domingo, 3 de novembro de 2013

A “felicidade” bovina. Ou: A utopia de um mundo sem mal-estar,por Rodrigo Constantino

O programa do Globo Repórter dessa sexta foi sobre felicidade. A forma com a qual o assunto foi tratado me incomodou profundamente. Havia clara confusão entre felicidade genuína e uma espécie de satisfação bovina, gargalhadas vazias, sensação artificial de bem-estar induzida por remédios ou fugas hedonistas. Isso é o mesmo que felicidade?
Um dos convidados do programa foi Eduardo Giannetti da Fonseca, que tem um livro chamado Felicidade. Era uma das vozes mais sensatas ali. No livro, Giannetti diz:
A expectativa dos iluministas era de que as três pernas do tripé (domínio da natureza, perfectibilidade humana e governo racional) caminhassem pari passu e, à medida que avançassem, nos levassem a passos firmes à tão sonhada era da felicidade…
Tal promessa iluminista está fadada ao fracasso. É o alerta que tantos conservadores fizeram e ainda fazem. Podemos dominar técnicas cada vez mais modernas de controle da natureza, podemos aperfeiçoar um pouco os costumes humanos, mas jamais teremos uma perfeição da natureza humana, um governo totalmente racional. A moral humana não experimenta um progresso do mesmo tipo do material das sociedades capitalistas e industriais.
Essa lembrança sempre foi importante para conservadores. O mito do pecado original, a ideia de que somos imperfeitos por natureza e condenados a carregar em nós a potência do mal, que jamais seremos anjos ou máquinas totalmente racionais (ainda bem!), tudo mostra que essa busca não passa de uma utopia. Compare-se a isso a Venezuela socialista com seu Ministério da Felicidade!
Freud com seu alerta sobre o mal-estar na cultura é outra fonte importante para não cairmos nessa falácia de “felicidade para todos”, uma felicidade plena na vida comunitária. Isso não existe. Isso não é possível. Reconhecer isso é fundamental para preservarmos as liberdades individuais que tornam possível algum grau de felicidade subjetiva na vida, que jamais será garantido ou permanente.
Não é tarefa trivial. Perdemos na largada quando tomamos consciência da nossa finitude, de que vamos perder nossos entes queridos, de que somos arrebatados por doenças e tragédias imprevisíveis. Não quero, com isso, enaltecer uma “ética do sofrimento”, com tom melancólico. É justamente a noção de que a vida é efêmera que dá alto valor a ela, e devemos celebrar isso.
Mas não confundindo felicidade com um estado pleno e constante de espírito, com alguma promessa irreal de que estaremos sempre felizes, por meio de fugas hedonistas, de uma busca desenfreada por prazer. Os que mergulham nessa caem em um paradoxo: por não aceitarem a realidade como ela é, ficam viciados na “busca pela felicidade” e cada vez precisam de mais coisas e mais sensação momentânea de prazer, sem, com isso, livrar-se da infelicidade que assola e oprime.
o livro de Giannetti é dividido em quatro encontros com diálogos entre perfis diferentes. No último, ele coloca a questão da pílula da felicidade. O tema é bastante atual quando lembramos da quantidade de gente que busca nos remédios a “felicidade”. Prozac, Rivotril, drogas em geral, são todas variações do soma de Huxley em Admirável Mundo Novo. Giannetti pergunta por meio de um personagem:
Se o caminho da reflexão e da intenção subjetiva não dão conta do desejo de reduzir o fardo de uma autoconsciência que pesa e faz sofrer, por que não tomar o atalho da intervenção objetiva por meio da manipulação tecnológica?
O ser humano sempre deu um jeito de encontrar alguns entorpecentes para fugir da dura realidade. O álcool, as drogas, as pílulas. Mas é preciso lembrar do alerta feito pelo autor:
Os momentos de exuberância subjetiva e da intensa felicidade são por natureza fugazes. Se todo dia é carnaval, acabou o carnaval. A garota de Ipanema é, por definição, a “que vem e que passa”, jamais a que fica.
O “prazer perpétuo” é uma utopia. Só se pode obtê-lo à custa de deixar de ser humano. Alguém tomaria a pílula vermelha do Matrix, para continuar na fantasia? Se o fizesse, seria um autômato, um “alegrinho”, um “inseto hedonista e saciado”. Não é assim que ficam toda essa happy people?
Nem preciso dizer que quem procura essa rota está à contramão da liberdade. Liberdade não combina com “felicidade” artificial. Volto ao admirável mundo de Huxley para fechar, deixando o Administrador explicar para o Selvagem o que está em jogo:
O mundo agora é estável. As pessoas são felizes, têm o que desejam e nunca desejam o que não podem ter. Sentem-se bem, estão em segurança; nunca adoecem; não têm medo da morte; vivem na ditosa ignorância da paixão e da velhice; não se acham sobrecarregadas de pais e mães; não têm esposas, nem filhos, nem amantes, por quem possam sofrer emoções violentas; são condicionadas de tal modo que praticamente não podem deixar de se postar como devem. E se, por acaso, alguma coisa andar mal, há o soma. Que o senhor atira pela janela em nome da liberdade, Sr. Selvagem. Da liberdade!
Mustafá Mond riu. Nós choramos, quando pensamos que Huxley foi profético e que cada vez mais gente troca liberdade por aparência de felicidade, troca Shakespeare por hedonismo, troca as paixões violentas pela tranqüilidade bovina, troca a incrível angústia de estar vivo e consciente pela morte antecipada de quem já abandonou a humanidade em busca de uma ilusória segurança. Estão mesmo felizes?

