segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Gustavo Ioschpe: devo educar meus filhos para serem éticos?

Gustavo Ioschpe


HANNAH ARENDT - “Os maiores males não se devem àquele que tem de confrontar-se consigo mesmo. Os maiores malfeitores são aqueles que não se lembram porque nunca pensaram na questão” (Getty Images)

Quando eu tinha uns 8 ou 9 anos, saía de casa para a escola numa manhã fria do inverno gaúcho. Chegando à portaria, meu pai interfonou, perguntando se eu estava levando um agasalho. Disse que sim. Ele me perguntou qual. “O moletom amarelo, da Zugos”, respondi. Era mentira. Não estava levando agasalho nenhum, mas estava com pressa, não queria me atrasar.

Voltei do colégio e fui ao armário procurar o tal moletom. Não estava lá, nem em nenhum lugar da casa. Gelei. À noite, meu pai chegou em casa de cara amarrada. Ao me ver, tirou da pasta de trabalho o moletom. E me disse: “Eu não me importo que tu não te agasalhes. Mas, nesta casa, nesta família, ninguém mente. Ponto. Tá claro?”. Sim, claríssimo. Esse foi apenas um episódio mais memorável de algo que foi o leitmotiv da minha formação familiar. Meu pai era um obcecado por retidão, palavra, ética, pontualidade, honestidade, código de conduta, escala de valores, menschkeit (firmeza de caráter, decência fundamental, em iídiche) e outros termos que eram repetitiva e exaustivamente martelados na minha cabeça. Deu certo. Quer dizer, não sei. No Brasil atual, eu me sinto deslocado.

Até hoje chego pontualmente aos meus compromissos, e na maioria das vezes fico esperando por interlocutores que se atrasam e nem se desculpam (quinze minutos parece constituir uma “margem de erro” tolerável). Até hoje acredito quando um prestador de serviço promete entregar o trabalho em uma data, apenas para ficar exasperado pelo seu atraso, “veja bem”, “imprevistos acontecem” etc. Fico revoltado sempre que pego um táxi em cidade que não conheço e o motorista tenta me roubar. Detesto os colegas de trabalho que fazem corpo mole, que arranjam um jeitinho de fazer menos que o devido. Tenho cada vez menos visitado escolas públicas, porque não suporto mais ver professores e diretores tratando alunos como estorvos que devem ser controlados. Isso sem falar nas quase úlceras que me surgem ao ler o noticiário e saber que entre os governantes viceja um grupo de imorais que roubam com criatividade e desfaçatez.

Sócrates, via Platão (A República, Livro IX), defende que o homem que pratica o mal é o mais infeliz e escravizado de todos, pois está em conflito interno, em desarmonia consigo mesmo, perenemente acossado e paralisado por medos, remorsos e apetites incontroláveis, tendo uma existência desprezível, para sempre amarrado a alguém (sua própria consciência!) onisciente que o condena. Com o devido respeito ao filósofo de Atenas, nesse caso acredito que ele foi excessivamente otimista. Hannah Arendt me parece ter chegado mais perto da compreensão da perversidade humana ao notar, nos ensaios reunidos no livro Responsabilidade e Julgamento, que esse desconforto interior do “pecador” pressupõe um diálogo interno, de cada pessoa com a sua consciência, que na verdade não ocorre com a frequência desejada por Sócrates. Escreve ela: “Tenho certeza de que os maiores males que conhecemos não se devem àquele que tem de confrontar-se consigo mesmo de novo, e cuja maldição é não poder esquecer. Os maiores malfeitores são aqueles que não se lembram porque nunca pensaram na questão”. E, para aqueles que cometem o mal em uma escala menor e o confrontam, Arendt relembra Kant, que sabia que “o desprezo por si próprio, ou melhor, o medo de ter de desprezar a si próprio, muitas vezes não funcionava, e a sua explicação era que o homem pode mentir para si mesmo”. Todo corrupto ou sonegador tem uma explicação, uma lógica para os seus atos, algo que justifique o porquê de uma determinada lei dever se aplicar a todos, sempre, mas não a ele(a), ou pelo menos não naquele momento em que está cometendo o seu delito.

