiel a um parceiro. Esse animal normalmente fútil, dizem as agências, tornou-se um amante mais fiel depois de receber genes do arganaz, um roedor conhecido por sua fidelidade. Segundo o resultado, a dedicação a um só parceiro, durante a vida toda, talvez seja uma questão de presença no cérebro de uma determinada química, que associa o amor ao hábito.

Estudos com os arganazes mostraram que a sensibilidade ao hormônio vasopressina determinava se o macho da espécie acasalava com várias fêmeas ou se formava um casal com um delas para o resto da vida. Para mudar o comportamento roedores, bastou manipular o mecanismo regulatório da vasopressina.

No que diz respeito aos arganazes, não sei. Quanto ao ser humano, fidelidade vai depender em boa parte do acaso. Se peguei esta rua e não aquela, se ao pegar esta rua tropecei com esta ou aquela mulher, se indo a Paris encontrei uma macedônia e se ela, também por acaso, foi para Paris. Ou indo a Suécia encontrei uma finlandesa, que também por acaso,foi cair em Estocolmo. Se cultivo por razões religiosas a fidelidade, ou se não a cultivo por ser ateu. Em suma, vai depender das circunstâncias e de um ato de vontade meu, jamais de um gene.

Somos infiéis porque a vizinha é linda. Porque aquela aluna quer uma pedagogia mais personalizada. Porque aquela moça no bar nos olhou com um olhar mais quente. Porque as formas daquela transeunte distraída mexeram com nossos hormônios. Em suma, pela elementar razão de que... somos livres. Da mesma forma, sempre me pareceu que permanecer fiel a um parceiro fosse decisão a ser tomada por cada um. Nada disso. Segundo os doutos cientistas, liberdade é mito. Você não escolhe nada, a biologia é que determina suas ações. Tudo era genético, o arganaz que o diga.

A busca de uma base genética para explicar comportamentos isenta todo homem de qualquer responsabilidade. Sou bêbado? Não tenho culpa alguma, estava nos genes. Sou homossexual? Foi sem querer, a genética determinou. Até aqui, disto não decorrem maiores consequências. O problema surge quando a genética busca justificar o crime, absolvendo todo e qualquer criminoso.

Li há pouco um artigo preocupante na Zero Hora. Fala de um ex-detento que, anos depois de libertado, senta de novo no banco dos réus. Voltou a furtar, é o que dizem. Como estamos falando de um reincidente, o juiz achou por bem descobrir se há algo de errado no cérebro do acusado. A perícia informa que ele tem um córtex cingulado anterior (ACC, na sigla em inglês) preguiçoso. Agora a acusação pede perpétua, porque um córtex dessa lavra não merece lugar entre os cidadãos de bem (os bem-acerebrados, diga-se), e a defesa vai se vacinando com a tese de que ninguém tem culpa por nascer com um parafuso a menos: o réu não passa de um robô programado para furtar. 

O julgamento proposto é imaginário, mas a perícia se baseia em um estudo bastante real e recente, liderado pelos neurocientistas americanos Kent Kiehl e Eyal Aharoni. Eles monitoraram a atividade cerebral de 96 apenados e constataram que aqueles com ACC menos ativo tinham duas vezes mais chances de voltar a cometer crimes nos quatro anos seguintes à libertação. 

O artigo cita um caso clássico da literatura jurídica, o americano Donta Page, que confessou ter estuprado e matado a facadas uma jovem em 1999, escapou da pena de morte e foi sentenciado à prisão perpétua. A defesa alegou que espancamentos durante a infância haviam danificado o cérebro de Page. Ele não tinha escolha senão ser violento.

Ou seja, livre arbítrio não existe. Todo homem é refém do seu passado. Ou de seus genes. Nesta época em que há uma tendência generalizada a absolver todo criminoso, a tese faz fortuna. Vai ver que Zé Dirceu, José Genoíno et caterva não podiam deixar de ser corruptos. A corrupção estava no sangue, ou melhor, nos genes. Não tinham nenhuma outra opção a não ser corromper-se. E dizer que os coitados, reféns de sua genética, estão sendo hoje condenados por um tribunal obsoleto, que nada entende das neurociências.

