terça-feira, 1 de outubro de 2013

Fins lucrativos, por Dora Kramer

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo


Como são 32 poderiam ser 320 os partidos brasileiros que o problema continuaria residindo no método e não na quantidade. As legendas são legais, mas não são em sua maioria legítimas. Ou, por outra, as regras legitimam o padrão da negociata que chegou aos píncaros do desassombro, como se vê nas declarações e movimentações dos capitães das duas mais recentes: PROS e Solidariedade.



Ambos, o ex-vereador/caixeiro viajante Eurípedes Júnior e o deputado/sindicalista Paulo Pereira da Silva, abriram os respectivos guichês assim que obtido o registro na Justiça Eleitoral, com desenvoltura assombrosa. Sobretudo pela aceitação dos métodos no mundo político: nenhum partido, parlamentar ou governante parece ter nada contra a comercialização explícita de prerrogativas partidárias e de benefícios públicos.

Ao contrário. Não obstante vários deles pertencentes às ditas siglas tradicionais teorizem sobre o absurdo dessas empresas de fachada, na prática se valem delas para acomodar seus interesses, bajulam os fundadores e fecham seus contratos sem a menor cerimônia, em meio a manifestações efusivas.

As mercadorias: controle regional da legenda, domínio do tempo de rádio e televisão e repasse dos recursos do Fundo Partidário a cada parlamentar cooptado conforme os votos teoricamente transplantados de um partido ao outro. Entre 40% e 50% é a parcela combinada.

Vamos aos fatos. Mal comparando, o que foi o mensalão senão a transferência de dinheiro às legendas que formariam a maioria do governo petista no Congresso mediante os instrumentos do PT no manejo do poder? O conceito é o mesmo, repetido nas barbas de todos com aval inclusive dos que se imaginam muito diferentes dos políticos condenados no Supremo Tribunal Federal.

O consumidor, no caso o eleitor/contribuinte/financiador da farra, fica sem defesa. Nem à Justiça pode recorrer porque saíram dos tribunais - Superior Eleitoral e Supremo Federal - as decisões que facilitaram a proliferação do comércio. Notadamente aquela que contrariou a lei que dá acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de televisão somente aos partidos já submetidos ao crivo das urnas e a outra que dá a novas legendas a prerrogativa de tornar inimputável a prática do troca-troca mercantil.

Hoje, qualquer um que detenha o controle da técnica e do tempo de coleta e validação das assinaturas necessárias ao registro pode criar um desses quiosques aos quais se dão indevidamente o nome de partidos políticos.

O defeito não está no número de legendas. Reside, isso sim, na concepção de que devam necessariamente ser financiadas e sustentadas por dinheiro público. Cortem-se as verbas e consequentemente haverá redução do interesse de se fundarem partidos ao molde de armazéns.

E como viverão eles? Ora, entidades de direito privado que são, virem-se como quiserem ou puderem. O Estado não tem, ou não deveria ter, obrigação de sustentá-los. Não há benefício democrático algum nessa maneira de se fazer as coisas. A liberdade de associação partidária está garantida pela Constituição.

A partir daí a maneira como cada força sobrevive é problema delas: que conquistem adeptos com suas ideias, que estabeleçam formas de arrecadação de dinheiro obviamente dentro da legalidade e partam para a disputa eleitoral nas condições criadas pela própria competência. Quem não tiver não se estabelece e ponto final.

A democracia brasileira não sairá por isso ferida. Ao contrário, pode começar a funcionar bem melhor. Isto já que da reforma política só se ouve falar quando algum escândalo aperta os calos de suas excelências, que até agora só demonstraram disposição de mudar as coisas para pior.

