segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Os órfãos de junho

José Roberto de Toledo - O Estado de S.Paulo


Um a cada três eleitores brasileiros está sem candidato a presidente - mesmo depois de ser confrontado com a lista de presidenciáveis pelo Ibope. Ele já foi simpatizante de Dilma Rousseff (PT), antes dos protestos. Desiludiu-se, manifestou-se nas ruas e aderiu a Marina Silva (sem partido). Cansou. Agora, não sabe em quem votar. É o órfão de junho.

Essa orfandade não vai durar para sempre, porém. A história mostra que dois de cada três desses indefinidos vão acabar escolhendo um candidato, mesmo que na última hora e na base do "mal menor". Isso provoca dois efeitos.

O primeiro é precipitar análises aritméticas de que Dilma Rousseff se elegeria no primeiro turno. A conta pode estar certa (porque ela supera a soma dos votos dos rivais), mas a conclusão é simplista - como veremos mais à frente. O segundo e mais relevante efeito é que para onde penderem os órfãos, penderá a eleição.

As taxas de votos brancos e nulos somadas não chegaram a 10% nas eleições presidenciais de 2010 - nem na de 2006. Na mais recente pesquisa Ibope, 15% declaram a intenção de anular. Mas o histórico mostra que essa proporção deve baixar em pelo menos um terço até a hora de o eleitor votar.

O Ibope encontrou essa mesma taxa de branco/nulo em setembro de 2009, faltando os mesmos 12 meses para a eleição de 2010 que restam para a eleição de 2014. Está tudo dentro do script.

Tampouco a abstenção tem sido uma forma de protesto no Brasil. Descontados os fantasmas - que morreram, mas continuam vivos e saudáveis no cadastro da Justiça Eleitoral -, a taxa de eleitores que deixam de votar é inferior a 10%. Ela se distribui de forma razoavelmente homogênea pela sociedade, o que significa que não tende a prejudicar mais um candidato do que outro.

Tudo isso considerado, conclui-se que 20% do eleitorado está à deriva e pode, em tese, migrar para qualquer das candidaturas. É voto suficiente para levar até o mais nanico dos candidatos ao segundo turno - e, eventualmente, elegê-lo presidente. Isso não tira o favoritismo de Dilma, mas o coloca em perspectiva.

Esses órfãos podem voltar para o colo da petista e elegê-la no primeiro turno? Sim, mas a presidente terá primeiro que reconquistá-los. E ela está tentando.

Não foi por acaso que Dilma ressuscitou, justamente agora, sua conta no Twitter - depois de ter abandonado a rede social onde foi muito popular durante a campanha de 2010 e da qual se retirou sem dar qualquer satisfação logo que chegou ao poder.

Reforçar a presença online é uma tentativa de atingir o público que frequenta o Twitter e o Facebook com mais assiduidade: os "jovens" de menos de 45 anos. Foram eles que marcharam em junho. É entre eles que a taxa de branco/nulo se destaca. É com eles que a presidente tentará dialogar. Mas não falarão sozinhos.

Aécio Neves (PSDB) lançou uma estratégia de comunicação na semana anterior que se explica pelo nome, com direito a hashtag: #vamosconversar. O tucano também percebeu que tem uma oportunidade de crescer se alcançar esse eleitor desamparado. Está apelando às redes sociais para chegar mais perto dele.

Eduardo Campos (PSB), por enquanto, mostra-se mais preocupado em conquistar a simpatia dos donos dos prédios da avenida por onde passou a maioria dos protestos em São Paulo, a Paulista, do que se aproximar dos manifestantes. Mas é por saber que eles estão órfãos que o presidente do PSB tirou seu partido do governo e demonstrou que é de fato candidato contra Dilma.

Já Marina Silva parece ter acreditado que os órfãos adotariam sua Rede por inércia. Não adotaram. Nem assinaram fichas em quantidade suficiente para superar os riscos inerentes a quem desafia tucanos e petistas ao mesmo tempo. Agora é Marina que se arrisca a ficar órfã na eleição.