Cai por terra, assim, um dos poucos consolos das pessoas honestas: “Ah, mas pelo menos eu durmo tranquilo”. Os escroques também! Se eles tivessem dramas de consciência, se travassem um diálogo verdadeiro consigo e seu travesseiro, ou não teriam optado por sua “carreira” ou já teriam se suicidado. Esse diálogo consigo mesmo é fruto do que Freud chamou de superego: seguimos um comportamento moral porque ele nos foi inculcado por nossos pais, e renegá-lo seria correr o risco da perda do amor paterno.

Na minha visão, só existem, assim, dois cenários em que é objetivamente melhor ser ético do que não. O primeiro é se você é uma pessoa religiosa e acredita que os pecados deste mundo serão punidos no próximo. Não é o meu caso. O segundo é se você vive em uma sociedade ética em que os desvios de comportamento são punidos pela coletividade, quer na forma de sanções penais, quer na forma do ostracismo social. O que não é o caso do Brasil. Não se sabe se De Gaulle disse ou não a frase, mas ela é verdadeira: o Brasil não é um país sério.

Assim é que, criando filhos brasileiros morando no Brasil, estou às voltas com um deprimente dilema. Acredito que o papel de um pai é preparar o seu filho para a vida. Essa é a nossa responsabilidade: dar a nossos filhos os instrumentos para que naveguem, com segurança e destreza, pelas dificuldades do mundo real. E acredito que a ética e a honestidade são valores axiomáticos, inquestionáveis. Eis aí o dilema: será que o melhor que poderia fazer para preparar meus filhos para viver no Brasil seria não aprisioná-los na cela da consciência, do diálogo consigo mesmos, da preocupação com a integridade? Tenho certeza de que nunca chegaria a ponto de incentivá-los a serem escroques, mas poderia, como pai, simplesmente ser mais omisso quanto a essas questões. Tolerar algumas mentiras, não me importar com atrasos, não insistir para que não colem na escola, não instruir para que devolvam o troco recebido a mais...

Tenho pensado bastante sobre isso ultimamente. Simplesmente o fato de pensar a respeito, e de viver em um país em que existe um dilema entre o ensino da ética e o bom exercício da paternidade, já é causa para tristeza. Em última análise, decidi dar a meus filhos a mesma educação que recebi de meu pai. Não porque ache que eles serão mais felizes assim - pelo contrário -, nem porque acredite que, no fim, o bem compensa. Mas sim porque, em primeiro lugar, não conseguiria conviver comigo mesmo, e com a memória de meu pai, se criasse meus filhos para serem pessoas do tipo que ele me ensinou a desprezar. E, segundo, tentando um esboço de resposta mais lógica, porque sociedades e culturas mudam. Muitos dos países hoje desenvolvidos e honestos eram antros de corrupção e sordidez 100 anos atrás. Um dia o Brasil há de seguir o mesmo caminho, e aí a retidão que espero inculcar em meus filhos (e meus filhos em seus filhos) há de ser uma vantagem, e não um fardo. Oxalá.

Você confia no mapa astral de Eike Batista?, por Rodrigo Constantino

Eike Batista deu umaentrevista ao WSJ culpando os executivos, os investidores e a falta de sorte por sua derrocada. Parece que o ex-presidente Lula fez mesmo escola pelo Brasil todo. Agora sempre que algo dá errado, é culpa dos outros. Ninguém mais é responsável pelos erros, ou não sabia de nada.
O paralelo entre Lula e Eike Batista não fica só nisso. Escrevi um artigo sobre a queda de ambos, um na política e o outro na economia, traçando justamente as semelhanças entre os casos. Nele, explico que o “sucesso” dos dois se deveu muito mais a fatores exógenos do que ao mérito pessoal. Ao ignorarem isso, deixaram a arrogância subir à cabeça, e não viram a hecatombe à frente.
Ao continuar em negação da realidade, sem admitir os próprios erros, Eike Batista insiste em crenças milagrosas. Não é o primeiro ou o único empresário supersticioso, mas esse grau de misticismo beira o absurdo (não vamos esquecer que ele mudou até a direção do sol no logo da empresa para dar mais sorte, após contratar “especialista” no assunto). Diz a matéria:
O proprietário do EBX acredita em sorte e superstições. “Se você olhar para o meu mapa astral, esse período não foi favorável para mim“, disse. “A boa fase? Ela já começou, literalmente, este mês.” Otimista, Eike já prevê um retorno. Profissionais do mercado que o encontraram nos últimos dias dizem que ele fala incessantemente sobre a história do empreendedor americano Elon Musk, fundador da empresa de pagamentos Paypal, da companhia de viagens espaciais SpaceX e da fabricante de carros elétricos Tesla Motors.
Durante a entrevista, o empresário citou várias vezes Musk como um empreendedor que foi desacreditado pelos investidores e depois mostrou que eles estavam errados. Ele acredita que vai ter o mesmo triunfo quando seu porto, sua mina e outras partes do grupo se tornarem rentáveis. “Musk disse que começar uma empresa é como comer vidro”, disse. “Eu estou comendo vidro.”
Tudo bem, quem perdeu rios de dinheiro acreditando no engodo vendido por Eike Batista na época da euforia irracional tem alguma justificativa. Acontece nas melhores famílias. E, ainda por cima, havia aqueles bilhões todos do BNDES subsidiados, para dar uma “mãozinha” ao empresário.
Mas quem vai apostar um tostão nele agora? Quem o fizer, que assuma a responsabilidade por seu ato. Terá que confiar não na capacidade de evoluir e de aprender com os próprios erros, fundamental para empreendedores; mas sim no mapa astral de Eike Batista. Boa sorte. Você vai mesmo precisar dela…