Segundo o professor da Faculdade de Direito da UFRGS, criminologista e desembargador aposentado Odone Sanguiné, o futuro que a neurociência acena para a Justiça Criminal é de reformas inclusivas, que levem em conta o princípio da dignidade humana.

- O diálogo com os conhecimentos das neurociências está provocando uma revisão das categorias dogmáticas do Direito Penal, bem como uma rediscussão sobre a legitimação das penas e medidas de segurança - afirma. 

Assim, quando alguém estupra uma criança ou faz picadinho da própria mulher, não nos apressemos em julgá-lo. O homem, no fundo, é inocente. Algum gene bandido o levou, inexoravelmente, a tais gestos.

Voltar às ruas adianta? Parece que não, por Erico Valduga



Continua a impunidade, apesar dos protestos populares: espírito de corpo parlamentar segue protegendo ladrões de papel passado; vai acabar mal

OS DEPUTADOS FEDERAIS DESMORALIZARAM mais um pouco o poder Legislativo, com a cumplicidade da maioria dos juízes do Supremo Tribunal Federal, que lhes deu a última palavra para decidir sobre a perda de mandato de parlamentar condenado pela Justiça em decisão final. Sentenciado a 13 anos de prisão por formação de quadrilha e desvio de R$ 8 milhões da Assembleia Legislativa de Rondônia, o peemedebista Natan Donadon não foi cassado nesta quarta-feira por ter recebido 233 votos em favor de sua punição, 24 a menos do que a maioria necessária (257, metade, mais um) dos 513 colegas.

DO TOTAL, 104 SEQUER compareceram à votação – 14 deles do Rio Grande do Sul. Votação secreta, claro, que esconde o corporativismo e a covardia. Mas, para que a fraude ao eleitor e à ética da representação ficasse menos escandalosa, o vício prestou à virtude o tributo da hipocrisia: o ladrão foi suspenso do mandato logo após a apuração dos votos, pelo presidente da Mesa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

UMA IMORALIDADE DA ESPÉCIE, prezados leitores, não ocorre por acaso. Tem todo o jeito de ter sido cuidadosamente tramada pela direção da Casa e pelos líderes das principais bancadas, com apoio do comando dos seus partidos. E é bem possível que tenha sido um teste para avaliar como os cidadãos brasileiros receberiam a repetição do engodo no caso dos deputados condenados no Mensalão, João Paulo Cunha e José Genoíno (ambos do PT), Pedro Henry (PP) e Valdemar Costa Neto (PR).

SEJA COMO FOR, constata-se outra vez a imperiosa necessidade de alteração no processo eleitoral, para dar ao eleitor melhores condições de avaliar os concorrentes nas campanhas eleitorais, e permitir-lhe cobrar deles comportamentos dignos se eleitos. Isto nada tem a ver, observe-se, com o safado financiamento público ou as ineptas listas de candidatos. A propósito, existisse aqui o mecanismo do recall, os mandatários pensariam duas vezes antes de prejudicar a política, a insubstituível arte de governar.

