sábado, 7 de setembro de 2013

PEDRO VALLS FEU ROSA- OS CAMUNDONGOS, O SAARA, OS FÓSFOROS E O SIRCFFSTETT

Dia desses li uma curiosa frase de Robert Heinlein: “o elefante é um camundongo construído segundo as especificações do Estado”. No mesmo sentido há uma outra de Henri Jeanson: “dê o Saara a um tecnocrata e, em cinco anos, o deserto estará importando areia”.

Ao ler estas frases fiquei a pensar no SIRCFFSTETT – trata-se de um tal “Setor de Investigações e Repressão ao Crime de Furtos de Fios de Serviços de Transmissões Elétricas, Telegráficas ou Telefônicas”, criado há alguns anos lá em São Paulo. Imagine a cena de um servidor deste setor preenchendo uma ficha cadastral em alguma loja: “eu trabalho lá no SIRCFFSTETT”!

Até os inocentes palitos de fósforo, quem diria, foram alcançados pelo tradicional furor burocrático de nossa administração, que os transformou em “uma caixa de madeira revestida com papel ou papelão, tradicionalmente encontrada no mercado para esse tipo de produto, com dimensões aproximadas de 35 x 48 x 15 mm, com lixa nas laterais e contendo uma média de 40 palitos de madeira, inflamáveis por atrito”. Ufa!


Tudo isto seria até cômico se não fosse trágico! Por exemplo: constatou-se que a burocracia aumenta em até 425% o custo dos imóveis, que aqui chegam a demorar cinco vezes mais tempo para serem construídos, em relação a outros países.
E o comércio externo? Li que o Brasil tem inacreditáveis 334 órgãos para promovê-lo! Toda esta selva de órgãos e siglas está distribuída entre seis ministérios. Em um único deles, 82 dos 158 organismos relacionados ao comércio exterior tem a função de “estudo, análise e consultoria”. Já a “execução de políticas de comércio exterior” é responsabilidade de incríveis 78 entidades.


Alguém poderia sugerir a criação de um órgão que coordenasse todos estes outros. Perda de tempo: já existem 41 deles! O problema não é falta de coordenação – é excesso dela. Veja só: para exportar, um empresário brasileiro precisa passar por umas 20 instituições diferentes, o que consome em média 90 dias. Só para fins de comparação, nos EUA e na Europa a demora não chega a dez dias.

Diante destes dados não causa espanto a conclusão do International Business Report, feito pela consultoria Grant Thornton em 113 países, colocando o Brasil no topo da lista da burocracia, com lamentáveis 60% das indicações. Somos campeões em papéis e siglas!

Há também um relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento, segundo o qual em média são necessários seis procedimentos, 8% do rendimento per capita e 27 dias para começar um negócio qualquer em um país rico. Já no Brasil há que se enfrentar 17 procedimentos, ter disponíveis 11,7% do rendimento per capita e ainda esperar com paciência 152 dias pela liberação final dos sábios da burocracia. 

Calculou-se que se o Brasil reduzisse só o tempo de espera veria um crescimento de 0,45% em seu PIB. E, se chegasse aos níveis europeus ou norte-americanos, alcançaria robustos 2,2% de crescimento. Isto tudo só eliminando papelada.

Encerro este texto recorrendo a Muhammad Yunus, economista ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2006 e criador da tese de que o apoio ao empreendedorismo da população de baixa renda é a melhor forma de reduzir a pobreza no mundo. Disse ele: “o dinheiro gasto em infindáveis burocracias seria muito mais bem aproveitado se fosse dado como crédito às pessoas mais necessitadas de nosso país”.

TALKING TO THE MOON- Minha neta Vitória, linda e talentosa.

