sábado, 2 de novembro de 2013

‘Crê ou morre’, um texto de J. R. Guzzo

Publicado na edição impressa de VEJA
J. R. GUZZO
E se de repente, um dia desses, ficasse demonstrado por A + B que o grande problema do Brasil, acima de qualquer outro, é a burrice? Ninguém está aqui para ficar fazendo comentários alarmistas, prática que esta revista desaconselha formalmente a seus colaboradores, mas chega uma hora em que certas realidades têm de ser discutidas cara a cara com os leitores, por mais desagradáveis que possam ser. É possível, perfeitamente. que estejamos diante de uma delas neste momento: achamos que a mãe de todos os males deste país é a boa e velha safadeza, que persegue cada brasileiro a partir do minuto em que sua certidão de nascimento é expedida pelo cartório de registro civil, e o acompanha até a entrega do atestado de óbito, mas a coisa pode ser bem pior que isso. Safadeza aleija, é claro, e sabemos perfeitamente quanto ela nos custa ─ basicamente, custa todo esse dinheiro que deveria estar sendo aplicado em nosso favor mas que acaba se transformando em fortunas privadas para os amigos do governo, ou é jogado no lixo por incompetência, preguiça e irresponsabilidade. Mas burrice mata, e para a morte, como também se sabe, não existe cura. Ela está presente pelos quatro cantos da vida nacional.
Um país que tem embargos infringentes, por exemplo, é um país burro ─ não pode existir vida inteligente num sistema em que, para cumprir a lei, é preciso admitir a possibilidade de processos que não acabam nunca. Também não há atividade cerebral mínima em sociedades que aceitam como fato normal trens que viajam a 2 quilômetros por hora, a exigência de firma reconhecida, o voto obrigatório e assim por diante. A variedade a ser tratada neste artigo é a burrice na vida política. Ela é especialmente malvada, pois age como um bloqueador para as funções vitais do organismo público — impede a melhora em qualquer coisa que precisa ser melhorada, e ajuda a piorar tudo o que pode ser piorado.
A manifestação mais maligna desse tipo de estupidez é a imposição, feita pelo governo, e a sua aceitação passiva, por parte de quase todos os participantes da atividade política brasileira, da seguinte ideia: no Brasil de hoje só existem dois campos. Um deles, o do governo, do PT, da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula, é o campo do “bem”; atribui a si próprio as virtudes de ser a favor da população pobre, da verdadeira democracia, da distribuição de renda, da independência nacional e tudo o mais que possa haver de positivo na existência de uma nação. É, em suma, a “esquerda”. O outro, formado automaticamente por quem discorda do governo e dos seus atuais proprietários, é o campo do “mal”. A ele a máquina de propaganda oficial atribui os vícios de ser a “elite”, defender a volta da escravidão, conspirar para dar golpes de Estado, brigar contra a redução da pobreza e apoiar tudo o mais que possa haver de horrível numa sociedade humana. É, em suma, a “direita”. O efeito mais visível dessa prática é que se interditou no Brasil a possibilidade de haver um centro na vida política. Ou você está com Lula-Dilma ou vai para o inferno: “crê ou morre”, como insistia a Inquisição da Santa Madre Igreja.
Essa postura é um insulto à capacidade humana de pensar em linha reta, que continua sendo a distância mais curta entre dois pontos. O Brasil não é feito de extremos; isso simplesmente não existe em nenhum país democrático do mundo. Abolir o espaço para um centro moderado é negar às pessoas o direito de pensar com aquilo que lhes parece ser apenas bom-senso, ou a lógica comum. Por que o cidadão não poderia ser, ao mesmo tempo, a favor do Bolsa Família e contra a conduta do PT no governo? É dinheiro de imposto; melhor dar algum aos pobres do que deixar que roubem tudo, (o programa, aliás, foi criado por Fernando Henrique; de Júlio César para cá, passando por Franklin Roosevelt, dar dinheiro ou comida direto ao povão é regra básica de qualquer manual de sobrevivência política.) Qual é o problema em defender a legislação trabalhista e, ao mesmo tempo, achar que quem rouba deve ir para a cadeia? O que impediria alguém de ser a favor do voto livre e contra o voto obrigatório? Nada, a não ser a burrice que obriga todos a se ajoelharem diante do que o PT quer hoje, para não serem condenados como hereges. É por isso que no Brasil 2013 Fernando Gabeira, Marina Silva e tantos outros que querem pensar com a própria cabeça são de “direita”, segundo os propagandistas do governo. Já Paulo Maluf, José Sarney etc. são de esquerda.

