segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Orelha de Esquerda Caviar, por Rodrigo Constantino


Orelha de Esquerda Caviar – Pondé

Segue a orelha de Esquerda Caviar, escrita pelo filósofo Luiz Felipe Pondé. O livro será lançado no final de outubro nas principais capitais (em breve divulgo as datas certas). Fiquei muito honrado com essa apresentação feita por Pondé, quem muito admiro.
Este livro de Rodrigo Constantino é urgente. Uma pérola em meio ao mar de obviedades e mentiras comuns na literatura “intelectual” nacional. O título “Esquerda caviar” remete a uma expressão de nossos irmãos mais velhos portugueses para descrever a “esquerda festiva” (como dizia o grande Nelson Rodrigues, citado algumas vezes por Constantino), marca de um grande desvio de caráter no mundo contemporâneo: este tipo de gente que frequenta jantares inteligentes defendendo a África enquanto bebe vinho caro e humilha amigas menos magras.


Nelson Rodrigues usava a expressão “amante espiritual de Che Guevara” para nomear a esposa de um casal burguês com “afetações revolucionárias”, o típico “casal caviar”. Em meio às festas da “festiva”, o casal de grã-finos, donos da casa, levava Nelson até o pequeno altar onde uma foto de Che posava para os suspiros da esposa apaixonada pelo revolucionário. Poderíamos supor que este marido falaria algo semelhante ao que outros “maridos caviar” ante as possíveis infidelidades das esposas com outro “guru caviar”, Chico Buarque: “Com o Che e o Chico, eu deixo ela me trair.” Risadas?


De onde vem este fenômeno? Constantino lança mão de um rico arsenal de citações clássicas e contemporâneas para fazer seu diagnóstico: antes de tudo, estamos diante do velho problema de caráter. Nada de questões políticas. Apenas questões morais de fundo: mentira, hipocrisia, luta por autoestima social, narcisismo, oportunismo carreirista, tentativa de se ver como pessoa pura de coração, enfim, uma fogueira de vaidades. Como dizia outro autor que é referência importante para esta obra, o filósofo britânico Edmund Burke, do século XVIII: antes de qualquer problema político, existe um drama moral.



Numa linguagem direta e simples, permeada por uma bibliografia que nada deixa a desejar, Constantino atravessa o “menu caviar” de nossa era vaidosa. Divirta-se.

Reynaldo-BH: O partido dos mensaleiros é que politizou o julgamento no Supremo

REYNALDO ROCHA
É surpreendente nossa capacidade de esquecer até mesmo os fatos recentes. Só é menor do que a capacidade que tem a pilantragem de usar essa triste amnésia.
Passamos ANOS ouvindo que os brasileiros decentes queriam politizar o julgamento do mensalão. Mais: que a politização obedecia a um desejo de poder da direita raivosa, vingativa e vendida.
Esse era o argumento usado contra o julgamento, contra a divisão do processo do mensalão em núcleos, contra os votos condenatórios. Com os embargos infringentes, essas vozes calaram-se.
Qual núcleo escapou? O financeiro? Não. A bailarina-banqueira irá amargar uns bons anos de cadeia. Sem apelações. Ou infringências.
O publicitário? Seus integrantes — coitados… — pagarão com temporadas na cadeia mais longas que o silêncio de Lula sobre Rose.
Quem escapou foi o núcleo POLÍTICO. Escaparam os réus que pertencem ao PT. Quem politizou o quê?
Eles sabiam do que falavam ao invocar a politização do julgamento, que efetivamente aconteceu. No sentido oposto. Se antes era prova de pressão indevida, hoje é comemorada como autonomia e vitória da impunidade.
Afinal, o julgamento é o mesmo. Os ministros é que não são. São da nova safra que, se envelhecer em tonéis, se transforma em vinagre.
Afirmo que, sim, o julgamento foi politizado. Com o objetivo de livrar da prisão em regime fechado o núcleo polític. O carequinha e a bailarina que se danem. Aliás, esses dois estranhos casos de masoquismo estão calados.
A politização deu certo. Acusar primeiro e agir do mesmo modo depois. Esgotar o assunto para usar a arma sem que – por cansaço – se volte a discutir o tema.
Está sendo um julgamento politizado, e pelas regras políticas bolivarianas.
Nós só queríamos justiça. Eles querem impunidade. Contam com nossa amnésia. Vamos dar este prazer aos bandidos?
EU ACUSO: o PT politizou o julgamento do Supremo depois de ter afirmado anos a fio que isso só acontecia numa DITADURA.
O PT apoia (ou é!) uma ditadura! Politiza a Justiça. E esconde o que fez. Mas deixa o rabo de fora…