LULA, GARBOSO, SERÁ O GRANDE CABO ELEITORAL DE DILMA, por Pedro Luiz Rodrigues



Lula decidiu que já passou tempo suficiente nos bastidores e, sentindo-se curado do mal que o afligia, está de volta, sorriso largo, aos holofotes.

Não pensa, pelo menos até agora, em candidatar-se ele mesmo à Presidência. Assegura que sua máxima felicidade será ver sua pupila reeleita para o Planalto. Para ajudá-la, fará o que for necessário. Está decidido, será o principal cabo-eleitoral de Dilma Rousseff.

Este foi o principal recado que transmitiu Lula em na abrangente entrevista que concedeu a Tereza Cruvinel e a Leonardo Cavalcanti, publicada neste final de semana, no Correio Braziliense.

Exuberante, esbanjando energia e confiança – e se auto-avaliando como o mais extraordinário governante jamais havido no Brasil – o ex-presidente atuará como um verdadeiro Lula Rousseff durante a campanha: “Se ela não puder ir a um comício num determinado dia, vou no lugar dela!”

Como assegura que não lê o que publica a imprensa, Lula pode ser desculpado por não ter sido informado do levantamento recente do G1, com base em dados do Ministério do Problema, que concluiu que as principais obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) registram atraso médio de quatro anos em relação à data originalmente prevista de conclusão.

O PAC, admitiu ele na entrevista, não foi uma coisa planejada com profundidade, mas fruto das circunstâncias:” Eu receava que o segundo mandato fosse repetitivo, com ministros não querendo trabalhar. Foi aí que tivemos a ideia do PAC. Era o time do Barcelona”.

Mas planejada, ou não, a iniciativa ajudou-o a fechar 2010, último ano de seu segundo mandato, com um crescimento do PIB de 7,5% (depois de praticamente zero em 2009 e cerca de 5% em 2008). Com Dilma, não precisamos nem falar, o País estancou.

Lula não culpa Dilma pelo desempenho sofrível da economia brasileira nos últimos três anos:”acho que poucos conseguirão repetir o que fizemos enre 2007 e 2010”.

É verdade, para fazer a economia andar, bilhões e bilhões de reais foram injetados em obras que até hoje se arrastam, sem conclusão, e sem data de entrega à sociedade que as financiou.

Pesquisa desenvolvida recentemente pelo Globo, mostra que das 42 obras com investimentos superiores a meio bilhão de reais instituías pelo PAC de Lula, exatamente a metade não foi ainda concluída, sendo que 40 já deveriam estar em funcionamento.

“Se os projetos de energia, que têm uma dinâmica própria, forem retirados da conta, restam 14 grandes projetos de infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias e infraestrutura hídrica), anunciados em 2007. Destes, só quatro foram inaugurados. Dos dez restantes, nove estão com seu cronograma atrasado em pelo menos três anos. Em alguns casos, como no do Arco Rodoviário do Rio de Janeiro, o atraso deve chegar a seis anos”, observa o referido jornal. Segundo o primeiro relatório do PAC de 2007, a obra deveria estar pronta desde 2010, mas a previsão mais recente do governo é que ela só seja concluída em 2016. Analisando caso a caso, a situação é ainda mais desalentadora quando o assunto é preço da obra. Os custos estimados dos 42 projetos já aumentaram R$ 100 bilhões de 2007 para cá.