As táticas mudaram, mas a essência autoritária continua a mesma, por Rodrigo Constantino

Carlos Alberto Di Franco escreveu um importante artigo hoje no Estadão. Quando a censura e o autoritarismo prevalecem em um regime ditatorial, ficam evidentes demais para serem confundidos com qualquer outra coisa. Mas em regime supostamente democrático, confundem-se muitas vezes com valores nobres, e se tornam mais perigosos, pois dissimulados.
Após relatar um caso de censura em um jornal do Paraná, o jornalista cita o caso do vandalismo nas manifestações e da estratégia de Gramsci para corroer a democracia de dentro. Ele diz:
O vandalismo dos mascarados, não obstante seu discurso pretensamente libertário e confrontador do sistema vigente, é tudo menos democrático. Os mascarados não representam os brasileiros indignados que ocuparam praças e avenidas em junho. É água e vinho. No Rio grupos de encapuzados queimaram a Bandeira do Brasil, semearam pânico e destruíram patrimônio público e privado. Eles não têm a cara do nosso país e da nossa gente. Ao contrário. Com seu radicalismo antissocial alimentam os delinquentes da política e fortalecem os ímpetos repressivos. Os caciques de Brasília vibram com a desqualificação das passeatas. E o coro em defesa da repressão aos baderneiros aumenta a cada nova arruaça. O radicalismo, conscientemente ou não, sempre conspirou contra a democracia. Tirem a máscara! A defesa das ideias demanda transparência.
[...]
O que se viu no transe da ditadura foi o germinar de duas tendências opostas: liberdade X autoritarismo. Os democratas partiram para a luta contra a ditadura, mas sempre apontando para o horizonte de um regime aberto. Outros partiram para a clandestinidade. Passaram-se muitos anos. A guerrilha foi substituída pelos ensinamentos de Gramsci, pela força do marketing político e pela manipulação populista das massas desvalidas. Mas a alma continua a mesma: autoritária. A hipótese de que caminhamos para um projeto antidemocrático não se apoia apenas na intuição e na experiência da História. Ela está gritando na força inequívoca dos fatos. Censura e violência são a marca registrada do autoritarismo. Sempre!
É preocupante o horizonte da democracia brasileira. Um país com imprensa fustigada, oposição esfacelada e acovardada, percepção crescente de impunidade é tudo menos uma democracia. Cabe-nos resistir, como no passado, com as armas do profissionalismo, da ética inegociável e da defesa da liberdade. A democracia pode cambalear, mas sempre prevalece.
São alertas fundamentais nos dias de hoje. Infelizmente, tenho sérias dúvidas quanto ao desfecho otimista. Nem sempre a democracia prevalece. Vide a Venezuela e até a Argentina, em exemplos mais recentes e próximos. A defesa da democracia é uma luta constante, eterna e inacabada. Sempre haverá inimigos poderosos atuando contra ela. São ainda mais perigosos quando vestem a capa de democráticos. Acorda, Brasil!

