segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Um conselho a Dilma: Se é inevitável deixar o Brasil mais burro, governanta, ao menos tenha o bom senso de não deixá-lo mais pobre

Quando se fala em suspender a licitação do campo de Libra da Petrobras (ver post abaixo) porque haveria o risco de que os EUA tivessem espionado segredos do pré-sal, dizer o quê? Lembrar a frase célebre de Samuel Johnson:
“O patriotismo é o último refúgio de um canalha.”
Não se trata, como querem alguns tolos, de fazer de conta que a coisa, seja lá o que for, não existiu ou que o governo não tenha de cobrar explicações. Acho que tem. Mas há um limite. Quando vejo, no entanto, o petista José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, que responde por uma gestão ruinosa no comando da empresa, tirar ares de ofendido, aí é de lascar.
Estamos diante de uma Batalha de Itararé de dimensões mundiais. O Brasil pode pagar caro pelas teorias conspiratórias do senhor Glenn Greenwald. Ou bem ele exibe as provas de que Dilma e a Petrobras foram espionadas ou bem deixa claro que tem em mãos não mais do que sugestões, indícios, possibilidades. Não! Não estou cobrando que se esconda nada — nem mesmo os documentos que foram roubados por um pilantra que foi buscar abrigo no colo de Putin. Mas é preciso, também, não ir além do que se tem.
E se prospera essa conversa de Libra? Quem ganha com esse negócio? Ousaria dizer que, definitivamente, não é o Brasil. Não basta dizer, em tom grandiloquente, que a Petrobras é uma empresa que fatura bilhões e lida com riquezas monumentais e coisa e tal. É preciso que se tenha ao menos uma hipótese plausível.
Qual é a hipótese plausível? Dado o regime de partilha, de que maneira as empresas americanas poderiam prejudicar a Petrobras ou o Brasil? Não há como.
Dou um conselho à presidente Dilma: já que é inevitável que esse troço vire matéria de marketing eleitoral, mande bala, soberana; exercite mesmo o espírito verde-amarelo da tigrada. Mas tenha o bom senso de mobilizar a sua tropa para não prejudicar o país. Exercite, como nunca, o discurso de fachada. Se é inevitável deixar o Brasil mais burro, ao menos tenha o bom senso de não deixá-lo mais pobre.
Por Reinaldo Azevedo

Medicina de Cuba é cheia de exemplos a não ser seguidos

O escorpião-azul (em espanhol, alacrán) é um animal peçonhento só encontrado em Cuba. Desde 1995, cientistas da ilha estudam o seu veneno e garantem que é eficaz no tratamento de vários tipos de câncer. A partir dele, fabricam e comercializam os remédios Escozul e Vidatox. Outra espécie endêmica na ilha é a medicina avessa às evidências. Submeter os estudos a uma publicação científica é considerado traição à pátria comunista, submissão ao imperialismo americano. Não há nenhuma comprovação de que o veneno funciona. No Pubmed, a maior base de dados científica sobre saúde no mundo, não há um registro sequer sobre o tal remédio. Sua suposta eficácia é um dos muitos mitos sobre a medicina cubana criados e perpetuados pelos irmãos ditadores Fidel e Raúl Castro para enganar governos incautos como o do Brasil, que pretende contratar 4 000 médicos cubanos até o fim do ano (os primeiros 400 chegaram há duas semanas).


A mentira – e não apenas na medicina – é a principal política de estado na ilha dos irmãos Castro. A atual epidemia de cólera, por exemplo, que as autoridades não conseguem mais esconder, é controlada com um remédio homeopático. “Dar cinco gotas via oral de uma droga homeopática sem eficácia comprovada em um país onde não há tratamento adequado da água e onde a falta de higiene é regra parece uma piada de mau gosto”, diz o médico cubano Eloy González, exilado nos Estados Unidos. Para se ter uma ideia de como Cuba está atrasada, a cólera foi erradicada no século XIX em vários países com o saneamento básico. Propagandear a obsoleta medicina cubana como avançada e pioneira é indispensável para a ditadura, que depende da exportação de mão de obra do setor de saúde para se sustentar. Os missionários de jaleco são atualmente a principal fonte de divisas do regime. Em dezesseis escolas de medicina, Cuba formou neste ano mais de 10 000 doutores e outros 20 000 profissionais de outras carreiras de saúde, como enfermagem e nutrição. Seria uma notícia boa em 1959, quando a Faculdade de Medicina de Havana era uma das dez melhores do mundo. Hoje o curso é uma vergonha e está em 68º lugar no ranking de qualidade da América Latina. Com as missões no exterior, pouquíssimos médicos ficam na ilha, o que levou ao fechamento de 54 hospitais nos últimos três anos. “Antes era preciso levar lençóis, lâmpadas, comida e seringas para o hospital para ser atendido. Daqui a pouco será preciso levar também o médico e a enfermeira”, diz por telefone um morador de Havana, que preferiu não ser identificado. Não é incomum ser atendido por um jamaicano ou um estudante chinês, que falam o espanhol com dificuldade.