Um liberal cada vez mais cético: entrevista para o EPL, por Rodrigo Constantino


Um liberal cada vez mais cético: entrevista para o EPL

Segue a entrevista que concedi ao EPL (Estudantes Pela Liberdade). Por Marcelo Lourenço:
Você escreveu um livro chamado “Economia do indivíduo: o legado da Escola Austríaca” e também é conhecido pela sua defesa do livre mercado, se baseando na maioria das vezes nos economistas austríacos. Onde você conheceu a EA?
No trabalho. Um dos sócios da gestora em que trabalhava era Paulo Guedes, doutor pela Universidade de Chicago. Foi ele quem me recomendou a leitura de Mises e Hayek. Comecei por “The Constitution of Liberty”, de Hayek, e fiquei encantado. A partir de então, fui descobrindo os demais autores e lendo, tanto os mais antigos (Menger e Bohm-Bawerk), como os mais novos. Eu já era um liberal, pois nunca fui outra coisa. Mas o contato com a EA me deu uma base e uma visão diferentes.
Há não muito tempo, você passou a se considerar um conservador, o que desagradou muitos, mas rendeu a admiração de outros. De onde partiu essa mudança?
Eu disse isso, mas não sei se sou um conservador, e tenho receio de rótulos. Ainda me considero um liberal, mas há diferentes tipos de liberais. Sempre fui mais cético, avesso às utopias. E isso me aproxima de uma linha mais conservadora, que rejeita revoluções, soluções mágicas ou definitivas. Não sei dizer o que me trouxe aqui, mas diria, para irritar um pouco mais os colegas libertários radicais, que foi maturidade. Uma filha pré-adolescente também te faz enxergar o mundo com mais atenção no que diz respeito aos valores morais e o entorno. Boas leituras também me ajudaram, como Theodore Dalrymple, Kirk, João Pereira Coutinho, entre outros. O que significa ser um liberal com tendências um pouco mais conservadoras? Que você irá rejeitar revoluções, que será cético contra utopias, que não pensará que basta acabar com o estado que tudo será uma maravilha, que certas tradições são fundamentais para preservar nossas liberdades, que não existe algo como “liberdade plena” na vida em sociedade, que a razão é limitada e devemos tomar muito cuidado com a “arrogância fatal”, de que falava Hayek.
O seu novo livro, Esquerda Caviar, é caracterizado por Luiz Felipe Pondé como “uma pérola em meio ao mar de obviedades e mentiras comuns na literatura ‘intelectual’ nacional.” Comente sobre sua nova obra.
Considero meu melhor livro de longe, e também o mais conservador. É um ataque fulminante à hipocrisia daqueles que valorizam mais as aparências do que os resultados concretos de suas ideias. Querem apenas monopolizar as boas intenções e buscar o regozijo pessoal dessa sensação de superioridade moral proveniente apenas dos discursos retóricos. Os chamamos de “posers” nas redes sociais. Amam as causas nobres, desde que não precisem gastar duas calorias para defendê-las, e que não precisem realmente viver de acordo com elas na prática. O capítulo que mais vai incomodar alguns libertários é justamente aquele que fala de uma postura que os aproxima da esquerda: o pacifismo. Geopolítica não é para românticos ou inocentes, que habitam o fantástico mundo das torres de marfim. Guerra se vence ou se perde. Não dá para ser contra tudo e todos que estão aí, sem tomar algum partido, quando a própria sobrevivência está em jogo.
Um detalhe importante: conforme dito acima, Esquerda Caviar é o meu livro mais conservador, mas não acho que um liberal vá discordar de muita coisa. Posso ter carregado mais no ataque aos que tentam degradar valores morais e culturais, mas compreendo que isso não precisa ser bandeira exclusiva dos conservadores. Liberal não tem que ser sociopata. O entorno tem influência em nossas vidas. Se os valores estéticos desaparecem, isso tem impacto nos valores éticos também. A ditadura do politicamente correto é duramente condenada no livro, e isso deveria ser do interesse dos liberais e libertários também. Os movimentos coletivistas racial, sexual e de gênero também podem e devem ser combatidos pelos liberais. Não é atacar o gay, por exemplo, mas o movimento gay. O gay, enquanto indivíduo, merece respeito dos liberais. O movimento não. São coisas bem diferentes.
Recentemente você assumiu a presidência do Instituto Liberal, uma organização que fora muito influente quando estava sob o comando de seu fundador, Donald Stewart Jr., mas que nos últimos anos esteve pouco atuante. Como você, agora na presidência, pretende continuar o grande legado desse Instituto?