O pensador coletivo de Demétrio Magnoli é a Legião da Bíblia

artigo de Demétrio Magnoli hoje na Folha está excelente, após uma largada ruim. O sociólogo trata do tema “pensamento coletivo”, a máquina de proliferação de clones esquerdistas que poluem todo debate sério na internet. São como Gremlins: uma pitada de água ou comida depois de meia-noite, e lá estão eles se multiplicando, uns exatamente iguais aos outros. Demétrio diz:
Você sabe o que é MAV? Inventada no 4º Congresso do PT, em 2011, a sigla significa Militância em Ambientes Virtuais. São núcleos de militantes treinados para operar na internet, em publicações e redes sociais, segundo orientações partidárias. A ordem é fabricar correntes volumosas de opinião articuladas em torno dos assuntos do momento. Um centro político define pautas, escolhe alvos e escreve uma coleção de frases básicas. Os militantes as difundem, com variações pequenas, multiplicando suas vozes pela produção em massa de pseudônimos. No fim do arco-íris, um Pensador Coletivo fala a mesma coisa em todos os lugares, fazendo-se passar por multidões de indivíduos anônimos. Você pode não saber o que é MAV, mas ele conversa com você todos os dias.
O Pensador Coletivo se preocupa imensamente com a crítica ao governo. Os sistemas políticos pluralistas estão sustentados pelo elogio da dissonância: a crítica é benéfica para o governo porque descortina problemas que não seriam enxergados num regime monolítico. O Pensador Coletivo não concorda com esse princípio democrático: seu imperativo é rebater a crítica imediatamente, evitando que o vírus da dúvida se espalhe pelo tecido social. Uma tática preferencial é acusar o crítico de estar a serviço de interesses de malévolos terceiros: um partido adversário, “a mídia”, “a burguesia”, os EUA ou tudo isso junto. É que, por sua própria natureza, o Pensador Coletivo não crê na hipótese de existência da opinião individual.
O Pensador Coletivo abomina argumentos específicos. Seu centro político não tem tempo para refletir sobre textos críticos e formular réplicas substanciais. Os militantes difusores não têm a sofisticação intelectual indispensável para refrasear sentenças complexas. Você está diante do Pensador Coletivo quando se depara com fórmulas genéricas exibidas como refutações de argumentos específicos. O uso dos termos “elitista”, “preconceituoso” e “privatizante”, assim como suas variantes, é um forte indício de que seu interlocutor não é um indivíduo, mas o Pensador Coletivo.
Quem não conhece esses tipos podres? Cá entre nós: existe “profissão” mais degradante para um ser humano do que ser militante virtual do PT? Eu confesso que preferia fazer qualquer outra coisa na vida, menos isso. Tem que ser alguém muito desprovido de amor próprio, de autoestima, para se prestar a um papelão desses. E como pululam esses seres abjetos por aí!
Aqui mesmo, no meu blog, preciso filtrar vários comentários por dia dessa turma. São pagos para tentar irritar pensadores independentes ou impedir o debate livre de ideias. Aqui, naturalmente, não se criam, pois tenho inseticida contra esse tipo de praga. Mas eles insistem! Recebem para isso, e precisam mostrar serviço ao chefe. Na incapacidade de apresentar argumentos, eles xingam. Demétrio resume:
Você provavelmente conversa com o Pensador Coletivo quando, no lugar de uma resposta argumentada, encontra qualificativos desairosos dirigidos contra o autor de uma crítica cujo conteúdo é ignorado. “Direitista”, “reacionário” e “racista” são as ofensas do manual, mas existem outras. Um expediente comum é adicionar ao impropério a acusação de que o crítico “dissemina o ódio”.
Na Bíblia, essa figura é representada pela Legião: “E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? E lhe respondeu, dizendo: Legião é o meu nome, porque somos muitos” (Marcos 5:9). De fato, eis o diabo moderno: o coletivismo contra o individualismo. Nada mais lamentável do que o “pensamento” monolítico, que procura anular a dissidência na marra, na intimidação.
Ayn Rand foi precisa quando disse que “O argumento pela intimidação é uma confissão de impotência intelectual”. Assim são os militantes petistas das redes sociais. Em Esquerda Caviar, resgato o guru desses idiotas úteis para mostrar como agem:
Muitos jovens usam camisetas com a foto de Che Guevara estampada. Isso, na cabeça deles, basta para colocá-los como “críticos do sistema”. Mal sabem que Che pensava que o jovem, em particular, devia aprender a “pensar e agir não por si, mas como parte da massa”. Os que escolhiam o próprio caminho, de forma independente, eram apontados como párias e delinquentes sem valor.
Em um discurso famoso, Che prometia “fazer sumir da nação a praga do individualismo!” Para ele, era criminoso pensar como indivíduo (como se existisse algum pensamento que não o individual). Melhor coletar alguns slogans em panfletos comunistas. Receita perfeita para quem tem preguiça de pensar.
Pensar dá muito trabalho. Estudar, mais ainda. Aprender sobre a realidade exige esforço e tempo, coisas cada vez mais raras no mundo moderno. Aquele que deseja seguir com sua vida, focando em seus verdadeiros interesses, e ao mesmo tempo sair bem na foto, como uma alma engajada e socialmente preocupada, encontra no esquerdismo um atalho fascinante e tentador.
Nada mais ridículo do que o “pensador coletivo”. Parabéns ao Demétrio Magnoli por esse excelente artigo!
Rodrigo Constantino

