segunda-feira, 21 de outubro de 2013

LEILÃO DO PRÉ-SAL: os extremistas de esquerda devem estar decepcionados. O imperialismo americano NÃO ficou de olho em nosso tesouro. O imperialismo americano sumiu do leilão

Os energúmenos de sempre, o que em geral inclui também baderneiros e, naturalmente, os partidários de se reconstruir o Muro de Berlim, deveriam estar até satisfeitos com o primeiro leilão de exploração das reservas de petróleo de pré-sal do país, a do campo de Libra, na Bacia de Campos, no qual se estima haver entre 8 e 12 bilhões de barris do (ainda) “ouro negro”.
Afinal, apesar de todos os protestos e de mais uma greve de petroleiros — será que haverá desconto dos dias parados, ou eles ganharão de novo férias grátis? –, com o Exército nas ruas do Rio e tudo, a iniciativa privada, que é o motor do crescimento do planeta, ficou em minoria no consórcio vencedor, o único, aliás, que apresentou propostas.
Como já se sabe, quem venceu o leilão promovido pela Agência Nacional do Petróleo foi um consórcio formado pela própria Petrobras, detentora de 40%, as também estatais chinesas China Nacional Petroleum Company (CNPC) e China National Offshore Oil Corporation (CNOOC), com 10% cada uma — cabendo a duas empresas privadas, as gigantes anglo-holandesa Shell e a francesa Total dividir igualmente os 40% restantes.
O imperialismo americano ficou longe. Colossos como a ExxonMobil e a Chevron nem se interessaram pela disputa.
Como se sabe, os Estados Unidos estão nadando em colossais reservas de gás de xisto, desenvolveram uma tecnologia de exploração de petróleo dessas reservas e estão produzindo cada vez mais.
Como já escrevi recentemente — vale lembrar aqui –, graças ao petróleo bruto extraído de formações de xisto (um tipo de rocha encharcada de óleo), somente um dos 50 Estados americanos, Dakota do Norte, aumentou mais de dez vezes a produção desde que foi perfurado o primeiro poço, há nove anos — e hoje, com 900 mil barris POR DIA, Dakota do Norte supera dois dos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), o Equador e o Catar. Sozinho, as empresas privadas que atuam em Dakota do Norte tiram do solo diariamente quase a metade do que a Petrobras inteira.
O dramatismo dos demagogos: "a pátria é nossa", reza uma das bandeiras em manifestação no Rio antes do leilão (Foto: Agência Brasil)
O dramatismo dos demagogos: “Pátria Livre”, reza uma das bandeiras em manifestação no Rio antes do leilão, como se uma operação comercial que só traria vantagens para o país fosse contrária à liberdade (Foto: Agência Brasil)
A produção de petróleo dos EUA passa um pouco de sonoros 10 milhões de barris de petróleo por dia, mais do que sua produção anual do último quarto de século — são os dados oficiais de 2012, situando-se agora como o TERCEIRO PRODUTOR MUNDIAL. (A Rússia extrai 10,4 milhões de barris diários, e a Arábia Saudida, 11,7.) Os otimistas acham que o país caminha para a total autossuficiência em petróleo, e de deixar de depender de países instáveis do Oriente Médio ou da inimiga ideológica Venezuela para suprir sua demanda. Esse patamar ainda está distante, porque a economia americana devora diariamente 18 milhões de barris.
Algo me diz que os manifestantes contra o pré-sal, o pessoal do PSOL, os black blocs, os grevistas da Petrobras e muito mais gente ficou decepcionada: o imperialismo americano, ao que tudo indica, NÃO cobiça nossa preciosa riqueza — até porque o petróleo de xisto que está obtendo em seu próprio solo é muito mais barato do que o do pré-sal.
Sem contar que as reservas do pré-sal, sem dúvida alguma um tesouro para o Brasil, são muito pequenas em comparação ao potencial americano com o gás de xisto. O United States Geological Survey — agência de pesquisas e estudos sobre os recursos naturais do país, organismo do Departamento do Interior — divulgou há dias uma estimativa de que apenas na região mais rica em xisto do Estado do Colorado, Piceanse Basin, pode abrigar espantosos 1,52 trilhão de barris, uma reserva superior à de qualquer outro país
petroleiro do mundo e maior do que a soma de tudo o que têm os países membros da OPEP.
O imperialismo americano e sua suposta gula sobre nossas reservas sumiu. Cadê o imperialismo americano?
Ricardo Setti

