terça-feira, 22 de outubro de 2013

Libra não foi um sucesso, por Erico Valduga



A Petrobras, que anda mal das pernas, acabou sobrecarregada e terá de ser socorrida pelo Tesouro de todos para que possa fazer a sua parte no pré-sal

O PRIMEIRO LEILÃO do pré-sal, o “bilhete premiado” de Dona Dilma, não foi um sucesso, como sugerem o Palácio do Planalto e adjacências, porque não houve disputa. E sem disputa prevaleceu o preço-base, o mínimo. Pode-se desconfiar, até, que o único consórcio a apresentar proposta foi arranjado à última hora, ante a possibilidade, tenebrosa do ângulo político e negada previamente pelo ministro Edison Lobão (Minas e Energia), de não haver leilão por falta de disputantes.

O QUE TERÁ ACONTECIDO, a provocar a redução de interessados, primeiro de 40 para onze, e, no final, para somente um, em consórcio resultante da associação da estatal Petrobras (40% de participação) com as estatais chinesas CNPC (10%) e CNOOC (10%), com a semiestatal francesa Total (20%) e com a anglo-holandesa Shell (20%), esta a única representante das grandes empresas privadas que atuam na área petrolífera internacional? Uma hipótese: o petróleo extraído com alto custo, como é o caso, deixou de ser um bom negócio, como pareceu ser em 2010.

NÃO FOI UM SUCESSO, também, por existirem muitas dúvidas sobre a capacidade real de investimento da Petrobras, que está com R$ 174 bilhões de dívidas e ainda terá de desembolsar cerca de RS 72 bilhões em investimentos até 2020, correspondente à sua parte nos R$ 180 bilhões do custo do projeto de Libra, na estimativa do ministro Guido Mantega (Fazenda). A quantia prevista, prezados leitores, equivale a uma vez e meia o valor do Orçamento do Rio Grande do Sul para 2014. Mais os R$ 6 bilhões (uma vez e meia o Orçamento de Porto Alegre no próximo ano), que passou a dever no bônus de assinatura.

MAS A EXPECTATIVA é que o óleo (gás, não) finalmente sairá do mar para a refinaria, como nós, os cidadãos, temos o direito de esperar. A lástima é que, por incompetência, o governo da União tenha demorado tanto para definir o projeto, ao ponto de, para poder executá-lo, ter ampliado a participação no negócio da estatal brasileira, que comemora 60 anos com o mote “Uma história inspirada em você”. Quer dizer, nós, os pagadores, donos do Tesouro da República, que fatalmente será sobrecarregado, em prejuízo dos serviços públicos essenciais, para que a Petrobras possa fazer a sua parte. Não é apenas inspiração, ficou claro.

O submarino nuclear de Nelson Jobim foi dispensado de proteger o leilão do pré-sal

Augusto Nunes
Em 28 de agosto de 2008, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, resolveu animar os festejos do Dia da Independência com uma frota formada por um submarino nuclear e quatro convencionais (mas também moderníssimos), todos fabricados em parceria pela França e pelo Brasil Maravilha. Só faltava assinar o acordo com o presidente Nicolas Sarkozy, que visitaria o país para deslumbrar-se com o Sete de Setembro em Brasília.
“Entre as principais missões da Marinha, contidas na Estratégia Nacional de Defesa, encontra-se a defesa das plataformas petrolíferas e das áreas do pré-sal”, explicou Jobim, caprichando na pose de chefe civil das Forças Armadas. Se os submarinos de Jobim nunca deram as caras em águas brasileiras, não foi por falta de aviso. “O Brasil precisa se preparar do ponto de vista militar”, reincidiu em abril de 2011.”Com o petróleo do pré-sal, o país vai ser um alvo do terrorismo”.
Passados dois anos e meio, o almirante honorário se foi, a frota franco-brasileira não está pronta e o  inimigo imperialista nunca foi visto por aqui. Se é que andaram espionando as jazidas que Lula promoveu a Dádiva de Deus, os ianques não viram nada que valesse uma guerra no Atlântico. Não viram sequer alguma coisa que justificasse a  presença de empresários de petrolíferas dos EUA no leilão desta segunda-feira, realizado no Rio.
Sem marines por perto, a Marinha brasileira, ainda sonhando com maravilhas nucleares, foi dispensada de combates navais. Sobrou para o Exército, convocado por Dilma para proteger as jazidas do pré-sal não da cobiça dos gringos, mas do terrorismo dos black blocs. O petróleo vai ser meio chinês. Os terroristas e os idiotas são nossos.