‘A falta que nos faz uma boa espionagem’, um texto de Carlos Alberto Sardenberg

Publicado no Globo

CARLOS ALBERTO SARDENBERG

Essa história da espionagem americana está cada vez mais complicada, e vai ficar pior. A chamada comunidade de inteligência de Washington, que inclui políticos, formadores de opinião e funcionários do setor, saiu em defesa própria, dizendo que agências de outros governos também espionam líderes americanos. Algo assim: está todo mundo esculhambando a NSA (Agência Nacional de Segurança dos EUA), mas a verdade é todo mundo faz a mesma coisa e que eles (da NSA) sabem de tudo muito bem.

Uma ameaça, não é mesmo?

Vai piorar nessa direção — se os americanos resolverem vazar o que certamente sabem sobre a espionagem dos outros. Comentou James Clapper, diretor geral da Inteligência Nacional da administração Obama: “Tentar decifrar as intenções de líderes estrangeiros é a função básica das operações de inteligência de qualquer governo”.

Por outro lado, há aí um efeito positivo. Acusações e contra-acusações já conduzem a um bom debate, especialmente nos EUA, sobre a competência dos atuais órgãos de espionagem, a extensão de sua atuação e os limites que devem ser impostos.

O resumo do que aconteceu está na cara: depois da série de sangrentos atentados terroristas, que começou nas torres de Nova York, passou por estações de Londres e Madrid e diversos outros locais e nações, os governos dos países que eram alvos óbvios remontaram seus sistemas de segurança. E os ampliaram de tal modo que estes ganharam autonomia, uma dinâmica própria que os coloca fora do controle dos governantes eleitos.

O que Obama sabia ou sabe agora? Em algum momento ele vai ter que dizer algo e dificilmente encontrará uma boa saída. Se ele sabia de tudo, inclusive dos grampos, então claramente mentiu e exorbitou de suas funções. Se não sabia de nada, então quem é que manda lá?

Já no Brasil ─ falando fracamente ─ o que nos falta é uma boa espionagem. Esses grupos que estão quebrando e tocando fogo em várias cidades certamente não saíram do nada. Organizaram-se de algum modo no passado e hoje organizam suas ações do mesmo modo ─ que é pelos instrumentos da internet e dos celulares e suas vias, os e-mails, Google, Facebook e Twitter, para citar apenas os mais manjados.

Há muitas agências de inteligência no Brasil ─ federais, das Forças Armadas e das polícias estaduais. E não perceberam nada? Muitas investigações apanharam grossa corrupção com grampos legais, autorizados pela Justiça. Agentes federais foram colocados em Pernambuco para vigiar o governo de Eduardo Campos. Aliás, foram descobertos, o que sugere muita coisa sobre o grau de eficiência do sistema.

De todo modo, é obviamente uma falha das agências e do Ministério Público não terem percebido, monitorado e apanhado esses grupos terroristas que estão agindo nas cidades brasileiras. Continua sendo uma falha que não tenham conseguido até agora desativar esses grupos.

