terça-feira, 8 de outubro de 2013

Terceirização: o novo inimigo da esquerda caviar, por Rodrigo Constantino

Vejam o rápido vídeo abaixo:
Impressionante, não é mesmo? Dois ícones globais da esquerda caviar se prestando uma vez mais a fazer propaganda enganosa, repleta de sensacionalismo, tudo para condenar a racionalidade econômica e defender mais estado. Eis que a terceirização virou o novo bode expiatório da esquerda.
Aqui temos um resumo da proposta de lei.  A pergunta que nenhum ator global fará é a seguinte: por que tantas empresas precisam terceirizar a mão de obra cada vez mais, a ponto de gerar um projeto de lei para regulamentar a atividade?
Ao responder com sinceridade essa pergunta, o sensacionalismo da esquerda desaparece. A decisão de terceirizar é simples: o custo da contratação direta é proibitivo. Afinal, como todo empresário está cansado de saber, os encargos trabalhistas dobram o custo final do salário que o trabalhador recebe efetivamente.
São tantas “conquistas” legais que fica quase inviável manter o quadro de pessoal na íntegra. O passivo trabalhista é um problema sério em várias empresas. Até porque temos uma (in)Justiça do Trabalho com viés claramente marxista, que encara patrão como explorador.
Os trabalhadores americanos contam com bem menos conquistas legais, mas ganham salários bem maiores, pois são mais produtivos e há mais concorrência na economia. Mesmo os escandinavos, citados como sucesso do socialismo light, não gozam da ínfima parte que o trabalhador brasileiro em termos legais.
É que o brasileiro acredita que basta escrever no papel que vira realidade. Somos supersticiosos, acreditamos nos poderes milagrosos dos legisladores. E claro, ignoramos completamente as leis econômicas. O resultado está aí: salários menores e muita informalidade.
Wagner Moura, aquele que defende o PSOL, coloca a terceirização em pé de igualdade à escravidão. Desonestidade intelectual? Ou pura ignorância? Difícil saber. O que é mais fácil saber é que os filmes caros em que atua sem dúvida terceirizam muitos trabalhos. Afinal, para pagar aqueles enormes cachês os filmes precisam ter lucro.
A hipocrisia da esquerda caviar cansa, assim como a insistente defesa de bandeiras equivocadas. Wagner Moura e Camila Pitanga defendem uma coisa? Fique do lado oposto e quase sempre estará do lado certo!

ELES QUEREM UM ÓRGÃO EXTERNO PARA CENSURAR A IMPRENSA; EU QUERO QUE ESTA SE LIBERTE TAMBÉM DA CENSURA INTERNA DE MILICIANOS