Olhe aí, Caio, veja lá, leitor, por Caio Blinder


Olhe aí, Caio, veja lá, leitor


As imagens das vítimas do gás, apresentadas pelo deputado Kinzinger
A doutora Anne Sumers, minha oculista, olha as coisas de um ângulo liberal. Democrata, ela até tentou a política em Washington, mas foi derrotada pelo deputado federal republicano em nosso distrito no estado de Nova Jersey. Bom para mim. Mantenho minha oculista e nossos papos. Síria foi conversa inevitável. Literalmente olho no olho, ela me perguntou se eu era a favor de um ataque na Síria. Metaforicamente, eu baixei os olhos e disse que sim. Sabia que seria censurado pela doutora Anne Sumers.
Minha oculista ecoa a relutância de tantos setores liberais sobre engajamento no exterior. Acha que é hora de retraimento e de botar o foco na reforma da casa (aqui, os liberais democratas estão irmanados de forma desajeitada com a corrente isolacionista do Partido Republicano, concentrada no Tea Party).
Não é à toa que minha oculista expressa a visão de maciça maioria da opinião pública contra a autorização pelo Congresso a uma operação militar para punir Bashar Assad por seu uso de armas químicas. Este é um país avesso ao engajamento, cansado de guerra. São os fantasmas do Iraque,  Afeganistão e os dilemas sobre quem apoiar na Primavera  Árabe, especialmente agora na tragédia síria. Como lembra o editorial da edição corrente da revista The Economist, há ceticismo sobre as conclusões da inteligência e o propósito de uma intervenção. E eu acrescento: existe uma crise de credibilidade das instituições. Olhe a cara de Barack Obama.
Mas, eu rebato que a inação irá agravar esta crise de credibilidade, dar mais espaço a genocidas como Bashar Assad e ampliar a confiança de campeões da não intervenção e das convicções autoritárias, como Rússia e China. Nada disso elimina as incertezas estratégicas de engajamento e o risco de que seja um poço sem fundo, mais um atoleiro. Sem mergulhar em um atoleiro analítico, não custa lembrar que um pouco de força brutal é necessário para conduzir o brutal regime de Assad para algum tipo de negociação.
Mas ainda não chegamos lá. Falta firmeza em Barack Obama para, como dispara a Economist, adotar decisões duras e impopulares. Ele foi ao Congresso em busca de apoio, pois a situação é realmente de amargar, mas o presidente também quer dividir as responsabilidade, embora seja o comandante-em-chefe. Ao mesmo tempo, existe a opacidade de Obama, com distintos planos sendo vazados sobre os propósitos e o alcance de uma operação militar.
Tudo embaçado, mas sei que a população olha as coisas como a doutora Anne Sumers (com o olho esquerdo ou o direito), mas vou apresentar os dilemas do deputado democrata pela California Alan Lowenthal. Calouro no Congresso (eleito em 2012), ele está na maior aflição sobre como votar a respeito da autorização (e o voto de liberais como ele vai decidir a parada para Obama). Lowenthal diz que não existem boas respostas na Síria. Existe um dilema moral sobre o uso de armas químicas, que é simplesmente terrivel, por um ditador. Por outro lado há as consequências sobre envolvimento.
Como minha oculista (que perdeu a parada eleitoral), o democrata liberal Lowenthal tem uma resistência natural à guerra, mas ele quer segurar a barra do democrata na Casa Branca. E em entrevista ao National Journal, Lowenthal diz que de 653 mensagens que recebeu de eleitores no seu distrito, apenas 11 eram favoráveis ao ataque na Síria.
E como eu, Lowenthal é  judeu. Ele pesa o que é melhor para a segurança de Israel (2/3 dos israelenses nas pesquisas se dizem favoráveis ao ataque). Lowenthal, porém, está em dúvida se um mero lançamento de mísseis na Siria aumenta ou diminui a ameaçaa que seu aliado, o Irã, representa para Israel. E se for uma operação mais ampla? Mais incógnitas. Como judeu, Lowenthal é especialmente sensível às imagens horríveis de pessoas inocentes que foram vítimas de gás. Sabemos o que se passa do outro lado. Já vimos outras imagens horríveis das barbaridades cometidas por rebeldes (e olhe que nem são os  terroristas da Al Qaeda). Vimos a foto estampada na capa de quinta-feira do New York Times da execução de soldados governamentais.
Mas o foco hoje é o gás, as vítimas de Bashar Assad. Como qual autoridades moral podemos olhar estas imagens e calcular que a inação é a melhor atitude? Outro deputado calouro, o republicano Adam Kinzinger, de Illinois, veterano das guerras do Afeganistão e Iraque, favor avel à autorização para a operação militar na Síria, fez um chamado à ação, durante o debate no Comitê de Relações Exteriores da Câmara. Ele pediu aos colegas, num lance teatral, que olhassem as imagens das vítimas de Bashar Assad, perguntando como era possível ficar paralisado diante da tragédia.
Olho no olho, minha oculista e a imensa maioria dos americanos respondem que é possível.

