terça-feira, 10 de setembro de 2013

‘A mídia de Maduro’, editorial do Estadão

Publicado no Estadão 
Quando a escassez de papel higiênico na Venezuela deixou de ser motivo de piada e tornou-se símbolo da falência do regime bolivariano, os sequazes do presidente Nicolás Maduro imediatamente acusaram a “mídia golpista” de inventar a crise. Nenhuma surpresa: o caudilho Chávez via a imprensa como inimiga de sua “revolução”, por expor suas mentiras e contradições. Em razão disso, o regime, que já controla todas as instituições do Estado, empenha-se em dominar também a comunicação. Para isso, além de intimidar jornalistas e empresários do setor, vem investindo na ampliação da rede de meios oficiais para difundir a doutrina bolivariana, noite e dia.
Um estudo de dois especialistas venezuelanos em comunicação, Marcelino Bisbal e Andrés Cañizales, mostra que o governo dispõe atualmente de oito emissoras de TV, contra quatro em mãos privadas. Um desses canais privados, a Globovisión, sofreu pressões judiciais durante anos e acabou vendido a empresários alinhados ao chavismo. O resultado disso não tardou: diversos jornalistas deixaram a emissora depois que a programação foi alterada para não confrontar o regime.
Já o canal estatal VTV (Venezolana de Televisión) veicula mensagens institucionais que atacam explicitamente os opositores de Maduro, qualificando-os de “traidores”. Além disso, existem mais 36 emissoras de TV comunitárias, naturalmente dependentes de dinheiro público, além de 250 emissoras de rádio com o mesmo perfil. Metade do espectro das rádios FM de Caracas transmite o interminável programa oficial “Alô, Presidente”, que ficou famoso na voz de Chávez. A mensagem “Chávez vive, a pátria segue” é repetida ao menos cem vezes por dia.
Como se toda essa cobertura não bastasse, Maduro ainda anunciou a concessão de uma TV para a Força Armada Bolivariana e a criação da TV Comunas, dirigida pelas comunas socialistas, organização que é o esteio do chavismo.
O presidente venezuelano, ademais, imita seu falecido padrinho e convoca constantes cadeias de rádio e TV para seus pronunciamentos. Neste ano, já foram 86 horas de discursos, numa média de 32 minutos por dia. Ainda está longe das até seis horas diárias de exposição de que desfrutava Chávez, mas não porque o espaço dado a Maduro seja escasso, e sim porque lhe falta verborragia.
Na mídia impressa, Maduro controla 120 jornais comunitários regionais e 3 de alcance nacional, que são distribuídos de graça. Além disso, o governo vem procurando sufocar os jornais regionais independentes.
Uma das estratégias tem sido dificultar a importação de papel-jornal, o que atinge em cheio as publicações menores. Em um dos casos, o jornalVersión Final, de Maracaibo, teve de interromper sua circulação por várias semanas. Foi o bastante para fragilizar o periódico a tal ponto que a solução encontrada por seu dono foi vendê-lo a um empresário ligado aos chavistas. A publicação mudou de nome, para Correo del Lago, trocou a equipe de jornalistas e passou a apoiar francamente o governo.
A tudo isso se soma a já conhecida pressão do Estado contra todos os veículos que ainda ousam fazer jornalismo independente. Por meio de processos judiciais viciados, empresas e jornalistas são intimidados até que a única alternativa que reste à falência seja o alinhamento ao regime.
Na lógica chavista, é justo que Maduro disponha de amplo espaço midiático, muito maior do que o da imprensa independente. “Os donos dos meios burgueses não foram eleitos pelo povo”, explicou Alberto Aranguibel, acadêmico chavista, ao jornal El Nacional. Para ele, Maduro, “por ter sido eleito pela maioria”, é quem deve “escolher os temas para discussão”.
O grande tema proposto por Maduro no momento é o do combate à corrupção, em nome do qual ele busca poderes “especiais”. Nesse caso, o controle da mídia é essencial, porque somente a imprensa livre é capaz de mostrar que a maior fonte de corrupção na Venezuela é o próprio governo.

Quarenta anos do golpe que derrubou Allende no Chile. Mas o golpe veio antes!

