sexta-feira, 4 de outubro de 2013

De comunista a santa, por Janer Cristaldo

DE COMUNISTA A SANTA 


Há um temor difuso no país, o de que os evangélicos, com suas hostes que só crescem e que já constituíram uma bancada no Congresso, tomem, mais dia menos dia, conta do poder. Curioso observar que, não tendo conseguido registrar sua rede – nada de partido, gente fina é outra coisa – em tempo hábil para as eleições do ano que vem, todo mundo esquece que Marina da Silva é evangélica. Também se esquece que é comunista, nestes dias sem lógica em que se pode ser comunista e cristão ao mesmo tempo.

Marina parece também ter esquecido. Em entrevista à Veja da última semana de agosto de 2009, morena Marina evocava seu passado igrejeiro mas não disse nenhuma palavrinha sobre sua militância no Partido Revolucionário Comunista (PRC), ligado ao PT, sob o comando dessa figura impoluta da política nacional, o deputado José Genoíno. Como leio jornais todos os dias e jamais vi a moça renegar publicamente o marxismo, deduzo que marxista continua sendo.

O silêncio é boa estratégia. Por um lado, ostenta no currículo a adesão à doutrina dos amanhãs que cantam. Por outro lado, não a renegando, capitaliza a simpatia dos eventuais últimos camaradas que ainda restam.

Embora não aluda à sua militância no PRC – a palavra comunista virou palavrão – para bom entendedor a morena Marina deixa clara sua filiação ideológica: “Minha geração ajudou a redemocratizar o país porque tínhamos mantenedores de utopia. Gente como Chico Mendes, Florestan Fernandes, Paulo Freire, Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, que sustentava nossos sonhos e servia de referência. Agora, aos 51 anos, quero fazer o que eles fizeram por mim. Quero ser mantenedora de utopias e mobilizar as pessoas”. 

Com candidata que reivindica a influência desta gente, sai da frente. Após 30 anos de militância no PT, não encontrando espaço para suas ambições presidenciais, migrou para o PV. Mas sempre manteve suas simpatias pelo partido corrupto. Afinal, precisa de votos: “Os erros cometidos pelo PT foram graves, mas estão sendo corrigidos e investigados. Quando da criação do PT, eu idealizava uma agremiação perfeita. Hoje, sei que isso não existe. Minha decisão não foi motivada pelos tropeços morais do partido, mesmo porque eles foram cometidos por uma minoria”.

Seja como for, o PT não comete crimes. Apenas erros. Ou malfeitos, como diria Dona Dilma. Ou desvios, como gosta de dizer Tarso Genro ao referir-se ao comunismo.

Seu conceito de minoria é estranho. Os petistas todos estão afogados até o pescoço em suas falcatruas e no apoio a falcatruas alheias – vide a affaire Sarney – e a morena Marina fala em tropeços morais de uma minoria. Insiste em afirmar que não rompeu com o petismo. “De jeito nenhum. Tenho um sentimento que mistura gratidão e perda em relação ao PT. Sair do partido foi, para mim, um processo muito doloroso. Perdi quase três quilos”. Ora, se romper com a corrupção emagrece, desconfio que todo petista deve ter optado, como Lula, pela obesidade. Poder engorda.

Adelante! A ex-ministra do Meio Ambiente, que sempre opôs dificuldades à construção de hidrelétricas na Amazônia, particularmente as de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira, afirmou então que não era bem assim: “No Brasil, quando a gente levanta algum "porém", já dizem que somos contra. Nunca me opus a nenhuma hidrelétrica. O que aconteceu naquele caso foi que eu disse que, antes de construir uma usina enorme no meio do rio, era preciso resolver o problema do mercúrio, de sedimentos, dos bagres, das populações locais e da malária”. Ou seja, o Brasil precisará encontrar rios sem peixes fluviais se quiser desenvolver-se.