Nosso foco principal tem sido o blog, em uma linguagem dinâmica voltada para um público mais jovem. As redes sociais são nossa grande oportunidade. Com custo reduzido, podemos ter um alcance maior. O IL se tornou uma espécie de “vigilante da mídia”, trazendo alguns textos diários sobre temas do cotidiano, sempre com uma lupa mais liberal e crítica, pois a grande imprensa tende a ser mais de esquerda. Palestras têm sido realizadas pelo Brasil também. Na frente, queremos voltar a publicar livros, talvez uma revista eletrônica, ter inserção na rádio e na TV. O principal é divulgar os valores liberais. Os instrumentos podem variar.
Há dois meses você iniciou o seu blog no site de Veja, que conta também com outros blogueiros, como Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes e Caio Blinder. Como está sendo essa experiência?
Fantástica. Adoro o que faço, e a vantagem do blog é sua informalidade. É um bate-papo com meus leitores, e isso é muito legal. Só que nunca trabalhei tanto na vida. Não há horário. A qualquer momento posso escrever um texto novo. A linha divisória entre semana e fim de semana desaparece um pouco. E assunto é o que não falta nesse país. Resultado: tenho escrito uma média de 5 a 10 textos por dia! Mas a reação tem sido positiva. O blog nasceu com 850 mil visitas no primeiro mês, e repetiu o montante no segundo. É uma audiência respeitável, e uma incrível oportunidade para divulgar as ideias liberais. Quando que os austríacos teriam tanto espaço assim no “mainstream”? Ventos de mudança? Espero.
O senhor criou algumas desavenças com os libertários/anarcocapitalistas, aos quais tece muitas críticas. Em seu ver, qual o grande problema nos admiradores de Rothbard e Hoppe?
A intolerância. Quando o sujeito pensa que descobriu uma pedra filosofal, uma receita mágica que responde tudo, um critério ou um único valor ético absoluto que servirá de base para definir todos os aspectos da vida em sociedade, ele passa a ser intolerante com as divergências, com a pluralidade. A vida é mais complexa que isso, conta com valores em choque, muitas vezes incomensuráveis, em conflito insolúvel. Há apenas “trade-offs” nesses casos, não soluções. Essa deve ser, em minha opinião, a postura realmente liberal. Mas alguns “ancaps” não aceitam isso, pois eles “sabem” o que é certo, em todos os casos, sempre, com base nessa receita de bolo simples (simplista). É limitado demais, até infantil. E essas pessoas acabam flertando com um radicalismo que me parece incompatível com a postura mais humilde do liberalismo.
Quais são os pensadores que melhor representam o seu pensamento político e econômico como um todo?
Difícil dizer, mas poderia colocar uma lista de importantes influências: Thomas Sowell, Isaiah Berlin, Ludwig von Mises, Hayek, Ayn Rand, Theodore Dalrymple, Mario Vargas Llosa, Karl Popper, Milton Friedman, Nelson Rodrigues, Roberto Campos e Luiz Felipe Pondé, para incluir autores brasileiros.
Em sua opinião, qual a importância do EPL, uma redes estudantil que busca a propagação das ideias de liberdade na universidade?
A importância é enorme. Acredito muito no poder das ideias, e acho que temos que mudar a mentalidade das pessoas, levar a mensagem liberal para mais gente. Isso é fundamental para mudar os rumos do país: investir em ideias! Sem isso, seremos prisioneiros dos mesmos equívocos ideológicos que têm atrasado nosso país. Os jovens precisam ter acesso a outra visão além da marxista ou keynesiana predominantes nas universidades.
Considerações finais do entrevistado.
Agradeço pela oportunidade e pelo espaço, e gostaria de finalizar fazendo um apelo: não se fechem em sistemas completos, que possuem todas as respostas para a complexa vida em sociedade. E também não leiam apenas aqueles autores que reforçam as crenças pré-estabelecidas. Inclusive, acho muito saudável ler coisas fora do tema específico, como literatura ou psicologia (Freud). Isso dá uma abrangência maior, um escopo de visão mais robusto para apreender o mistério da vida humana. Devemos ter nossas convicções, após bastante reflexão, mas sempre buscar entrar em contato com o contraditório para mudar ou fortalecer nosso ponto de vista. Mantenham a cabeça aberta. Mas como diria Chesterton, também não tão aberta a ponto do cérebro cair fora dela!