Devaneios de Coutinho sobre a ociosidade

João Pereira Coutinho, na Ilustrada da Folhahoje, defendeu o “direito ao ócio”, e condenou aqueles que querem transformar a Espanha em uma Alemanha. Diz ele:
Ironia: a única coisa que tolero em Karl Marx é, bem vistas as coisas, o genro. O nome do cavalheiro é Paul Lafargue e o seu “Direito à Preguiça” é texto que guardo junto à cama. Para ler e reler quando a ociosidade me ataca. Que nos diz Lafargue?
O óbvio: haverá coisa mais triste do que uma existência inteiramente dedicada ao trabalho? Sobretudo a um trabalho que nos escraviza e desumaniza?
[...]
Espanha, que trabalha em média 37 horas, prepara-se também para imitar o exemplo germânico. Como? Abolindo almoços longos. Abolindo a “siesta” depois do almoço. Abolindo jantares tardios. Abolindo a possibilidade dos nativos se deitarem tarde e de acordarem tarde. Em suma, abolindo Espanha.
Uma comissão parlamentar prepara-se para estudar todos esses “abusos” –os “abusos” que eu mais invejava em “nuestros hermanos”– de forma a produzir uma legislação laboral que transforme os espanhóis em alemães.
Meu Deus: haverá maior crime do que transformar um povo, qualquer povo, à imagem e semelhança da Alemanha?
Amigos liberais, que olham com ternura para as minhas idiossincrasias conservadoras, dizem-me que não há alternativa: a Europa tem que trabalhar mais para produzir mais e ser mais competitiva a nível global.
Curiosamente, eu não contesto a lógica do raciocínio. Apenas o que esse raciocínio diz sobre a nossa patética civilização.
Sim, o progresso tecnológico cumpriu-se. Não se cumpriu a libertação humana que Lafargue imaginava. Com diferentes trajes e cenários, continuamos as bestas de carga iguais às que era possível contemplar em plena Revolução Industrial.
Entendo perfeitamente o ponto de vista do colega conservador. Afinal, ele quer conservar toda uma cultura, um estilo de vida sem o qual os espanhóis deixariam de ser… espanhóis. Um espanhol que rejeita sua “siesta” sagrada já não é mais um legítimo espanhol, assim como um brasileiro que não liga para samba e futebol não é um legítimo brasileiro (ops, devo ser alemão e não sabia).
Também entendo que o louvor ao trabalho, e sempre mais trabalho, tem alguma coisa de fuga da vida, ao menos da vida contemplativa, em detrimento da vida activa do homo faber e do homo laborans (acabo de ler A condição humana, de Hannah Arendt, livro árido e denso onde ela trata desses assuntos).
Não chego a endossar a tese do “ócio criativo” do italiano Domenico De Masi, mas confesso tampouco endossar a visão que endeusa o trabalho como se apenas ele, e nada além dele, justificasse nossa existência. O que não pode ser entendido como elogio à vagabundagem, por favor. Voltaire tinha um ponto quando disse: “O trabalho afasta de nós três grandes males: o tédio, o vício e a pobreza”.
Dito isso, eis onde realmente divirjo do admirável Coutinho, se é que há divergência mesmo: os espanhóis não deveriam se moldar à imagem dos alemães, sacrificando com isso sua identidade; mas tampouco deveriam querer, então, desfrutar das riquezas que os alemães possuem.
Não querem abraçar a ética protestante do capitalismo? Preferem o estilo de vida latino, mais “caliente” e festeiro? Sem problemas. Desde que assumam a responsabilidade pelas consequências de tais escolhas. Ou seja, o que não dá é para escolher trabalhar pouco, descansar muito, e ter o mesmo padrão de vida dos alemães!
Estamos combinados?
Rodrigo Constantino

Os mais iguais, Coluna Carlos Brickmann

Num livro excelente, A Revolução dos Bichos, o irlandês George Orwell conta que os animais de uma fazenda, revoltados com a exploração a que eram submetidos, assumiram o poder, liderados pelos porcos. Seu lema: "Todos os animais são iguais". Com o tempo, os porcos viraram ditadores e mudaram o lema: "Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros".

No Brasil, todos são iguais perante a lei. Mas o desembargador maranhense Megbel Ferreira, condenado pelo Conselho Nacional de Justiça por favorecer uma empresa num acordo com a Prefeitura de São Luís, não levou nem multa: foi punido com aposentadoria compulsória, mantendo o salário integral. Revogou-se a maldição bíblica: o fora da lei ganha o pão sem o suor de seu rosto.

Não é caso único: o juiz Marcos Antônio Tavares matou a esposa, cumpriu pena, mas continua como juiz titular, com todos os vencimentos e vantagens, embora não possa exercer o cargo. O promotor que dirigia em excesso de velocidade, alcoolizado, na contramão, e provocou o desastre que matou uma família inteira, foi transferido de seu posto - só isso. E passou do Interior para a Capital.

Há a menina L.B., de 15 anos - mulher e menor. Foi posta na cela de uma delegacia com 20 homens, por 26 dias. Era previsível: sofreu mais de cem estupros. A juíza que a enviou para a cela masculina foi punida com aposentadoria e salário integral. Recorreu e ganhou. E exerce o mesmo cargo em outra comarca. 

Somos todos iguais perante a lei, mas há alguns que são muito mais iguais.

Nunca dantes...

Pergunta: quem é o deputado estadual mais faltoso de São Paulo? 