Amanhã faz 40 anos do golpe militar liderado por Augusto Pinochet que tirou Salvador Allende do governo chileno. Só pretendia falar do assunto na própria data, mas um artigo de Vladimir Safatle antecipou meus planos. É tanta inverdade que preciso rebater logo os mitos e a vitimização da esquerda.
Para amanhã, guardei um texto sobre a juventude nazista do ícone da esquerda latino-americana. Hoje, falaremos de seu governo e dos motivos que o levaram a ser deposto. Antes, as mentiras de Safatle:
País historicamente avesso a intervenções militares, o Chile era, até 11 de setembro de 1973, um dos mais inovadores laboratórios de transformação social do Ocidente.
Salvador Allende liderou um governo que procurava, ao mesmo tempo, superar índices vergonhosos de desigualdade econômica, enquanto aprofundava mecanismos de democracia direta e de respeito às estruturas da democracia parlamentar. Seu caminho era uma via inovadora entre as sociedades burocráticas do Leste Europeu e as dos países capitalistas.
Na verdade, tal caminho encarnava o medo mais profundo de países como os EUA em plena Guerra Fria. Tratava-se do medo de uma experiência capaz de aproximar práticas socialistas de redistribuição de riquezas com uma democracia pluripartidária.
Os fatos: Allende liderava uma tentativa de golpe socialista dentro da democracia, tal como Hugo Chávez conseguiu fazer décadas depois, na Venezuela. Seu governo era uma afronta constante aos preceitos constitucionais do país, e uma aberração econômica.
Allende não foi eleito presidente do Chile por uma maioria absoluta. Ele recebeu apenas 36,2% dos votos, contra 34,9% do candidato conservador, e 27,8% do candidato democrata-cristão. Em outras palavras, mais de 60% dos eleitores não queriam Allende no poder.
Mas no Chile não havia um segundo turno para situações como esta. Cabia ao Congresso completar a eleição. Uma aliança entre os dois outros partidos poderia, dentro da Constituição chilena, colocar outro candidato em vez de Allende na presidência. Não havendo consenso entre eles, Allende acabou sendo indicado, mas não sem antes um compromisso de que ele não iria desrespeitar a Constituição do país (tal receio já existia na época das eleições).
Uma vez no cargo, Allende iria ignorar tal compromisso, e governar com a meta de destruir a própria democracia, promovendo uma ruptura social e institucional no país. Logo no começo este objetivo ficou evidente. A tradição chilena era que o presidente eleito estendesse a mão aos que não haviam votado nele, assumindo a postura de presidente de todos os chilenos.
Allende preferiu romper esta tradição, anunciando que suas ações partiriam da premissa de que existiam, no Chile, conflitos de classe irreconciliáveis. Quais classes seriam privilegiadas estava evidente nas bases do governo: movimentos revolucionários de esquerda, grupos que se preparavam para uma guerra civil inspirada nas táticas de Che Guevara.
O ex-presidente Eduardo Frei afirmou que os allendistas “aplicaram deslealmente as leis ou as atropelaram abertamente”, desrespeitando inclusive os Tribunais de Justiça. O governo interferiu nas eleições sindicais, favorecendo grupos aliados ou criando grupos paralelos quando seus aliados perdiam as eleições.
Eles chegaram a propor a substituição do Congresso por uma “Assembléia Popular” e a criação de “Tribunais Populares”, algo semelhante aos “tribunais do povo” dos jacobinos na era do Terror. Uma Guarda Pessoal foi criada em 1971, altamente armada. O sistema de educação seria convertido num processo de doutrinação marxista.
A Corte Suprema da Justiça, por unanimidade, censurou o Poder Executivo por desrespeitar sistematicamente as decisões dos Tribunais. No segundo semestre de 1973, já não havia dúvidas de que uma ditadura totalitária estava sendo instaurada no Chile. Milhares de representantes da extrema esquerda foram para o Chile, e a embaixada cubana virou um verdadeiro ministério paralelo.