EIKE BATISTA FALIU, MAS ATÉ AGORA NENHUM PETISTA FOI PRESO

Jorge Oliveira- Diário do Poder

Rio – Já disse aqui recentemente e vou repetir: o economista Luciano Coutinho, presidente do BNDES, deveria ser responsabilizado criminalmente por transformar em lixo quase 10 bilhões de reais em empréstimos às empresas Xis do Eike Batista. Ele vem enrolando nas explicações mas não convence. Na última entrevista em Porto Alegre, Coutinho disse que a situação financeira do grupo EBX “não preocupa a instituição”. Claro, o dinheiro não dele, é do contribuinte. Portanto, deve dormir tranquilo porque ao ser demitido não vai carregar nas costas o ônus da desordem financeira que instalou no banco patrocinando megas empresas que hoje estão à beira da falência. Em outro país, Coutinho já teria saído do banco algemado. Mas como o governo do PT se transformou num bando de delinquentes, certamente ainda será louvado por ter financiado Eike Batista, o empresário que a Dilma disse ser um exemplo de empreendedor. “O Brasil precisa de ter mais eikes”, comentou ela, na sua costumeira verborreia desconexa.

É fácil escamotear o calote do Eike ao BNDES. Ao mesmo tempo que tenta livrar a cara do empresário, Coutinho admite que dois empréstimos-ponte contratados com o grupo tiveram de ser prorrogados por falta de pagamentos. Ambos somam quase 1 bilhão de reais. Um, de 502 milhões de reais, agora tem prazo de três anos; outro, de 418 milhões, que venceu no dia 15 de outubro, foi estendido para janeiro de 2014. Rolar a dívida da massa falida das Xis com o banco é mascarar o calote. O truque é: alonga-se os prazos dos pagamentos e tira-se algumas empresas da inadimplência imediata.

Mas os petistas ainda insistem em salvar o patrimônio virtual de Eike Batista, generoso na campanha da Dilma a quem doou 1 milhão de reais legalizados como pessoa física. Agora, a presidente determinou que a Caixa Econômica Federal renegocie outra dívida de Eike. Essa é de 400 milhões de reais com a OSX, estaleiro do grupo, que também está na mira do tombamento. Os conselheiros da CEF discordaram da decisão, mas o presidente do banco, Jorge Hereda, acatou a ordem e pretende beneficiar o empresário malocandoas duplicatas no baú como papeis velhos. Nega-se, inclusive, a executar o Banco Santander fiador do empréstimo à OSX. Como se percebe, os tentáculos de Eike se espalharam por várias bancos estatais que, na verdade, deveriam estar usando recursos para investimentos em infraestrutura e em áreas sociais e não participando de uma irresponsável ciranda financeira.

Essa generosidade dos petistas para salvar o patrimônio do maior aventureiro financeirodo Brasil não se aplica aos mutuários da Caixa Econômica Federal. Iludidos com o programa “Minha Casa Minha Vida”, milhares deles estão endividados e com dificuldades para saldar suas dívidas. Inapelavelmente, para esses “caloteiros”, a Caixa Econômica aplica as leis que regem o sistema financeiro, levando à leilão os imóveis dos inadimplentes.

Nem todo mundo teve a sorte de nascer Eike Batista, o homem que cunhou as frases: “Deus deixou o item saber fazer dinheiro para o meu pote”, ou “Tenho um pacto com a mãe natureza. Eu perfuro e acho coisas”. Além disso, tinha assento marcado na alta corte petista. E o privilégio de fiscalizar as obras no jatinho com um carona privilegiado: o ex-presidente Lula.

Infelizmente, é assim que os petistas estão torrando o dinheiro público. Envolvidos em aventuras e tentando compensar o complexo de “vira-latas” na companhia da grã-finagem e da elite financeira do país, tão condenada pela cúpula desse partido que chegou ao poder para destroçar o Brasil.

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