Resposta: o presidente nacional do PT, deputado Rui Falcão. Em 584 sessões, faltou a 187 - mais de 30%. Há outros faltosos contumazes espalhados por outros partidos: PSDB, João Caramez, Roberto Engler, Pedro Tobias; DEM, Milton Leite, Gilson Souza; PEN, Feliciano Filho; PMDB, Vanessa Damo; e outros, todos com mais de cem faltas. Mas ninguém chega perto do recorde de Falcão. O presidente nacional do PT abonou boa parte das faltas, 74, recebendo sem aparecer, alegando que trabalhava fora do plenário (embora muitas vezes estivesse a serviço do partido, fora do Estado). 

Já houve caso de deputados cassados por faltas (poucos) e, na prática, a punição é o não pagamento. Mas isso se contorna. 

Escolha os novos

Não gosta dos políticos atuais? Há novos candidatos para 2014: Emerson Fittipaldi, por exemplo, no PSB de Eduardo Campos. Bebeto do Tetra é o novo nome de Bebeto, que fez dupla com Romário (também candidato) em 1994. Há Valeska Popozuda, Adriana Bombom, Renata Frisson - a Mulher Melão - Tati Quebra-Barraco, Waguinho (Os Morenos), a ex-BBB Anamara, Viviane Araújo. 

As outras escolhas

O caro leitor pode optar por candidatos mais experientes. Lindberg Farias, do PT, sai para o Governo do Rio. Tem tarimba na Justiça: responde a 13 acusações no STF, de improbidade administrativa e corrupção passiva a formação de quadrilha e peculato. Há outro candidato inesperado: José Roberto Arruda, PROS, quer disputar o Governo de Brasília, de onde saiu preso em 2010 (seu mandato foi cassado pela Justiça Eleitoral). 

Um dos adversários de Arruda - aliás, o favorito - deve ser Joaquim Roriz, várias vezes impugnado como ficha suja.

Silêncio de ouro

Frase do presidente do IPEA, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, da qual bem poderia ter-se poupado: "Antigamente, o analfabeto pobre morria mais cedo. Agora, vive mais. Fica ali pesando na estatística da taxa de analfabetismo".

País rico é país sem pobreza. País alfabetizado é país em que analfabeto tem a gentileza de morrer logo para não pesar na estatística da taxa de analfabetismo.

No vai da valsa

O candidato do PT ao Governo de São Paulo, Alexandre Padilha, até dois meses atrás tinha domicílio eleitoral em Santarém, no Pará. O novo comandante do PMDB em Minas Gerais, Josué Gomes da Silva, provável candidato a vice-governador na chapa liderada pelo petista Fernando Pimentel, mora em São Paulo e é vice-presidente da FIESP, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. Padilha nasceu em São Paulo há 42 anos, e viveu os últimos 13 no Pará; Josué nasceu em Minas há 45 anos e viveu os últimos 24 em São Paulo. 

Mas os dois, com certeza, têm profunda ligação com os Estados onde nasceram.

Quarto de século

Para comemorar 25 anos da Constituição, o Congresso criou uma comenda, que será outorgada a cinco homenageados: Bernardo Cabral, José Sarney, Lula, Michel Temer e Nelson Jobim. José Sarney disse que a Constituição tornaria o país ingovernável. Lula votou contra o texto da Constituição, porque na época queria algo mais radical (mas, depois de aprovado, tanto ele quanto o PT o assinaram). Nelson Jobim contou, muito depois, que introduziu na Constituição itens que não foram votados. Ulysses Guimarães, que com Bernardo Cabral foi o motor da Constituinte, não terá a homenagem da comenda post-mortem.

Parabéns, senhores comendadores!