Escolas de guerrilha foram criadas, treinando paramilitares sob a proteção do governo. Houve uma acelerada importação clandestina de armas pesadas. A infraestrutura para um exército paralelo estava instaurada. A democracia estava com seus dias contados.
No campo econômico, a crise, gerada pelo próprio governo, foi vista como oportunidade para mais intervenção ainda. Allende congelou os preços, manipulou artificialmente o valor da moeda, elevou consideravelmente os gastos públicos, e comprou por meio do estado inúmeras empresas privadas. Outras tantas foram perseguidas pelo governo. Fazendas foram tomadas. A mineração de cobre, principal indústria chilena, foi expropriada e colocada sob gestão estatal.
Após um ano de governo, Allende teve que pedir uma moratória para a dívida externa do governo. Entre junho e dezembro de 1972, o índice de preços de consumo foi multiplicado por quatro, e ainda dobraria outra vez depois. A produção agropecuária chegou a cair 25%. O caos era total, resultado das medidas do governo Allende, que explorava este caos politicamente.
Os socialistas chilenos não conseguiam conviver com os limites do poder do estado, com a liberdade de expressão, com a alternância de poder. O diplomata venezuelano Carlos Rangel, emDo Bom Selvagem ao Bom Revolucionário, escreveu que a experiência chilena provou, uma vez mais, algo mais do que sabido: “a incompatibilidade do marxismo-leninismo com a democracia”.
Os socialistas acabam usando as brechas democráticas para instalar uma ditadura totalitária. Criam, assim, um ambiente de guerra, onde, de uma forma ou de outra, o resultado será uma ditadura. Allende, neste sentido, foi o pai político de Pinochet. Sem aquele não teria existido este. O clamor de boa parte do povo chileno era pelo resgate da ordem e da lei.
Nada disso pretende justificar os anos que se seguiram, do regime de Pinochet. Ditaduras não merecem aplausos. Mas é fundamental compreender o contexto do “golpe”, que contou com o apoio de muitos defensores da Constituição, usurpada pelos golpistas liderados por Allende.
Não podemos tampouco ignorar o sucesso no lado econômico, negado por Safatle por malabarismo estatístico. Os primeiros anos foram de ajustes, mas as reformas liberais, orquestradas pelos economistas da Universidade de Chicago (casa de Milton Friedman), colocaram o país novamente nos eixos, após a catástrofe gerada por Allende.
O Chile despontou, com importantes privatizações, incluindo a da previdência. Virou o país com economia mais estável na região, e com o melhor nível de IDH. Os esquerdistas gostam de relativizar a ditadura cubana, ainda existente, com base nas “conquistas sociais” do regime, que não passam de mito. Ora, se é para ser pragmático, deveriam elogiar Pinochet, pois os resultados chilenos, sim, foram concretos e podem ser sentidos até hoje.
Na ditadura chilena, foram mortos cerca de 3 mil pessoas, sendo que quase a metade logo no começo, numa guerra civil com comunistas. Não eram inocentes, na maioria dos casos, mas guerrilheiros tentando transformar o Chile em Cuba. Já na ditadura cubana, que ainda sobrevive depois de meio século, foram assassinados, por baixo, uns 20 mil inocentes. Isso para não falar dos que morreram tentando fugir da Ilha-presídio, algo inexistente no Chile, pois qualquer um poderia deixar o país livremente.
Mas nada disso importa. São apenas fatos, e a esquerda não liga para eles. Prefere enaltecer um golpista fracassado como Allende, posando de vítima inocente dos imperialistas americanos e de suas marionetes militares na América Latina. A mentira ainda vende bem por aqui. Não é mesmo, Safatle?
Rodrigo Constantino