Angie! Angie! Angie!, por Caio Blinder




O triunfo eleitoral de Angela Merkel
É com muita excitação que eu anuncio o triunfo de Angela Merkel nas eleições alemãs, nas entendiantes eleições de domingo (algumas emoções no final da corrida). Agora, será a fase entendiante de formação de um governo em um sistema parlamentarista que foi montado justamente para a busca de equilíbrio entre direita e esquerda e participação de pequenos partidos, além de impedir um estado altamente centralizado. Este negócio de Reich é verbotenpara a Alemanha pós-guerra.
Angela Merkel é a “Mutti” (a mamãe da Alemanha), que sabe o que melhor para a prole. Esta mulher sem filhos é a receita protetora e segura que o doutor ministrou para este país que já teve sua overdose de delírios políticos e febres ideológicas. A conservadora Angela Merkel é solidez, é estabilidade, algo que os alemães querem e o mundo também. Bom para todos, apesar da fúria dos gregos com as medidas de austeridade para receberem pacote de resgate e que nos momentos mais exaltados comparam Merkel a Hitler (coisa feia).
Houve algo até raro nesta eleição alemã: um cauteloso culto à personalidade. Mas, a primeira-ministra merece e precisava. São tempos bravos na Europa e, em meio ao tédio, devemos registrar algo espetacular: Angie foi contra a corrente. Na zona europeia dos últimos anos, a crise ceifa lideranças de plantão, de direita ou de esquerda. Não em Berlim.
Desde 2010, caíram 12 dos 17 governos na zona do euro e Angela Merkel segue firmona, embora o terceiro mandato prometa desafios inglórios, como investir ou não em infraestrutura e mais desgaste para administrar a crise na zona do euro. Muito, é claro, irá depender da composição de governo e dos parceiros de coalizão.
Com a vitória de domingo e o terceiro mandato, Angela Merkel poderá completar um total de doze anos de poder, superando em um ano a marca da britânica Margaret Thatcher, a autêntica dama de ferro e a mulher que mais tempo governou na Europa. Nada de confundir estas duas senhoras. Existe a formação técnica comum (ambas estudaram química), Mas a ideóloga Thatcher polarizava e era durona.
Merkel, com seu corte de cabelo em forma de pudim, é até cruel no jogo político, mas é adepta do jiu-jitsu como tática e altamente pragmática e oportunista. O modelo político alemão inclusive permite tanta flexibilidade, algo impensável em um país, por exemplo, como os EUA. As composições da democracia-cristã podem ser com os liberais (que, na verdade, são conservadores), social-democratas ou os verdes (neste último caso já aconteceu na esfera estadual).
Merkel dá o golpe e se apropria das ideias dos adversários, em alguns momentos agindo mais à esquerda do que os desacreditados social-democratas (que ironicamente implantaram necessárias reformas trabalhistas e vocacionais há uma década). Merkel garante as benesses do estado do bem-estar social em casa (austeridade é para os outros, os habitantes do sul da Europa, do Club Med) e quando precisa desfralda bandeiras politicamente corretas. Em outros momentos, dá uma recuada e critica os excessos do multiculturalismo. Um raro gesto radical foi abandonar a política de energia nuclear depois da tragédia em Fukushima e investir em fontes renováveis.
Em tempos tão turbulentos na Europa, Angela Merkel é metódica, praticante de políticas incrementalistas, de pequenos passos. Sua frase favorita, aliás, é passo a passo. Existem bordas extremistas na Alemanha e agora surgiu até um partido eurocético, Alternativa para a Alemanha, o que dá uma medida das inquietações domésticas com o papel pagador do país na crise europeia.
No entanto, a Alemanha pertence aos dois grande partidos de centro (a democracia-cristã, de centro-direita, e a social-democracia, de centro-esquerda), ancorados firmemente no projeto europeu. Somente esta âncora europeia permite a aceitação de uma Alemanha forte (menos visível, obviamente, em política externa, fora da órbita europeia), especialmente depois da reunificação há duas décadas.
A habilidade de Angela Merkel sempre foi equilibrar a identidade europeia da sua Alemanha com as inquietações domésticas, do seu próprio eleitorado, de engajamento e do ônus na crise dentro da zona do euro. Sua proeza tem sido a conciliação entre as duas demandas.
Angela Merkel não é uma visionária (ainda bem, um antecessor no poder teve uma visão de Alemanha que duraria mil anos), mas uma atuação definida por eventos. Um deles é a crise europeia. Ela impôs o resgate da banda podre da zona do euro nos seus termos. Merkel chegou a cogitar do default grego, mas concluiu que o preço seria altamente exorbitante. Desde então, é a busca de estabilidade do euro e o reforço das regras na zona do euro para impedir o repeteco da crise.
O projeto europeu subsiste com sotaque alemão, secundado pelo francês. Aqui não é o espaço para se alongar no debate se a Europa poderá sobreviver a longo prazo sem uma união fiscal e política mais sólida (e se isto é viável), mas apenas constatar que as coisas caminham passo a passo, no ritmo de Angela Merkel, a mãe da Alemanha e, por extensão, da Europa.