Reynaldo-BH: Pílulas do doutor cubano

REYNALDO ROCHA
1) Dá para desculpar quem entrou no PT há 10 anos. Mas, e hoje? Alguém poderá alegar mais tarde que estava enganado?
2) Antes de exigir da NSA que pare de espionar Dilma, daria para pedir à CEF que pare de espionar caseiros?
3) O foguete do Cristo Redentor caindo na capa da revista The Economist explica a subida dos que ganham mais?
4) Alguém já imaginou alguma ligação entre o número de analfabetos crescendo no Brasil e a celebração da ignorância amparada por Bolsas – Família, Sofá, etc?
5) Quantos votos serão necessários para que Celso de Mello seja execrado pelo PT?
6) As entidades de defesa dos negros do Brasil (a maioria vivendo de dinheiro público) informam: Joaquim Barbosa não é negro. Começou a desbotar em 2012 e hoje é considerado cinza intenso. Está explicado o silêncio?
7) Antonio Patriota ─ seguindo a lógica do Brasil ─ sofre de amnésia. Na sabatina do Senado, esqueceu-se da Bolívia. Ou teria sido um truque para preservar a sanidade mental?
8) Cada qual escolhe o conselheiro que mais admira. Henrique Alves parece que só ouve o Bode Henriquim… Fica tudo explicado. Até a existência na Câmara dos Deputados de mensaleiros Henriquim é mesmo o bode expiatório… Brasil, país da piada pronta (apud José Simão).
9) Restringiram a saída de presos das cadeias. Uma compensação por deixarem os congressistas soltos?
10) Dilma demorou três anos para aprender a usar o Twitter. Vai passar 4 anos tentando entender o que é governar um país. E não vai conseguir.
11) Ciro Gomes, irmão de Cid da Sogra, chama Eduardo Campos de canalha. Impressionante como os iguais se reconhecem. A sorte do Ceará é os Gomes são somente dois…
12) Uma dúvida: Zé Dirceu voltou a namorar a Rose? Está tão calado como Lula por ter pedido a prenda de volta?
13) E a fixação de Zé Dirceu com secretárias? Apareceu mais uma, agora no Senado de Renan. Mais uma paga com nosso dinheiro. Quem vai herdar a prenda?
14) Novo partido na praça (a R$ 3,75 o voto): PROS. Quando vai ser criado o CONTRAS?
15) E a REDE?  Um partido que não consegue nem obter o registro certamente terá dificuldades para conseguir até os votos dos próprios candidatos.
16) Evo Morales, a lhama andina, quer tirar a ONU de New York. Precisa combinar com Dilma, que tirou férias na cidade e atrasou o voo de volta em 5 horas para passear num museu. Esses bolivarianos precisam se entender ou consultar algum passaralho venezuelano. Maduro diz que ele sabe.
17) Por que todo filho de stalinista prefere ir à Disney em vez de cortar cana em Cuba e comprar charutos no mercado negro?
18) Os médicos de Cuba entendem perfeitamente a língua portuguesa. Estudaram por mais de um ano o que Dilma fala. Estão no mesmo nível dos lulopetitas. Eles não dizem coisa com coisa e quem os ouve tem a mesma expressão de quem escuta um discurso da gerentona. Um caso clássico de nada sobre coisa alguma.