Agora vem o melhor. De católica-marxista fervorosa, Marina morena migrou para a Assembléia de Deus. Interrogada sobre se é partidária do criacionismo, em oposição ao evolucionismo, saiu pela tangente, como sempre sai: “Eu creio que Deus criou todas as coisas como elas são, mas isso não significa que descreia da ciência. Não é necessário contrapor a ciência à religião. Há médicos, pesquisadores e cientistas que, apesar de todo o conhecimento científico, crêem em Deus”. Ora, a Inquisição foi mais coerente. Mandou Giordano Bruno para a fogueira e humilhou Galileu Galilei. Marina quer conciliar o que não é conciliável. Atribui sua migração da Igreja Católica para a Assembléia de Deus aos metais pesados. 

“Para quem não tem fé, não há como compreender. Esse meu processo interior aconteceu em 1997, quando já fazia um ano e oito meses que eu não me levantava da cama, com diagnóstico de contaminação por metais pesados. Hoje, estou bem”. É mais uma dessas crentes curada por medicina de ponta que atribui sua cura ao deus bíblico. 

Marina migrou de partido em partido sempre em busca de um alvo, a Presidência da República. Com os vinte milhões de votos do pleito passado, deixou-se picar pela mosca azul. Não tendo conseguido registrar seu instrumento particular de acesso ao poder, faz suspense e só neste sábado decidirá se opta por um partido já constituído. Se faz suspense, é porque ainda não largou o osso. Se não, já teria dito que não aceita partido algum.

E aí surge o problema. Se aceita, a tal de Rede perde seu carro-chefe. Sete partidos nanicos, querendo pôr a mão em seu potencial de votos, oferecem sua legenda. Claro que o E.T. de Xapuri só anuirá se for cabeça de chapa. Sabe muito bem que se não aceitar, terá uma longa travessia no deserto até 2018. 

Aceitando, tem mídia garantida até as próximas eleições. De repente, não mais que de repente, alguma legenda vai trocar sua carta por um novo estilo em política, o evangelismo ecológico.

De comunista de carteirinha, Marina morena virou santa do dia para a noite. Dizia que a Rede de Sustentabilidade – estranho partido que se define com um heptassílabo indecifrável pelo eleitor comum – não tinha como finalidade sua candidatura. Neste sábado, veremos se é coerente ou hipócrita.

Polícia prende 25 agentes da Vigilância Sanitária. Ou: Entenda por que “seu” Lineu é exceção