Alguns, como posso chamar?, desafortunados das ideias — estou me tornando um rapaz de paciência — estão tentando torrar a dita-cuja com bobagens. Dizem que estou criticando a imprensa mais do que fazem aqueles seres trevosos, que recebem boladas das estatais e de gestões petistas para exercer essa tarefa, entre outras atribuições subterrâneas. Uma ova!
Pra começo de conversa, a minha crítica não divide a “mídia”, como eles chamam, entre “boa” (a que está “com a gente” — no caso, com eles…) e a “má” (a que está “contra nós” — também no caso, “eles”. Para dar sequência à conversa, os meus textos não integram um projeto de poder nem são expressões da luta partidária. Por aqui, só para dar um exemplo, até Dilma pode ser elogiada, como já foi (quando deu um chega pra lá na Corte Interamericana de Direitos Humanos por causa de Belo Monte…). Até Marina Silva pode ser elogiada, como já foi — quando acusou a tentação chavista do petismo. Escrevo o que quero, não o que decide o Comitê Central ou o Caixa Central.
Para continuar na mesma prosa, escrevo não porque queira censurar a imprensa, como eles querem, com o tal “controle” sei lá do quê. Ao contrário: eu pretendo uma imprensa — não chamo de mídia — ainda mais livre do que ela é hoje.
Livre do patrulhamento politicamente correto.
Livre da agenda dos supostos bem-pensantes.
Livre das milícias internas que impõem um clima de doce terrorismo em nome de suas noções particulares de justiça.
Livre das polícias de pensamento que se manifestam em nome da igualdade social, racial e de gênero; que militam em favor da diversidade cultural e de comportamento; que pregam em nome de um laicismo que se transforma logo em preconceito religioso; que transformam, numa inversão moral que só existe por aqui, o aborto num dos “direitos humanos”; que anunciam que a descriminação das drogas é o novo umbral dos direitos individuais.
Será que eu não quero debater nada disso? Ao contrário! Quero é debater tudo isso, e meu blog entra de peito aberto nessas coisas todas — parte do seu sucesso (desculpem-me os ressentidos, mas é um sucesso!) se deve justamente a isso.
O que não aceito, isto sim, é a interdição do debate. O que não aceito é que se travem os embates só entre pessoas que concordam. O que não aceito é que a crítica às cotas, por exemplo, seja considerada racismo. O que não aceito é que a igualdade de gêneros ou a tal diversidade sexual virem polícias de pensamento e de comportamento. O que não aceito é a derivação fascistoide das manifestações identitárias. E, infelizmente, boa parte da imprensa está hoje submetida a essas fúrias milicianas.
No caso dos protestos — e foi esse o motivo da minha crítica mais recente —, o meu alvo é o que chamo “reverência” ao espírito das ruas, qualquer que seja a barbaridade que de lá venha. Quem bota pra quebrar não é “manifestante”, mas vândalo, bandido, marginal. Quem leva coquetel molotov para atacar policiais e prédios públicos ou privados não está protestando, mas praticando um ato de caráter terrorista. Quem impõe a sua vontade, cerceando o direito de milhares de ir e vir, é só um autoritário que precisa ser contido pelas regras da democracia. E eu e muita gente, com efeito, estamos com o saco cheio de ver a violência programada ser chamada de “manifestação pacífica”.
É mentira a história contada a milhões de telespectadores segundo a qual o sindicato dos professores planejou uma manifestação pacífica e que a violência foi protagonizada por vândalos que nada tinham a ver com o protesto. Os black blocs marcharam junto com os sindicalistas, na mesma formação; eram uma ala da passeata. Da mesma sorte, em São Paulo, os mascarados das ruas eram apenas os homólogos dos mascarados que invadiram a marretadas a Reitoria da USP — estes convocaram a manifestação em suposta solidariedade aos professores do Rio. Critiquei e continuarei a criticar, enquanto achar pertinente, a submissão da imprensa à vontade dos vândalos.
Não houvesse outras diferenças entre mim e os seres trevosos, financiados com capilé oficial, anda haveria esta: ELES QUEREM SUBMETER A IMPRENSA À CENSURA DE UM ÓRGÃO QUE LHE É EXTERNO; EU QUERO QUE A IMPRENSA SE LIBERTE DE MILÍCIAS QUE FAZEM A CENSURA INTERNA.
E só para arrematar: como é que essa censura interna se dá? Decisões editoriais, que obedecem a critérios técnicos, logo ganham um viés ideológico e são vazadas por milicianos por intermédio das redes sociais. Com receio do que se vai dizer por aí, há chefias de redação, hoje, que estão sendo intimidadas por esses policiais do pensamento. E o que é pior: estão cedendo à pressão. Essa censura, em muitos aspectos, é ainda pior do que a outra porque insidiosa. Ceder a esse tipo de patrulha corresponde a admitir a existência de uma órgão externo de controle da imprensa. Trata-se de uma agressão a um dos pilares da democracia. Há muita gente equivocada por aí achando que pode dar os anéis aos trogloditas para preservar os dedos. Ocorre que eles não querem os anéis. Querem os dedos — só para começo de conversa.
Entenderam a diferença?
Por Reinaldo Azevedo

PEDRO LUIZ RODRIGUES- NA ARGENTINA É SEMPRE ASSIM, MUDA PARA FICAR IGUAL?

Na Argentina, as mudanças que de tanto em tanto ocorrem no tabuleiro político nacional compartilham de uma característica preponderante: são, quase sempre, resultado de disputas entre facções internas do Partido Justicialista, o PJ, conhecido nas ruas como Partido Peronista, incontestavelmente a principal força política do país.

Não surpreende, pois, que como a aproximação das eleições parlamentares de 27 de outubro (para a renovação de metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado), o grande debate não esteja se dando entre governo e oposição, mas entre peronistas favoráveis à Presidente Cristina Kirchner e aqueles que querem tirá-la da Casa Rosada.

Para o espectador desavisado a disputa entre peronistas M (de Sérgio Massa, prefeito de Tigre) e peronistas K ( de Cristina Kirchner) apresenta-se tão ferrenha quanto a disputa partidos situadas em extremos ideológicos opostos. No peronismo, porém, onde no fim todos querem e farão as mesmas coisas, bumbos, discursos inflamados e até mesmo alguns sopapos ocasionais dão forma e emoção ao ritual partidário de disputa pelo poder.

Diante de tal cenário, não há como deixar de vir à mente a conhecida declaração do personagem Tancredi, no Leopardo (Il gattopardo), de Tomasi de Lampedusa, sobre as mudanças na Sicília e a decadência da aristocracia local durante o Risorgimento. Para lidar com as pressões reformista, Tancredi, príncipe de Falconieri, dizia a seu tio, o príncipe siciliano Fabrizio Salinas: “algo precisa mudar que que tudo continue como está!”.

O Partido Justicialista é assim, levanta novos líderes e novas bandeiras – usualmente seguindo as trilhas populistas abertas por seu criador Domingo Perón – até que as inconsistências de seus programas de governo provoquem crises econômicas e sociais de grandes proporções. De repente, como se não tivesse nada com o assunto, o Partido aclama um novo líder e ressurge das cinzas, altaneiro.