TED CRUZ & LÊNIN, por Caio Blinder

Lênin tem seguidores no Texas
Lá vou de novo para a casca de banana, não para escorregar, mas para ver os EUA fazerem isto enquanto prossegue a contagem regressiva (o primeiro minuto de terça-feira) para a paralisação parcial do governo. Os republicanos perseveram levianamente com sua estratégia de terra arrasada: sem corte dos fundos ou adiamento do plano de saúde  (o Obamacare), nada de grana para várias operações de funcionamento do governo.
Este duelo é apenas ensaio para a crise da pesada em meados de outubro envolvendo a elevação do teto da dívida. Barack Obama faz o que qualquer presidente responsável faz: nega-se a negociar nestes termos. Ele não pode se submeter à chantagem dos radicais do Tea Party, que tomaram os lideres republicanos (e o resto do país) como reféns.
E lá estava ele de novo, o líder da insurgência, o senador republicano Ted Cruz, com sua cara de pau, estrela dominical na televisão, dizendo que o fechamento será culpa do governo, que o país é refém do absolutismo dos democratas e que as lideranças do partido de Obama recusam o compromisso. Ele arremata que o outro lado recorre à “força bruta”.
Cruz é o cara de pau acusando o plano de saúde de ser parte de um rolo compressor socialista que vai esmagar as liberdades americanas. O plano foi aprovado há três anos pelo Congresso e chancelado pela Corte Suprema. Este texto afiado de Edward Luce, do Financial Times (será um jornal socialista?) desmistifica a narrativa do cara de pau. Confuso como pode ser para os americanos, o Obamacare é uma reforma relativamente moderada, na qual os planos de seguro médico, subsidiados ou não, são oferecidos pelo setor privado, sem opções públicas.
Se é para caricaturar, vamos fazer isto com Ted Cruz. Eu já escrevi que ele é Sarah Palin com diploma de Harvard (sem limites para a demagogia populista e a autopromoção). Se ficasse apenas nisso, mas é pior. Ted Cruz, no final das contas, é leninista. Ele é adepto do cenário do quanto pior, melhor (dane-se se for um Deus-nos-acuda global se os EUA derem calote), considera-se líder de uma vanguarda que vai derrubar o velho regime e usa de maquinações para semear divisões entre os próprios republicanos para assumir o controle do partido. Não há espaço para se criar nos EUA um poderoso terceiro partido (genuinamente revolucionário), então o negócio e transformar o Partido Republicano em uma implacável máquina política à imagem do Tea Party (hoje esta vanguarda revolucionária, na narrativa de Ted Cruz).
Para tal, é preciso fazer expurgos e se livrar do que restou de moderados no Partido Republicano. Infame, Ted Cruz rotula de apaziguador quem não concorda com ele, traçando paralelos com a véspera da Segunda Guerra Nacional. Obama é uma espécie de Hitler, líder de um nacional-socialismo, e o resto da classe política é uma versão moderna de Neville Chamberlain, enquanto Cruz, o nosso Lênin texano, se acha uma espécie de Churchill, pedindo sangue, suor e lágrimas para a salvação nacional.
Falando em oratória, na próxima vez que fizer discurso de 21 horas no plenário do Senado contra os planos do governo Obama, Ted Cruz poderia fazer a seguinte citação: “Enquanto o estado existir, não haverá liberdade; quando reinar a liberdade, não haverá mais estado”. O autor não é Friedrich Hayek, mas Vladimir Lênin. Sobre Cruz, podemos dizer que ele é o mais novo cultor da doença infantil do radicalismo.