Agências de informações nunca foram lá essas coisas por aqui, nem mesmo durante o regime militar. A tortura era o método principal de obter informações.

Nos anos 70, período da distensão no governo Geisel, tive oportunidade de fazer reportagens, para a Veja, sobre ações do famoso Serviço Nacional de Informações (SNI). Era ridícula a coleta de informações: agentes se baseavam na imprensa e davam crédito aos boatos mais estúpidos. A análise dos grupos de esquerda estava totalmente errada.

Depois, na democratização, trabalhando no Ministério do Planejamento, na ocasião do Plano Cruzado (1986), tive acesso a relatórios que o SNI mandava ao presidente da República sobre as reações ao programa econômico. Tudo material de imprensa e ainda assim tendenciosamente favorável, mostrando sempre quadros positivos. (Conto isso em meu livro Aventura e agonia nos bastidores do cruzado, Companhia das Letras, 1987).

Parece que não mudou muita coisa. Vinte e oitos anos depois da queda do regime militar, ainda não aprendemos como se lida com a polícia, incluindo a política, na democracia. O combate à ditadura militar deixou um subproduto cultural e político, a tremenda desconfiança em relação a qualquer tipo de polícia. Com isso, não houve a formação de um novo sistema de informação e segurança, controlado pelos órgãos do Estado. A defesa da democracia precisa tanto de polícia como de forças armadas.

O resultado está na cara. A falta de segurança é uma das principais queixas dos cidadãos. Nas manifestações, as polícias militares ou não fazem nada ou baixam o cacete indiscriminadamente. As agências de informação não sabem de nada e, quando grampeiam, deve ser coisa do governo, não do estado.

Lá, informação de mais. Aqui, de menos. E erradas.

PROIBIÇÕES DO SHABAT, por Janer Cristaldo

Hoje, ao pôr-do-sol, começa o Shabat em meu bairro. Que se prolongará até amanhã, também ao pôr-do-sol. Há alguns trabalhos oriundos dos tempos bíblicos que um judeu não pode fazer, como arar, semear, colher, agrupar a colheita, debulhar, joeirar, moer, peneirar, tosquiar. Se eram atividades banais nos dias de Moisés, obviamente não dizem respeito a um grande bairro de uma metrópole. Outros, no entanto, são no mínimo curiosos.

- Atar, dar nó que não se desfaz facilmente. 

Exemplos práticos desta proibição: fazer nó de marinheiro; apertar nó de tsitsit; fazer nó duplo; trançar dois fios para formar corda; juntar dois cordões com um nó, formando um só cordão. É permitido fazer nó de gravata ou amarrar o sapato (mesmo se não for desfeito dentro de 24 horas), pois na verdade trata-se de laço, que não é considerado nó. 

- Desatar, desfazer um nó (o qual não teria sido permitido fazer no Shabat).

Exemplos práticos desta proibição: desatar fio que junta par de meias novas; desfazer nó duplo; desatar corda, separando os fios individualmente. Se um laço no sapato complicou-se e acabou formando um nó, é permitido desfazê-lo de forma não usual (com shinui) se tiver que tirá-lo. 

- Costurar, unir dois tecidos ou materiais em geral.

Exemplos práticos: fazer bainha de roupa; colar papéis com fita adesiva ou cola; puxar e/ou enrolar fio de botão que está caindo para torná-lo mais firme. Zíper ou velcro não são considerados costura e, portanto, é permitido abrir ou fechá-los no Shabat. 

- Rasgar intencionando suturar. Rasgar qualquer material para uni-lo depois.

Exemplos práticos desta proibição: descoser a fim de costurar novamente; abrir envelope colado ou lacrado. É permitido rasgar saquinho de papel ou plástico para retirar o alimento de maneira que o saquinho não será reaproveitado (com cuidado para não rompê-lo no meio de letras impressas nem descolá-lo). 

- Caçar. Aprisionar um animal vivo e impedir que se livre. 

Exemplos práticos desta proibição: perseguir animais com cachorro de caça; tampar uma garrafa onde um mosquito entrou; espalhar ratoeira. É permitido prender e/ou matar animais (como cobra ou serpente) quando são ameaça iminente à vida da pessoa. 

- Abater. Tirar a vida de um animal. 