Síria, vai que vai, por Caio Blinder

O Mr. Blinder pode achar muito coisa. Ele tem o pendor dos intervencionistas humanitários (ou falcões liberais) que se alinham com os neoconservadores (velhos de guerra do Iraque) sempre que é possivel dar um tranco em um Bashar Assad da vida. Pode achar ótima a capa da edição corrente da revista The Economist com a cara do meliante de Damasco, pedindo que ele leve um cascudo. O Mr. Blinder pode achar um monte de coisas e existem as coisas das realidade.
Entre as opções intervencionistas, está um ataque punitivo americano (curto e grosso) contra o regime criminoso pelo seu uso de armas químicas na guerra civil (ok, o editorial da Economist é cauteloso e fala em “uso aparente”). Até tal opção está no sufoco para conseguir apoio, com tanta resistência contrária. Soluções mais agressivas perderam o prazo de validade e carecem de respaldo, algo no estilo de um assalto da pesada para tentar derrubar Bashar Assad. Talvez, um ano atrás.
O batalhão de “realpoltiikeiros” adverte que a opção mais prudente é cruzar os braços e evitar desastres da escala iraquiana. Mas como tolerar as ações do meliante? Alguma coisa precisa ser feita. Concordo que tal exasperação carece de solidez estratégica. Mas aí a culpa foi do Mr. Obama. Este presidente, supostamente cerebral, relutante para para ir à guerra, num impulso decidiu desenhar uma linha vermelha que não poderia ser cruzada por Assad no caso do uso de armas químicas. Obama colocou sua credibilidade em jogo, a do seu país. Vai amarelar?  Agora, vai que vai.
Que vexame para o tal do líder do mundo livre. Obama, o guerreiro infeliz, na expressão da capa da revista Time. O que Churchill acharia de Obama? O que o buldogue da Segunda Guerra Mundial acharia do compatriota David Cameron, humilhado no Parlamento, num voto sobre intervenção na Síria?
Mr. Blinder acha um monte de coisas, mas ele precisa reconhecer algumas boas verdades ditas por Lady History.Ela fala aqui através de Robin Wright, uma tarimbada jornalista e escritora americana, que já circulou muito pelo Oriente Médio. Ela lembra o essencial: dar um tranco (como um lançamento maciço de mísseis) raramente atinge objetivos políticos duradouros e frequentemente produz mais custos ou consequências não planejadas do que benefícios. As lições da história são bipartidárias.
Há 30 anos, o presidente republicano Ronald Regan deteminou que fuzileiros navais americanos, integrantes de uma força de paz na guerra civil libanesa, abrissem fogo contra uma milícia islâmica em Beirute. Semanas mais tarde, em 23 de outubro de 1983, dois caminhões-bomba irromperam nos quarteis das forças militares norte-americanas e francesas: 299 mortos nos atentados suicidas do grupo Jihad Islâmica. As tropas americanas e dos seus aliados europeus estacionadas no Libano durante a guerra civil bateram em retirada quatro meses depois. O Líbano deu muitas voltas e amarga novamente o risco de guerra civil.
Para encurtar a história, os últimos cinco presidentes americanos recorreram a ataques limitados com mensagens específicas em distintos buracos quentes do mundo e o resultado foi triste. Nas palavras de Robin Wright, “a ideia de golpes rápidos ou campanhas curtas é geralmente uma ilusão. Uma exceção foi a campanha aérea que contribuiu para a queda do ditador líbio Muamar Khadafi em 2011. Ataque bem sucedido, mas sem um bom plano para ajudar a Líbia na sua reconstrução. Robin Wright arremata que alguns dias de punição de Bashar Assad podem acalmar a indignação moral (como a do Mr. Blinder), mas abrir riscos de proporções imprevisíveis.
A história vai se repetir como tragédia ou como farsa? Poderá ter um final feliz? O indignado Mr. Blinder guerreia a metódica Lady History. Agora é esperar o tranco no meliante. Por enquanto, quem levou foi o Mr. Obama, o guerreiro infeliz, perdido no mato sem cachorro e sem o David Cameron.

PEDRO LUIZ RODRIGUES -COMPLEXO DE INFERIORIDADE NOS RENDEU MAIS UMA DÉCADA PERDIDA

O Brasil, dizia Nelson Rodrigues (que se ainda estivesse entre nós teria completado agora em agosto seu 101º aniversário) tem complexo de vira-lata, um forte e persistente sentimento de inferioridade “em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo”.

Na conjuntura em que atualmente vivemos, valerá, talvez, meditar sobre o assunto. Sabemos que sem tratamento, o complexo inferioridade tende a fazer com que indivíduos, grupos e até sociedades inteiras busquem uma supercompensação. Esta não é uma saída para a busca do equilíbrio, mas uma uma defesa psicológica que só faz acentuar o desequilíbrio.

