quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Os alertas de Jim Rogers: Brasil? Não, obrigado.

Em entrevista para a revista Exame, o famoso e respeitado gestor de recursos Jim Rogers levanta alertas importantes para os investidores do mundo todo. Rogers foi sócio de George Soros, tem uma trajetória de grande sucesso, e utiliza bastante a abordagem da Escola Austríaca em suas análises de cenário econômico. Seguem alguns trechos importantes:
Estão colocando mais dinheiro no mercado financeiro, mas isso vai acabar, eventualmente, e quando terminar vai ser muito ruim para todo mundo, no mundo todo, porque pela primeira vez na história os principais bancos centrais (Japão, Europa, Inglaterra, EUA) estão imprimindo dinheiro tentando desvalorizar suas moedas. Há um grande lago artificial de liquidez e estamos todos flutuando neste lago artificial, mas vai acabar. E quando acabar, todos vamos sofrer.
O Brasil ainda é um bom lugar para investir?
Não. O governo brasileiro está cometendo erros. Deveria ser um lugar maravilhoso para investir, mas seu governo segue cometendo erros, colocando tarifas especiais contra alguns de seus melhores parceiros, controle cambial e por aí vai. O Brasil segue fazendo coisas que restringem a economia. Por isso, não estou investindo e não quero investir no Brasil, enquanto tiverem um governo anti-capitalismo ou anti-eficiência. Enquanto tiverem um governo que não entenda a economia eu não quero investir aí.
[...]
Eu prefiro investir na Rússia. A Rússia não está tomando medidas para desencorajar a eficiência e os investimentos e o Brasil está. A Rússia tem uma moeda flutuante, o Brasil faz controle cambial.
Nada na América Latina?
Não. A Argentina é um desastre, como tem sido por muitos anos. Se eu encontrasse algo na Colômbia ou Peru ou outro país mais bem administrado eu investiria, mas não achei nada. O Brasil é um pais muito empolgante para se estar, gostaria que o governo começasse a fazer coisas melhores para que eu pudesse investir aí de novo. No momento não tenho nenhum investimento na América Latina.
[...]
Eu invisto baseado nos fundamento de cada mercado. Tento investir em mercados que são bons. A ideia de as pessoas investirem em qualquer mercado emergente sem olhar os fundamentos é bem tola.
A ficha já caiu para quase todo mundo. Até Delfim Netto andou criticando o governo brasileiro, depois de ser um de seus maiores defensores. O modelo está equivocado. Há intervenção estatal demais da conta. As regras do jogo não são confiáveis. Os malabarismos contábeis não enganam ninguém. O resultado está aí: economia patinando, inflação alta, e investidores fugindo.
Rodrigo Constantino

O que pode ser feito?, por Rodrigo Constantino


Melhor acender uma vela que amaldiçoar a escuridão. – Confúcio
Muitas pessoas desiludidas com o país e o governo me perguntam o que fazer. Receosas de que o Brasil vire uma grande Argentina ou mesmo Venezuela, e sem esperanças na atual oposição, essas pessoas sentem que “algo” deve ser feito, mas não sabem exatamente o que.
Eis minha resposta curta e grossa: tudo aquilo que estiver ao seu alcance. Explico.
Na verdade, a pergunta é mais direcionada ainda: como um indivíduo pode propagar ideias em escala grande o suficiente para causar mudanças significativas no país? Se a pergunta é colocada dessa maneira, a resposta é: ele não pode. Ninguém pode mudar um país isoladamente, e tal reflexão poderá levar ao desespero.
Mas o problema inicial é por qual motivo a pergunta é assim colocada. Afinal, ninguém perguntaria a um médico no meio de uma epidemia se ele poderia tratar dos milhões de doentes para recuperar a saúde de toda nação. Todos saberiam que ele deveria tratar a maior quantidade possível de doentes, de acordo com o melhor de sua habilidade, e que nada mais do que isso seria possível.
Quando olhamos por esse prisma, a coisa muda de figura. O médico, sabemos, deve fazer tudo que puder, ainda que não existam garantias de que seu esforço isolado, por mais hercúleo que seja, vá erradicar a epidemia. Ao menos uma coisa ele terá: paz de consciência por ter feito o possível e o impossível.
Hoje o Brasil vive uma epidemia, uma doença. Não é nova, na verdade. Mas o PT ajudou a disseminá-la como ninguém antes. Falo do populismo autoritário, do aparelhamento da máquina estatal, da degradação de valores éticos e morais e a ameaça à própria democracia. Cada brasileiro consciente disso deveria agir como o médico acima.
Portanto, o que fazer? Tudo! Cada um tem habilidades específicas, vantagens comparativas. Que as utilizem como for possível. Escreve bem? Então escreva textos apontando os defeitos do governo e levantando alternativas. Tem recursos? Então ajude a financiar instrumentos que divulgam as boas ideias ou ofereçam uma alternativa política. Tem tempo? Então coloque-o a serviço desse nobre objetivo que é varrer o PT do governo, pelas urnas.
O que não podemos é ficar imóveis, praguejando, repetindo que somente o aeroporto é nossa saída. Se assim fizermos, os inimigos da liberdade terão o caminho ainda mais livre de obstáculos. Sentar no chão e chorar não ajuda. É preciso reagir.
Alguns reclamam dos partidos existentes como alternativa, com razão. O que fazer? Ora, estou ajudando na criação do Partido Novo, uma opção bem mais alinhada com meu pensamento liberal. Mas esse não é o único caminho. “Infiltrar-se” no PSDB e no DEM e tentar trazê-los mais para cá também é um esforço válido. O que não vale é condenar tudo e todos lá da “Torre de Marfim”. Isso não agrega nada.
Investir em ideias (“think tanks”) ou partidos de oposição? Ambos (sou presidente do Instituto Liberal e membro-fundador do Instituto Millenium). Adotar um tom mais pragmático de curto prazo ou divulgar valores mais abstratos de olho no longo prazo? Ambos. Usar um linguajar mais agressivo que sacode a letargia ou uma mensagem mais conciliatória e moderada para persuadir com sutileza? Ambos. Focar em aspectos culturais ou mais práticos e econômicos? Ambos.
Enfim, a guerra é muito desigual, o lado de lá desfruta da poderosa máquina estatal, dos aparatos culturais, de décadas de lavagem cerebral, de vastos recursos (ninguém mais rico do que socialistas!), da organização, da disposição de jogar sujo para se perpetuar no poder, da cara de pau para mentir descaradamente, do abuso do sensacionalismo etc.
Estão ganhando de goleada. Vamos debater o sexo dos anjos ou reagir? Vamos discutir se a melhor estratégia é o 4-3-3 ou o 3-5-2, ou vamos entrar em campo e jogar com garra? O tempo urge. Sim, “algo” precisa ser feito, logo. Então faça algo! Faça aquilo que for viável, estiver ao seu alcance.
Só não vale ficar de fora do jogo e depois criticar os jogadores e o juiz, após a humilhante goleada. Vide a Venezuela. O que pode ser feito, hoje, lá? Quase nada. Então vamos agir antes que seja tarde demais?