Exemplos práticos desta proibição: fazer o ritual da shchitá; borrifar inseticida; pescar; espalhar veneno contra animais ou insetos; causar hematoma; tirar sangue de pessoa ou animal. É permitido aplicar repelente sobre o corpo, pois não se está matando os insetos, e sim impedindo que se aproximem.

- Pelar o couro. Retirar pele de animal morto. 

Exemplo prático desta proibição: separar couro em camadas. É permitido retirar a pele do frango cozido (próximo ou durante a refeição), pois é considerado parte do alimento.

- Curtir o couro. Preparar couro, usando sal, cal, ou outros meios. 

Exemplos práticos desta proibição: engraxar sapato de couro mesmo com graxa incolor; salgar a carne crua após o abate; colocar legumes para curtir; devolver um pepino azedo meio curtido para salmoura. É permitido temperar uma salada, próximo à refeição, colocando outros temperos antes ou junto com o sal. 

- Alisar o couro. Retirar pêlos e imperfeições do couro.

Exemplos práticos desta proibição: lixar algo; alisar argila; colar vela com chama de fogo (mesmo nos dias festivos); passar creme na pele. Em caso de doença é permitido aplicar pomada (de forma não habitual – com shinui) numa ferida, sem alisá-la (mesmo que se alise por si só). - Demarcar o couro, para cortá-lo. 

Exemplos práticos desta proibição: traçar linhas para escrever sobre elas; fazer pontilhado para saber onde dobrar ou cortar o objeto.

- Cortar, seguindo uma certa medida. 

Exemplos práticos desta proibição: cortar um desenho seguindo o pontilhado; arrancar folhas de caderno; apontar lápis; cortar papel higiênico ou saquinho plástico de um rolo; separar lenço de papel quando um está preso ao outro; serrar madeira ou metal; cortar pano; separar páginas de um livro quando estas não foram cortadas na gráfica. 

- Escrever ou esculpir letras, figuras ou sinais que sirvam como códigos de comunicação.

Exemplos práticos desta proibição: escrever com dedo sobre líquido que derramou na mesa, num vidro embaçado ou na areia, carimbar, unir peças de quebra cabeças; bordar letras ou figuras.

Nossos sábios proibiram uma série de ações em que é quase automático o uso da escrita, como negociar (pois implica em fazer contrato); medir ou pesar algo; dar um presente; trabalhar no Shabat em troca de um salário diário; fazer contas de matemática; ler no jornal propaganda sobre compra e venda de móveis ou imóveis. É permitido medir febre com termômetro.

- Apagar. Anular qualquer escrita ou código comunicável com a intenção de reescrever no mesmo local. 

Exemplos práticos desta proibição: apagar lousa escrita com giz; apagar com borracha; cortar embrulho onde há letras escritas; cortar letras carimbadas ou coladas em frutas. Nossos sábios proibiram ler listas de qualquer tipo para não chegar a apagar algo da lista.

É permitido comer alimentos cujas letras são parte do próprio alimento, como biscoitos (neste caso, as letras e o alimento são considerados um único elemento). Porém, quando o alimento e as letras são compostas de materiais diferentes, como letras escritas com creme sobre um bolo de chocolate, as letras devem ser retiradas por completo antes de cortar o bolo. 

- Acender fogo, aumentar, prolongar ou propagá-lo. 

Exemplos práticos desta proibição: riscar fósforo; acender chama de gás; ligar luz elétrica (por isso é proibido abrir porta de geladeira que automaticamente acende a luz interna; a lâmpada da geladeira deve ser desativada ou afrouxada antes do Shabat); acrescentar azeite numa lamparina; ligar motor do carro; acelerá-lo; obter faíscas através do atrito entre duas pedras; refletir a luz do Sol em lente de aumento para queimar papel. 

- Apagar fogo ou diminuí-lo. 

Exemplos práticos desta proibição: apagar fogo através de vento (abrindo janela), areia ou sopro; abaixar fogo ou chama de gás; desligar luz elétrica; retirar azeite de uma lamparina; desligar motor do carro. Nossos sábios proibiram ler à luz de azeite, pois estando concentrada na leitura a pessoa pode esquecer que é Shabat e mexer no pavio ou no azeite para enxergar melhor. 