GURUS MATAM EM DEFESA DO MERCADO, por Janer Cristaldo

Não sei se ainda hoje há quem vá à Índia em busca de sabedoria. É bastante provável que sim. Em 2010, há apenas três anos – não sei se alguém ainda lembra - o PSDB contratou para fazer sua campanha um guru indiano sediado nos Estados Unidos. A dez mil dólares por dia. Pode? Recorrer aos serviços de um vigarista indiano para conduzir uma campanha eleitoral? Edir Macedo faria melhor. Ao constatar a mancada, os tucanos mandaram o guru de volta aos States. Teria sido mais barato enviar o Serra para fazer meditação transcendental em um ashram em Poona.

Nos anos 70, vivi cercado de pessoas que iam a Poona, na Índia, em busca de sabedoria e paz interior. Lembro de uma amiga dos dias de Porto Alegre, mais conhecida como Olívia Palito. Com esse nome, nem é preciso definir a pessoa. Mesmo sem conhecê-la, quando chega num bar, já sabíamos que dela se tratava. Também atendia por A-que-nem-o-Pitanguy conserta. Mais tarde, ela mesma deu-se um apelido, Bodira. Fora a Poona, para um ashram coordenado por Rajneesh, o vigarista hindu dos 93 Rolls-Royces, e voltara rebatizada. 

Após mais de década sem vê-la, encontrei-a em um boteco em Florianópolis, anos 80. Olívia! - exclamei. Ela fez que nem me ouviu. Repeti. Ela me olhou e disse: "meu nome é Bodira". Ocorre que só havia duas Olívias Palitos no mundo, ela e a do Popeye. Queria ser chamada de Bodira? Que fosse. Fi-la sentar e ela me contou suas aventuras na Índia. Foi quando me mostrou no peito um medalhão do vigarista, que então se chamava Rajneesh. "É meu mestre", disse. Caí na gargalhada, contei-lhe das vigarices do guru. Ela se ofendeu, levantou-se e foi embora. Eu estava desrespeitando sua fé. Enfim, tudo isto para dizer como apelido pode ser uma solução. Com o nome mais sujo que pau de galinheiro, Rajneesh passou a chamar-se de Osho e continuou a enganar de novo, desta vez com o nome novinho em folha.

Durante várias décadas, os jovens do Ocidente, influenciados por uma literatura barata, foram buscar luzes no país em que famintos morrem de fome nas ruas enquanto vacas defecam tranquilamente nas calçadas e ratos são alimentados com pires de leite por monges budistas. 

Só no Rio Grande do Sul, conheci vários casos do gênero. Cito outro. Nos dias de Paris, recebi visita de uma gaúcha vinda de Poona, que parecia ser a Jerusalém dos 70. Vinha também do ahsram do futuro Osho. Perguntei quanto lhe custara a aventura. Ah, baratinho. Cinco rupias por palestra do guru, dez de hospedagem por dia, mais outro tanto pela comida. De fato, era uma insignificância. Ela falava, eu fazia contas num caderninho. 

Que estás fazendo? – quis saber.
- Só umas continhas – respondi -. Quantos assistem à palestra do guru?
- Bom, são três mil.

A história mudava de figura. Fui multiplicando, somando hospedagem, comida, palestras. Dava uns 20 mil francos por dia, salário que nem executivo ganhava no mês em Paris. A menina contou-me ainda outra historinha de um casal gaúcho.

Eram psicólogos da zona da serra e queriam fazer um curso de ioga sexual. Na primeira aula, foram convidados a despir-se antes de entrar na sala. O marido objetou: era casado, não queria ver sua mulher nua na frente de barbados. Mas o curso era de ioga sexual. Tinha de ficar pelado. O marido recuou, os dois voltaram e a primeira providência, ao chegar, foi rasgar o poster de Osho, então Rajneesh, das paredes de seu consultório.

Hoje, a Índia, tida como pacífica, tem alimentado as primeiras páginas dos jornais com estupros coletivos de mulheres. Imersos na multidão, os criminosos têm geralmente permanecido impunes.