Responsável por fiscalizar cem mil estabelecimentos da cidade, a Vigilância Sanitária da prefeitura abrigava uma quadrilha que exigia propinas de comerciantes. O grupo movimentava até R$ 50 milhões por ano, de acordo com investigações da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). Segundo denúncia do Ministério Público à Justiça, dos 30 acusados, 27 são fiscais do município — quase 10% do efetivo total do serviço —, dois são empresários e um é gari. Vinte e cinco funcionários do município foram presos nesta quinta-feira, durante a Operação Parasitas. A polícia apreendeu cerca de R$ 1,1 milhão em dinheiro com os acusados. Apenas com um deles, Luiz Carlos Ferreira da Abreu, de 57 anos, detido em casa, em Campo Grande, havia R$ 800 mil. Na residência de outro fiscal, o médico veterinário Adolfo José Wiechmann, foram aprendidas três espingardas.
Esse é apenas um caso que veio à tona. Todo mundo está cansado de saber que os fiscais achacam comerciantes com grande frequência. Muitos jogam no mesmo saco os corruptos e os corruptores. Erram o alvo. Precisam entender o que está por trás desse tipo de prática tão comum por aqui.
A premissa falsa: comerciantes são egoístas e insensíveis que só querem lucrar no curto prazo e não ligam para seus clientes, enquanto os fiscais são como o “seu” Lineu, da Grande Família, almas honestas e abnegadas que labutam diariamente pelo bem-geral.
Realidade: a maioria dos comerciantes pensa em seus negócios no longo prazo, pois isso aumenta o valor presente de seus ativos, e por isso precisam agradar os clientes e se preocupar com a imagem do estabelecimento, enquanto a maioria dos fiscais é de burocratas que enxergam nas infindáveis regras arbitrárias uma oportunidade para se vender facilidades ilegais aos comerciantes.
Quanto mais arbitrárias e complexas forem as regras, mais poder terá o fiscal para achacar os comerciantes. Quem pensa que os fiscais da Vigilância Sanitária acordam e dormem pensando em proteger os consumidores, enquanto os comerciantes acordam e dormem pensando em prejudicá-los, precisa rever seus conceitos urgentemente. Pura lavagem cerebral marxista, culpa daquele professor barbudo…
Agora imagine o estabelecimento que precisa cumprir umas 300 normas absurdas, incluindo distância X da cozinha até o balcão, luminosidade Y em cada canto etc. Não parece ao leitor que será muito fácil o fiscal encontrar alguma irregularidade, por menor que seja? Mesmo que não coloque absolutamente em risco algum os clientes?
Pois é. Agora o fiscal tem o poder monárquico de decretar o fechamento daquele estabelecimento, ou uma multa absurda. Ou… se o comerciante preferir, que tal uma cervejinha? Como o montante é menor, o comerciante opta por continuar vivo e trabalhando, servindo seu público, e o fiscal dá aquela engordada no seu salário. Alguns são bem ricos…
Solução: reduzir drasticamente a quantidade de regras, torná-las simples e objetivas, de forma a realmente proteger o básico de um atendimento higiênico e seguro, e deixar o mercado mais livre, confiando no julgamento dos próprios usuários, e não dos ungidos e abnegados fiscais da vigilância.
Afinal, para cada Lineu existem uns cem Mendonças!
RC

Médicos anunciam paralisação nacional na terça-feira



Médicos de todo o país planejam uma paralisação nacional na terça-feira, 8 de outubro. O anúncio foi feito nesta sexta-feira pelo presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Geraldo Ferreira. Segundo ele, a greve deve suspender os atendimentos ao Sistema Único de Saúde (SUS), aos convênios médicos e até mesmo a consultas particulares. Serão mantidos apenas atendimentos de urgência e emergência.


Os médicos protestam contra o texto final da medida provisória 621 (MP dos Médicos), aprovado na última terça-feira por uma comissão especial do Congresso. A nova redação retira dos Conselhos Regionais de Medicina a prerrogativa de emitir o registro provisório para os médicos do programa – a atribuição passou a ser do Ministério da Saúde. Segundo a Fenam, o programa federal Mais Médicos possui sucessivos equívocos e coloca em risco a segurança do atendimento à população.


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MP dos Médicos — A terça-feira foi escolhida por ser o dia da primeira votação do texto final da MP na Câmara dos Deputados. O relatório precisa ser votado na Câmara e no Senado até 5 de novembro para não perder a validade.


O texto final da MP deixou de fora as principais reivindicações da categoria médica, como a exigência da revalidação do diploma dos médicos graduados no exterior. Além disso, o Congresso aprovou a inclusão de uma medida que torna o Ministério da Saúde responsável pela emissão dos registros provisórios dos médicos estrangeiros — antes, a função cabia aos Conselhos Regionais de Medicina. .


(Com Estadão Conteúdo)

Sobre Marina

"Às vezes falha com operadora política, comete equívocos de avaliação estratégica e tática, cultiva um processo decisório ad hoc e caótico e acaba só conseguindo trabalhar direito com seus incondicionais. Reage mal a críticas e opiniões fortes discordantes e não estabelece alianças estratégicas com seus pares. " 
Deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ)

“A escuridão em si não me assusta, mas sim o que posso encontrar no meio dela.”(Mim)

Ortega y Gasset: a barbárie é a violência como “prima ratio”