Para os especialistas das áreas da psicologia e da psiquiatria, o complexo é diferente do ocasional sentimento de inferioridade. Este pode atuar como um incentivo para o progresso pessoal. O complexo, por sua vez, gera comportamento anti-sociais, ou no sentido inverso, produz realizações espetaculares, um e outro representando fuga da realidade.

Em minha opinião, foi por conta desse complexo de inferioridade que o Brasil perdeu nos últimos dez anos – anos de vacas gordas, alimentadas por condições internacionais extremamente favoráveis – uma grande oportunidade para se transformar econômica, tecnológica e educacionalmente.

Não soubemos agir e pensar grande. O que fizemos foi uma grande festa de consumo.

O que se fez nesse período foi enfraquecer as instituições do Estado, fazendo sua coluna arquear sob o peso de uma burocracia inchada que só tem compromissos consigo mesma, e não dão a mínima para os verdadeiros interesses do País e da Nação.

Em vez de procurarmos parcerias internacionais, preferimos as prioridades ditadas pelo Professor Marco Aurélio Garcia, e hoje andamos aos tropeções com a Bolívia, com a Argentina e com o Paraguai.

O Governo, contudo, diz que tem bala na agulha, e que, portanto, não precisamos nos preocupar com a subida do dólar e a queda do real. Bala na agulha quer dizer 372 bilhões de dólares de reservas em moeda estrangeira, dinheirama avultada, que poderia atender, com folga, á grande demanda por moeda estrangeira.

A desaceleração econômica na China e a lenta recuperação da economia dos Estados Unidos alteraram o quadro internacional em desfavor do Brasil. Nos anos da crise (2008-2013), os países emergentes receberam enormes fluxos de capital, em razão da política de afrouxamento monetário adotada nos Estados Unidos e na União Européia, que reduziu acentuadamente o rendimento dos investimentos nesses países.

Depois do anúncio do banco central americano (Federal Reserve Board) de que a partir de mês que vem essa política de afrouxamento deverá cessar, os investidores, pesando riscos e ganhos, começam a trazer de volta seu dinheiro para os mercados mais seguros.

Para onde se olhe no universo dos emergentes está acontecendo a mesma coisa. As moedas locais despencam, e o valor das moedas conversíveis se amplia. Onde é grande a dependência de importações, é grande também a ameaça de rompimento de equilíbrio do balanço de pagamentos. No nosso caso, há a mencionada bala na agulha. Mas se os tiros ocasionais acabarem por se transformar em rajadas de metralhadora, aí vamos esperar para ver como a coisa fica.

Podemos esperar, de imediato, que o caixa da Petrobrás evolua em sua situação de precariedade.

O anúncio da auto-suficiência foi, lamentamos registrar, apenas mais uma balela lulista.

Os dados de julho passado são de estarrecer. As importações brasileiras de petróleo aumentaram em mais de 140% em comparação com o mesmo mês do ano ano passado. No mesmo período de comparação, nossas exportações de derivados caiu pela metade.

Vamos aos dados: Importamos 3,1 bilhões de dólares em julho, ante 1,2 bilhão em julho de 2012. E de julho para agosto o barril de petróleo passou de pouco mais de 100 para 117 dólares, fazendo acreditar que os números de agosto serão ainda piores.

Enquanto isso,o Governo continua a subsidiar o consumo de petróleo. Se parar de subsidiar os preços dos combustíveis vão disparar e a inflação voltará à linha de frente das preocupações nacionais.

O PT está em polvorosa. Não sabe o que fazer e vê se aproximando as eleições de 2014.

Ainda uma palavrinha sobre a importação dos médicos cubanos mal-remunerados.

Nunca é tarde, é verdade, para se corrigir rumos. O Ministro da Educação poderia parar de querer ficar aparecendo aos fundos, com olhar atento, em qualquer imagem de televisão onde esteja presente a Presidente Dilma Rousseff, e ir cuidar de sua área, área-chave aliás para qualquer verdadeira revolução que se pretenda fazer no Brasil.

