quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Pintos no lixo, por Alexandre Garcia

Os arruaceiros, na data máxima do Brasil, jogaram uma pá-de-cal no despertar do gigante adormecido. Com medo, ele foi para baixo da cama. Arruaceiros mascarados atrapalharam os desfiles militares, assustaram as famílias que foram assistir às paradas e afugentaram a cidadania democrática que iria exercer o direito constitucional de se reunir sem armas. Enxotaram das ruas os que iriam exercer a mais autêntica das participações numa democracia: o direito de criticar, de apontar os erros e de protestar. Bem-aventurado o chefe - de governo ou não - que tem críticos. Porque a crítica é o que evita erros e estimula correções. Os arruaceiros parecem estar a serviço da arrogância que não suporta críticas nem protestos, com o monopólio da verdade.

Não podem ser chamados de vândalos. O povo que deu origem ao adjetivo por ter saqueado Roma, não cobria o rosto em ato covarde. Mostrava com coragem a cara para os romanos. Aqui, não podem ser sequer chamados de manifestantes. Porque quem cobre o rosto para arrombar caixa bancário ou para roubar loja, não se chama manifestante, mas assaltante. E como tal deve ser tratado. Uma máscara pode ter um simbolismo importante e não quer dizer necessariamente que o mascarado esteja mal-intencionado. Mas o rosto descoberto é bem mais expressivo da indignação cidadã, como foram os cara-pintadas de verde-e-amarelo que ajudaram a tirar Collor.

Aqui em Brasília, no Sete de Setembro, tentaram invadir a Globo. O primeiro que entrou, levou um tabefe do segurança e saiu ganindo como um cachorro com o rabo no meio das pernas. Os outros, com a mesma coragem, não repetiram a tentativa. Limitaram-se a jogar pedras, de longe, danificando automóveis de repórteres que estavam cobrindo o jogo da seleção brasileira. Depois, quebraram os vidros de um restaurante vegetariano adventista vizinho, que realiza ações beneficentes. Tudo sem objetivo outro que não tenha sido o de destruir. Seria nihilismo, se soubessem o que é isso. Ou anarquismo, que certamente tampouco sabem de que se trata.

Por cidades brasileiras realizaram ataques fortuitos e gratuitos semelhantes. Vi imagens de quando passavam por uma modesta residência e jogaram paus para quebrar as janelas da casa, talvez porque, na cabeçorra coletiva deles, ali morasse uma família de pequenos burgueses. Quebraram paradas de ônibus e relógios publicos. A ação mais constante e que mais os marcou, como característica desses grupos em toda a parte, foi sobre lixeiras. Por toda a parte, as lixeiras eram a meta deles. Talvez tivessem alguma afinidade com elas, como pintos no lixo

‘A lógica da falta de lógica’, por Carlos Brickmann



Publicado na coluna de Carlos Brickmann

No conto clássico O Estrela de Prata, em que esclarece o desaparecimento de um cavalo campeão e o assassínio de seu treinador, Sherlock Holmes comenta com o detetive da Polícia que o que mais lhe chamou a atenção foi o comportamento do cão de guarda. O detetive lembrou-lhe que o cão não fizera nada. Respondeu Holmes que a falta de latidos foi sua principal pista.

No Brasil inteiro, os imbecis que quebraram equipamentos públicos e jogaram lixo nas ruas ficaram livres da ação policial. Uns 20 vândalos, no máximo, devem ser processados. Quebraram vidraças de lojas e bancos, incendiaram bandeiras do Brasil, puseram no lugar a de Cuba, agrediram jornalistas, jogaram pedras em policiais e ficaram numa boa. Atacaram PMs com cavaletes e placas de rua, empunharam barras de ferro para brigar, voltaram em paz para casa. Em compensação, a PM deu banhos de spray de pimenta em manifestantes não violentos, desarmados, que se limitavam a gritar palavras de ordem.



Como no caso de Sherlock Holmes, o que mais chama a atenção é a passividade policial diante dos bandos violentos (em contraste com a truculência diante dos manifestantes mais calmos). No conto policial, o detetive concluiu que o cachorro não tinha latido porque conhecia o criminoso ─ e estava certo: o criminoso era o dono do cavalo e do cachorro. A inação policial diante de quem tinha de ser contido e preso, e isso em todo o país, deve ter motivo semelhante. O policial é condicionado a obedecer.