Terminar a manufatura de qualquer objeto. Denominado "bater com martelo", pois o ferreiro termina sua obra com uma última martelada - dar o "toque final" para que um objeto possa ser utilizado. 

Exemplos práticos desta proibição: afiar faca; desentortar garfo; colocar cordão num sapato novo; retirar fios deixados por costura; cortar uma lasca de madeira para usar como palito de dentes; encaixar pé que se soltou da cadeira; apertar parafuso para recolocar lente de óculos.

Nossos sábios proibiram mergulhar qualquer utensílio no micve; nadar; remar; tocar instrumentos musicais. 

- Transportar de propriedade particular para pública e vice-versa

Transportar, jogar, entregar, empurrar ou fazer qualquer tipo de transferência de uma área de propriedade pública para uma de propriedade privada ou vice-versa, a não ser vestir roupas e outros adornos como kipá, óculos de grau, jóias, etc. Também é proibido carregar qualquer objeto num perímetro equivalente à distância de 1,92 m, em área de propriedade pública. Exemplos práticos desta proibição: sair para a rua com lenço ou chave no bolso; mastigando bala ou chiclete; com botão solto na roupa; com óculos de leitura ou de sol; entregar ou jogar um objeto pela janela ou porta de residência particular para alguém que se encontra na rua ou vice-versa. 

Se a pessoa encontra-se numa propriedade pública e se dá conta que está com algum objeto no bolso, não deve parar; se o objeto não for de valor, deve deixá-lo cair enquanto continua andando (sem dar uma parada); se for de valor, deve continuar andando até voltar à propriedade particular de onde saiu com o objeto no bolso, sem parar no caminho. É permitido levantar um grampo de cabelo que caiu na rua e recolocá-lo no cabelo se não ultrapassar 1,92 m ao fazê-lo.

É proibido de transformar um sólido em líquido; assim, não se pode desmanchar gelo na mão para beber o líquido que se forma, embora seja permitido colocar gelo num copo com água para gelar a água; não se pode usar um sabonete sólido, pois se transforma em líquido. É permitido usar sabonete líquido.

Neste artigo estão apenas um pequeno resumo das leis que regem os trabalhos proibidos no Shabat. Para conhecê-los mais detalhadamente é necessário um estudo mais profundo. Um rabino deve sempre ser consultado. 

A falha fatal do Obamacare, por Rodrigo Constantino

Em artigo publicado hoje no Valor Econômico, Martin Feldstein explica claramente a falha fatal do carro-chefe do governo Obama, seu projeto para a saúde pública. O professor de economia de Harvard diz:
A falha potencialmente fatal no Obamacare é justamente o componente que mais agrada a seus defensores: a possibilidade de que mesmo as pessoas com sérios problemas de saúde pré-existentes comprem um seguro saúde ao preço padrão.  
Esse componente incentivará as pessoas saudáveis a cancelar seus planos de saúde ou permanecer sem seguro saúde até que venham a ser diagnosticadas com uma condição de saúde potencialmente cara. O fato de menos pessoas cobertas pelo programa serem pacientes saudáveis – e maior o contingente de pacientes que implicam custos elevados – irá, previsivelmente, aumentar o custo para as empresas de seguro saúde, por pessoa segurada, elevando os prêmios que elas precisariam cobrar. Com a alta dos preços dos planos de saúde, até mesmo pessoas relativamente mais saudáveis serão incentivadas a renunciar ao seguro até serem acometidas por doença graves, fazendo com que os custos médios e os prêmios de seguro subam ainda mais.  
Com isso em mente, os técnicos que formularam o Obamacare tornaram a adesão ao seguro saúde “obrigatória”. Mais especificamente, empregadores com mais de 50 funcionários serão obrigados, após 2014, a comprar uma apólice do seguro para seus empregados contratados “em regime de tempo integral”. Quem não recebe seguro de seu empregador será obrigado a comprar por conta própria e as pessoas de baixa renda terão subsídio do governo para isso. 
Mas, os empregadores poderão esquivar-se da obrigatoriedade reduzindo a semana de trabalho de um funcionário para menos de 30 horas (definidas na lei como emprego em tempo integral). Porém, mesmo no caso de empregados em tempo integral, as empresas poderão optar por pagar uma pequena multa em vez de prover o seguro saúde. Essa multa é de US$ 2 mil por empregado, muito inferior ao atual prêmio de US$ 16 mil para apólices de seguro familiar providas pelos empregadores.
Estamos diante, uma vez mais, das tais consequências não intencionais que os liberais sempre apontam nas medidas aparentemente nobres dos intervencionistas. Repletos de boas intenções, mas sem conhecer direito o funcionamento dos mercados, essas pessoas pregam medidas que produzem efeitos colaterais que desconhecem e parecem incapazes de antever.
O Obamacare vai gerar vários problemas no setor, vai aumentar o custo de várias empresas, e vai levar a essas buscas por alternativas apontadas no artigo de Feldstein. Nada disso foi antecipado por seus defensores. Ou pior: foi, e eles querem isso mesmo!
Pois como aponta o autor, os problemas que isso vai gerar poderão pressionar os políticos a adotarem de vez o modelo europeu de saúde universal pública nos Estados Unidos. Só tem um problema: a socialização completa da saúde, o SUS, não funciona, como sabemos muito bem. É bonito na teoria, ineficaz na prática.
O que faz a esquerda diante disso? O que mais sabe fazer: monopolizar as virtudes e rotular os opositores com base em suas supostas más intenções. Logo, só quem defende o Obamacare ou mesmo o SUS se preocupa com os mais pobres e carentes, enquanto os demais são insensíveis. Assunto encerrado, debate desnecessário, e para o inferno com os resultados diametralmente opostos àqueles pregados pelos ungidos abnegados! Não é sempre assim?

