sábado, 26 de outubro de 2013

‘No setor externo, um desastre made in Brazil’, de Rolf Kuntz

Publicado no Estadão deste sábado

ROLF KUNTZ

A presidente Dilma Rousseff deve terminar o ano com mais um troféu econômico, o pior resultado das contas externas em mais de uma década — exportações estagnadas, importações em alta e um enorme buraco na conta corrente do balanço de pagamentos. Nos 12 meses terminados em setembro o déficit na conta corrente chegou a US$ 80,51 bilhões, equivalentes a 3,6% do produto interno bruto (PIB), informou nesta sexta-feira o Banco Central (BC). No relatório recém-divulgado foram mantidas as projeções para 2013: saldo comercial de US$ 2 bilhões, déficit em conta corrente de US$ 75 bilhões (3,35% do PIB) e investimento estrangeiro direto de US$ 60 bilhões. Alguma melhora será necessária, portanto, para se chegar ao fim de dezembro com o cenário estimado pelo BC. Um quadro mais positivo, neste e no próximo ano, dependerá principalmente de uma recuperação da balança comercial e nesse quesito o País continua muito mal.



A exportação rendeu neste ano US$ 192,59 bilhões até a terceira semana de outubro, 1,1% menos que no ano passado em igual período. A importação consumiu R$ 193,19 bilhões, 8,7% mais que um ano antes, segundo os dados oficiais. O saldo acumulado em quase dez meses, US$ 605 milhões, só foi possível graças ao resultado favorável obtido nas três primeiras semanas do mês, um superávit de US$ 1 bilhão. Mas esse resultado embute uma exportação meramente contábil de uma plataforma de petróleo no valor de US$ 1,9 bilhão. Outras plataformas foram contabilizadas nos meses anteriores, mas foram sempre vendas fictícias, vinculadas à concessão de benefícios fiscais.

Se esses números fossem eliminados, o quadro do comércio exterior brasileiro, já muito feio pelos números oficiais, seria bem menos favorável. Para acertar as contas seria também preciso, poderiam dizer os mais otimistas, eliminar as importações de combustíveis efetuadas em 2012 e registradas só neste ano graças a um arranjo especial da Petrobrás. É verdade, mas é indispensável lembrar uma diferença entre essas compras e as vendas de plataformas. Estas só ocorreram na contabilidade, mas as compras de combustíveis foram realizadas e seria necessário incluí-las nos cálculos em algum momento. Se tivessem entrado nas contas do ano passado, o superávit comercial teria ficado bem abaixo dos US$ 19,41 bilhões divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Se as projeções do BC estiverem corretas, o Brasil vai faturar neste ano US$ 241 bilhões com as vendas ao exterior. O gasto com produtos estrangeiros chegará a US$ 239 bilhões. O valor exportado será 0,6% menor que o do ano passado e 5,8% inferior ao de 2011. A importação terá custado cerca de 7% mais que em 2012 e 5,6% mais que dois anos antes. A deterioração é inegável e a causa mais importante é o enfraquecimento da indústria brasileira, por falta de investimentos, aumento de custos e dificuldade crescente para enfrentar uma disputa mais dura em mercados mais apertados. Isso vale para o mercado nacional.

As medidas protecionistas impostas pelo governo foram insuficientes para barrar o ingresso de produtos estrangeiros. Além do mais, nenhuma barreira tornaria os produtores brasileiros mais capazes de competir fora das fronteiras, mesmo em áreas antes consideradas campos de caça tranquilos, como o Mercosul e a maior parte da vizinhança. Também na região outros produtores têm conseguido ocupar espaços crescentes sem muita oposição brasileira.

Quando se aponta a piora do balanço de pagamentos — especialmente da balança comercial —, ministros costumam citar a acumulação de reservas para mostrar a segurança do setor externo. Mesmo com intervenções no mercado cambial, como reação às turbulências do meio do ano, o BC conseguiu, graças a uma estratégia bem desenhada, evitar a perda de moeda estrangeira e preservar mais de US$ 370 bilhões. Esse é, sem dúvida, um importante fator de segurança, mas de nenhum modo pode substituir a eficiência produtiva e os acordos internacionais favoráveis à expansão do comércio.