Terça-feira passada, na Folha de São Paulo, reportagem de Ellen Barry nos mostra o quão perigoso é lutar contra o obscurantismo no país que tanta sabedoria tem exportado ao Ocidente. 

Durante quase três décadas, um ex-médico chamado Narendra Dabholkar viajou de aldeia em aldeia na Índia, travando uma guerra pessoal contra o mundo dos espíritos. Seu objetivo era incutir o ceticismo científico no coração da Índia, país que ainda é cheio de gurus, "babas", astrólogos, homens divinos e outros empreendedores místicos”.

Seu Estado natal, Maharashtra, estava considerando uma legislação que ele defendia há 14 anos, proibindo uma lista de práticas como o sacrifício de animais, o tratamento mágico de picadas de cobra e a venda de pedras mágicas. Dr. Dabholkar mexeu com o tabu. Ou melhor, com o mercado dos gurus. Em 20 de agosto, dois homens o mataram a tiros quando ele cruzava uma ponte. Em Poona.

“O assassinato do doutor Dabholkar é o último episódio em uma luta milenar entre tradicionalistas e reformadores na Índia. Quando os detetives começaram a montar uma lista dos inimigos de Dabholkar, descobriram que ela era longa. Ele tinha recebido ameaças de grupos de extrema direita hindus, sido espancado por seguidores de gurus irritados e contestado por conselheiros que defendem leis arcaicas sobre castas”. 

Os pacíficos gurus nem sempre são pacíficos. Morte a quem ameaça privá-los de um mercado alimentado pela ignorância e superstição.

No mais cruel dos dias para quem tem culpa no cartório, VEJA oferece aos leitores quatro páginas de informações sobre o caso Rose

Neste sábado, Lula completará 288 dias de silêncio sobre o escândalo que protagonizou ao lado de Rosemary Noronha. Ele parece ainda acreditar que o Brasil acabará esquecendo as bandalheiras que reduziram a esconderijo de quadrilheiros o escritório da Presidência da República em São Paulo. No mais cruel dos dias para quem tem culpa no cartório, a edição de VEJA tratará de reiterar que a memória da imprensa independente não é leviana.
As revelações contidas nas quatro páginas tornarão mais encorpada e mais cinzenta a pilha de perguntas em busca de resposta. Por exemplo: quem está bancando os honorários do oneroso exército de advogados incumbido de  livrar de punições judiciais a vigarista de estimação do ex-presidente? Num depoimento à Polícia Federal, Rose não conseguiu explicar como comprou o muito que tem com o pouco que ganha. De onde vem o dinheiro consumido pela tropa de bacharéis que cobram em dólares americanos?
Lula sabe.
Augusto Nunes

O pronunciamento de Dilma é um acinte. Ou: Independência de Brasília já!