Mais uma resenha de “Esquerda Caviar”

Depois do ótimo “O Mínimo que você Precisa Saber para Não ser um Idiota”, de Olavo de Carvalho, lançado em agosto, agora vemos o lançamento do novo livro de Rodrigo Constantino, “A Esquerda Caviar”. A meu ver, é com certeza a melhor obra de Constantino, divertidíssima de se ler, e que lança mais um alento nessa onda de bom material de direita disponível ao leitor brasileiro.
O livro inclui inúmeros exemplos de socialistas que levam uma vida de abundância, especialmente por causa do discurso que propagam. Entre eles estão políticos, jornalistas e principalmente artistas. Quer entender como pensa gente como Wagner Moura e Mathew Modine? Este é o livro.
Tive alguns incômodos em certos momentos quando Constantino trata esse tipo de comportamento como uma contradição em relação ao discurso esquerdista. Aí me parece que a “esquerda caviar” seria uma aberração. Neste ponto eu argumento em direção oposta: a “esquerda caviar” é a consequência óbvia da aplicação do discurso socialista. Mas este é apenas um detalhe que não atrapalha o saborear da obra.
A verdade é que o discurso socialista gera dividendos para os mais espertos. Artistas que usam o discurso socialista tem sua vida facilitada para receber financiamento do governo esquerdista, ou ao menos obter o afago da massa que os acham mais altruístas que os outros. Jornalistas que se posicionam a favor do socialismo podem ostentar blogs de baixa visitação e ainda assim receber polpudas verbas do governo. Como diria Constantino: “E que verbas!”. Os exemplos de milionários e até bilionários usando o discurso esquerdista pululam aos borbotões.
Eu uso uma terminologia diferente: beneficiário e funcional. O esquerdista beneficiário é aquele que se beneficia com o discurso esquerdista. São os criadores deste discurso, e aqueles que enriquecem por causa do uso hábil dos jogos esquerdistas. A grande maioria dos esquerdistas, no entanto, apenas torce para o sucesso do esquerdismo e não ganha nada com isso. São apenas pessoas que lutam para que um pequeno grupo de pessoas adquira poderes excessivos. Às custas de seus esforços, é claro.
Enfim, aqueles que eu defino como esquerdistas beneficiários são, em linhas gerais, aqueles que Rodrigo Constantino aborda em “A Esquerda Caviar”. Eles não são uma aberração do pensamento esquerdista, mas a razão de ser do próprio esquerdismo. No dia em que um bando de espertos, incluindo Rousseau e Marx, resolveu produzir discursos, obviamente sabia que este tipo de material iria servir para que um grupo de pessoas mais espertas ganhasse muito poder às custas de uma multidão de otários que leva esses discursos à sério.
Para quem quiser ridicularizar os esquerdistas funcionais (e quase todos eles são), “Esquerda Caviar” é um livro de lavar a alma. Divirta-se!

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