sexta-feira, 18 de outubro de 2013

‘Dilma e seu tripé de fantasia’, editorial do Estadão

Publicado no Estadão desta quinta-feira
Contra todos os fatos e evidências bem conhecidos no Brasil e no exterior, a presidente Dilma Rousseff negou haver abandonado o tripé da estabilidade econômica – as metas de inflação, a busca do equilíbrio das contas públicas e o regime de câmbio flutuante. Talvez a declaração, embora obviamente falsa, tenha sido feita de boa-fé, por desconhecimento do sentido próprio das palavras e dos fatos.
Segundo a presidente, a inflação tem ficado na meta e está sob controle, assim como as contas públicas. Só pessoas extremamente desinformadas poderiam levar a sério esse discurso.
A presidente abusa das palavras – talvez por inocência, convém admitir – ao falar sobre a inflação sob controle e “dentro da meta”. A meta é obviamente 4,5% e é esse o conceito usado pelo Banco Central (BC). A margem de dois pontos para mais ou para menos é apenas um espaço de tolerância, para ser usado em circunstâncias excepcionais. A inflação nunca esteve na meta, na gestão da presidente Dilma Rousseff, e ficará longe desse ponto ainda por uns dois anos, segundo projeções das autoridades monetárias.
Classificar como “sob controle” uma inflação anual na faixa de 5,8% a 6% ou é um sinal de absoluta desinformação ou configura uma tentativa bisonha de enfeitar um cenário muito feio. Não é fácil de escolher uma das duas possíveis explicações.
A defesa da política fiscal é igualmente inepta e chega a ser quase cômica. Os resultados fiscais, muito magros e cada vez piores, só têm sido alcançados com a participação crescente de dividendos pagos por estatais e com o recurso a truques contábeis conhecidos no Brasil e no exterior. Neste ano, prêmios pagos por empresas interessadas na exploração do pré-sal devem fortalecer o caixa do governo. Há meses a equipe econômica vem listando essa receita em suas projeções, numa demonstração de quase desespero diante da piora constante das contas públicas.
Além disso, mesmo os pífios resultados fiscais só têm sido apresentados, nos relatórios do governo, graças à famigerada contabilidade criativa, conhecida e tratada como tema de piada dentro e fora do País. Talvez a presidente seja pouco informada sobre esses detalhes. Ou talvez considere os comentários sobre o assunto meras demonstrações de má vontade e de pessimismo “adversativo”. Expressões como essa indicam formas peculiares de perceber e de avaliar o mundo.
A dívida bruta do setor público é também um claro indicador de uma política fiscal perigosa. Pelos cálculos do Fundo Monetário Internacional, a dívida pública brasileira está na faixa de 68% do Produto Interno Bruto (PIB), quase o dobro da média dos emergentes, em torno de 35%. Pelas contas oficiais brasileiras, a proporção é da ordem de 58% do PIB. Por qualquer critério, a situação é menos segura que a dos países da mesma categoria econômica.
Somados os principais componentes do quadro, o Brasil apresenta inflação mais alta, endividamento público maior e crescimento econômico menor que aqueles apresentados por muitos países emergentes e em desenvolvimento.
Mas o Brasil será em 2013 um dos poucos países com crescimento maior que o do ano anterior, disse ontem o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland. Com essa contribuição, o discurso oficial fica ainda mais engraçado. O secretário parece haver esquecido de um detalhe: no ano passado o PIB brasileiro cresceu 0,9%, depois de ter aumentado apenas 2,7% em 2011.
A presidente mencionou também as reservas internacionais, superiores a US$ 270 bilhões. Esqueceu de citar a deterioração das contas externas, com o saldo comercial próximo de zero e o déficit em conta corrente a caminho de US$ 75 bilhões – efeitos de um acúmulo de erros econômicos e diplomáticos.
Na terça-feira, a presidente declarou-se pouco interessada em eleições e dedicada só a governar. Mas suas atividades na terça e na quarta-feira, incluída a entrega de casas populares sem luz e sem água, são explicáveis só como esforços eleitoreiros. Em campanha constante, ela converteu o marketing político em plano de governo.

