quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Cegueira de quem não quer ver tem outro significado,por Erico Valduga



Como rejeitar os fatos é impossível, pois eles impõem-se, a saída de políticos é negá-los, ainda que tenham de atravessar a fronteira da mistificação

SOMOS UM POVO DESMEMORIADO, mas não que nos faltem os neurônios relacionados à memória. Preferimos, simplesmente, não lembrar coisas das quais não gostamos, para não termos de reagir ante elas, como pessoas conscientes da sua condição de cidadãos, os que pagam a conta. Ocorre que os políticos, em especial os governantes, aproveitam-se dessa zona de conforto para construir as versões que lhes interessam sobre episódios acontecidos e registrados. Não importa que as afirmações contrariem os fatos, no todo ou em parte, e sim enunciá-las como se verdades fossem. O governador Tarso Genro deu um exemplo deste comportamento no programa Roda Viva, da TV Cultura, no dia 7, ao declarar que o homicida Cesare Battisti foi condenado sem provas pela Justiça da Itália, e que os mensaleiros petistas também foram condenados sem provas pelo Supremo Tribunal Federal.

O PROCESSO QUE VALEU AO ITALIANO cinco condenações (quatro por assassinato e uma por dano físico permanente, que obriga a vítima a usar cadeira de rodas o resto da vida) está repleto de depoimentos e elementos concretos de apuração que apontam a sua autoria. Só não tem o seu depoimento porque o criminoso fugiu (fugou, diria um policial crioulo) de seu país quando o julgamento começou; primeiro para a França, depois para o México, e finalmente para o Brasil, onde foi preso pela Polícia Federal por causa de passaporte falsificado, crime que poderá, ainda, levá-lo à extradição. Tanto é assim que a esquerda internacional não teve coragem de apresentar o caso à Corte Internacional de Justiça, em Haia.

QUANTO AOS PETISTAS CONDENADOS por corrupção, improbidade e formação de quadrilha, todo o julgamento foi acompanhado pela tevê. Amazonicamente claro. O então chefe da Casa Civil presidencial, José Dirceu, não foi quem autorizou, etapa por etapa, o suborno a deputados, para que votassem projetos do Palácio do Planalto? São mentirosos todos os depoimentos neste sentido à Polícia Federal e ao Ministério Público? O então presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, não engordou a sua conta bancária com receitas comprovadamente ilegítimas, e não mandou pagar milhões de reais ao publicitário Marcos Valério por serviços não prestados? É falsa a assinatura do deputado José Genoíno na contratação de empréstimos fraudulentos, e ele sabia disso, com o Banco Rural? Ora, governador, poupe-nos.

“O filho do Sérgio Buarque de Holanda quer proibir livros de história?”


Paulo Cesar de Araújo, autor censurado de 'Roberto Carlos em Detalhes', admira-se com a postura de Chico Buarque, desmente o compositor e afirma que a tese do Procure Saber é cópia da ação judicial contra sua obra


Cecília Ritto, do Rio de Janeiro





Chico Buarque dá entrevista a Paulo César Araújo (Arquivo Pessoal)


"Pois é. Sou processado pelo Roberto Carlos e, agora, vem o Chico Buarque contra mim. Não é fácil. São duas instituições nacionais"


Durante 15 anos, Paulo Cesar de Araújo procurou saber tudo sobre Roberto Carlos. Por 85 dias, de 2 de dezembro de 2006 a 24 de fevereiro de 2007, Roberto Carlos em Detalhes esteve nas prateleiras, até que o biografado, sem questionar o conteúdo, conseguiu na Justiça o recolhimento de todos os exemplares restantes. O ‘rei’ alegava direito à privacidade. Muito antes de Paula Lavigne emergir como guardiã do passado de seu ex-marido, portanto, Araújo, um apaixonado pela obra de Roberto, sentiu o peso da censura expressa pelos artigos 20 e 21 do Código Civil, usados para barrar as biografias não autorizadas no Brasil. O caso tornou-se exemplo máximo do que não se pode publicar, e fez do autor, merecidamente, uma sumidade no assunto. De todas as opiniões recentes que ouviu sobre a questão, a que mais o indignou foi a de Chico Buarque. “O filho de Sérgio Buarque de Holanda quer proibir livros de história? Quem acha que biografia é fofoca nunca leu uma na vida. Biografia é livro de história”, argumenta Araújo, jornalista e historiador.