Em que planeta vive Bresser-Pereira?, por Rodrigo Constantino

A esquerda tem a esperança, seguindo os ensinamentos de Goebbels, de que uma mentira possa se tornar verdade após muita repetição. Só posso pensar nisso ao ler o artigo de Bresser-Pereira na Folha hoje, uma vez mais batendo na tecla de que a crise de 2008 foi culpa do “liberalismo” e que a solução é o “desenvolvimentismo”. Diz o economista:
Terá sido essa crise suficientemente poderosa para modificar o capitalismo? Sim. A crise determinou o fim dos 30 Anos Neoliberais do Capitalismo (1989-2008).
Poucos continuam hoje a afirmar que o mercado é capaz de regular toda a economia com eficiência, e, portanto, que é recomendável tudo desregular, liberalizar, privatizar.
As teses liberais foram novamente desmentidas, e o liberalismo econômico foi mais uma vez desmoralizado, em conjunto com a teoria econômica neoclássica que lhe servia de legitimação “científica”.
No auge da crise ficou claro para todos que o Estado é a instituição fundamental de cada nação. Que nos momentos de crise, é com ele que a nação conta. Que a regulamentação e intervenção moderadas que pratica são fundamentais para o bom funcionamento da economia.
Se ao menos essas acusações tivessem algum elo com a realidade! O fato é que no epicentro da crise estavam setores bastante regulados, empresas de crédito imobiliário que mais pareciam estatais de tantas regalias e privilégios, o próprio governo estimulando o crédito para pessoas de baixa renda, e vários órgãos reguladores que deveriam cuidar da saúde financeira desses setores.
As impressões digitais do governo estavam em todas as cenas do crime! Já expliquei isso em maiores detalhes aqui. É impossível ter acesso a esses dados e insistir na tese de Bresser-Pereira, sem apelar para o má-fé ou sem ser vítima de profundo preconceito ideológico. Mas como fica claro, Bresser-Pereira coloca sua fé ideológica acima dos fatos, ou então não goza de honestidade intelectual.
O economista chega ao absurdo de afirmar que o grande problema da Europa é o euro, e não seu modelo falido de welfare state. Será que a Grécia estaria bem se tivesse o dracma e pudesse imprimir moeda à vontade? Será que a França precisa apenas desvalorizar sua moeda para ser mais competitiva, e não reformar suas leis trabalhistas absurdas e reduzir sua insana carga tributária?
Desenvolvimentistas como Bresser-Pereira pensam que tudo se resolve com desvalorização cambial e gastos públicos. Sofrem de estatolatria e não entendem como a economia realmente funciona. Vejam o grau de incoerência a que chega o autor:
Sem alarde, sem discursos ideológicos, o que vemos é o abandono do liberalismo econômico e o fortalecimento do desenvolvimentismo. Em lugar do agressivo laissez faire neoliberal, os Estados voltam a se preocupar em defender suas empresas e promover o desenvolvimento.
Os governos dos dois países onde nasceu o neoliberalismo –EUA e Reino Unido– decidiram promover sua reindustrialização, algo impensável há dez anos, quando se afirmava que o mercado se encarregava de alocar os fatores de produção de forma sempre ótima.
A Rodada Doha foi abandonada. As medidas de proteção comercial se multiplicam em todos os países.
Em primeiro lugar, o laissez faire neoliberal (sic) não nos dá o ar de sua graça há décadas! O patamar de intervenção estatal, mesmo nos Estados Unidos e na Inglaterra, é enorme faz muito tempo. Como alguém pode ignorar isso dessa forma escancarada?
Em segundo lugar, os EUA não está defendendo “suas empresas” para promover o desenvolvimento; o governo, é verdade, ajudou algumas empresas durante o auge da crise, sob críticas de liberais, mas já está se desfazendo das ações compradas, pois não pretende adotar um modelo de controle estatal da economia.
Vale notar que a grande revolução industrial americana tem se dado no setor de petróleo e gás, graças ao avanço tecnológico de fracking na exploração o shale gás, o que não tem absolutamente nada a ver com o papel do estado. Ao contrário: se dependesse do estado, energias alternativas é que estariam “bombando”. Mas a mão estatal produziu escândalos como o da Solyndra…
Por fim, como pode o economista celebrar o fechamento comercial em pleno século 21? Aplaudir medidas de “proteção” comercial é temerário e irresponsável. Foi essa escalada protecionista que afundou o mundo na década de 1930. Hoje, apesar de algum retrocesso na abertura comercial, os países têm evitado medidas mais drásticas, que Bresser-Pereira parece defender.
Todas essas besteiras proferidas por Bresser-Pereira deveriam ser simplesmente ignoradas, até porque seu legado de homem público liderando planos econômicos, convenhamos, não é dos melhores. Mas o fato é que essas ideias absurdas e equivocadas ainda encontram muito eco, especialmente em gente do governo, e estão em destaque o principal jornal do país. Só por isso precisam ser rebatidas e expostas como aquilo que representam: a eterna insistência no atraso, tão comum no Brasil.

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