DE NADA ADIANTA CHORAR POR EMBARGO DERRAMADO , por Janer Cristaldo

Faz a crônica de um luto anunciado. Os mensaleiros até podem ir para a cadeia. Quem não pode ir é Zé Dirceu. Braço direito do capo di tutti i capi, o ex-ministro conhece coisas que a nossa vã informação desconhece. Se for em cana, por certo abrirá a boca. Abrindo a boca, demole a reputação do homem que realmente deveria estar na cadeia.

A quem interessa o crime? A quem interessava a compra de deputados? A Zé Dirceu é que não, afinal para o ministro tanto fazia como fizesse se os deputados votassem assim ou assado. O que estava na berlinda era o governo de Lula. Zé Dirceu não se beneficiaria pessoalmente comprando votos para tungar os aposentados. Mas o governo sim.

Ser corrupto não é para qualquer um – afirmava eu no ano passado. É para quem pode. E mais: exige trabalho. Por mais dura que seja sua jornada, certamente Carlinhos Cachoeira, Zé Dirceu, Maluf, Delúbio, Marcos Valério suaram mais a camiseta que você. Não se constrói uma quadrilha eficiente sem esforço e dedicação. São centenas de milhares de horas-homem de trabalho. 

O mensalão começou a ser montado no dia 10 de fevereiro de 1980, no colégio Sion, em São Paulo, quando o PT foi criado. Foram mais de vinte laboriosos anos de trabalho de consolidação da quadrilha. Ser honesto pode não compensar muito. Mas sem dúvida é menos trabalhoso.

Corrupção não dá recibo. Daí a impunidade de seus agentes. Até os cisnes do lago do Itamaraty sabem que Zé Dirceu está à cabeça da quadrilha que comandou a operação. Daí a prová-lo, são outros quinhentos. Para condenar o mandalete de Lula, Joaquim Barbosa foi cavoucar no direito alemão a exótica teoria do domínio do fato. A teoria foi criada por Hans Welzel em 1939 para julgar os crimes ocorridos na Alemanha pelo Partido Nazista. Consiste na aplicação da pena ao mandante de um crime, mas como autor e não como partícipe do crime. Na época do julgamento dos crimes do Partido Nazista, devido à jurisprudência alemã, a teoria não foi aceita.