IPCC CONFIA NA FRÁGIL MEMÓRIA DAS GENTES , por Janer Cristaldo

Com o desmoronamento do comunismo, era preciso encontrar uma nova bandeira para enfrentar o Grande Satã, o capitalismo. A luta de classes, além de ser instrumento muito manjadO, morrera com o muro de Berlim. Desde há muito se sabia que a nobre classe proletária – tão orgulhosa de si mesmo no início do século – não queria ser proletária. Havia um desejo profundo de capitalismo em todo o mundo socialista, e a queda do Muro foi a gota d’água que transbordou do copo dos utopistas: milhares de alemães da RDA fugindo alegremente do paraíso socialista para o inferno capitalista.

Mentira morta, mentira posta. A grande ameaça deixou de ser o capital. Passou a ser o aquecimento global. O que no fundo dava no mesmo. Era a sociedade capitalista, com seus índices de consumo, o fator maior de aquecimento. Nem as vacas – que produzem carne, este luxo capitalista – foram poupadas. Suas flatulências destruíam a camada de ozônio. Por trás da nova denúncia, o IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança Climática, ligado à ONU).

O IPCC foi desmacarado em 2009, quando o famoso climatologista Phil Jones, diretor da Unidade de Investigação do Clima da Universidade de East Anglia, foi acusado de haver manipulado dados para exagerar os efeitos da mudança climática. Ele renunciou depois que foram divulgadas na internet mensagens que supostamente demonstrariam a fraude. Em um dos e-mails invadidos por hackers, Jones menciona um "truque" empregado para maquiar as estatísticas de temperatura para "ocultar uma redução".

Como na imprensa nada se conserva – tudo se esquece – o IPCC voltou à tona na sexta-feira passada, brandindo o velho e eficaz apocalipse. Segundo o novo relatório, as pesquisas mais recentes apontam que existe 95% de certeza do envolvimento humano no aquecimento global. E desta vez a denúncia é mais contundente. Há seis anos, quando o relatório anterior foi divulgado, a certeza era de 90%. Da manipulação de dados , descoberta há cinco anos, parece que ninguém lembra mais.

Jones era diretor da Unidade de Investigação do Clima da Universidade de East Anglia, um dos centros de maior reputação do mundo nesta área. Ele renunciou depois que foram divulgadas na internet mensagens que supostamente demonstrariam a fraude. Em um dos e-mails invadidos pelos hackers, Jones menciona um "truque" empregado para maquiar as estatísticas de temperatura para "ocultar uma redução".

A teoria do aquecimento global teve seu guru precursor, James Lovelock, inventor do Electron Capture Detector, aparelho que ajudou a detectar o (suposto) buraco crescente na camada de ozônio e outros nano-poluentes, considerado “uma das mentes científicas mais inovadoras e rebeldes da atualidade”, é o criador da chamada Hipótese Gaia, que vê a Terra como um organismo vivo.

Não há de novo sob o sol. Aliás, desde o Qohelet não havia. Já comentei há alguns anos. Lovelock chegou à conclusão que a raça humana está condenada. Que mais de seis bilhões de pessoas morrerão neste século. Enquanto caminhava em um parque em Oslo, declarou ao escritor americano Jeff Goodel:

- Até 2040, o Saara vai invadir a Europa, e Berlim será tão quente quanto Bagdá. Atlanta acabará se transformando em uma selva de trepadeiras kudzu. Phoenix se tornará um lugar inabitável, assim como partes de Beijing (deserto), Miami (elevação do nível do mar) e Londres (enchentes). A falta de alimentos fará com que milhões de pessoas se dirijam para o norte, elevando as tensões políticas. “Os chineses não terão para onde ir além da Sibéria”, sentencia Lovelock. “O que os russos vão achar disso? Sinto que uma guerra entre a Rússia e a China seja inevitável.” Com as dificuldades de sobrevivência e as migrações em massa, virão as epidemias. Até 2100, a população da Terra encolherá dos atuais 6,6 bilhões de habitantes para cerca de 500 milhões, sendo que a maior parte dos sobreviventes habitará altas latitudes – Canadá, Islândia, Escandinávia, Bacia Ártica.