Quem nasce para lagartixa nunca chega a jacaré. Ou: Dilma quer ser a xerife dos preços durante a Copa

Quem nasce para lagartixa nunca chega a jacaré. E quem nasce escorpião, pica a rã mesmo que ambos afundem no rio. Ou seja, Dilma vai insistir até o último dia de seu governo – espera-se que em 2014 – nessa mania de controlar tudo de cima para baixo, como se fosse capaz de “consertar” as falhas de mercado com seu poder mágico.
A presidente resolveu criar um comitê para verificar os preços durante a Copa. O comitê terá a responsabilidade de monitorar hotéis, restaurantes, aeroportos e outros serviços turísticos das 12 cidades-sedes do país, informou a assessoria da Casa Civil.
“Não tabelamos, nem tabelaremos preços, mas nós não permitiremos abusos. Vamos utilizar todos os instrumentos à disposição do Estado para garantir a defesa dos direitos do consumidor, seja ele brasileiro, ou estrangeiro”, disse a ministra Gleisi Hoffman no comunicado oficial.
Ai minha úlcera! Ministra, presidente, quem cuida melhor dos direitos do consumidor é a livre concorrência! Quanto mais empresas competindo, maior a garantia de bom atendimento e menores preços para o consumidor. Será que ainda tem gente que realmente acredita que carestia é fruto da ganância de empresários, e não do ambiente econômico?
Gananciosos são todos, empresários, trabalhadores e, principalmente, governantes! Eis a pergunta: por que um empresário do ramo hoteleiro consegue cobrar os olhos da cara no Brasil, mas não nos Estados Unidos? E não é que tem gente que responde “porque o governo lá protege melhor os consumidores”? Que dureza…
Quer preços menores? Retire os obstáculos criados pelo próprio governo à livre concorrência! São eles que elevam as tarifas, não a ganância dos empresários – que não muda só porque atravessam a linha do Equador. Essa mania de controle de preços com a qual o governo Dilma flerta diariamente dá calafrios. Qual o próximo passo? Chamar os fiscais do Sarney? Isso que é progresso!
Caso alguém ainda não saiba, o termo “soviet” em russo quer dizer “comitê”. Quem tinha essa obsessão por criar comitês estatais para controlar tudo eram os comunistas da União Soviética. A Gosplan, só para se ter uma ideia, administrava mais de 30 mil preços com seus modelos econométricos.
Deu no que deu. Faltava até papel higiênico, como ocorre na Venezuela hoje, o socialismo do século 21. Socialismo é igual em todo lugar, em toda época. Seu resultado é sempre mais escassez, mercado negro e miséria. Tudo em nome do combate à ganância dos capitalistas. Quem nasce para lagartixa nunca chega a jacaré.

Sindicato da Fiocruz defende professor preso em flagrante,por Rodrigo Constantino

O sindicato da Fiocruz soltou a seguinte nota:
A Asfoc-SN convoca os trabalhadores da Fiocruz para um grande Ato contra a criminalização dos movimentos sociais que vem ocorrendo nos últimos meses, emmanifestações legítimas que acontecem principalmente no Rio de Janeiro, culminando na prisão arbitrária de diversas pessoas na passeata dos professores em 15 de outubro, na Cinelândia, incluindo a detenção do professor e pesquisador Paulo Roberto de Abreu Bruno, da Escola Nacional de Saúde Pública/Fiocruz.
Paulo Bruno tem como um dos principais objetos de estudo a pesquisa de movimentos populares urbanos. Atua ainda no campo da saúde coletiva e ambiental tanto em comunidades indígenas amazônicas como em favelas. Desde junho, vem recolhendo material de campo e fazendo registro fotográfico das manifestações no Rio de Janeiro.
O Ato tem concentração marcada para as 10 horas, na portaria da Avenida Brasil. Faremos uma manifestação pacífica na Passarela 6 e, em seguida, seguiremos para dar um abraço simbólico no Castelo.
É muito importante que os trabalhadores da Fiocruz se somem a essa luta. O Sindicato tem realizado diversas ações, tanto no campo jurídico quanto no político, na busca da libertação imediata dos detidos.
A Fiocruz virou mesmo um antro de comunistas! Pobre Oswaldo Cruz. Aliás, pela quantidade de comunistas raivosos que aparecem por aqui no blog para me xingar, vejo que acertei o alvo em cheio mesmo. É que essa turma detesta ser desmascarada…
Vamos lá: quem criminaliza os “movimentos sociais”? Eu poderia jurar que são aqueles membros dos tais “movimentos sociais” que… praticam crimes! Quando um demente joga um coquetel molotov em um policial, quem está criminalizando alguma coisa é ele mesmo, em ato criminoso. Quando um delinqüente quebra uma vitrine de uma loja, o criminoso é ele mesmo. Quando um invasor toma uma propriedade alheia, o crime é dele.
Enfim, esse papinho de “criminalizar movimento social” é conversa mole para boi dormir, coisa de gente que defende criminosos com verniz ideológico, ou seja, em nome da causa “nobre” os crimes estão liberados. A carta fala em manifestações legítimas. Quais? Aquelas ao lado de bandidos comuns dos Black Blocs? Ao lado de mascarados com pau, pedra e facas nas mochilas? Isso é manifestação legítima? Que piada!
Principalmente no Rio? Sei, e teria alguma coisa a ver com o fato de o governo atual ser oposição ao PT e aos radicais de esquerda, do PSOL e PSTU, infiltrados no Sepe e tudo mais? Por que será que o Rio tem sido o grande foco dessas “manifestações” criminosas? Fica a questão.
Prisão arbitrária? O que é isso? Quando o policial prende em flagrante um vagabundo que está tentando invadir um prédio ou jogar coisas na polícia? Temos tido é pouca prisão! Afinal, esses criminosos têm sido cada vez mais ousados em seus atos de vandalismo e violência, justamente porque contam com a impunidade. Alguns poucos vão presos, são fichados, e depois seguem de volta para sua casa confortável, sentindo-se o revolucionário jacobino.
Professor e pesquisador? E fazia o que junto com bandidos comuns que atacavam a polícia? Que companhias são essas? Por que foi enquadrado em quatro crimes diferentes? Ah, porque a polícia é fascista! Democratas são eles, os “anarquistas” que querem derrubar o “sistema” na marra, com o uso da força e da violência.
É lamentável ver em que se transformou a Fiocruz. É um tremendo papelão defender crimes em nome da ideologia comunista. Vão fabricar vacinas, ora bolas!