A teoria só ganhou projeção internacional em 1963, quando Claus Roxin publicou a obra Täterschaft und Tatherrschaft . Negro que fala alemão é um perigo, costumo afirmar. Para ser aplicada a teoria, é necessário que a pessoa que ocupa o topo de uma organização emitir a ordem do crime e comandar o fato.

Joaquim Barbosa não ousou ir até o fim do caminho. Quem comandava os fatos? Certamente não era Zé Dirceu. Na Folha de São Paulo de hoje, Ives Gandra põe pra fora da boca o que estava na ponta da língua de todos.

- O domínio do fato é novidade absoluta no Supremo. Nunca houve essa teoria. Foi inventada, tiraram de um autor alemão, mas também na Alemanha ela não é aplicada. E foi com base nela que condenaram José Dirceu como chefe de quadrilha. Aliás, pela teoria do domínio do fato, o maior beneficiário era o presidente Lula, o que vale dizer que se trouxe a teoria pela metade. 

Os juízes do STF têm agido como formigas enlouquecidas ante a proximidade de um temporal. Tomam decisões insólitas sem prever as graves conseqüências, a longo prazo, de suas irresponsabilidades. Em reportagem de capa, na edição de hoje, oEstadão aponta uma delas.

“A decisão do Supremo Tribunal Federal de permitir um novo julgamento para parte dos condenados no processo do mensalão - a partir do acolhimento dos embargos infringentes -, pode beneficiar réus de 306 ações penais que se arrastam na Corte, sem previsão de conclusão. Enquanto advogados de defesa se empolgam com a possibilidade de lançar mão de mais um recurso, ministros e ex-integrantes do STF revelam apreensão com o efeito dominó da decisão”.

Beneficiários? Entre outros, esses impolutos vultos da pátria, como os deputados Paulo Maluf e Eduardo Azeredo, e os senadores Fernando Collor de Mello e Jader Barbalho , que respondem ações por crimes.

Segundo o jornal, um outro ministro que rejeitou empurrar para 2014 o desfecho do mensalão é categórico. "Se entrar (embargos infringentes) para todas as ações nessa situação (com 4 votos), será a inviabilidade do tribunal. Já imaginou? Toda vez que tiver quatro votos vai ficar rejulgando? O tribunal não consegue nem julgar as ações originárias!", disse o ministro, que pediu anonimato. 

O mesmo reitera o ex-ministro Eros Grau, ainda no Estadão:

- Há inúmeras ações penais a serem ainda apreciadas e, sem dúvida, em todos os casos em que houver quatro votos favoráveis ao réu, o moto perpétuo processual será instalado. O Supremo será transformado em um tribunal penal de terceira instância. 

Agora não adianta chorar sobre embargos derramados. Se a Veja acha que os mensaleiros riem, está sendo tímida em sua manchete. A elite dos corruptos está rindo. Impunidade ampla, geral e irrestrita para todos.