A decadência do Itamarati sob o PT, por Rodrigo Constantino


A decadência do Itamaraty sob o PT

Se havia um órgão de estado que mantinha seu respeito popular governo após governo, este era o Itamaraty. Sempre foi visto, com razão, como bastante neutro em termos partidários e políticos, buscando defender os interesses nacionais acima de tudo. Não mais.
O aparelhamento ideológico do PT chegou com seus tentáculos em toda a máquina estatal, e nossa diplomacia não foi capaz de permanecer imune. Dois artigos de hoje fazem um bom resumo da situação. O professor de filosofia Denis Rosenfield e o embaixador Rubens Barbosa mostram como a isenção foi abandonada em lugar da ideologia.
Denis Rosenfield faz uma análise direta do caso Mercosul, que não deixa margem a dúvidas. Ele diz:
O Mercosul é um projeto atualmente inviável, constituído por países que têm horror à economia de livre mercado, aferram-se a ideias socialistas, pregam maior intervenção estatal na economia e se comprazem com diatribes “anti-imperialistas”. A Argentina é um país praticamente falido, sem acesso a financiamentos internacionais, gastando suas reservas internacionais, submetido a processos em cortes norte-americanas pelo calote dados a seus credores e, em pouco tempo, terá problemas em honrar compromissos de suas importações. Ou seja, o mercado argentino estará importando cada vez menos do país, nenhuma saída se vislumbrando. Trata-se da crônica de uma falência anunciada. Apesar disto, o Brasil continua se alinhando a este país em foros internacionais, posicionando-se conjuntamente contra o livre comércio, como acabamos de observar na reunião do G-20, em São Petersburgo.
Em relação à Bolívia, a omissão brasileira, tornando-se uma completa indiferença, foi a tônica em relação ao salvo conduto do Senador Molina, abandonado, em um cubículo da Embaixada, à sua própria sorte. Segundo tratados internacionais, assinados pelo Brasil e pela Bolívia, o salvo conduto deveria ter sido expedido imediatamente. O governo Evo Morales participou de um faz de conta com o Itamaraty, levando um diplomata digno a insurgir-se contra tal desprezo da lei internacional e de uma mínima consideração dos direitos humanos. O fiasco do Itamaraty foi total, levando a uma crise que se traduziu pela demissão do Ministro das Relações Exteriores.
A comunhão ideológica em torno do projeto bolivariano/socialista, tal como já havia se expresso na lamentável participação brasileira na suspensão do Paraguai do Mercosul, preponderou, dando ensejo ao ingresso da Venezuela. Goste-se ou não da Constituição paraguaia, todos os trâmites foram seguidos na destituição do ex-presidente Lugo, o que não foi o caso dos trâmites venezuelanos que levaram Maduro a ascender ao Poder, na agonia e morte de Chávez. Com tudo isto, o país compactuou em nome de uma ideologia comum. Já passa a hora de o Brasil revisar as suas prioridades e adotar a defesa pragmática dos seus interesses nacionais e comerciais, dando adeus a ideologias de antanho.
Nada a acrescentar. É evidente para quem ainda tem olhos para enxergar que o Mercosul virou uma camisa-de-força ideológica que prejudica o Brasil em nome dos interesses do PT. O embaixador Rubens Barbosa, mais diplomático nas críticas, como era de se esperar, coloca o dedo na ferida também, e alerta abertamente que o Itamaraty é uma instituição em perigo hoje:
O Itamaraty, nos últimos anos, deixou de gozar da unanimidade nacional. O esvaziamento da instituição e a fragmentação externamente induzida nas suas posturas e no seu modo de operar decepcionam a sociedade brasileira. A perda da vitalidade do pensamento independente em todos os escalões pela extrema centralização das decisões, a discriminação ideológica contra funcionários, problemas de preconceito racial, assédio, greves, salários e arranhões no princípio hierárquico não ajudam a recuperar a imagem de um serviço diplomático até aqui considerado um dos mais eficientes do mundo.
[...]
A política externa brasileira sempre foi uma política de Estado e foram extremamente raros os momentos de nossa história em que predominou qualquer tipo de vontade partidária — nem sempre coerente com o interesse permanente do país — sobre a condução da diplomacia e sobre a atuação de seus funcionários.
O Barão do Rio Branco, ao assumir a chefia do Itamaraty, deixou uma lição que deveria servir como princípio básico para a sua atuação permanente: “A pasta das Relações exteriores não é e não deve ser uma pasta de política interna. Não venho servir a um partido político: venho servir ao Brasil.”
Para voltar a desempenhar um papel de relevo, o Itamaraty terá de adequar a política externa aos novos desafios internos e externos. Ao renovar-se e atualizar-se, deixará para trás formalismos, posturas defensivas e tendências burocrático-ideológicas, que estão acarretando a perda de influência do Brasil na região e seu isolamento em um mundo em crescente transformação.
Servir ao Brasil e defender o interesse nacional é o que se deveria esperar do Itamaraty, acima de quaisquer outros interesses.
É uma lástima ver o que o PT está fazendo com esta prestigiada instituição. A diplomacia é fundamental para um país. Sempre gozamos de bons nomes ocupando estas importantes funções. Mas fica a questão: há alguma coisa em que o PT coloque a mão e não estrague?