Por que desobedeceria, justo nesse caso?

Isso ou aquilo
De duas, uma: ou os governadores, todos, perderam o controle de suas polícias, ou mantêm o controle sobre elas. Das duas, qual a pior hipótese?

O trabalho enobrece
Manifestações de rua, parlamentares dizendo que o clamor popular vai ditar sua conduta. Aí surge na Câmara a Medida Provisória 615, para sanear as finanças de pequenos agricultores. É ideia interessante, bem embasada; pode-se ser contra, mas o objetivo é louvável. Claro que a Câmara transformou os 16 artigos originais da MP em 49, pendurando nela até a transformação de licenças de táxi em propriedade que pode passar aos herdeiros, mas isso acabaria sendo derrubado. Enfim, é coisa a ser debatida. O deputado Fernando Ferro, do PT de Pernambuco, estava no plenário para isso numa segunda-feira, dia em que raros parlamentares se dão a esse trabalho. Jogava paciência no Ipad enquanto a MP era discutida. A deputada Iriny Lopes, do PT do Espírito Santo, ex-ministra de Políticas para Mulheres, também estava no plenário. Fazendo palavras cruzadas.

Esse pessoal não tem jeito: até quando trabalha dá um jeito de não trabalhar.

A lei, ora a lei
Favela do Morro do Amor, Rio de Janeiro, Zona Norte. Ali, traficantes que se dizem evangélicos fecharam terreiros de candomblé e umbanda e proibiram símbolos ligados a cultos de origem africana. Proibiram até roupas brancas às sextas-feiras. De acordo com o jornal carioca Extra, o Ministério Público vai investigar o crime de intolerância religiosa.

Este colunista, com certeza erradamente, acha que o mundo ficou maluco. Se os referidos cavalheiros são traficantes, seja qual for a religião que digam professar, ou mesmo que não sigam nenhuma, têm de ser presos por tráfico, ponto. E, enjaulados, como é correto, que sejam investigados por intolerância religiosa e outros crimes que tenham cometido.

Mas é preciso começar pelo começo: se já se sabe que são traficantes, por que continuam soltos?

Papai pode tudo
Janaína de Almeida Stedile é a chefe de Projetos e Obras Públicas da Prefeitura de São Bernardo do Campo, dirigida pelo petista Luiz Marinho. É arquiteta e foi nomeada para cargo que não exige concurso. Seu pai é João Pedro Stedile, chefe supremo do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, MST.

Aos inimigos, ajuda
Uma ONG israelense que não divulga seu nome, nem o de seus dirigentes e integrantes, está fornecendo alimentos, produtos de higiene e remédios a refugiados sírios. “As pessoas não pedem licença para matar, então não pedimos licença para salvar”, diz Yael (revela apenas o primeiro nome, e deve ser fictício). Quase mil toneladas de produtos diversos foram entregues aos sírios, por uma rede de contatos clandestinos. Há hoje dois milhões de sírios refugiados no exterior, expulsos pela guerra civil. Tanto os 1.200 voluntários israelenses quanto seus contatos sírios correm risco de vida, já que a Irmandade Muçulmana não admite que se preste ou receba ajuda sem pertencer a seus quadros.

Aspereza e suavidade
O presidente americano Theodore Roosevelt dizia que se deve falar macio e ter um porrete nas mãos. A presidente Dilma Rousseff, neste caso da espionagem brasileira, fala duro mas age com gentileza. Ao que tudo indica, irá aos Estados Unidos no dia 23, conforme previsto. Dilma tem interesse na visita (e Obama, sem dúvida, também). Há algumas propostas de cooperação a analisar.

E, quando fica bom para os dois lados, a tendência é que logo se acertem.

Por que os antropólogos são assim?