Vez por outra, em momentos de urgência nacional, o principal partido de oposição, a União Cívica Radical chega ao poder (Alfonsín, 1983; Fernando de la Rúa, 1999). Mas a experiência desses últimos trinta anos é a de que o sempre majoritário PJ acabará por impedir a governabilidade e buscará retomar o poder. Foi o que aconteceu tanto com Alfonsín como com de la Rúa.

O PJ é autoritário, hegemônico, e seus líderes, quando chegam ao poder, consideram-se herdeiros pessoais de Perón. Tendem, inevitavelmene, a eternizar-se no poder. Em sua defesa argumentam de que nunca o PJ deu um golpe, e que só chegou ao poder pela via democrática e eleitoral.

Passaremos a acompanhar, nesta coluna, a trajetória do principal opositor de Cristina Kirchner, Sérgio Massa. Promete acabar com o autoritarismo da atual Presidente e dinamizar a economia. Vamos ver no que dá…

Política na veia

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo


A narrativa da tentativa de criar um partido a tempo de concorrer por ele à eleição de 2014 não foi das melhores, mas o desfecho ante a adversidade da recusa do registro da Rede foi um lance político admirável, como há muito não se via.

Inesperado, surpreendente, competente, pragmático no melhor sentido da palavra e feito em termos decentes, o acordo entre a ex-senadora Marina Silva e o governador Eduardo Campos dá um sacode geral nos preparativos para a campanha presidencial.

É cedo para dizer se de fato muda o cenário da eleição, mas sem dúvida alguma altera o quadro de acordos e a correlação de forças nesse período pré-eleitoral. Um movimento taticamente irrepreensível mais não seja por ter subvertido o previsível.

As maneiras adotadas devolvem um pouco de altivez à atividade política por pautadas em estratégia, identificação de propósitos e definição de um objetivo claro: derrotar os atuais condôminos do poder. Muito mais legítimo que o festival de chantagens e barganhas que tem conduzido conversas entre partidos. Nesse sentido, o acordo fechado na sexta-feira à noite é um ponto fora da curva no padrão lamacento em vigor.

Mostrou que Marina não se põe acima do bem e do mal como muitas de suas atitudes ao molde de maria santíssima levam a crer. Venceu a tentação da omissão e foi ao jogo sem abrir mão da coerência. Entendeu que quem tem voto precisa saber conferir materialidade a eles para além do terreno das boas intenções.

A aliança dificulta a vida do PSDB? Sem dúvida, mas esta já não estava fácil mesmo. Tem mais a perder quem dispõe de mais e se imaginava com a vida ganha. O PT, como atesta a entrevista do marqueteiro João Santana à revista Época desta semana, fazendo pouco dos adversários da chefe, Dilma Rousseff.

Segundo ele, a presidente será reeleita no primeiro turno devido a um fenômeno denominado por Santana de "antropofagia de anões". Mais que uma precipitação, a declaração mostra-se ofensiva ao falar em "anões". Na política, o termo evoca aquele grupo que nos anos 90 tomava de assalto a Comissão de Orçamento no Congresso e foi alvo de CPI que ceifou mandatos.

Do ponto de vista das pesquisas, Marina, Campos, Aécio Neves e José Serra podem ser tidos como nanicos em face da dianteira da presidente. Mas sob o aspecto político fazem movimentos na direção do fortalecimento do campo oposicionista.

A permanência de Serra no PSDB impede a fragmentação dos eleitores fiéis ao partido. A aliança entre Marina e Campos confere substância mútua e, portanto, importância, a uma alternativa.

Ela dá a ele potencial de capital eleitoral, a chancela do "novo". Ele agrega estrutura, expectativa de financiamento, passaporte ao Nordeste, densidade no quesito confiança administrativa. Um quê de tradicionalismo às vezes ajuda na compreensão da maioria ainda pouco afeita a modernismos.

Se essa receita vai resultar em êxito, é outra história a ser contada a partir de agora pela capacidade de articulação entre os grupos que se juntam, de conquistar adesões partidárias, de construir um discurso atrativo ao eleitorado, de firmar compromissos nítidos com a sociedade.

Não se pode, entretanto, subestimar a reação do governo. O ex-presidente Lula, tido como o mais esperto entre todos os espertos, levou uma volta de dois ex-aliados. Não vai se conformar nem medir esforços no contra-ataque que, ninguém se iluda, avizinha-se dos mais pesados.

Passe livre. Na conversa de sexta-feira à noite em Brasília, Eduardo Campos assegurou a Marina que o PSB não criará obstáculos à sua desfiliação do partido quando a Rede Sustentabilidade obtiver o registro na Justiça Eleitoral.

Passadas as eleições, bem entendido, porque antes disso a nova legenda não terá condições legais de participar de coligações eleitorais.

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Ser livre para ir e vir!Pela liberdade de expressão.Pela humanidade contra os pregadores da escuridão que assolam nosso mundo moderno.Democracia verdadeira sempre,não aquela de fachada que persegue quem não compartilha de suas idéias.