A política brasileira tem falhado nas duas frentes. A deficiência de investimentos, o desperdício de recursos, o erro na escolha de prioridades (na política educacional, por exemplo) têm dificultado ganhos gerais de produtividade. Se as concessões derem certo, a taxa de investimentos chegará a 22,5% do produto interno bruto até 2018, segundo estimativa do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Muitos países latino-americanos já estão acima desse padrão, enquanto a taxa brasileira continua oscilando entre 18% e 19%.

Como as condições de produção foram geralmente negligenciadas nos últimos dez anos, a começar pela infraestrutura, o potencial de crescimento diminuiu, como seria previsível. Hoje esse problema é assunto da pauta internacional, pouco importando os desmentidos e esperneios do governo brasileiro.

Na outra frente, a escolha das parcerias prioritárias, também se acumularam erros desastrosos. A diplomacia comercial pôs no alto da agenda a aproximação com mercados pouco importantes, com exceção do chinês. Mas o comércio com a China virou uma relação semicolonial, com o Brasil praticamente limitado a vender commodities, em geral de pouca ou nenhuma elaboração, e a importar manufaturados.

Os imperialistas, desprezados pela diplomacia de passeata dos governos petistas, continuam como compradores relevantes de manufaturados — e poderiam comprar muito mais se tivessem sido assinados acordos de livre-comércio. Mas nem todos criticam a estratégia comercial brasileira e o desprezo petista aos grandes mercados. No caso dos chineses e outros exportadores realistas e dinâmicos, a fantasia terceiro-mundista vivida em Brasília nos últimos dez anos elimina um possível competidor de peso.

Uma claque de baianos fascistas impede evento na Flica, por Rodrigo Constantino

Já participei de uma Flica, a feira literária de Cachoeira, e foi muito interessante. Falei para uma plateia majoritariamente contrária ao meu ponto de vista, contra cotas raciais e segregação com base no conceito de raça, e ainda assim foi um evento civilizado. Ao término, recebi elogios de algumas pessoas, alegando que era raro alguém ter coragem de dizer tais coisas por ali. Aqui tem uma parte do meu discurso:
Pois bem, parece que esse ano a coisa não correu bem da mesma forma. Leio que tanto Demétrio Magnoli como Pondé sofreram ataques, sendo que o último sequer conseguiu fazer sua palestra por motivos de segurança. A organização do evento alegou que não poderia garantir a integridade física do filósofo. Que vergonha, gente!
Não para os organizadores da Flica, liderados por Aurélio Schommer, que merece todo o meu respeito (sou, inclusive, autor do prefácio de seu ótimo livro História do Brasil Vira-Lata). Mas sim para esse grupelho de baianos que fez esse papelão, demonstrando que não são capazes de argumentar e partem para a linguagem dos covardes, a violência. Vejam que lamentável:

Fonte: Correio
Essa coisa de usar a ameaça de violência como “prima ratio” está passando dos limites no Brasil. Estamos na era da barbárie? Essa turma só sabe latir? Essa falta de respeito ao contraditório é típica dos fascistas. Há quem invada laboratórios para soltar animais. Mas pergunto: o que fazer com esses animais humanos soltos por aí, impedindo o debate livre, o diálogo, o avanço da CULTURA?

EM BADERNEIRO NÃO SE BATE NEM COM FLOR , por Janer Cristaldo

Vamos voltar no tempo. Não muito longe. Só cinco meses atrás. Voltemos às festas juninas, digo, à gloriosa Revolução de Junho de 2013. Quando dona Dilma dizia que depredar ônibus, carros e bancos eram manifestações pacíficas próprias da democracia. 