Vendo até mesmo professores se juntando aos vândalos do Black Bloc aqui no Rio, sempre demandando mais com base na violência, resolvi reler vários trechos do magistral A Rebelião das Massas, do filósofo espanhol José Ortega y Gasset. Ele fez uma análise bastante acurada do fenômeno das “hiperdemocracias”, já visível em meados do século 20. Seguem trechos que merecem destaque:
Hoje, ao contrário, o homem médio tem as “ideias” mais taxativas sobre tudo quanto acontece e deve acontecer no universo. Por isso perdeu a audição. Para que ouvir, se já tem tudo de que precisa dentro de si? Já não é tempo de escutar, mas, ao contrário, de julgar, de sentenciar, de decidir. Não há questão da vida pública onde não intervenha, cego e surdo como é, impondo suas “opiniões”.
Quem quiser ter ideias precisa antes se dispor a querer a verdade e a aceitar as regras do jogo que ela imponha.
A barbárie é a ausência de normas e da possibilidade de apelação.
[...] um tipo de homem que não quer dar razão nem quer ter razão, mas que, simplesmente, mostra-se decidido a impor suas opiniões. Aqui está o novo: o direito a não ter razão, a razão da sem razão.
Quer opinar, mas não quer aceitar as condições e pressupostos de todo ato de opinar. Esse é o motivo de suas “ideias” serem efetivamente apenas desejos com palavras, como os romances musicais. Ter uma ideia é crer que se possui as razões dela e é, portanto, crer que existe uma razão, um mundo de verdades inteligíveis. 
Mas o homem-massa sentir-se-ia perdido se aceitasse a discussão, e instintivamente rejeita a obrigação de acatar essa instância suprema que se acha fora dele. 
O hermetismo da alma, que, como já vimos, empurra a massa para que intervenha em toda a vida pública, também a leva, inexoravelmente, a um procedimento único: a ação direta.
A civilização não é outra coisa senão a tentativa de reduzir a força à ultima ratio. Agora começamos a enxergar isso com extrema clareza, porque a “ação direta” consiste em inverter a ordem e proclamar a violência como prima ratio; a rigor, como única razão. Ela é a norma que propõe a anulação de toda norma, que suprime todo interregno entre nosso propósito e sua imposição. É a Charta Magna da barbárie.
O liberalismo – é conveniente que se recorde – é a suprema generosidade: é o direito que a maioria outorga à minoria e é, portanto, o grito mais nobre que já soou no planeta. Proclama a decisão de conviver com o inimigo, mais ainda, com o inimigo fraco.
A massa – quem diria ao ver seu aspecto compacto e multitudinário? – não deseja a convivência com o que não é ela. Odeia mortalmente o que não é ela.
Rodrigo Constantino

Agora foram longe demais. Não mexam com a esquerda caviar!