PALOMBA GASTA LATIM , por Janer Cristaldo

Quando ocorre uma tragédia humana de proporções, nunca falta um psi ou um ólogo para dizer bobagens. Me refiro a psiquiatras, psicólogos, psicanalistas, antropólogos e sociólogos. Ora é uma deformação no cérebro, ora são as condições da infância, o meio social, quando não a fixação no pai e na mãe. Sempre há algo que absolve o criminoso. 

Desta vez, o privilégio coube a um psiquiatra forense, no caso o dr. Guido Palomba, ao referir-se ao caso do menino que teria massacrado a família e depois se suicidado. Antes de ir adiante, foi este mesmo senhor que disse, em 2007, a propósito do rabino ladrão de gravatas:

“O rabino Henry Sobel pode ter apresentado um "estreitamento de consciência, denominado estado crepuscular pela literatura médica. Por um momento, a pessoa perde a noção da gravidade de seu ato".

Alegação interessante para o ladrão que for pego em flagrante: "Desculpe, dr. delegado, fui acometido por um estado crepuscular". Não é de hoje que o dr. Palomba diz bobagens. Está apenas recidivando.

Segundo o perito, por conta da encefalopatia, Marcelo passou a desenvolver uma perda da noção da realidade, comparada pelo psiquiatra com Dom Quixote. O portal Terra, subestimando seus leitores, esclarece que o personagem “é do livro escrito pelo escrito espanhol Miguel de Cervantes”. 

“Ao matar os familiares Marcelo viu-se livre para o mundo imaginado, tornou-se de fato um justiceiro e forniu a mochila com perfume, uma calça, uma faca, um pequeno revólver e alguns rolos de papel higiênico (...) e saiu para dar andamento ao seu ideal quixotesco, na acepção exata do termo”, diz o laudo elaborado sobre o caso. 

Longe de mim pretender ser psiquiatra, ocorre que o Quixote eu já li. Palomba está comparando um ente do mundo real, Marcelo, com um ente imaginário, o Quixote. Para o perito, sem os pais, o adolescente partiu rumo a um ideal “quixotesco”.

“Dom Quixote perdeu a razão depois de ler muitos livros de cavalaria (Marcelo depois de muitos videojogos) e partiu para se tornar um cavaleiro errante (Marcelo, justiceiro errante). O automóvel de Marcelo no lugar do cavalo Rocinante; a faca e o revólver em vez da lança e do escudo; Sancho Pança (o escudeiro) seria os amigos de escola, convidados no dia seguinte; a saída de Dom Quixote de um lugar de La Mancha, tal qual Marcelo de casa. (...) E ainda mais, o fim de ambos é igual em um ponto: ao retornarem ao lugar de origem, sentiram-se fracassados; porém, o cavaleiro andante morreu de tristeza e o justiceiro andante se suicidou”, diz o documento.