“O Brasil hoje acordou mais forte. A grandeza das manifestações de ontem comprovam (o plural é dela) a energia da nossa democracia, a força da voz das ruas e o civismo da nossa população. É bom ver tantos jovens e adultos, o neto, o pais, o avô juntos com a bandeira do Brasil cantando o hino nacional, dizendo com orgulho ‘eu sou brasileiro’ e defendendo um país melhor. O Brasil tem orgulho deles”, disse então a presidente. 

Temos então que o Brasil se orgulha de seus baderneiros. Fernando Henrique Cardoso, que de seu glorioso climatério assistia de camarote os distúrbios de rua, perdeu uma ocasião única de ficar calado. Desqualificar os protestos dos jovens em São Paulo e outras capitais "como se fossem ação de baderneiros" constitui, na avaliação do ex-presidente, "um grave erro". Para ele, "dizer que essas manifestações são violentas é parcial e não resolve. É melhor entendê-las, perceber que essas manifestações decorrem da carestia, da má qualidade dos serviços públicos, das injustiças, da corrupção".

Enquanto dizia isso, os “jovens” arrombavam os portões do palácio Bandeirantes, onde governa seu companheiro de partido, Geraldo Alckmin. Se estava faltando o governador vir a público para dizer que o arrombamento da porta do palácio Bandeirantes era uma manifestação legítima e própria da democracia – pensei com meus botões. 

Não faltou. Alckmin, que uma semana antes classificara os manifestantes como "vândalos" e "baderneiros", logo acudiu com panos quentes: "Queria fazer um elogio às lideranças do movimento e também à segurança pública e à Polícia Militar”. Para o governador, a primeira reunião com os utópicos desvairados do Movimento Passe Livre (MPL) foi positiva. "Foi uma reunião muito madura, muito proveitosa."

Assustados com as manifestações nas ruas, os políticos, sempre à procura do que rende mais votos, apressaram-se a tomar a defesa dos baderneiros. Fernando Haddad, incontinenti, congelou o preço das passagens. A conta da Revolução de Junho já chegou: metade dos contribuintes paulistanos terá de pagar aumento consecutivo do IPTU até 2018. 

Haddad fixou tetos de aumento de 20% para imóveis residenciais e de 35% para os comerciais em 2014, e de 10% e 15%, respectivamente, a partir de 2015. Com isso, 1,5 milhão de contribuintes, ou 49,7% dos 3,1 milhões, pagará resíduos do reajuste por mais de quatro anos. De algum lugar precisa sair o subsídio às reivindicações dos “jovens”. Estourou no bolso da classe média.

Apenas seis meses depois de declarar que “a grandeza das manifestações comprovam (o plural é dela) a energia da nossa democracia, a força da voz das ruas e o civismo da nossa população”, vários meses depois das contínuas depredações de imóveis, que custaram mais de seis milhões de reais aos cofres públicos, dona Dilma tem outra concepção dos “jovens e adultos”. 

Neste sábado, a presidente classificou como "barbárie" os atos de vandalismo ocorridos na noite de ontem em São Paulo e cobrou punição dos responsáveis pelo quebra-quebra realizado por mascarados na região central da cidade, aliás os mesmos que depredavam em junho passado.

"São barbáries antidemocráticas. A violência cassa o direito de quem quer se manifestar livremente. Violência deve ser coibida", disse a presidente por meio do Twitter. "As forças de segurança têm a obrigação de assegurar que as manifestações ocorram de forma livre e pacifica", acrescentou.

Em junho passado, a barbárie era das forças de segurança. Hoje, mudou o sinal. Em vez de louvar a “grandeza das manifestações” de “jovens e adultos”, ela cobrou que a Justiça puna os abusos, nos termos da lei. Os atos de vandalismo que geraram destruição no centro da cidade teve início durante o Ato do Movimento Passe Livre (MPL) – o mesmo movimento que gerou os vandalismos de junho – em defesa do transporte gratuito.