Nesta quarta-feira, o Buarque filho, ao defender seu ponto de vista em um artigo na capa doSegundo Caderno do jornal O Globo, foi um pouco mais fundo, e acusou Araújo de mentir. O biógrafo de Roberto – que também tem lá sua admiração por Chico – se magoou, mas contra-atacou: em entrevista ao site de VEJA, ele assegura que entrevistou o compositor, e, como revelou o Radar On-Line, há registros do encontro, inclusive imagens. A entrevista com Chico aconteceu, segundo ele, na tarde de 30 de março de 1992. Na época ainda casado com a atriz Marieta Severo, na Gávea. Por quatro horas, a conversa foi gravada em fitas VHS, que, esta tarde, foram enviadas para conversão em formato DVD. Uma equipe da PUC-Rio acompanhou Araújo, então um aluno do curso de Jornalismo. "Pois é. Sou processado pelo Roberto Carlos e, agora, vem o Chico Buarque contra mim. Não é fácil. São duas instituições nacionais", disse, esta tarde.





Uma biografia futura de Chico há de trazer a história completa, bem como a posição do compositor em relação à obra de Araújo. “Pensei que o Roberto Carlos tivesse o direito de preservar sua vida pessoal. Parece que não”, escreveu Chico n’O Globo.





Para Araújo, há duas explicações para Roberto vetar o livro. Uma é o transtorno obsessivo compulsivo, o TOC, quase tão famoso quanto ele próprio. “Ele é obsessivo por controlar tudo à sua volta”, diz, na condição de especialista. A outra é a falta de intimidade do ídolo com os livros. Daí a revolta do biógrafo com a defesa da censura feita por Chico, Caetano Veloso e Gilberto Gil. “Chico e Caetano, a nata da MPB, que tiveram acesso à cultura, sabem o valor de um livro. Acho tudo isso espantoso”, afirmou.


Escrever biografias, como têm demonstrado os autores, não é exatamente uma forma de ficar rico. E dá muito trabalho. Nos 15 anos de pesquisa sobre Roberto Carlos, Araújo amealhou farto material, a ponto de produzir também o livro Eu Não Sou Cachorro Não, sobre a música brega. Pela conta do autor foram 175 entrevistas com personagens da música brasileira - de João Gilberto a Waldick Soriano; milhares de audições de registros de todo tipo, entre discos e gravações de programas de rádio; consultas a arquivos de televisão, jornais e revistas; viagens aos rincões do país atrás de arquivos pessoais de fãs. E conseguiu algo dificílimo até para os jornalistas mais experientes do mercado: entrevistou Chico


Roberto Carlos em Detalhes teve tiragem inicial de 30.000 exemplares. Em seguida, uma nova impressão de outros 30.000. O livro ia de vento em popa, mas a ação movida pelo biografado conseguiu recolher 11.000 deles, criando entre os fãs do mundo todo um mercado subterrâneo.


Os advogados do cantor utilizaram-se dos agora famosos artigos 20 e 21. O artigo 20 diz que a divulgação de escritos sobre uma pessoa pode ser proibida se atingir a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se for destinada a fins comerciais. Esse foi o principal argumento de Roberto Carlos. “O Roberto entrou com uma ação civil e outra criminal contra mim. Em uma frente ele pediu indenização e, em outra, a minha prisão por no mínimo dois anos. Ele pediu cadeia a um escritor de livros no Brasil”, diz Araújo, desde então, justificadamente ressentido com a ameaça vinda de quem mais admira.