VEJA

Motivos para cautela (Síria), por Caio Blinder

r ou não ir? Como ir? São tantos dilemas na crise síria, sobre o futuro do Oriente Médio e a respeito do papel americano (e ocidental) na encrenca. Um papel mais encrencado, pois em uma democracia as decisões envolvem o Congresso e a opinião pública. Motivos para ímpeto e também para cautela. Já alinhei meus impulsos (soldado do intervencionismo humanitário que tem a recaída de se aliar ao neoconservadores que não se cansam de guerra), mas trago aqui um contraponto.
Peter Galbraith, filho do lendário economista John Kenneth Galbraith, é um veterano diplomata americano, atuante em tragédias das décadas de 80 e 90 na ex-Iugoslávia e Iraque, quando contribuiu para desvendar a limpeza étnica do sérvio Slobodan Milosevic e o uso de gás por Saddam Hussein contra os curdos. Também teve atuação, mais tarde, no Afeganistão e no Iraque, depois das invasões lideradas pelos EUA. Galbraith historicamente é um convicto intervencionista, mas agora é contra o envolvimento na Sïria.
Ele adverte que nos Balcãs e mesmo na intervenção na Líbia em 2011, os EUA tinham parceiros internacionais confiáveis e apoio nas áreas conflagradas. Bem diferente o cenário na Síria. Galbraith acredita que ainda seja possível uma solução política na guerra civil, com a participação de Bashar Assad, e que também ainda exista espaço para diplomacia no Conselho de Segurança da ONU, com uma dura resolução contra o futuro uso de armas químicas, que poderia contar com o apoio de russos e chineses.

O cético Peter Galbraith
Galbraith tem dado entrevistas e escrito textos nas últimas semanas. Achei particularmente interessante suas observações sobre a situação doméstica (na Síria e não nos EUA). Galbraith não está impressionado com a blitz publicitária do governo Obama de que dá para apostar nos moderados na guerra civil e que o papel dos rebeldes jihadistas esteja sendo exagerado pela blitz publicitária contrária (o presidente russo Vladimir Putin e o próprio regime Assad).
Galbraith enfatiza que a oposição síria até agora não conseguiu ganhar “apoio significativo” de minorias étnicas e religiosas. E sem este apoio, a oposição não vai prevalecer, mesmo com uma mão mais poderosa dos americanos. E Galbraith, o intervencionsta histórico, questiona se uma vitória dos rebeldes, basicamente dominados por sunitas, será desejável caso não tenha o apoio de curdos, alauitas e cristãos (que juntos representam 1/3 da população síria).
O caso dos alauitas, a seita da família Assad (cerca de 11% da população) é o mais flagrante. É a minoria que mais tem a perder com um triunfo sunita, com o risco de limpeza étnica e genocídio. Os cristãos, igualmente 11% da população, também preferem o atual sistema. E com bons motivos. Afinal, um grito de guerra de setores rebeldes sunitas é “alauitas para a covas e cristãos para Beirute”.
Galbraith se concentra nos curdos, Trata-se da maior minoria étnica da Síria, estimada também em 11% da população, embora o número possa ter crescido, enquanto o dos cristãos declinado nos últimos anos. Galbraith lembra que, ao contrário de alauitas e cristãos, os curdos sofrem de qualquer jeito (com ou sem Assad). Sob a ditadura Assad (pai e filho, por mais de 40 anos), eles têm sido brutalmente reprimidos, sequer tratados como cidadãos. Mas hoje milícias curdas combatem contra rebeldes jihadistas e taticamente as forças governamentais preferem não atuar nas áreas curdas.
Há 25 anos, Peter Galbraith liderou uma missão do Congresso americano para documentar o uso de armas químicas contra curdos iraquianos pela ditadura de Saddam Hussein. Apesar do horror atual na Síria, ele acredita que os EUA devam agir com cautela, não apenas para lançar ataques aéreos contra o regime Assad, mas para fornecer armas aos rebeldes.
Eu considero sólidos os argumentos de Galbraith sobre a ingrata situação interna síria. Ele se tornou um severo crítico das intervenções americanas no Afeganistão e no Iraque, advertindo que o intervencionismo humanitário deve ser raro: uma resposta excepcional a ser julgada por sua capacidade para impedir ou reverter um desastre. Ele não considera que a encrenca síria permita o risco de uma intervenção.
No entanto, não consigo vislumbrar um espaço para uma efetiva atuação diplomática na esfera do Conselho de Segurança da ONU. A instituição é disfuncional. Russos secundados por chineses têm um conceito anacrônico e reacionário de soberania nacional. São avessos a conceitos de intervencionismo humanitário advogados por gente como Galbraith.
Direitos humanos não integram o modus operandi de russos e chineses. Apenas razões de estado, motivos estratégicos e interesses econômicos. Com os massacres que praticam contra suas próprias populações, que moral russos e chineses têm para denunciar atrocidades praticadas por quaisquer atores políticos na guerra civil da Síria?
Um raro consenso na crise síria continua sendo a falta de boas opções, mas será preciso escolher, especiamente no Congresso americano, autorizando ou não um ataque, já que Barack Obama vacilou para decidir sobre intervencionismo estratégico ou humanitário.

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