‘A herança maldita’, por Marco Antonio Villa

Publicado no Globo desta terça-feira
MARCO ANTONIO VILLA
O lulismo vai deixar sinais indeléveis no Estado brasileiro. E, pelo visto, deve permanecer no poder até, no mínimo, 2018. Inexiste setor do Estado em que não tenha deixado sua marca. A eficácia na tomada do aparelho estatal é parte de um projeto de manietar o país, de controlar os três poderes.
O grande empresariado foi se transformando em um dos braços do Estado. A cada dia aumentou sua dependência dos humores governamentais. Ter uma boa relação com o Palácio do Planalto virou condição indispensável para o sucesso. O empresário se tornou capitalista do capital alheio, do capital público. Para a burguesia lulista, nenhum empreendimento pode ter êxito sem a participação dos fundos de pensão dos bancos e empresas estatais, dos generosos empréstimos do BNDES e da ação direta do governo criando um arcabouço legal para facilitar a acumulação de capital ─ sem esquecer as obras no exterior, extremamente lucrativas, de risco inexistente, onde a empresa recebe de mão beijada, sem concorrência, como as realizadas na África e na América Latina.
A petrificação da pobreza se transformou em êxito. Coisas do lulismo. As 14 milhões de famílias que recebem o benefício do Bolsa Família são, hoje, um importante patrimônio político. Se cada família tiver, em média, 4 eleitores, estamos falando de 1/3 do eleitorado. A permanência ad aeternum no programa virou meio de vida. E de ganhar eleição. Que candidato a presidente teria coragem de anunciar o desejo de reformar o programa estabelecendo metas de permanência no Bolsa Família?
A máquina do Estado foi inchada por milhares de petistas e neopetistas. Além dos quase 25 mil cargos de assessoria, nos últimos onze anos foram admitidos milhares de novos funcionários concursados ─ portanto, estáveis. Diversamente do que seria razoável, a maior parte não está nas áreas mais necessitadas. Um bom (e triste) exemplo é o das universidades federais. Foi realizada uma expansão absolutamente irresponsável. Faculdades, campi, cursos, milhares de funcionários e docentes, para quê? Havia algum projeto de desenvolvimento científico? A criação dos cursos esteve vinculada às necessidades econômicas regionais? Foi realizado algum estudo das carências locais? Ou tudo não passou, simplesmente, de atendimento de demandas oligárquicas, corporativas e para dourar os números do MEC sobre o total de universitários no país?
Sem ter qualquer projeto para o futuro, foi acentuado o perfil neocolonial da nossa economia. Vivemos dependentes da evolução dos preços das commodities no mercado internacional ─ e rezando para que a China continue crescendo. Não temos uma política industrial. O setor foi perdendo importância. O investimento em ciência e tecnologia é ínfimo. A chamada nova economia tem importância desprezível no nosso PIB. A qualificação da força de trabalho é precária. Convivemos com milhões de analfabetos como se fosse um dado imutável da natureza.
A política externa amarrou o destino do Brasil a um terceiromundismo absolutamente fora de época. Nos fóruns internacionais, o país se transformou em aliado preferencial das ditaduras e adversário contumaz dos Estados Unidos. Abandonamos o estabelecimento de acordos bilaterais para fomentar o comércio. Enquanto o eixo dinâmico do capitalismo foi se transferindo para a região Ásia-Pacífico, o Brasil aprofundou ainda mais sua relação com o Mercosul. Em vez de buscar novas parcerias, optamos por transformar os governos bolivarianos em aliados incondicionais.
Entre os artistas, a dependência estatal foi se ampliando. Uma simples peça de teatro, um filme, um show musical, nada mais é realizado sem que tenha a participação do Estado, direta ou indiretamente. Ter bons relações com o lulismo virou condição indispensável para a obtenção de “apoio cultural”. Nunca na história republicana artistas foram tão dependentes do governo ─ nem no Estado Novo. E cumprem servilmente o dever de obediência ao governo, sem qualquer questionamento.
O movimento sindical foi apresado pelo governo. Os novos pelegos controlam com mão de ferro “seus” sindicatos. Recebem repasses milionários sem ter de prestar contas a nenhum organismo independente. Não vai causar estranheza se o Congresso ─ nesta escalada de reconhecer novas profissões ─ instituir a de sindicalista. A maioria dos dirigentes passou rapidamente pela fábrica ou escritório e está há décadas “servindo” os trabalhadores. Ser sindicalista virou um instrumento de ascensão social. E caminho para alçar altos voos na política.
O filé mignon do sindicalismo são os fundos de pensão das empresas e bancos estatais. Seus diretores ─ do dia para a noite ─ entraram no topo da carreira de profissionais do mercado financeiro. Recebem salários e bonificações de dar inveja aos executivos privados. Passam a conviver com a elite econômica. São mimoseados pela burguesia financeira de olho nos recursos milionários dos fundos. Mas ser designado para a direção do Fundo de Amparo ao Trabalhador é o sonho dourado dos novos pelegos.
Em meio a esta barafunda, não causam estranheza o ataque, o controle e a sujeição do Supremo Tribunal Federal à horda lulista. Os valores éticos e republicanos não combinam com sua ação política. Daí a necessidade de aparelhar todas as instâncias do Estado. E colocá-las a seu serviço, como já o fez com o Congresso Nacional; hoje, mero puxadinho do Palácio do Planalto.
Na república lulista, não há futuro, só existe o tempo.