Esquerdismo como filhote do medo e da covardia,por Rodrigo Constantino


O novo livro do filósofo Luiz Felipe Pondé, A filosofia da adúltera, é um resgate fiel do pensamento de Nelson Rodrigues sobre a condição humana. Em um dos capítulos, Pondé fala do medo como causa do esquerdismo coletivista, que busca aniquilar o verdadeiro indivíduo. Alguns trechos merecem destaque:
[...] crianças querem agradar porque percebem sua fragilidade. Temos medo porque somos frágeis. Somos mesmo frágeis, por isso ser um ex-covarde nos termos de Nelson é não ter medo de sofrer. Esse problema ético é essencial, porque ele define de forma direta a relação entre conhecimento e coragem, virtude rara na classe intelectual, feita de gente pouco capaz de enfrentar riscos, de fato.
[...]
Com o advento do adulto retardado como modo de vida (o retardamento é um modo de enfrentar o medo), os idiotas sobre os quais Nelson tanto falava, inverte-se a ordem, e os alunos passam a dominar os professores, e os filhos, a dominar os pais. O mundo assume a face do jovem boçal, que finge saber alguma coisa além da balada de fim de semana. Jovens que não gostam de arrumar o quarto convencem todo mundo de que devemos “rearrumar” o mundo. Quem sabe, no novo mundo, os quartos se arrumem sozinhos.
[...] existem varias formas de esquerda, mas a patrulha ideológica permanece: a esquerda verde; a esquerda da defesa dos animais (é estranho que normalmente quem defende os animais defenda o aborto, assim como quem come um pedaço de pizza); a esquerda que recicla; a esquerda psicanalítica (que casa Lacan, Adorno e Foucault); a esquerda do politicamente correto, que quer quebrar a espinha dorsal do debate público, fazendo todo mundo ter medo de falar, escrever e pensar; a esquerda feminista, que quer todos os homens castrados; a esquerda gay, que acha que todo mundo é gay; a esquerda inteligentinha, que toma vinho chileno; a esquerda espiritualizada budista ou latino-americana católica; enfim: a praga só piorou de lá pra cá.
O que caracteriza essas pessoas é sua solidariedade abstrata pelo sofrimento humano. Preferem ideias ao sofrimento real. [...] Nelson percebeu como ninguém o mau-caratismo da esquerda e sua moral abstrata.
[...]
[O canalha institucional] fala sempre no coletivo, esmaga todos à sua volta, cuspindo regras e decisões coletivas cujo objetivo é apenas se esconder de seu medo maior, sua mediocridade individual. O enfrentamento indivíduo-indivíduo é seu maior medo, porque sua individualidade é nula. Ser indivíduo é um ônus que poucos suportam. 
[...] os verdadeiros indivíduos são caçados como lobisomens por todos os lados pelas artimanhas dos canalhas institucionais, verdadeiros inimigos de qualquer coragem criativa no mundo. E o socialismo adora a covardia, porque sempre anda em bando.
Foi o cantor Lobão quem resumiu bem a situação: “Frouxo unido jamais será indivíduo”. Leiam o livro de Pondé. Sejam indivíduos corajosos!

ESCALADA DA VIOLÊNCIA E RACISMO ASQUEROSO – “Blog da Dilma” ataca Joaquim Barbosa e associa imagem do presidente do Supremo à de um macaco. A imagem está no ar há quatro dias. Tanto o Planalto como os movimentos negros estão mudos