Em entrevista para a Veja, em 2006, falando sobre seu livro A Vingança de Gaia, lançado naquele ano na Inglaterra, Lovelock brandia o apocalipse. O repórter, não por acaso um dos crentes no efeito estufa, queria saber quando o aquecimento global chegaria a um ponto sem volta. Respondeu o guru, com a convicção dos profetas:

- Já passamos desse ponto há muito tempo. Os efeitos visíveis da mudança climática, no entanto, só agora estão aparecendo para a maioria das pessoas. Pelas minhas estimativas, a situação se tornará insuportável antes mesmo da metade do século, lá pelo ano 2040.

- O que o faz pensar que já não há mais volta?
- Por modelos matemáticos, descobre-se que o clima está a ponto de fazer um salto abrupto para um novo estágio de aquecimento. Mudanças geológicas normalmente levam milhares de anos para acontecer. As transformações atuais estão ocorrendo em intervalos de poucos anos. É um erro acreditar que podemos evitar o fenômeno apenas reduzindo a queima de combustíveis fósseis. O maior vilão do aquecimento é o uso de uma grande porção do planeta para produzir comida. As áreas de cultivo e de criação de gado ocupam o lugar da cobertura florestal que antes tinha a tarefa de regular o clima, mantendo a Terra em uma temperatura confortável. Essa substituição serviu para alimentar o crescimento populacional. Se houvesse um bilhão de pessoas no mundo, e não seis bilhões, como temos hoje, a situação seria outra. Agora não há mais volta.

- O senhor vê o aquecimento global como a comprovação de que sua teoria está certa?
- O aquecimento global pode ser analisado com base na Hipótese Gaia, e, por isso, muitos cientistas agora estão se vendo obrigados a aceitar minha teoria.

Quem se viu obrigado a fazer meia-volta – quem diria? – e negar sua própria teoria, foi Lovelock. Como o planeta teimava em não aquecer-se, Lovelock confessou em abril do ano passado ter sido alarmista: "cometi um erro".

- O problema é que não sabemos o que o clima está fazendo. Pensávamos que sabíamos nos últimos vinte anos. Isto levou a alguns livros alarmistas – o meu inclusive – porque parecia óbvio, mas isto não aconteceu. O clima está fazendo seus truques usuais. Não há nada realmente acontecendo ainda. Já era para estarmos a meio caminho de um mundo tórrido. O mundo não aqueceu muito desde a virada do milênio. Doze anos é um tempo razoável... a temperatura permaneceu quase constante, enquanto devia ter-se elevado. O dióxido de carbono está aumentando, não há dúvida quanto a isso. 

Lovelock arrebanhou milhares de malucos no mundo todo que saíram a fazer campanhas para impedir a construção de barragens e hidrelétricas. Isso sem falar nos que condenavam a pecuária brandindo a flatulência das vacas como fator de aquecimento do planeta. Era tudo alarme falso. A retratação de Lovelock ocorreu há pouco mais de ano. Pelo que vimos nos jornais deste final de semana, a imprensa parece jamais ter tido conhecimento dela.

Com a morte do comunismo, uma outra religião laica tomou seu lugar. Lovelock via de um lado a emissão de gás carbônico (característica de países industrializados), desmatamento de biomas (característica também destes países), concentração de renda, consumismo e má distribuição da terra. De outro, a miséria e a exclusão humana. Traduzindo: militando no lado do Mal estão os países ricos. Os países pobres sofrem no lado do Bem. Se não me falha a memória, já ouvi essa tese. Data do século XIX, se bem me lembro. 

O homem que desenvolveu a tese absurda acabou por renegá-la. Ao IPCC isto tanto faz como tanto fez. Os neocomunas sabem – como também os antigos comunas sabiam – que curta é a memória das gentes. A imprensa continuará a bater na batida tecla como se nada tivesse acontecido.

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