China se rende cada vez mais ao capitalismo, por Rodrigo Constantino

A China inaugurou ontem em Xangai a primeira zona franca do país, projetada como um laboratório das reformas que o governo promete para reduzir a presença do Estado na economia e torná-la mais atraente aos investidores estrangeiros.
Além da livre conversão do yuan, a moeda chinesa, a zona franca de Xangai vai testar a adoção de taxas de juros determinadas pelo mercado e não pelo Banco do Povo da China (PBOC, o banco central chinês).
O plano inclui o relaxamento de restrições ao investimento estrangeiro e ao fluxo de capitais. Será reduzido o controle sobre 18 áreas do setor de serviços, de transações financeiras ao comércio marítimo.
Outros setores até agora sob forte restrição, em que empresas estrangeiras poderão operar na nova zona franca de forma experimental, são educação, saúde, assessoria legal e engenharia.
A expansão do setor de serviços é uma das prioridades do projeto de reformas do governo chinês, que busca aumentar o consumo nos próximos anos para depender menos de investimentos e da indústria exportadora.
Na cerimônia de abertura, 36 empresas ganharam licença para operar na nova zona franca, que cobre uma área de 28,78 quilômetros quadrados na periferia de Xangai.
Por ora, só dois bancos estrangeiros terão operações na área, Citigroup e DBS, de Cingapura.
Em um sinal da expectativa gerada pela nova zona franca, a mídia estatal chegou a compará-la com a primeira Zona Econômica Especial de Shenzhen, criada em 1980, que tornou-se um símbolo da pioneira abertura econômica inaugurada pelo então presidente, Deng Xiaoping.
A China comunista só conseguiu criar escravidão e miséria, como todo regime comunista. A partir da década de 1980, com o pragmatismo de Deng Xioping, uma série de reformas liberalizantes teve início, cedendo mais espaço para o mercado. O resultado está aí para todos verem.
Ainda há muito controle estatal, principalmente nos bancos. Nos último anos, após a crise, o governo recuou na abertura e liberalização, aumentando o poder das estatais. Agora está flertando novamente com mais capitalismo.
Somente um choque de mercado pode garantir um crescimento sustentável. O estado não tem condições de agir como um empreendedor eficiente, pois o mecanismo de incentivos não é adequado, e a informação não flui livremente via preços na economia.
Enquanto o governo Dilma controla cada vez mais a economia, a China comunista se abre mais e mais para a globalização capitalista. O capitalismo de estado do PT parece mais socialista do que o “socialismo” chinês!
PS: Claro que zonas francas não são o ideal sob o ponto de vista liberal, pois criam privilégios injustos. Basta pensar em Manaus. Mas não deixa de ser um passo importante do PCC testar essa zona de maior liberdade em seu quintal. Fechar-se para o capital estrangeiro ou dificultar sua entrada é a receita certa do fracasso.