Procure pensar

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo


Na política costuma-se dizer que quando os fatos criam pernas as pessoas perdem a cabeça. Pois é o que ocorre na polêmica das biografias.

Muitas análises consistentes e ponderadas foram feitas em reação ao grupo Procure Saber, defensor da manutenção do artigo do Código Civil que dá a biografados e herdeiros o direito de impedir a circulação das obras.

Inúmeros, no entanto, foram os desaforos dirigidos a Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan e Paula Lavigne, coordenadora do movimento. Exclui-se daí o detonador da bomba, Roberto Carlos, porque ele age como o ex-presidente Lula da Silva: na hora do aperto some e faz de conta que não é com ele; nada sabe, nada viu, nada diz.

Troca de insultos não é discussão. É cabeça perdida, é evasão de impulsos (primitivos). De onde Paula Lavigne perdeu a razão em seu apelo à civilidade quando a perdeu no trato com a jornalista Bárbara Gancia no programa Saia Justa. Bárbara argumentava, Paula quis ferir.

O referido artigo não fala apenas de biografias. Vejamos pelo texto o alcance da coisa. "Salvo de autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais".

Convido o senhor e a senhora a lerem de novo, com a calma que faltou aos nossos grandes artistas e à empresária que atua como porta-voz, a fim de perceber que não estamos falando exclusivamente de biografias.

Toda pessoa que se sentir atingida de alguma forma por "escritos", "transmissão de palavra" ou exposição de "imagem" pode requerer a interdição de divulgação. Por essa lei, os acusados no processo do mensalão poderiam ter pedido à Justiça a proibição de quaisquer notícias sobre o assunto dado que ao juízo deles obviamente isso lhes atingia a "boa fama" e a "respeitabilidade".

O mesmo serve a todo personagem de noticiário desfavorável. Também pode ser invocado por gente citada em letras de músicas, propagandas, romances baseados em fatos reais, aplica-se a toda gama de manifestação artística, cultural, jornalística, cotidiana.

Se a Justiça iria acatar tal pedido é outra história, mas o instrumento está ali e a ele dá-se o nome de censura; não há outro. Quando não aceitam ser chamados de censores os integrantes do Procure Saber têm razão. Certamente não os motivou o desejo de interditar a livre manifestação.

Faltou discernimento e sobrou açodamento a seus autores. Não avaliaram corretamente a seara em que entravam nem examinaram com o devido tirocínio o alcance da "causa" nem imprimiram estratégia aos movimentos.

Resultado: um tiro no pé. A questão não despertava maiores interesses. Tanto que quando o artigo foi incluído na reforma do Código Civil, em 2002, não se viu essa celeuma. Um projeto para na prática revogá-lo tramitava vagarosamente na Câmara e uma Ação de Inconstitucionalidade contra a proibição se arrastava no Supremo Tribunal Federal desde 2011.

Agora o tema passou a ocupar o espaço das prioridades em ambas as instâncias, ultrapassou a fronteira do interesse de editoras e escritores, o engajamento das celebridades o fez ganhar dimensão e, embora não tenha sido esse o objetivo, renovou o compromisso da maioria das vozes abalizadas com a liberdade de expressão.

Os desvios, como assentou o STF na derrubada da Lei de Imprensa, ficam ao encargo do Código Penal.

De métodos. Durante 16 dias o governo americano esteve sob o risco de calote por força da ação da oposição e não se ouviu falar na distribuição de cargos, afagos ou beijos para resolver o problema.

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