CARLOS CHAGA- DESAPARECIDA A CAUSA, DESAPARECEM OS EFEITOS

Os protestos do Sete de Setembro serviram para comprovar que minorias deletérias conseguem perturbar um país inteiro mas encontram-se a um passo de ser isoladas, se houver vontade política por parte da população e da autoridade pública. Porque não foi nem será difícil identificar, em todos os estados, quais os baderneiros empenhados em promover a desordem. Infiltrados nas manifestações populares, não passaram de 200 ou 300 em cada capital. São nada, para uma população de mais de 200 milhões, mesmo se admitindo a indignação de boa parte deles diante da falência dos serviços públicos e da fragilidade das instituições. Numa palavra: o Brasil está contra a qualidade vida imposta por governos desleixados da mesma forma como rejeita a baderna. Esta ficará circunscrita a uns tantos desajustados assim que aquela venha a ser recomposta.

Torna-se evidente, assim, que enfrentada a causa, desaparecerão os efeitos, já que sem manifestações nas ruas para infiltrar-se, os baderneiros serão reduzidos à sua expressão mais simples, de meros bandidos cujo destino deve ser a cadeia. Desnecessário será demonstrar que enquanto se misturarem os que protestam com razão e os que depredam sem ela, não haverá polícia que dê jeito.Em especial quando os agentes policiais confundem uns e outros. Mesmo “uniformizados”, vestidos de pretos e com a cara encoberta, os poucos baderneiros só se revelam na hora em que invadem, quebram e dilapidam patrimônio público e privado. Podem ser identificados numa investigação posterior, demorada e custosa, parecendo mais fácil e lógico ao poder público enfrentar os motivos responsáveis pelas manifestações. Em suma, reformar objetivos e métodos de governo, bem como instituições. Missão quase impossível, mas a única saída visível para evitar o caos. De preferência através de eleições…
Diário do Poder

LIGADO A ZÉ DIRCEU- POLÍCIA INVESTIGA EX-PRESIDENTE DA FBB POR DESVIO DE DINHEIRO PÚBLICO

Mandado de busca e apreensão na Fundação Banco do Brasil (FBB), em 29 de agosto, atirou no que viu e acertou no que todos já sabiam em Brasília: a influência do petista Jacques Pena nos negócios da instituição, que ele presidiu até há três anos e tem orçamento apetitoso, superior a R$ 200 milhões. Ligado ao ex-ministro José Dirceu, a quem trata por “Zé”, Pena é um dos acusados, segundo o juiz Frederico Ernesto Maciel, de “burlar a lei para desviar dinheiro público” na FBB.
Diário do Poder

REVOLUÇÃO DE JUNHO FOI INTENTONA DO FORO DE SÃO PAULO, SEGUNDO ASTRÓLOGO , por Janer Cristaldo

Alguém aí ainda lembra da Revolução de Junho deste ano? Saudada pela Veja em edição que se pretendeu histórica, e proclamada como a verdadeira revolução? Alguém ainda lembra da chamada de capa da revista?

OS SETE DIAS QUE MUDARAM O BRASIL 

Eu lembro. Escrevi na ocasião: salvo engano, Brasil é este país em que vivo e no qual agora escrevo. Para qualquer lado que olhe, não vejo mudança alguma. Salvo alguns prédios e carros depredados, mas isso nada tem de novo no país. Verdade que uma dúzia de cidades andaram baixando em alguns centavos a tarifa do transporte coletivo. Mas isto está longe de mudar qualquer país. Tentei ver na reportagem o que havia mudado.

“O PT acreditava que a paixão dos brasileiros pelo futebol seria exacerbada pelas Copas, de tal forma que ninguém mais notaria a corrupção e a ineficiência do governo. Errou feio. Os cartazes das ruas fizeram das Copas símbolos odiados do gasto público de péssima qualidade, do desvio de dinheiro e do abuso de poder”.