Se um dos grandes problemas do Brasil é a formação de médicos, poderia o Excelentíssimo Senhor Ministro fazer a gentileza de informar à sociedade o que seu Ministério fez – e o que ele, pessoalmente, está fazendo-, para ampliar e melhorar nossas faculdades de Medicina. Algo deve estar muito errado com nossa política educacional, se não conseguimos produzir em número adequado os profissionais demandados por nossa sociedade.

Maioria licensiosa

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo


O que dizer diante da decisão da Câmara de preservar o mandato de Natan Donadon, ora em cumprimento de pena no presídio da Papuda (DF) por desvio de dinheiro público e formação de quadrilha?

Se ele mesmo se surpreendeu - "Não acredito!", reagiu - com o resultado da votação secreta (233 votos pela cassação, 131 pela absolvição e 41 abstenções), é de se ressaltar o caráter espantoso da decisão.

O aparentemente impossível, no Parlamento acontece.

Parecia óbvio que suas excelências não cometeriam tal abuso: mais que uma agressão aos fatos, um desrespeito ao Judiciário que o condenou a 13 anos de prisão e uma afronta ao próprio Legislativo que admitiu, assim, a compatibilidade entre o exercício do mandato e a condenação penal.

Durante o dia a cassação era dada como certa. De noite, na sessão em que Donadon foi autorizado a tirar as algemas para apresentar sua defesa, nenhum discurso em prol da absolvição. Apurados os votos, contudo, emergiu a força da maioria silenciosa e, por ação e omissão, licenciosa.

Houve maior número de votos pela condenação, mas somadas as abstenções, os ausentes (108) e os favoráveis à preservação do mandato, chegamos a 280 deputados em apoio a Donadon contra 233. Faltaram 24 votos para o alcance do quórum necessário (257) à cassação.

O presidente da Câmara, Henrique Alves, fez o gesto inútil de declarar afastado do cargo o deputado que já estava afastado, confinado a uma cela desde o dia 28 de junho e, não obstante, será "excelência" ainda por um ano e meio. A maior parte de seus pares fez isso confiando na proteção do sigilo. Atingiram a todos, inevitavelmente nivelados por baixo.

O resultado não seria o mesmo se a votação fosse aberta. Nem a Câmara precisaria arcar com o inevitável acréscimo em seu robusto patrimônio de desgaste se tivesse optado pelo artigo da Constituição que determina a perda do mandato para os condenados em ações penais, e não pelo dispositivo que transfere a última palavra ao Legislativo.

As duas questões já poderiam ter sido resolvidas, caso houvesse interesse real em resolvê-las com a aprovação do fim do voto sigiloso em processos de cassação e da emenda que prevê a perda automática de mandato para condenados, ambas as propostas em tramitação no Congresso.

Mas, como ficou claro na exorbitante decisão da noite de quarta-feira, a maioria no Legislativo não está preocupada em corrigir nada. Aliás, está pouco ligando para coisa alguma que não seja a causa própria, neste caso a autoproteção.

Está criado o precedente para que os condenados no processo do mensalão continuem deputados até o início de 2015, independentemente de o Supremo Tribunal Federal daqui até lá determinar ou não o cumprimento das sentenças.

Os quatro, José Genoino, Pedro Henry, João Paulo Cunha e Valdemar Costa Neto estavam ausentes da sessão, engrossando a tropa dos que ajudaram a absolver o condenado fazendo da Câmara merecedora do troféu vergonha alheia do ano.

FOGO NA ROUPA
O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, nega que haja "fragilidade no sistema elétrico" ao mesmo tempo em que atribui o apagão de quarta-feira no Nordeste à queimada em uma fazenda no Piauí.

Uma contradição em termos, pois ou o sistema não é firme e seguro o bastante para evitar que nove Estados fiquem sem luz por causa de uma queimada ou a razão da queda de energia é outra.

Em dezembro, o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS) e o secretário-geral do ministério disseram que a série de apagões País afora era provocada por raios.

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LIBERDADE COMO NOSSO DOM MAIOR

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