"Agredir e depredar não fazem parte da liberdade de manifestação. Pelo contrário", acrescentou a presidente. Em junho, agredir e depredar comprovavam “a energia da nossa democracia, a força da voz das ruas e o civismo da nossa população”.

A manifestação de ontem, segundo o Estadão, terminou com 78 pessoas detidas. Claro que não ficarão nem 24 horas em cana. As cenas de destruição se concentraram no Terminal Parque Dom Pedro II quando manifestantes quebraram dez ônibus e a bilheteria.

Na ação também foram depredados 17 caixas eletrônicos e orelhões. No meio do quebra-quebra, o coronel da PM Reynaldo Rossi foi agredido com uma placa de ferro e após ser espancado por alguns mascarados deu entrada no Hospital das Clinicas com fratura na escápula e suspeita de traumatismo craniano.

Espanta ver que a força pública foi impotente para impedir a quebra de ônibus, bancos, caixas eletrônicos e orelhões. Não conseguiu sequer impedir o espancamento de um de seus comandantes. Os policiais, pelo visto, têm agido como agem ante os usuários do crack: apenas assistem o crime sendo praticado sob seus olhos. As declarações irresponsáveis de Dilma, Fernando Henrique e Alckmin constituíram poderoso combustível para a fogueira. 

Um dogma não pode ser quebrado: em baderneiros não se bate nem com flor. Quanto a policiais, podem ser espancados à vontade.

Cientista, pesquisador e professor, ele é bisneto de Vital Brazil. E alerta: “Meu bisavô, hoje, seria enforcado”

Abaixo, há um vídeo. Quem fala é Osvaldo Augusto Brazil Esteves Sant’Anna. Trabalha, como ele próprio informa, há 45 anos em pesquisa. É professor em cursos de pós-graduação desde 1976. É pesquisador do Instituto Butantan e do  CNPq. Deixa claro: “O uso de animais em laboratório é imprescindível”. Ah, sim: ele é o bisneto mais velho de Vital Brazil, o criador do Instituto Butantan, um gigante da ciência brasileira. Afirma: “Vital Brazil [hoje] seria enforcado…”. Osvaldo Augusto, no entanto, não vive do parentesco, não. Vejam o vídeo. Volto depois.
Aplaudo a sua coragem, embora devesse ser a regra entre os cientistas, boa parte deles escondida embaixo da cama. Eis o currículo de Osvaldo Augusto, que está na página da Fapesp. Não parece que ele tenha chegado aonde chegou porque seja um torturador de animais.
*
Pesquisador Científico VI do Instituto Butantan. Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo [1971], tem especialização em Imunologia pela Organização Mundial da Saúde/Organização Pan-Americana de Saúde [1971]; Mestrado [1973] e Doutorado [1979] em Microbiologia e Imunologia pela UNIFESP/Escola Paulista de Medicina; Pós-Doutorado pelo Institut Curie, Paris [1980/1981]. Tem experiência na Área de Imunologia, com ênfase em Imunogenética, e estudos com Toxinas, Venenos, Autoimunidades, Adjuvantes, Genética da Resistência a Infecções Virais e Bacterianas. Desde 1976 é Professor/Orientador em Programas de Pós-Graduação da Universidade Estadual de Campinas, Universidade de São Paulo e Universidade Federal de São Paulo. É membro do Conselho Editorial da Revista Científica EINSTEIN e do Comitê de biossegurança do Hospital Albert Einstein. De 2003 a 2007 foi Vice-Diretor e, posteriormente, Diretor Científico do Centro de Toxinologia Aplicada, Programa CEPID/FAPESP. Assessor Científico do CNPq, FAPESP, FINEP, FACEPE, FAPESC, FAPERJ. Coordenador do CA-IMUNOLOGIA do CNPq de dezembro de 2006 a novembro de 2009. Atualmente é Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Toxinas (INCTTOX). (Fonte: Currículo Lattes)
Por Reinaldo Azevedo

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