A situação não é tão grave como parece ser – comentei então -. Símbolos odiados? Odiados por alguns gatos pingados. Os estádios estiveram lotados nesta Copa e isso que nem é a Copa do mundo, a que de fato inflama paixões. Veja superestima a multidão das ruas. Consta que foram um milhão na quinta-feira passada. 

Um milhão de pessoas nas ruas é 0,5 da população. A transmissão contínua das televisões dá a idéia de um país em chamas. Ora, longe disso. Meu bairro continua em seu mesmo ritmo. Todo mundo comprando, trabalhando, comendo, bebendo. O mesmo ocorrerá em dezenas, centenas de outros bairros, em São Paulo e no país todo. Vistas pela televisão, as cidades parecem ser puro caos. Não são. Caos só em dois ou três pontos do centro e nas avenidas onde os “jovens” se concentram.

Se o país havia mudado, eu não fora avisado. Veja continuou insistindo em sua tese:

“Em 1992, em gesto de desespero, o então presidente Fernando Collor convocou os brasileiros a sair às ruas de verde e amarelo. O povo saiu de preto e ele saiu do palácio do Planalto. (...) Lula mandou os sindicalistas se fingirem de povo e o resultado foi o mesmo. Cascudos nos intrusos e bandeiras queimadas e rasgadas. Os esquerdistas tiveram de ouvir um dos mais elegantes xingamentos da história mundial das manifestações: “Oportunistas, oportunistas”.

Relembrar é sempre salutar. Em outro texto, Veja comparava a baderna generalizada com a queda do muro de Berlim e a invasão da Áustria pelos húngaros em 89, nada menos que isso. “O comunismo acabou e a Alemanha se reunificou”, salientava a revista, para confirmar sua tese de que o petismo acabou. 

Veja lembrou então que a frase que intitulava a reportagem era de Lênin. “Até ele ficaria sem palpite se tivesse presenciado as mudanças as mudanças dos últimos dias no Brasil”. 

“Esqueçamos os vândalos e os anarquistas, gente que não estava lutando por um governo melhor, mas por governo nenhum. A revolução verdadeira foi a que começou a ser feita pelos brasileiros que foram às ruas protestar por estar sendo mal governados” – escrevia então a revista, para bem salientar que de revolução se tratava. Mais ainda, não era apenas revolução. Era revolução verdadeira. 

Em verdade, em algo o país mudou. Os corruptos tornaram-se mais audazes. A Câmara dos Deputados preservou o mandato de um colega condenado por peculato e formação de quadrilha e preso no Complexo Penitenciário da Papuda, fato nunca visto neste país. E dona Marta Suplicy, ministra da Saúde, promoveu desfiles de moda em Paris a custas do contribuinte. E ainda justificou serenamente:

- A moda também gera símbolos. Marcas que, de tão importantes, se tornam até sinônimo da cultura do país. Atraem turistas, agregam valor a outros produtos e se, combinadas com gastronomia, música, monumentos, potencializam uma imagem positiva e contribuem para o "soft power" do país. 

Afinal, moda também é cultura.

Enfim, seja como for, algo sempre me intrigou: quem seria o mentor daquela rebelião toda que, magnificada pelas lentes da imprensa, parecia estar prestes a pôr fogo no país? Havia os adeptos da combustão espontânea, mas a explicação me parecia débil. Indubitavelmente, tinha de existir um cérebro organizador daquela convulsão toda.

Neste domingo, o Astrólogo nos iluminou com suas luzes na Folha de São Paulo, este órgão infestado por jornalistas comunistas, a quem o Dostoievski de Campinas se dignou conceder entrevista. Foi o Foro de São Paulo, é claro. Ingênuo, eu sequer havia notado tal obviedade. 

Pior ainda, foi uma tentativa de golpe e eu, ignaro, sequer havia percebido tal ameaça a um governo que de golpe não precisa, afinal está no poder e deita e rola sobre as leis.

- E como o sr. avalia as recentes manifestações em cidades do Brasil? – pergunta o repórter.

Responde o Astrólogo:

- Tudo começou como uma tentativa de golpe, planejada pelo Foro de São Paulo [coalizão de partidos de esquerda latino-americanos] e pelo governo federal para fazer um "upgrade" no processo revolucionário nacional, passando da fase de "transição" para a da implantação do socialismo "stricto sensu". 