Carta aberta a Marina Silva, por Rodrigo Constantino

Prezada Marina,
Venho por meio desta fazer um apelo: seja candidata! Antes de mais nada, é preciso deixar claro que tenho sido um crítico da Rede desde o começo. Escrevi umtexto explicando os motivos pelos quais eu não era enganado por seu discurso. E ainda outro, no GLOBO, acusando a Rede de demagogia.
As razões estão todas lá. Sem essa de que você não faz parte do establishment político. Você foi do PT por 30 anos e ministra de Lula. Além disso, vestiu literalmente o boné do MST, e conta com o apoio de gente como Leonardo Boff. O romantismo ecológico tampouco me comove. Isso já virou seita “melancia”: verde por fora, vermelho por dentro.
Dito tudo isso, reconheço em você a boa intenção de ajudar o pais, ainda que com os instrumentos que julgo equivocados. No mais, admito que há gente boa ao seu lado, como Eduardo Giannetti da Fonseca, e agora a aproximação crescente de André Lara Resende. Tenho visto seu discurso mais racional no campo econômico também.
Mas esse não é o foco dessa carta. Em poucos dias saberemos se seu partido poderá ou não participar das eleições de 2014. A burocracia eleitoral pode ter prejudicado seu projeto, e sei como é isso, pois estou ajudando no nascimento do Partido NOVO. Mas você já sabia disso antes, não?
Se o partido for rejeitado por falta de assinaturas reconhecidas nos cartórios, acho que as regras do jogo deveriam ser respeitadas. Pior do que sair candidata por outra legenda seria arrumar um privilégio para seu partido. A igualdade perante as leis já seria ignorada na largada.
Só que muitos dizem que você não pretende ser candidata por outro partido, não tem um plano B. Demétrio Magnoli chegou a sonhar com uma postura heróica sua, de se negar a participar das eleições para contestar o sistema. Não gosto da estratégia.
Talvez seja útil para você em 2018, fortalecendo ainda mais o mito de ser apolítica e diferente de tudo que está aí. Mas eis meu ponto: o país não tem mais 4 anos para perder ou retroceder com o PT! Há muito em jogo nessas eleições. Corremos o risco até de virar uma Argentina. Imagina se Dilma vence no primeiro turno!
E aqui faço o apelo: se eu tivesse um capital político de 20 milhões de votos, seria candidato até pelo PSTU só para garantir o segundo turno! Para você ter ideia da minha preocupação com mais 4 anos de PT, e entender o desespero só de imaginar uma vitória petista logo no primeiro turno. Triste Brasil, não merece isso.
Sua participação, pelo partido que for, é a garantia de segundo turno. Você é, afinal, a segunda colocada nas intenções de voto. Muitos eleitores querem uma alternativa ao PT e não parecem convencidos de que o PSDB é a opção menos pior. Discordo deles. Mas que ao menos tenham essa alternativa nas urnas!
Por pragmatismo individual, pode fazer sentido você pular fora se não tiver a Rede, e não aceitar outra legenda, para não ficar com a imagem de oportunista. Mas por pragmatismo patriótico, o que faz sentido é você engolir esse sapo, se necessário, e se candidatar pelo partido que for, ainda que o inexpressivo PEN.
Marina, se estivesse ao meu alcance o poder de evitar uma possível vitória do PT logo no primeiro turno, pode estar certa de que eu não deixaria o Brasil passar por essa desgraça. Pense no país. Seja candidata!

Oriente Médio: crise e esperança, Caio Blinder


Oriente Médio: crise e esperança

Dream Team
E lá vou eu falar da mesma coisa: crise e esperança no Oriente Médio. Mas, desta vez, não estarei sozinho. Mr. Blinder será parte de um dream team (nada como autoelogio “coletivo”), listado no cartaz acima. O dream team vai lotar o teatro Oi Casa Grande, no Rio, nesta terça-feira à noite.
dream team, ainda bem, não é completamente coordenado nas sacadas sobre a crise e esperança no Oriente Médio. Seria um pesadelo. Há divergências sobre os caminhos da região. Mas, estaremos ferrenhamente unidos na retranca e no ataque para denunciar a chaga do antissemitismo.
E o que eu vou dizer? Dá para antecipar meus apontamentos, que não são novidade para os leitores contumazes da coluna.
* Oriente Médio em crise não é manchete. O que impressiona é a volatilidade e a confluência destas crises. Uma velha ordem levou uma trombada de uma nova realidade graças à Primavera Árabe. Limitado ver o cenário de forma binária: déspotas tradicionais x islamitas, quando o mapa desenhado com o fim do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial ganha novas configurações. Existem zonas cinzentas e alianças improváveis (exemplo são os casos de Israel e Arábia Saudita no esforço comum para conter as ambições xiitas comandadas pelo Irâ com ambições nucleares ou liberais confusos indo de um lado para outro no seu espaço ainda exíguo)
* Existe uma retirada estratégica americana da região por fatores como cansaço de guerra, custo do envolvimento, menos dependência do petróleo e crescentes limites para controlar os eventos. Ilusão, porém, achar que os americanos podem deixar o Oriente Médio de castigo no quartinho enquanto saem por aí. Existem responsabilidades e perigos. Os EUA não podem abrir mão do seu papel de polícia do mundo. Sâo ossos do ofício.
* A Rússia é uma potência média que se aproveita bem dos vacilos e incompetência estratégica do governo Obama. Mas, me provoca até mal estar quando imagino (ou alguém imagine) que Vladimir Putin possa ser um paladino dos melhores interesses da civilização. Putin sustenta o regime genocida de Bashar Assad, que é patrocinado pelo Irã dos aiatolás e tem os capangas terroristas do Hezbollah a seu serviço. Jogo de quadrilha.
* Existem várias vertentes de oportunidades e oportunismos. A oportunidade escancarada é a mesma pergunta feita nos primórdios da Primavera Árabe: por que os habitantes da região não podem ter ou almejar o que a ponta-de-lança da civilização tem? A vida mais digna, mais liberdades individuais, uma convivência tolerável entre religiões, países, etnias, grupos e pessoas diferentes. Oportunismo está na diplomacia iraniana, com sua ofensiva de charme nuclear (que não deve ser simplesmente descartada, mas encarada com criatividade) ou na venalidade de um Bashar Assad que agora se apresenta como um campeão dos fracos e oprimidos.
* Israel existe e sobrevive em uma vizinhança perigosa. Agora são novos desafios ao lado dos familiares. No alerta de Yuval Diskin, ex-chefe do Shin Bet (a segurança interna), Israel precisa readquirir um senso de urgência na questão palestina, sem a fantasia de que ela possa ser “congelada”. O mapa é o mesmo: busca da solução de dois estados (Israel e Palestina). Sem ilusões: é o único caminho para que Israel prospere como um estado judaico, democrático e seguro.
Este jogo de crise e esperança no Oriente Médio vai longe, sem tempo regulamentar e regras fixas. Esperemos que o dream team seja novamente convocado.