Não é que o Quixote tenha perdido a razão depois de ler muitos livros de cavalaria. Ocorre que Cervantes pretendeu fazer uma sátira aos livros de cavalaria da época. E atribuiu a estes o delírio do herói. Alonso Quijana teria treslido. Pelo jeito, o d Palomba também. As razões do Quixote são literárias. As de Marcelo, só Deus saberia, se existisse.

Para começar, apesar de bravo e aguerrido, Dom Quixote não mata ninguém. Tampouco lhe ocorre matar seus familiares. Rocinante é o seu matungo e arma de luta.

"Dichosa edad y siglo dichoso aquel donde saldrán a luz las famosas hazañas mías, dignas de entallarse em bronces, esculpirse en mármoles y pintarse en tablas, para memoria en lo futuro. Oh tú, sabio encantador, quienquiera que seas, a quien ha de tocar ser cronista desta peregrina historia! Ruegote que no te olvides de mi buen Rocinante, compañero eterno mío em todos mis caminos y carreras".

Considero Cervantes antes de tudo um humorista. Este trecho, a meu ver, dá o diapasão de toda sua obra. Ali está o personagem e aquilo a que vem: desfazer tortos, para glória na eternidade. Esta divertida ironia em relação a si mesmo é o que mais me fascina no Quixote.

Quixote persegue um ideal de justiça, o fulcro dos romances de cavalaria da época. Cervantes quer rir desses senhores que enfrentam exércitos e dragões, em nome de uma princesa e em busca de justiça.

O caso de Marcelo é bem mais prosaico e não merece tais vôos literários. Não é fácil entender porque alguém faz isso – e isso se faz todos os dias – e mais difícil ainda é entender que uma criança mate os seus e se mate. A meu ver, não há razão nenhuma para seu crime. Pirou e pronto. Quantas pessoas não enlouquecem da noite para o dia? A loucura só vem a público quando dela decorre uma tragédia. Decorrências menores passam despercebidas.

E da loucura, ninguém ainda descobriu as causas. Marcelo, pelo que se sabe, não perseguia ideal nenhum. Seu Rocinante – o carro, segundo Palomba – sequer era seu. A loucura é irracional e imprevisível. Se conhecemos as razões de um crime, já não é loucura.

Segundo o laudo do psiquiatra, o delírio de Marcelo começou no início deste ano, “quando passou a convidar seus amigos para fazerem parte de um grupo denominado Mercenários”. Os games fizeram com que o adolescente, que havia aprendido a atirar e dirigir com Luis Marcelo e Andréia, querer ser um herói, “mais importante que seus próprios pais. Assim, despontou a sua realidade, não mais fictícia como nos videojogos, cujos atores sempre retornam à vida, mas um mundo real que lhe satisfazia o sentimento de ser um justiceiro de verdade.”

Hoje, o bode expiatório são os vídeogames. Há uns vinte anos, eram os filmes violentos. Ora, me criei – e os leitores certamente também – vendo filmes violentos, e jamais nos ocorreu matar alguém ou massacrar a própria família. Da mesma forma, há milhões de crianças e adolescentes brincando com videogames violentos e nenhuma delas matou seus pais. Procedesse a tese de Palomba, massacre de famílias pelos filhos seria epidêmica.

O vírus da insanidade não avisa, ocorre quando menos se espera e contra ele não temos defesa. Se nós entregamos nosso pescoço à navalha do barbeiro, é porque confiamos que ele não será tomado por esta peculiar anomalia. 

Talvez estivesse mais perto de uma explicação se usasse o mesmo argumento que usou para justificar o gesto do rabino, o tal de estado crepuscular, quando por um momento a pessoa perde a noção da gravidade de seu ato. 

De minha parte, não vou tão longe. A meu ver, as gerações contemporâneas perderam a noção do valor de uma vida. Não passa mês sem que vejamos um assaltante matando alguém só porque este alguém andava sem dinheiro no bolso. A ninguém ocorre chamar isto de estado crespuscular de consciência, anomalia que só acomete gente fina. Tampouco ocorre citar Cervantes quando um pobre diabo de favela mata os seus. 

Dr. Palomba gastou seu latim e não disse nada. O caso de Marcelo continua sendo um mistério, que nem mesmo Marcelo saberia explicar. 

EM TEMPO Uma boa amiga, Laís Legg, me escreve: "Janer, imagino um laudo teu: "pirou e pronto" Ah, ah, ah. Mas eu gostei da conclusão do Palomba (milhões acham que foi a polícia quem os chacinou), realmente, o menino foi influenciado por muitas coisas, a piração foi multifatorial. E foi ele, não há dúvida, para desgosto de muitos”. 
Ora, Laís, laudo é uma coisa, opinião é outra. Mais honesto é admitir que não se entende a loucura do que emitir metáforas literárias. Seja como for, o recurso ao Quixote é totalmente despropositado. Eu atestaria: "por razões que ainda nos são desconhecidas..."

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