Essa foi a obra de marketing escancarada que a presidente leu como pronunciamento do 7 de setembro. Uma afronta ao povo brasileiro! Dilma vende um país que simplesmente não existe! Mente, manipula, tortura estatísticas para confessarem qualquer coisa.
O Brasil que cresce mais que todos os outros existe apenas na cabeça do governo. É mitomania. O Brasil cresce menos que quase todos os emergentes em janelas de 12 meses, com muito mais inflação. A desvalorização da moeda não é fenômeno apenas internacional fruto da política do Fed, e sim um sinal de nossas fraquezas particulares.
Dilma tem a cara-de-pau de celebrar que a inflação ficou todos os anos dentro da meta! A inflação dos últimos 36 meses foi de 6% ao ano. O centro da meta é 4,5%, e pode ir até 6,5% temporariamente em casos de crise. Três anos em 6% não é respeitar a meta. Isso sem falar dos preços administrados pelo governo e artificialmente reduzidos…
Uma peça ridícula de propaganda eleitoreira. Nada mais. E, dado que o próprio PT antecipou as eleições, trata-se, na verdade, de crime eleitoral até!
Minha resposta vai em artigo escrito em 7 de setembro de 2010, no GLOBO:
Reflexões patrióticas
“O nacionalismo é uma doença infantil; é o sarampo da humanidade.” (Albert Einstein)
No dia de hoje, nada melhor do que fazer algumas reflexões acerca dos rumos do nosso país. O amor à Pátria é um sentimento de união de indivíduos que compartilham uma história, uma cultura e valores comuns. Ele difere bastante do nacionalismo vulgar, uma forma de coletivismo xenófobo que transforma os indivíduos em simples meios sacrificáveis. Foi o patriotismo que alimentou a Revolução Americana; foi o nacionalismo exacerbado que levou ao nazismo.
Não podemos falar de patriotismo sem citar nosso Patriarca da Independência. Sob a influência iluminista, José Bonifácio de Andrada e Silva abraçou os principais pilares da filosofia liberal, compreendendo que a riqueza das nações é produzida pela concorrência e liberdade de empreender, e não pela tutela estatal. O comércio, livre da opressão de minuciosos regulamentos, seria o responsável pela prosperidade da nação.
Ele foi uma das vozes mais importantes contra os abusos de poder da Coroa portuguesa e a escravidão. O Brasil era cada vez mais explorado como colônia. A independência era crucial. Andrada compreendia o que estava em jogo: “Sem liberdade individual não pode haver civilização nem sólida riqueza; não pode haver moralidade e justiça; e sem essas filhas do céu, não há nem pode haver brio, força e poder entre as nações”.
O Brasil deveria ser um país de cidadãos livres, não de escravos. Infelizmente, deixamos de ser súditos de Portugal, mas nos tornamos súditos de Brasília. O governo central foi concentrando cada vez mais poder à custa da liberdade individual, e o dirigismo estatal poucas vezes esteve tão forte.
Neste contexto, o presidente da Fiesp chegou a afirmar que gostaria de “fechar o país”. Isto remete ao que há de mais retrógrado no pensamento econômico. O mercantilismo beneficia poucos empresários próximos ao governo, enquanto prejudica todos os consumidores e pagadores de impostos. Fala-se em “interesse nacional” para ocultar a simples busca por privilégios e monopólios. Na nefasta aliança entre governo e grandes empresários, o povo acaba pagando a conta. Basta lembrar a absurda Lei da Informática para ter idéia do pesado custo imposto aos brasileiros por estas teorias ultrapassadas.
O patriotismo pode ser uma arma poderosa contra a tirania. Unidos por um ideal comum de liberdade, os cidadãos representam uma constante barreira às ameaças despóticas. Se mal calibrado, porém, ele pode dar vida ao nacionalismo coletivista, que serve justamente aos interesses dos oportunistas de plantão sedentos por poder. O “orgulho nacional” deve se sustentar em conquistas legítimas, não em fantasias tolas. O verdadeiro patriota não foge da realidade. Sob a luz da razão, devemos perguntar: qual o motivo para sentir orgulho de nossa trajetória enquanto nação?
Somos recordistas mundiais em homicídios. Nossas estradas federais são assassinas. O transporte público é caótico. A saúde e a educação públicas são vergonhosas. A impunidade e a morosidade são as marcas registradas de nossa Justiça. A corrupção se alastra feito um câncer. A cultura do “jeitinho” tomou conta do país e a ética foi parar no lixo. Nossas instituições republicanas estão ameaçadas. Nossa democracia é vítima do descaso e do escancarado uso da máquina estatal para a compra de votos. O Estado, capturado por um partido, pratica crimes contra o cidadão, como a quebra de sigilo fiscal da Receita. E ainda somos obrigados a trabalhar cinco meses do ano somente para pagar impostos!
Regado a crédito facilitado e com o auxílio dos ventos externos favoráveis, o consumo crescente atua como um poderoso anestésico contra esta dura realidade. O velho “pão & circo” também faz sua parte. Será que devemos celebrar um time de futebol temido mundo afora, enquanto a miséria domina o país? Será que devemos ter orgulho do “nosso” petróleo, quando pagamos um dos combustíveis mais caros do mundo e vemos a Petrobrás ser estuprada pelos donos do poder?
A transformação do patriotismo em nacionalismo está em seu auge quando o povo adere ao infantilismo e passa a encarar seu governante como uma figura paterna. Não se trata do respeito por um estadista, mas de uma forma de idolatria ao “pai do povo”, que não pretende governar, mas sim “cuidar” de sua prole ao lado da “mãe do povo”. É a demagogia em máximo grau. Quando se chega a este estágio decadente, a Pátria já não tem muito de que se orgulhar. É chegada a hora de uma nova independência. Desta vez de Brasília.
Rodrigo Constamntino

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