Era só o que faltava mesmo. Vereadores de São Paulo aprovaram projeto que proíbe a venda de fois gras! Vejam:
Os vereadores aprovaram nesta quinta-feira (3) um pacote com 38 projetos, dentre eles o PL 537, do vereador Laércio Benko (PHS), que “proíbe a produção e a comercialização de foie gras (patê de fígado gordo de ganso, iguaria típica da culinária francesa) e artigos de vestuário feitos com pele animal no âmbito da cidade de São Paulo.”
Pelo texto do projeto, aprovado em primeira votação, fica proibida na capital a produção e comercialização de foie gras, in natura ou enlatado, e a comercialização de artigos de vestuário oriundos de pele de animais, em estabelecimentos comerciais.
Em caso de descumprimento, o comerciante poderá ser multado em R$ 5.000,00. Em caso de reincidência, o valor dobra. O projeto para vigorar depende de aprovação em segunda votação pela Câmara e, depois, da sanção do Prefeito Fernando Haddad.
PHS? São 32 legendas, confesso que essa eu não conhecia, ou não lembrava. O que é? Partido da Higiene Social? Partido da Horta Sustentável? Partido da Horda Socialista?
Não é a primeira peripécia do vereador em relação a animais. Como lembra o blog do Estadão:
Benko apresentou o projeto logo após se envolver em outra polêmica. Umbandista, o vereador defendeu no plenário do Legislativo, no dia 7 de agosto, o uso de animais em rituais do candomblé. Ele criticou a proposta do deputado estadual Feliciano Filho (PEN), apresentada na Assembleia Legislativa no ano passado, que proíbe o sacrifício de animais em todo o Estado.
Contrário ao foie gras, Benko, porém, argumenta que não existe sacrifício, e sim a imolação dos animais “em religiões de matrizes africanas.” O parlamentar diz que são usados bodes e galinhas, e nunca animais como cachorros e gatos.
Ou seja, sacrificar galinhas para rituais do candomblé tudo bem, mas matar o ganso para comer seu fígado não pode. Contradição pouca é bobagem.
O que chama a atenção mesmo é até onde vão as leis produzidas por nossos políticos. Chegaram até os detalhes do nosso prato.
Outra tendência preocupante é que em breve os animais terão mais direitos que os seres humanos. São os malucos da PETA fazendo escola.
Por fim, gostaria de  mostrar indignação também porque, dessa vez, foram longe demais. Mexeram com a esquerda caviar! Tenho um amigo advogado que rejeitou o rótulo porque disse não gostar de caviar. Preferia ser chamado de esquerda fois gras. E agora?
Só falta os vereadores proibirem a venda de caviar! Antes que isso ocorra, sugiro que Chico Buarque organize o mais rápido possível um manifesto contra esse absurdo. A esquerda tem o direito de defender Cuba de suas luxuosas coberturas do Leblon, entre um gole de legítima champanhe e outro, para ajudar na degustação da fina iguaria.
Que proíbam frango à passarinho, vá lá. Que vetem rabada ou dobradinha, a gente até entende. Mas proibir a venda de fois gras é demais. Não mexam com a esquerda caviar!
RC

PORTO ALEGRE CULTUA ASSASSINO DILETO DE TARSO GENRO ,por Janer Cristaldo

De 1964 para cá, uma insólita mania tomou conta do país, o culto a assassinos como se fossem heróis. Desde Che Guevara a Lamarca, Marighela e Luís Carlos Prestes.

Leio na Zero Hora de hoje que está prestes a ser concluído, em Porto Alegre, o memorial de Luís Carlos Prestes. A inauguração está prevista para ano que vem. A gauchada, tão ciosa de suas tradições libertárias, passará a contemplar uma ode de Tarso Genro ao assassino stalinista.

Em 1935, Stalin enviou ao Brasil Olga Benario, uma apparatchik alemã, oficial do Exército Vermelho, junto com Arthur Ernest Ewert e mais uma vintena de agentes comunistas, com a missão de transformar o país em uma republiqueta socialista ao estilo de Moscou. Os anos 30 foram de grande excitação bolchevique, Stalin investia não só no Brasil mas também na China e na Espanha. Como marionete desta equipe vinha o gaúcho Luís Carlos Prestes, o grande herói das esquerdas tupiniquins - o ídolo de Tarso Genro - disfarçado como marido de Olga.

A título de curiosidade: o herói foi deflorado pela judia alemã aos 37 anos de idade. Alguém concebe o Cavaleiro da Esperança só conhecendo mulher já nel mezzo del camin di nostra vita? Curioso que tais anomalias a ninguém causem espécie.

Em 45, Jorge Amado – a prostituta-mor das letras nacionais, que antes de ser comunista foi nazista - é eleito deputado federal pelo Partido Comunista e publicouVida de Luís Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança, uma apologia ao líder comunista gaúcho e membro do Komintern. O panfleto, encomendado pelo Kremlin, foi traduzido e publicado nas democracias ocidentais e nas ditaduras comunistas, como parte de uma campanha para libertar Prestes da prisão, após sua sangrenta tentativa, em 1935, de impor ao Brasil uma tirania no melhor estilo de seu guru, o Joseph Vissarionovitch Djugatchivili, mais conhecido como Stalin. Para Amado, Prestes, é o “Herói, aquele que nunca se vendeu, que nunca se dobrou, sobre quem a lama, a sujeira, a podridão, a baba nojenta da calúnia nunca deixaram rastro".