Uma matéria no jornal mostrou o aumento da criminalidade nas redondezas das renomadas escolas de Botafogo, no Rio. Há relatos de agressividade gratuita dos marginais, seguida de escárnio, como esse:
Fiquei com hematomas no braço e na perna. Um homem veio me ajudou e fomos atrás dos bandidos. Um bombeiro conseguiu segurá-los. Três deles eram menores de idade e ficaram rindo na delegacia, dizendo que em breve estariam na rua para cometer novos assaltos.
De fato, protegidos pela inimputabilidade do ECA, esses bandidos sabem que estarão em liberdade em pouco tempo, prontos para assaltar novamente, ou até matar. Nada é um convite maior ao crime do que a impunidade. Mas eis que logo aparecem eles, sempre eles!, os antropólogos, para justificar a bandidagem com base nas desigualdades sociais:
Para a antropóloga Regina Novaes, pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), os crescentes registros de roubos de aparelhos celulares escancaram que há no país um abismo entre as possibilidades oferecidas pela tecnologia e os meios de inserção digital disponíveis para a juventude de classes sociais diferentes. Os smarthphones, observa uma das mais respeitadas pesquisadoras sobre infância e juventude do Brasil, são símbolo de toda uma geração que quer estar conectada.
— Esta é uma geração conectada à internet, mas a qualidade e os meios desta inserção digital ainda são muito díspares. Claro que ninguém celebra esta espécie de atitude Robin Hood, de quem não tem tirar de quem tem. Mas é interessante a gente observar que esses episódios apontam para o grande hiato que ainda há no país do ponto de vista econômico e social, a despeito dos avanços nos últimos anos. Estamos falando de jovens que partilham os mesmos objetos de desejo — analisa.
Mestre em antropologia do consumo e professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Hilaine Yaccoub diz que os smarthphones viraram acessório de moda e item de distinção social.
— Não sei as razões de quem rouba. Pode ser para comprar drogas, trocar por outros produtos, não dá para dizer. Mas a sociedade partilha dos mesmos símbolos culturais. E o smarthphone virou objeto de desejo. Todos querem estar conectados, dizer o que pensa no Facebook, compartilhar fotos. E estes celulares têm um grande custo-benefício. Agrega, no mesmo aparelho, vários produtos, como agenda eletrônica e aplicativos de entretenimento. É uma companhia num mundo cada vez mais individualizado.
Não sei quanto ao leitor, mas eu poderia sonhar com muitos e muitos itens de consumo que não tenho. Adoraria uma Ferrari, para começo de conversa. Um helicóptero então, nem se fala! Outro dia vi uma TV enorme de LCD que me encantou, fazendo a minha parecer jurássica.
Mas jamais passou pela minha cabeça que esse hiato entre os ricos e minha classe média era algum tipo de justificativa para lhes tomar o que desejo. Antropólogos pensam diferente. Para a maioria deles, quase tudo se explica pelo contraste de classes.
Considero essa abordagem uma afronta aos pobres honestos, ou seja, a maioria. Quer dizer então que os objetos de desejo, o fato de todos quererem estar conectados, os símbolos culturais são uma espécie de carta branca ao crime? Só mesmo na cabeça de um antropólogo, de preferência com Ph.D.
Essa postura também ignora que Brasília tem a maior renda per capita do país e está repleta de larápios. A miséria explica o crime? Então o que explica Brasília?
Não sei a resposta para a pergunta que dá título a esse texto. Mas arrisco uma: talvez eles passem tempo demais convivendo com e estudando as sociedades mais primitivas, e esqueçam o que é a civilização mais avançada, calcada no direito de propriedade privada e na igualdade de todos perante as leis.
Se depender deles e de seu relativismo cultural, jamais chegaremos lá, pois tanto faz o estilo de vida dos tupinambás e dos suíços. São “apenas” diferentes…
Rodrigo Constantino

CARLOS CHAGAS- NOVO MENSALÃO PODE LEVAR BARBOSA À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

Imagine-se a maioria dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal, tanto faz se por 8 a 3, 7 a 4 ou mesmo 6 a 5, decidindo amanhã pela apreciação dos embargos infringentes de pelo menos onze mensaleiros. Não apenas o julgamento se estenderá pelo ano que vem, pois todos os processos serão revistos.

Poderá haver outra conseqüência: a renúncia do presidente Joaquim Barbosa, não apenas da direção dos trabalhos da mais alta corte nacional de Justiça, mas de sua própria cadeira de juiz.