Santos?

PAPA MORTO, SANTO POSTO. AINDA
QUE ACOBERTADOR DE PEDÓFILOS
 


Segundo os jornais de hoje, os papas João XXIII e João Paulo II vão ser canonizados em 27 de abril do ano que vem, conforme anunciou o papa Francisco em latim. "Fazer a cerimônia de canonização dos dois juntos é uma mensagem para a Igreja: esses dois são bons", declarou Francisco ao voltar da visita ao Brasil, onde participou da Jornada Mundial da Juventude, em julho passado.

Para a canonização, a Igreja exige normalmente dois milagres confirmados, embora Francisco tenha aprovado a de João XXIII - com quem partilha uma perspectiva reformista - baseado em apenas um. Francisco reconheceu um segundo milagre de João Paulo II, depois do parecer favorável da Congregação para as Causas dos Santos.

Se dois milagres – ou um – são necessários para fazer um santo, parece que integridade moral é perfeitamente dispensável. Canonizar João Paulo II, notório acobertador de pedófilos, foi desejo expresso por Bento XVI, outro acobertador de pedófilos.

Nos primórdios da Igreja, havia uma grande dificuldade para declarar santo algum crente. Pouco se sabia sobre ele. Hoje, a dificuldade é inversa: sabe-se demais sobre o candidato a santo. Antes de Francisco, Bento XVI já estava lutando pela beatificação de seu antecessor, João Paulo II. Vamos aos fatos.

Segundo The New York Times, o cardeal Joseph Ratzinger não fez nada para impedir em 1980 que um padre acusado de pedofilia retomasse o sacerdócio em uma outra paróquia na Alemanha. No final de 1979 em Essen, Alemanha, o padre Peter Hullermann foi suspenso após várias queixas de pais que o acusavam de pedofilia. Uma avaliação psiquiátrica ressaltou seus instintos pedófilos.

Algumas semanas depois, em janeiro de 1980, Ratzinger, que era na época arcebispo de Munique, dirigiu uma reunião durante a qual a transferência do padre de Essen para Munique foi aprovada. O futuro pontífice recebeu alguns dias depois uma nota na qual foi informado de que o padre Hullermann havia retomado o serviço pastoral.

Em 1986, o mesmo padre foi declarado culpado de ter agredido sexualmente meninos em outra paróquia de Munique, após a transferência para a cidade bávara. Em janeiro de 2011, novas acusações de pedofilia vieram à tona, envolvendo o início e o fim de seu sacerdócio. Segundo o jornal, "este caso é particularmente interessante porque ele revela que na época o cardeal Ratzinger estava em posição de lançar de processos contra o padre, ou pelo menos, de fazer com que não tivesse mais contato com crianças".

Nada fez. O futuro papa acobertou ainda abusos sexuais de um padre americano, Lawrence Murphy, acusado de ter abusado de 200 crianças surdas de uma escola do Wisconsin (norte dos Estados Unidos), entre 1950 e 1972. Segundo o jornal novaiorquino, o então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé abriu mão de iniciar os trâmites contra o padre acusado de ter abusado de crianças surdas.

Vamos a seu antecessor, o Karol Wojtyla, mais conhecido como João Paulo II. Além de notório acobertador de pedófilos - sobre sua mesa haviam-se acumulado acusações de pedofilia contra milhares de sacerdotes e também queixas pelo encobrimento desses delitos por alguns prelados nos EUA, Irlanda, Itália, Áustria e inclusive na Espanha - foi o grande protetor do sacerdote mexicano Marcial Maciel, o fundador dos Legionários de Cristo. 