Prestes preso, segundo o escritor baiano, é o próprio povo brasileiro oprimido: “Como ele o povo está preso e perseguido, ultrajado e ferido. Mas como ele o povo se levantará, uma, duas, mil vezes, e um dia as cadeias serão quebradas, a liberdade sairá mais forte de entre as grades. ‘Todas as noites têm uma aurora’, disse o Poeta do povo, amiga, em todas as noites, por mais sombrias, brilha uma estrela anunciadora da aurora, guiando os homens até o amanhecer. Assim também, negra, essa noite do Brasil tem sua estrela iluminando os homens, Luís Carlos Prestes. Um dia o veremos na manhã de liberdade e quando chegar o momento de construir no dia livre e belo, veremos que ele era a estrela que é o sol: luz na noite, esperança; calor no dia, certeza”.

Já que falo de falsas biografias, é bom lembrar a ode à Olga Benario, ópera de autoria de Jorge Antunes, apresentada em outubro de 2006, no Theatro Municipal de São Paulo. Santa Olga acabou morrendo em um campo de concentração. Sua extradição do Brasil e morte na Alemanha lhe conferiram uma aura de santidade e martírio. Quando na verdade nunca passou de uma bandoleira internacional, enviada por Stalin como segurança pessoal de Prestes. A moça mereceu inclusive uma hagiologia de Fernando Morais, escritor que vende sua pluma a quem paga melhor. Começou sua fortuna louvando a ditadura de Castro em A Ilha e continuou com Olga. Louvar o comunismo sempre rendeu bem no Brasil. Aliás, em todo Ocidente.

Getúlio Vargas, ao enviar Olga para a Alemanha, ficou como o vilão da história, embora Luís Carlos Prestes o tenha apoiado mais tarde, em sua candidatura à Presidência da República. Condena-se em Getúlio o gesto de tê-la entregue a Hitler, após um pedido de extradição da Alemanha nazista. O que se esquece é que Olga obedecia às ordens de outro grande assassino de judeus, Stalin.

Fora a estupidez da Intentona Comunista, Luis Carlos Prestes carrega nas costas o assassinato da irmã de um militante comunista, Elza Fernandes. Que, em verdade, chamava-se Elvira Cupelo Colônio e convivia com os comunistas que visitavam seu irmão, Luiz Cupelo Colônio. Aos 16 anos, tornou-se amante de Antonio Maciel Bonfim, secretário-geral do PCB, mais conhecido como Miranda. Presos os conspiradores de 35, Elvira – também conhecida como a “garota” – tornou-se suspeita de colaborar com a polícia e foi condenada à morte por um “tribunal revolucionário”, do qual participava Prestes. Ante a hesitação de alguns dos “juízes”, o Cavaleiro da Esperança é taxativo:

Fui dolorosamente surpreendido pela falta de resolução e vacilação de vocês. Assim não se pode dirigir o Partido do Proletariado, da classe revolucionária." ... "Por que modificar a decisão a respeito da "garota"? Que tem a ver uma coisa com a outra? Há ou não há traição por parte dela? É ou não é ela perigosíssima ao Partido...?" ... "Com plena consciência de minha responsabilidade, desde os primeiros instantes tenho dado a vocês minha opinião quanto ao que fazer com ela. Em minha carta de 16, sou categórico e nada mais tenho a acrescentar..." ... "Uma tal linguagem não é digna dos chefes do nosso Partido, porque é a linguagem dos medrosos, incapazes de uma decisão, temerosos ante a responsabilidade. Ou bem que vocês concordam com as medidas extremas e neste caso já as deviam ter resolutamente posto em prática, ou então discordam mas não defendem como devem tal opinião.

Elza foi estrangulada e teve seu corpo quebrado, com os pés juntos à cabeça, para que pudesse ser enfiado num saco e enterrado nos fundos da casa onde foi assassinada. Consta que um dos executores chegou a vomitar.