QUARENTA ANOS, por Alexandre Garcia



Meu amigo Sérgio lembra que em 1971, de traquinagem, quebrou o farol de um carro estacionado perto da casa dele. O pai soube, deu-lhe uma surra de cinta e o traquina nunca mais fez aquilo. Entrou para a faculdade e hoje é um profissional de sucesso. Em 2011 seu filho fez o mesmo, Sérgio reprisou a surra que levara, mas seu filho o denunciou e ele foi condenado à prestação de serviços comunitários. O filho caiu na droga e hoje está num abrigo para menores. Em 1971, o coleguinha mais moço de Sérgio sofreu uma queda no recreio, a professora deu-lhe um abraço e o menino voltou a brincar. Em 2011, outro menino esfolou-se no pátio da mesma escola, a diretora foi acusada de não cuidar das crianças, saiu na TV e ela renunciou ao magistério e hoje está internada, em depressão.




Em 1971, quando os coleguinhas de Sérgio faziam bagunça na aula, levavam um pito do professor, eram levados à direção e ainda sofriam castigo em casa. E todos se formavam prontos para a vida. Em 2011, a bagunça em sala de aula faz o professor repreendê-los, mas depois pede desculpas, porque os pais foram se queixar de maus-tratos à direção. Hoje fazem bagunça no trânsito e no cinema, incomodando os outros. Em 1971, nas férias, todos saíam felizes, enfiados num Fusca. Depois das férias, todos voltam a estudar e a trabalhar mais. Em 2011, a família vai a Miami, volta deprimida e precisa de 15 dias para voltar à normalidade na escola e no trabalho.




Em 1971, quando alguém da família de Sérgio adoecia, ía ao INPS, esperava duas horas, era atendido, tomava o remédio e ficava bom. Saía a correr, pedalar, subir em árvores de novo. Em 2011, os parentes de Sérgio pagam uma fortuna em planos de saúde, fazem exames de toda sorte, à procura de câncer da pele, pressão nos olhos, placas nas artérias, glicose, colesterol, mas o que têm é distensão muscular por causa de exageros na academia. Em 1971, o tio preguiçoso de Sérgio foi flagrado fazendo cera no trabalho. Levou uma reprimenda do chefe na frente de todos e nunca mais relaxou. Em 2011, o cunhado de Sérgio foi flagrado jogando xadrez no computador da empresa, o chefe não gostou e o puniu. O chefe foi acusado de assédio moral, processado, a empresa multada, o cunhado relapso foi indenizado e o chefe demitido.




Em 1971, o irmão mais velho de Sérgio deu uma cantada na colega loira de trabalho. Ela reclamou, fez charminho e aceitou um jantar. Hoje estão casados. Em 2011, um primo de Sergio elogiou as pernas da colega de escritório, foi acusado de assédio sexual, demitido e teve que pagar indenização à mulher das belas pernas, que acabou no psiquiatra.




Meu amigo Sérgio me pergunta o que deu em nós, nesses 40 anos, para nos tornarmos tão idiotas, jogando fora a vida como ela é. Dei a resposta: é a ditadura da hipocrisia imbecil do politicamente correto.


Alexandre Garcia é jornalista em Brasília e escreve semanalmente em Só Notícias

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