Leitores enviaram o link. Custei a acreditar. Mesmo tendo acessado a página, pensei em alguma forma de molecagem, feita à revelia dos organizadores do blog. Mas quê! Era tudo verdade. Um troço chamado “Blog da Dilma”, que se intitula “O maior portal da Dilma Rousseff na Internet”, tinha feito mesmo o que se vê abaixo: uma montagem em que a imagem do presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, aparece associada à de um macaco. Vejam imagem da página, com a respectiva URL. Volto em seguida.
O texto reproduz, com todas as crases, um post do site petista “247”, que traz uma opinião — positiva, é claro! — de Luiz Eduardo Greenhalgh sobre o voto de Celso de Mello. O “Blog da Dilma”, no entanto, não se contentou com a simples reprodução porque, sei lá, talvez tenha achado que ainda era pouco, que faltava picardia à coisa. E teve, então, uma ideia: por que não compor a imagem de Joaquim Barbosa com a de um chimpanzé?
Os limpinhos e os sujos
É impressionante o que se verificou neste fim de semana. A Folha traz uma entrevista do dito “direitista” Ives Gandra (ainda volto a ele) assegurando que não há provas contra José Dirceu. No Estadão, o mensaleiro condenado João Paulo Cunha afirma que Barbosa fala “bobagem” e que quer sentar em sua cadeira; na TV Folha, o advogado de Dirceu diz o que pensa do julgamento (adivinhem o quê…); na Folha Online, outro professor da USP faz considerações que tentam minimizar a importância do julgamento, critica a transmissão ao vivo das sessões do Supremo e aproveita a oportunidade para atacar, claro!, Gilmar Mendes.
Não obstante, os petistas propagam aos quatro ventos que a “mídia” persegue o partido e seus líderes. Sabem que a acusação surte efeito. Parte considerável da imprensa tenta, então, provar aos críticos que eles estão errados; torna-se sua refém. Alguém da legenda grita: “Do mensalão mineiro, ninguém fala nada!!!”. Pronto! O assunto já entra na pauta. Até as autoridades se sentem compelidas a provar ao STPT — o Supremo Tribunal do Partido dos Trabalhadores — que são isentas. Rodrigo Janot, como vimos, em entrevista ao Estadão, afirmou que “pau que dá em Chico dá no Francisco”, antecipando, parece, o conteúdo do seu trabalho. Escrevi a respeito dessa declaração infeliz de Janot.
A esgotosfera
Observem que a onipresença dos defensores de mensaleiros na imprensa, neste fim de semana, é apenas a face mais “limpinha” do jogo pesado. A sujeira fica por conta de páginas como o tal “Blog da Dilma”, que foi criado durante a campanha eleitoral. O Planalto sempre pode alegar que não tem nada com isso, que o nome da presidente está sendo usado sem sua autorização etc. É mesmo? E por que, então, a soberana não manda que parem de fazer isso?
Eles não têm mesmo limites. O linchamento a que foram submetidas cinco atrizes — Carol Castro, Rosamaria Murtinho, Nathalia Timberg, Suzana Vieira e Bárbara Paz — porque ousaram posar de negro, como sinal de luto pelos seis votos do STF em favor dos infringentes, evidenciou quão organizada é a máquina. E olhem que a campanha eleitoral nem começou ainda.
Os sujos acusam a “mídia” — que eles dizem ser antipetista (este fim de semana demonstra que essa é outra mentira escandalosa; ao contrário, no geral, ela é favorável ao PT) — de destruir reputações ao apenas noticiar o que está em curso. O caso das atrizes e, agora, de Barbosa evidencia quem recorre a esse expediente. A verdade é que os criminosos decidiram disputar a opinião pública com os defensores da lei.
Racismo escancarado
Todos sabem que uma das expressões mais estúpidas do preconceito contra os negros é associá-los a macacos. Não há leitura alternativa para isso. Obviamente, não se trata de uma peça de humor. O cantor Alexandre Pires teveproblemas com o Ministério Púbico por causa de um videoclipe em que alguns dançarinos caracterizados de gorilas eram exibidos como símbolo de vigor sexual. Não entro no mérito estético da coisa, mas é evidente que não se procurava associar a cor da pele aos animais.
Mas e o que se vê acima? O que se pretende com aquela montagem? Ainda que seu autor fosse um petista negro, o caráter racista não se dissiparia porque é evidente que a montagem estaria a açular o racismo que anda por aí. Até agora, os movimentos negros, PARA NÃO VARIAR QUANDO SE TRATA DE MANIFESTAÇÃO PRECONCEITUOSA ORIUNDA DA ESQUERDA, não disse uma palavra. O Planalto e Dilma também estão de bico fechado. A governanta, aliás, permite que seu nome seja usado nessa página para as piores barbaridades.
O pelotão de fuzilamento do petismo não perdoa a reputação de ninguém: tenta matar mesmo. E conta com uma rede gigantesca para isso, parte dela financiada por estatais e por gestões petistas municipais e estaduais. A Prefeitura de São Paulo, na gestão de Fernando Haddad, diga-se, tornou-se uma notória financiadora de blogs sujos a serviço de mensaleiros. Dá para entender por que tanta gente, de súbito, passou a questionar o crime de formação de quadrilha.
Por Reinaldo Azevedo

O ódio como política

José Roberto de Toledo - O Estado de S.Paulo


Nem prós nem contras. Quem mais perde com a prorrogação do julgamento do mensalão são os "muito pelo contrário". A extensão da disputa moral até 2014 reanima a desgastada polarização PT x PSDB no ano da eleição presidencial. Os candidatos que pretendem mudar a agenda e discutir política ou outra coisa, como Marina Silva e Eduardo Campos, têm mais dificuldade de aparecer.