Para Assad, o Nobel de Química (e também o da Paz), por Caio Blinder

Linus Pauling é dono de um feito histórico: ele é a única pessoa que ganhou sem compartilhar com outros agraciados dois prêmios Nobel, o de Química e o da Paz. Vamos indicar Bashar Assad para quebrar a marca de Pauling?
O ditador sírio merece o Nobel de Química porque não é qualquer dia em que o uso de armas químicas é recompensado e não punido. O acordo entre EUA e URSS, a verificar sua implementação, efetivamente recompensa Assad. Remove a curto prazo a ameaça de um ataque militar americano e garante uma sobrevida para o responsável pela barbaridade.
Apesar das negativas, ao impulsionar o acordo e confirmar o imenso arsenal de Assad, os russos reconhecem implicitamente que o regime foi o responsável pelo uso de armas químicas em 21 de agosto nos subúrbios de Damasco, embora formalmente insistam em acusar os rebeldes (e aqui eu reconheço que talvez seja autêntico o empenho russo para que seja desativado o arsenal, pois há o risco de componentes chegarem às mãos de rebeldes jihadistas. A ditadura Assad também insiste em responsabilizar os rebeldes, apesar de tantas evidências circunstancias apontando sua culpa.
Essencial aqui para o ditador sírio fazer uma química com a comunidade internacional para dar a impressão de estar cooperando com a desativação do seu arsenal, num processo que pode se arrastar. Operação-arrastão já é o negócio de Assad. Perguntem a opositores pacíficos do seu regime.
E por que o Nobel da Paz? Assad ficará em paz para continuar a travar a guerra civil por meios convencionais por uns tempos. Digamos que as forças militares do regime intensifiquem o bombardeio aéreo e com artilharia de cidades e de áreas sob poder de rebeldes. Isto já começou no domingo, um dia depois do anúncio russo-americano sobre o arsenal de armas químicas. Digamos que os soldados de Assad e os grupos paramilitares do regime cometam mais atrocidades. No mais recente relatório da ONU, eles ganharam de 8 x1 dos rebeldes nesta modalidade.
O que será feito pela indignada comunidade internacional? Alguma efetiva linha vermelha para conter a mortandade na guerra civil síria? Barack Obama não irá ao Congresso pedir autorização para alguma providência e não haverá maior comoção da opinião pública ocidental que, por razões de autointeresse, fadiga de guerra e falta de boas opções, decidiu lavar as mãos na tragédia síria.
Assad e Vladimir Putin estão de parabéns (quanto prêmio estou conferindo hoje para esta gente) pela leitura correta instantânea da realidade política no mundo ocidental e os dilemas sobre quem apoiar na guerra civil devido à composição de grupos rebeldes (papel de jihadistas). Na encrenca, os grandes perdedores, por ora, são os rebeldes moderados. Os jihadistas são vencedores imediatos, assim como a ditadura Assad. O recuo americano, a sobrevida da ditadura e este golpe aos moderados devem radicalizar a guerra civil.
Estas são leituras mais de curto prazo. Mais a longo prazo, este acordo de armas químicas pode enfraquecer a ditadura Assad, especialmente com a grande possibilidade de fracasso do acordo. Sua margem de manobra fica mais estreita e por ter concordado tão rapidamente com o conchavo de russos e de americanos, Assad também mostra vulnerabilidade. Melhor terminar a coluna com este tom, tirando gás do ditador.

DILMA AGORA FAZ DISCURSO DE LÍDER DA OPOSIÇÃO, por Alberto Goldman

Em certos momentos dos pronunciamentos de Dilma Rousseff fica-se em dúvida se estamos ouvindo as palavras da Presidente da República ou de algum líder oposicionista.

No 7 de setembro a presidente, além de fazer afirmativas que contrariam os fatos conhecidos e sentidos por todos os brasileiros – negando a inflação alta, a cesta básica mais cara, o crescimento da economia medíocre e mesmo negativo da indústria e o baixo índice de criação de empregos e de investimentos – e repetir promessas já feitas sem alcançar os objetivos declarados ( na educação, na mobilidade urbana, na infraestrutura logística ), resolveu fazer um discurso sobre a área mais mal avaliada do governo – a Saúde – digno de um líder da oposição.