Em 2012, a Associação Nacional dos Editores de Livros (Anel) impetrou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF) questionando os dois artigos. Diante da possibilidade de verem suas vidas contadas em livros sem autorização prévia, os integrantes do Procure Saber, como Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Djavan e, claro, Roberto Carlos, tomaram para si os argumentos que constam naquele processo.


Araújo leu e releu tudo de trás para frente. E afirma que o Procure Saber deve bastante aos advogados de Roberto. “O Procure Saber não inventou nada. Quando li os argumentos deles, pensei: ‘Já li isso em algum lugar’. Aí voltei ao processo e vi que estava tudo lá”, conta Araújo. A teoria de Djavan de que “editores e biógrafos ganham fortunas enquanto aos biografados resta o ônus do sofrimento e da indignação”, como escreveu em O Globo, foi um dos aspectos levantados por Roberto Carlos contra Araújo. “Mesmo que desse dinheiro fazer biografia no Brasil, isso é imoral e indigno. Primeiro, o Procure Saber disse que se tratava de uma questão de privacidade. Depois, que era um problema financeiro. Isso enfraquece ambas as reivindicações. Um biógrafo trabalha com temas. O meu foi Roberto Carlos. O dele já foi Jesus Cristo, por exemplo. O trabalho é meu, o esforço é meu. Ele foi apenas o meu tema e não tem direito sobre isso”, argumenta Araújo.


Os dois grupos – o Procure Saber e o de quem não tem nada a esconder – se preparam para uma audiência pública convocada pela ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, sobre a questão das biografias. Araújo estará lá, para, como faz há pelo menos seis anos, defender que as histórias de vida de pessoas públicas possam ser publicadas sem necessidade do consentimento do biografado. “O Roberto Carlos alegou que a história era um patrimônio dele e que eu me apropriei disso. Ou seja, ele me acusou de roubo. E, por isso, pediu a minha prisão. Se a história é uma propriedade particular, é porque consideram a história como um automóvel. Triste ver o filho do autor de Raízes do Brasil encampar isso”, diz, ainda sobre Chico.


Enquanto o lugar da biografia não autorizada de Roberto Carlos é na ilegalidade, Paulo Cesar Araújo continua a atualizar o banco de dados sobre o cantor. Se o STF aprovar a publicação, o livro voltará ao mercado. O sucesso de Esse Cara Sou Eu será incluído. E a faceta autoritária de Roberto Carlos também estará lá. “Em detalhes”, promete.

Mr. M faz nova mágica no Ipea, por Rodrigo Constantino

Marcelo Neri, ou Mr. M, já era o responsável por uma mágica incrível: colocar milhões de pessoas na classe média em velocidade espantosa. Está certo que é uma “classe média” favelada, com renda média que mal dá para chegar ao fim do mês colocando comida direito em casa. Mas assim, com um toque de varinha mágica, milhões de brasileiros entraram na classe média.
Agora Neri preside o Ipea, que nunca mais será o mesmo após a passagem ideológica de Márcio Pochmann. Muito bem: Neri lidera pesquisa que mostra o sucesso do Bolsa Família para reduzir a miséria no Brasil. A presidente Dilma logo aproveitou para comemorar e divulgar a pesquisa, tirando uma casquinha política. Diz a reportagem:
A presidente Dilma Rousseff comemorou, via Twitter, o resultado do estudo do Ipea, dizendo que o Bolsa Família tem efeito multiplicador da renda. “O @ipeaonline divulgou estudo mostrando quecada R$ 1 investido no #BolsaFamília gera aumento de R$ 1,78 no PIB do Brasil. O @ipeaonline comprova o efeito multiplicador de renda do #BolsaFamília por toda a sociedade. O Bolsa Família e o Brasil sem Miséria garantem que 36 milhões de brasileiros saiam da extrema pobreza”, escreveu a presidente.
Entenderam? Não há custo de oportunidade, não há aquilo que não se vê (Bastiat), não há, afinal, aquele que paga a conta! O governo descobriu a máquina de crescimento perpétuo, a alquimia que transforma chumbo em ouro. Basta o governo tirar de José e dar para Pedro, que há um efeito multiplicador na economia.
Claro que o buraco é bem mais embaixo. O PIB mede fluxo anual, e de forma bem imperfeita. É um instrumento keynesiano, que dá peso demais ao consumo. Se você tirar de um poupador e der para um consumidor, o PIB pode até subir mais naquele ano, mas quem, em sã consciência, pode celebrar isso? Só quem, como Keynes, pensa que no longo prazo estaremos todos mortos, então para o inferno com o amanhã!
Pois tirar de quem poupa e entregar para quem consome não gera crescimento sustentável nem aqui, bem na China. É pura transferência de riqueza, nada mais. E costuma punir o crescimento futuro, ao taxar os mais produtivos e distribuir aos menos produtivos. São aqueles que geram riqueza e emprego para esses ao longo do tempo.
Se a lógica da presidente estivesse correta, então o PIB iria “bombar” se o governo tirasse toda a renda dos brasileiros produtivos via impostos e distribuísse aos mais pobres. Um absurdo sem pé nem cabeça, que só pode fazer sentido para socialistas que acreditam que recursos brotam em árvores ou caem do céu.
Não caem. E como disse Thatcher, o socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros. Um dia acaba, se o governo sempre punir quem produz riqueza para distribuir benesses e ver o PIB aumentando (ou nem isso) no curtíssimo prazo. É uma mentalidade extremamente míope, endossada pela própria presidente, e respaldada, pelo visto, por pesquisa do outrora respeitável Ipea…