Será o escândalo dos escândalos, com a transformação de Barbosa em mártir da impunidade e patrono da ética, sem dúvidas passando a forte candidato à Presidência da República no ano que vem. Além, é claro, da desmoralização do Supremo. Indaga-se como ficarão os ministros Celso de Mello, Gilmar Mendes e talvez Marco Aurélio Mello, votos prováveis contra os embargos infringentes. É claro que são apenas conjecturas, já que a ninguém será dado afirmar com certeza como se pronunciarão os demais ministros. À exceção de Teori Zavascki e Luis Roberto barroso, que não participaram do julgamento por chegarem recentemente ao Supremo, apenas Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli tem deixado clara sua tendência em aceitar os novos recursos. Os demais são uma incógnita.

A conclusão a tirar é de que amanhã tudo pode acontece. Mas se vencer a corrente da protelação, seguirá o Judiciário no rumo do Legislativo, ou seja, da frustração por parte da opinião pública. Importam menos possíveis argumentos jurídicos em favor do novo julgamento ou até do princípio de que os tribunais devem julgar com a lei, jamais pressionados pela voz das ruas. Porque as ruas fazem parte do processo político. Nenhuma instituição judiciária é uma ilha, blindada contra o que se passa ao seu redor, na sociedade. Nem na primeira, nem na última instância. Imagem negativa registrada no fim de semana de manifestações foi a estátua da Justiça aparecer cercada de grades, no pátio fronteiriço ao Supremo. Teve-se a impressão de que ao invés dos mensaleiros, era ela a condenada à cadeia.

Apesar de tudo, resta aguardar algumas horas. Ou esperar o próximo movimento popular capaz de chegar à Praça dos Três Poderes.

Como garantir o pré-sal

Comprovada a espionagem dos Estados Unidos sobre o mundo, segue-se do geral para o particular. A Petrobras era, e continua sendo, objeto da arapongagem da agência Nacional de Informações americana, com ênfase para o pré-sal. Cada passo da empresa brasileira nos trabalhos de extração de petróleo em águas profundas é monitorado pelos gringos. Junte-se a essa cobiça a presença, já se vão dois anos, de uma nova frota da maior potência bélica do planeta singrando o Atlântico Cul. Com porta-aviões, caças e bombardeiros de última geração, mísseis, submarinos nucleares e montes de destróiers e navios auxiliares. Claro que não é para vigiar as costas africanas. Qualquer tentativa deles se apoderarem da nova riqueza descoberta próximo do nosso litoral será sustentada por toda essa parafernália naval.

E nós, como defenderemos o que é nosso? A Marinha de Guerra nacional carece de meios. O submarino nuclear brasileiro levará vinte anos para ficar pronto, mesmo assim na dependência de tecnologia francesa. A Força Aérea voa com aeronaves na maior parte sucateadas. Fica difícil imaginar quinze minutos de resistência.

Enxugamento

Tem gente achando que o número de ministérios será reduzido quando a presidente Dilma dispensar os ministros que serão candidatos às eleições do próximo ano, provavelmente lá para dezembro ou janeiro. Seria boa oportunidade para o governo livrar-se de penduricalhos incômodos, desnecessário e fisiológicos, criados apenas para satisfazer o apetite de partidos da base oficial. Uma administração enxuta e preparada para o segundo mandato significaria mais do que economia de recursos. Ensejaria a agilização de planos e programas de desenvolvimento nos diversos setores de ação governamental. A perspectiva é do aproveitamento de pessoal mais técnico do que político, dada a disputa para o Congresso e os governos estaduais.
Diário do Poder

REDE PODE TER MARINA PARA PRESIDENTE COM AYRES BRITTO DE VICE

A ex-senadora Marina Silva pretende convidar Carlos Ayres Britto, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, para ser seu vice na disputa pela Presidência da República, em 2014. Na avaliação de Marina, o ex-ministro – que tem dado uma espécie de consultoria informal para criação do partido Rede Sustentabilidade – saiu da Suprema Corte com prestígio político e também com uma boa imagem frente à sociedade.

Nascido em Sergipe, Ayres Britto garantiria inserção no Nordeste, área de maior domínio do ex-presidente Lula e de sua sucessora, Dilma.

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LIBERDADE COMO NOSSO DOM MAIOR

Ser livre para ir e vir!Pela liberdade de expressão.Pela humanidade contra os pregadores da escuridão que assolam nosso mundo moderno.Democracia verdadeira sempre,não aquela de fachada que persegue quem não compartilha de suas idéias.