Amado, contra todas as evidências, nega a responsabilidade de Prestes na execução. Escritor a soldo de Moscou, era pago para mentir. É espantoso que, quase oitenta anos depois da Intentona, duas décadas após a queda do Muro, os gaúchos tenham de conviver com uma homenagem ao assassino que Tarso Genro cultua como herói.

Peso e medida, por Dora Kramer

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo


Se a vontade era de largar tudo, deixar o partido onde não tinha mais espaço e de novo disputar a Presidência da República desta vez pelo PPS, a racionalidade se impôs na decisão de José Serra de ficar no PSDB.

Pesados e medidos os fatores favoráveis e os desfavoráveis, a conclusão foi a de que para tentar derrotar o PT ele contribuiria mais para o reforço do time da oposição ficando e percorrendo o País com discurso crítico ao governo Dilma Rousseff.

Na realidade nua a crua não haveria vantagem em sair. Sem tempo suficiente de propaganda na televisão, com dificuldade de alianças e os obstáculos daí decorrentes para o financiamento da campanha, a possibilidade de ganhar era praticamente nula.

Além disso, se já era pequena a chance de Serra levar consigo outros tucanos ela deixou de existir quando a fusão do PPS com o PMN não deu certo. Parlamentares que deixassem o PSDB estavam arriscados a perder o mandato em função da regra da fidelidade partidária. Sair sozinho não faria sentido.

Com a agravante de que uma possível candidatura presidencial dividiria os votos oposicionistas e reduziria a chance de o PSDB ir ao segundo turno. Serra seria responsabilizado por isso, ainda que o senador Aécio Neves não caísse no gosto do eleitorado por outras razões.

O que os tucanos não dizem publicamente é que houve uma pressão pesadíssima para que ele não saísse. O discurso oficial era o da indiferença, mas a prática interna foi no sentido contrário: o de convencê-lo a ficar, emprestando potencial eleitoral e patrimônio profissional ao partido.

Isso em âmbito nacional, mas também e principalmente em São Paulo onde esse capital é tido como fundamental tanto para a reeleição do governador Geraldo Alckmin quanto como alavanca à candidatura de Aécio Neves.

José Serra, com tantas arestas e conflitos mútuos acumulados, participará efetivamente da campanha? Segundo aliados, precisa participar. Ao jeito dele e da maneira que considerar melhor para preservar espaços de atuação que haviam sido subtraídos e agora podem começar a ser retomados.

Por exemplo: nas pesquisas de opinião realizadas pelo PSDB, o nome de Serra deve ser incluído. Isso não significa que hoje existe a possibilidade de o partido trocar de candidatura. O nome continua sendo o de Aécio Neves.

Mas, como não se sabe o dia de amanhã e as pesquisas atuais não estão exatamente maravilhosas para as candidaturas de oposição, sempre existe uma possibilidade remota de alteração no jogo.

Essa "brecha" - por ora meramente hipotética - permite que Serra seja exposto no noticiário com mais destaque. Não por outro motivo o único acerto feito entre ele e Aécio nas tratativas que antecederam a decisão foi o de que não haverá oficialização da candidatura presidencial antes de abril ou maio de 2014.

Lenitivo. Um velho truque de governantes quando têm um grande problema difícil de ser resolvido é tomar uma medida que dê ao público a sensação de solução.

Assim atua o governo federal com a importação de médicos. A saúde pública continua precária, mas o que fica para a população é a ideia de que alguém fez alguma coisa. Alivia a alma e, ainda que não cure os corpos, rende votos.

Para todos. Na berlinda sobre a propriedade de sua aplicação em tribunais de última instância, os embargos infringentes necessariamente terão em algum momento de ser tema de debate no Supremo Tribunal Federal: continuam ou não a figurar no regimento interno?

Mas, na opinião de um ex-ministro do STF, o assunto terá ao menos de esperar o julgamento do mensalão mineiro. "Se não, vai parecer casuísmo".

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