- Isso incluía, como foi bem provado, o uso de gente treinada em guerrilha urbana para espalhar a violência e o medo e lançar as culpas na "direita". Aconteceu que os planejadores perderam o controle da coisa quando toda uma massa alheia à esquerda saiu às ruas, e eles decidiram voltar atrás e esperar por uma chance melhor. Isso foi tudo. Não há um só líder da esquerda que não saiba que foi exatamente isso. 

Nada como um astrólogo para iluminar-nos sobre o que de fato acontece sob nossos olhos e, cegos irremediáveis, sequer percebemos. Por um triz, escapamos de um regime comunista.

Gabeira: a prova de que a esquerda pode evoluir, por Rodrigo Constantino

A trajetória de Fernando Gabeira é claramente de evolução. Foi guerrilheiro comunista, participou até do sequestro do embaixador americano que serviria como moeda de troca para libertar presos políticos, entre eles José Dirceu. Gabeira já fez mea culpae reconheceu que lutou a luta errada.
Agora continua dando sinais de evolução. Em entrevista para a revista Época, disse certas obviedades que a esquerda continua ignorando. Por exemplo:
O que me distingue dessa esquerda é que, para mim, os fins não justificam os meios. É preciso trabalhar dentro dos critérios democráticos. Também me incomoda que, uma vez no poder, eles se sentem os donos do Estado. O Estado brasileiro passou a ser uma extensão do PT. A política externa brasileira é do partido, e não nacional. Isso também me incomoda muito. O Brasil se apresenta ao mundo com as limitações mentais, ideológicas, do PT. Tenho vergonha de um presidente da República, como o Lula, que diz que a oposição no Irã parece uma torcida de futebol. Tenho vergonha de um presidente que diz que os presos políticos em Cuba são semelhantes aos presos comuns no Brasil. Ao se atrelar a alguns países da América do Sul, abandonando a possibilidade de relações com o resto do mundo, eles prestam um desserviço. Não que a integração regional não seja importante, mas o Brasil precisa se abrir também para outros centros, com uma capacidade tecnológica maior. Você não pode associar seu destino a esse grupo de países, como eles fizeram, por causas ideológicas.
[...]
Não há dúvida de que o capitalismo predominou e o socialismo deixou de ser uma alternativa desejável. Isso não significa que algumas ideias de esquerda e de direita não continuem presentes no universo político. Certas ideias de que as pessoas são culpadas pela própria pobreza continuam existindo. Certas ideias de que as pessoas precisam ser protegidas na velhice, ter uma aposentadoria digna, também continuam aí. Hoje, não se fala mais tanto em capitalismo versus socialismo. Fala-se mais numa forma de modernizar e democratizar o capitalismo.
[...]
Considero-me uma pessoa de esquerda. Não me importo muito com as críticas, vejo como algo normal na política. Pessoas que admiro muito, como o poe­ta Octavio Paz, também foram chamadas de reacionárias em vários contextos. Às vezes, também chamo o pessoal do PT de reacionário, porque, no meu entender, tudo o que detém o avanço é um gesto reacionário. Tudo depende do ponto de vista.
[...]
Não acredito mais nisso. Não acredito em “novo homem”. Aliás, essa coisa de criar o “novo homem” serviu para muita repressão. Os homens que não cabiam nesse modelo costumavam ser fuzilados.
Se toda a esquerda brasileira fosse assim, como Gabeira, o país seria outro! Infelizmente, por aqui ainda pulula um tipo jurássico de esquerda, que sonha com o fracassado socialista, que encara a democracia como uma farsa para tomar o poder, que deseja forjar um “novo homem” ainda que na marra, que consegue admirar Cuba em pleno século 21!
Precisamos de mais gente como Gabeira falando em nome da esquerda brasileira. O diálogo democrático entre uma esquerda dessas, mais madura e moderna, e liberais e conservadores do outro lado, é o que falta para colocar o Brasil na rota do progresso. Enquanto o PT, o PSOL e o PSTU forem ícones da esquerda, o país estará condenado ao atraso.

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