Marina está no meio do julgamento para registrar seu partido - com boa chance de perder. Campos fez um gesto raro, ao abrir mão de cargos e verbas para disputar o poder maior. Ambos tiveram menos destaque na semana passada do que o playboy que tirou o pé da cova do anonimato ao ameaçar enterrar seu carro predileto.

A disputa política continua rodando em falso, cada lado repetindo as mesmas acusações de sempre. A única diferença é a quantidade crescente de bile a espumar nas timelines.

"A corrupção tem hegemonia no debate político. Um acusa o outro de desonesto e isso dinamita as pontes. O clima de ódio prevalece", diz o filósofo Renato Janine Ribeiro. Se o adversário é ladrão, não é preciso discutir. Basta prendê-lo.

O que era uma sensação difusa se materializa nas redes sociais. Seja o Mais Médicos, seja o voto do ministro Celso de Mello no julgamento dos embargos infringentes pelo Supremo Tribunal Federal: qualquer assunto de interesse político vira um Fla-Flu no Twitter e no Facebook. Não há pontos de convergência, nem campo comum para o debate.

Mapas relacionais elaborados pelo Labic.net (Universidade Federal do Espírito Santo), a pedido do Estadão Dados, mostram uma "guetização" dos contendores. Eles tendem a se isolar em redes próprias, que se autoalimentam e reforçam as próprias convicções. São raras as trocas de mensagem entre os polos.

"A polarização aniquila o debate político. Ninguém muda mais de ideia. As pessoas estão blindadas nas suas convicções." A constatação é do titular de Ética e Filosofia Política da principal universidade brasileira, a USP. Mas Janine Ribeiro não é o único acadêmico preocupado com o ódio na política.

O cientista social Marco Antonio Carvalho Teixeira é professor do departamento de Gestão Pública da FGV-SP. Ele pesquisa democracia, participação social e governo. Na sua opinião, o moralismo afasta as pessoas, ao mesmo tempo que "acirra paixões selvagens". Para ele, a polarização provém de como o debate está posto: "É plebiscitário, contra ou a favor, sem ponderar".

A despolarização é possível?

Teixeira acredita que sim, desde que se troque a exclusividade das acusações pelo debate de propostas. "Marina poderia ser o ponto de equilíbrio, mas depende do contexto de sua candidatura." Esse contexto será muito diferente do planejado pela presidenciável se ela não conseguir o registro da Rede.

Sem um partido para chamar de seu, Marina voltaria a ser refém dos burocratas partidários - o que a levou a renunciar às filiações ao PT e, mais recentemente, ao PV. Sem a Rede, seu discurso eleitoral pala renovação pode cair no vazio.

Em tese, a Rede poderia atrair os desiludidos com a política e despolarizar o debate, afirma Janine Ribeiro. Afinal, compartilham a mesma fala e ideia sobre organização social. "Marina e Eduardo Campos estão disputando o legado do PSDB, que me parece sem projeto. Eles poderiam distender o processo", diz.

Na opinião de Janine, quem não gosta de política não está polarizado. "A esperança pode estar neles", completa. O filósofo está descrente, porém, do sucesso da Rede. Faltam não apenas assinaturas de filiados, mas, na sua avaliação, propostas.

Fica no ar a previsão de Marco Antonio Teixeira: "Quanto mais o mensalão estiver perto da eleição, mais moralista vai ser o tom da campanha". E mais o ódio ocupará o lugar da política.

BOLIVARIADOS NO PODER- GOVERNO IMPEDE DIPLOMATA DE SE JUNTAR À FAMÍLIA

Destituído da embaixada em La Paz, por haver ajudado o senador asilado Roger Molina a fugir para o Brasil, o ministro Eduardo Sabóia foi removido para a sede do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, e nem sequer foi autorizado a voltar a Bolívia para reencontrar a família e providenciar a mudança. Sua mulher continua em La Paz com dois filhos pequenos, sem assistência ou proteção da embaixada.

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