Acusado de abusar sexualmente de mais de 20 seminaristas - incluindo os próprios filhos - Maciel teve filhos com várias mulheres e, como um outro santo moderno, o Martin Luther King, foi plagiador emérito: plagiou descaradamente o livro de cabeceira da legião, intitulado Saltério de Meus Dias, e impôs a toda a organização um quarto voto de silêncio para se proteger de denúncias. Um de seus antigos colaboradores o acusa inclusive de ter envenenado seu tio-avô, o bispo Guízar, que apoiou a bem-sucedida carreira eclesiástica do sobrinho no México dos anos 1930.

Deste santo senhor, temos fartas fotos sendo abençoado pelo papa João Paulo II, recebido em audiência especial no Vaticano (vide ilustração). Centenas de denúncias sobre o padre Maciel chegaram à mesa de Wojtyla. O papa as desprezou. Maciel enchia praças e estádios de futebol em suas viagens pelo mundo. Era merecedor da benção papal.

Verdade que Ratzinger o expulsou do Vaticano, obrigando o padre Maciel a levar "uma vida reservada de oração e penitência, renunciando a qualquer forma de ministério público". Punição no mínimo carinhosa para um notório pedófilo.

Maciel morreu em janeiro de 2008, no México. Segundo os jornais, Maciel não só teve aventuras amorosas, como em Madri vivia uma filha sua, com nome, sobrenome e um número concreto em luxuosos apartamentos na Calle de Los Madroños. A garota, já madura, chama-se Norma Hilda e fez um pacto de silêncio em troca de uma pensão vitalícia. Quem selou o acordo e cuidou de que a rocambolesca história acabasse aí foi o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone – recentemente ejetado da Santa Sé pelo papa Francisco - durante uma visita semioficial à Espanha. Ocorreu nos primeiros dias de fevereiro do ano passado. O dinheiro não foi obstáculo. Há décadas que em ambientes hostis o grupo de Maciel é conhecido com ironia como os Milionários de Cristo.

O cardeal Tarcisio Bertone é aquele impoluto senhor que, em fevereiro de 2010, afirmava ser necessário que os padres pedófilos reconhecessem "suas culpas, já que das provas pode surgir a renovação interior”. Na época do abuso sexual das 200 crianças surdas em Wisconsin, Ratzinger presidia a Congregação para a Doutrina da Fé e Bertone era seu vice. Oito meses depois da denúncia, cardeal Bertoni encarregou os bispos de Wisconsin de instruir um processo canônico secreto que teria podido levar ao afastamento do padre Murphy.

Bertone, segundo o NYT, encerrou o processo depois que padre Murphy escreveu pessoalmente ao então cardeal Ratzinger que não deveria ser submetido a processo porque estava arrependido e em precárias condições de saúde: “Quero simplesmente viver aquilo que me resta na dignidade de meu sacerdócio”, escreveu o padre, já perto de sua morte, o que ocorreu em 1998.

Se estava arrependido, não precisava levar a frente o processo. Não se tratou exatamente, no caso, de uma ação entre amigos. Mas de uma ação entre cardeais. Vai, meu filho, teus pecados te são perdoados.

Volto ao santo padre Marcial Maciel. A benção que lhe foi dada por João Paulo II desrecomenda qualquer santificação. Mesmo assim, Bento XVI quer beatificá-lo. Beatificar criminosos está se tornando norma no Vaticano. João Paulo II não beatificou aquela vigarista albanesa, Agnes Bojaxhiu, mais conhecida como madre Teresa de Calcutá, vigarista de alto bordo e apoiadora de ditadores como Envers Hodja e Baby Doc?

Um papa protetor de pedófilos quis santificar seu antecessor, outro notório protetor de pedófilos. Canonização está se tornando não uma ação entre amigos, mas um conluio de vigaristas. A Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana tem dias insólitos pela frente. Em seu hagiológio, poderemos ver um santo abraçando um pedófilo. 

Como papa santificar papa está virando rotina, o próximo candidato de Francisco será obviamente Ratzinger. Papa morto, santo posto. Ainda que acobertador de pedófilos.

Janer Cristaldo

PLANALTO MONITORA VISITAS DE AÉCIO PARA ESVAZIÁ-LAS

Aécio Neves (PSDB) é mesmo o candidato mais temido pela presidenta Dilma e pelo ex-presidente Lula, mentor de sua campanha à reeleição. Todos os movimentos de Aécio são monitorados pela “inteligência” da campanha do PT, incluindo discursos, entrevistas e sua agenda. Agora, as viagens do pré-candidato do PSDB sempre “coincidem” com a visita, à mesma cidade, de vários ministros prometendo mundos e fundos.

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