Ela disse: “…o pacto da Saúde irá produzir resultados rápidos e efetivos… especialmente você que mora na periferia das grandes cidades, nos pequenos municípios e nas zonas mais remotas do país, porque você conhece bem o sofrimento de chegar a um posto de saúde e não encontrar médico, ou ter que viajar centenas de quilômetros em busca de socorro. O Brasil tem feito e precisa fazer mais investimentos em hospitais e equipamentos, porém a falta de médicos é a queixa mais forte da população pobre. Muita morte pode ser evitada, muita dor diminuída e muita fila reduzida nos hospitais apenas com a presença atenta e dedicada de um médico em um posto de saúde”.

No dia de hoje, em São Gonçalo, Dilma reforçou o seu discurso: “vocês sabem onde falta médico? Em Ipanema, não falta não, nem no Leblon. Agora aqui falta.”

Fala como se não tivesse nada com isso, não fosse de sua inteira responsabilidade uma área que o seu governo tratou com tanta incompetência e desídia.

Depois de 11 anos de governo ela e seus ministros não sabiam o que todo mundo já sabia? Busca agora alguns remendos – o “mais médicos” – para salvar a sua própria pele?

ESPERA-SE DO STF CONHECIMENTO, SABEDORIA E AÇÃO, por Carlos Chagas

Francis Bacon, maior expressão da intelectualidade inglesa no período de Elizabeth I, várias vezes presidente da Câmara dos Lords, dispunha de tanto poder de síntese, clareza e objetividade em seus pronunciamentos que o receio de quantos o ouviam era de que parasse de falar.

Guardadas as proporções, acontece o mesmo no Supremo Tribunal Federal quando Celso de Mello pede a palavra. Ministros, advogados, jornalistas e quantos o ouvem rendem-lhe pelo silêncio atento e contrito a maior homenagem às suas lições. Ao escrever uma preciosidade, o “Ensaio Sobre a Honra e a Reputação”, Francis Bacon viu a Inglaterra a seus pés ao expor a importância do conhecimento, desde que acompanhado pela sabedoria, a ser seguida por ações capazes de beneficiar a Humanidade.

A mesma lição precisa ser ministrada quarta-feira pelo decano da mais alta corte nacional de Justiça, quando apresentar o voto decisivo que levará para as calendas o julgamento do mensalão, sufocando a credibilidade do Judiciário, ou demonstrará que pelo menos um dos Poderes da União segue cumprindo seu dever.

As lições de Francis Bacon indicariam que conhecendo em detalhes o processo, a sabedoria recomendaria seu encerramento imediato, sem as brumas dos embargos infringentes, para a obtenção como resultado não apenas o respeito ao Supremo Tribunal Federal, mas à garantia da paz pública. São conhecidos de antemão os efeitos que causaria nas ruas a concessão do recurso a que se aferram os mais do que julgados e condenados mensaleiros. A protelação por um ano ou mais desse processo que se arrasta desde 2005, mantendo os réus fora da cadeia, consolidaria o descrédito nacional na Justiça, confirmando ser ela para aplicação apenas sobre os que não dispõem de milhões para obstá-la.

Acresce ser conhecida a estratégia dos condenados: vão contestar a acusação de terem formado uma quadrilha, com o que evitariam uns tantos anos de regime fechado na prisão, beneficiando-se com facilidades como a de passar o dia em liberdade, apenas dormindo em cadeias que não existem ou serão transformadas em hotéis de luxo. Importa referir que o Procurador Geral da Justiça responsável pela denúncia contra os mensaleiros utilizou contra eles o substantivo de quadrilha, aceito integralmente pelos ministros do Supremo, até para condená-los, entre outros crimes, por “formação de quadrilha”. Ou não será quadrilha a ação de políticos, banqueiros, publicitários, dirigentes partidários e funcionários públicos empenhados num objetivo maior, de amealhar dinheiro sujo para comprar o voto de deputados e garantir maioria governista?

O país permanece atento à sessão da próxima quarta-feira, no Supremo, com os olhos fixos no ministro Celso de Mello, à espera da sentença que mata ou da palavra que salva. No caso, a honra e a reputação nacionais…
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Ser livre para ir e vir!Pela liberdade de expressão.Pela humanidade contra os pregadores da escuridão que assolam nosso mundo moderno.Democracia verdadeira sempre,não aquela de fachada que persegue quem não compartilha de suas idéias.