Fiocruz tem representante entre os criminosos presos nas “manifestações”, por Rodrigo Constantino

Não poderia ficar de fora, não é mesmo? A Fiocruz, cujo maior legado é manchar o legado de Oswaldo Cruz, tem um representante entre os presos das últimas “manifestações” no Rio. É o que nos conta o blog de Ancelmo Gois.
Entre as 182 pessoas presas durante os conflitos entre polícia e maifestantes no Centro do Rio, ontem, está o professor e pesquisador Paulo Roberto de Abreu Bruno, da Escola Nacional de Saúde Pública/Fiocruz. Segundo a entidade,ele tem como um dos principais objetos de estudo a pesquisa de movimentos populares urbanos. Desde junho, vem recolhendo material de campo e fazendo registro fotográfico das manifestações no Rio de Janeiro.  Paulo Bruno atua também no campo da saúde coletiva e ambiental tanto em comunidades indígenas amazônicas como em favelas.
O presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, pediu à chefe da Polícia Civil do Rio, delegada Martha Rocha, informações sobre o caso. A Presidência da Fiocruz, as direções da Ensp e da Escola Politécnica Joaquim Venâncio, unidades da instituição, e o Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz (Asfoc-SN) estão em contato com familiares e amigos para prestar solidariedade e apoio jurídico. Parlamentares foram acionados para prestar apoio. 
No início da noite de hoje, representantes do Departamento Jurídico da Asfoc-SN (Jorge da Hora e Fabio Kruger), acionados pela diretoria do sindicato, participarão de reunião no centro do Rio de Janeiro com advogados do Instituto Brasileiro de Direitos Humanos (IBDH) para entrar com medidas cabíveis para libertação dos presos. O IBDH vem monitorando as prisões feitas ontem à noite.
Pois é, meus caros. Pagamos um dos maiores impostos do mundo, em parte para financiar coisas como a Fiocruz, que tem colocado marxismo no topo de sua hierarquia, como já cansei de mostrar aqui. E agora temos isso: um representante, professor e pesquisador da entidade envolvido com criminosos, baderneiros, vândalos que atacam a polícia e quebram coisas nas ruas.
Qual a reação da Fiocruz? Alguma nota de repúdio pela participação de um dos seus nesses atos vergonhosos e criminosos? O afastamento do sujeito até a conclusão do processo judicial? Claro que não! A Fiocruz aciona seus tentáculos para ajudá-lo, defendê-lo, protegê-lo. É a Fiocruz Black Bloc agora? Que vergonha!

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