terça-feira, 5 de novembro de 2013

"Criminalidade no Brasil reduzirá quando o governo combater o tráfico na Bolívia", por Ucho Haddad*

Artigo publicado originalmente no combativo site de Ucho Haddad, no Ucho.info, post de 4 de novembro de 2013


Xis da questão - Desde as primeiras horas de segunda-feira (4), a imprensa brasileira vem dando destaque aos dados da 7ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, estudo produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e que tem por base informações do IBGE e do Sistema Nacional de Estatísticas em Segurança Pública (Sinesp), gerido pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, vinculada ao Ministério da Justiça. 

Os dados são alarmantes, mas, como sempre, os veículos de comunicação preferem ser pontuais ao dar a notícia, como sem as causas do problema não merecessem atenção. Para se ter ideia da degradação da sociedade brasileira, como um todo, o País registrou, em 2012, mais estupros do que homicídios dolosos (quando há intenção de matar). Foram 50.617 casos de estupro em 2012, o que equivale a 26,1 estupros por grupo de 100 mil habitantes. Um avanço de 18,17% em relação a 2011, quando a taxa foi de 22,1 por grupo de 100 mil. O número de homicídios dolosos registrados em 2012 foi de 47.136.

..." Compreender os dados do Anuário não é tarefa das mais complexas. Basta analisar o noticiário policial. Tomando como base de análise as recentes notícias sobre a segurança pública no Rio de Janeiro, por exemplo, onde as festejadas Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) começam a colapsar, não é difícil perceber que a catapulta do crime é o tráfico de drogas, algo que o governo petista de Dilma Vana Rousseff finge combater nas fronteiras brasileiras..."


No quesito homicídios, a situação também é preocupante. De acordo com Anuário Brasileiro de Segurança Pública, no Brasil foram registrados, no ano passado, 25,8 homicídios para cada 100 mil habitantes. Um número elevado se comparado com o do México, país que há anos enfrenta uma séria onda de criminalidade decorrente do tráfico de entorpecentes - 23,7 homicídios por cada 100 mil habitantes. Nos Estados Unidos o índice foi de 4,7 homicídios por 100 mil habitantes; no Chile, 3,7; na Suíça, 0,6.

Compreender os dados do Anuário não é tarefa das mais complexas. Basta analisar o noticiário policial. Tomando como base de análise as recentes notícias sobre a segurança pública no Rio de Janeiro, por exemplo, onde as festejadas Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) começam a colapsar, não é difícil perceber que a catapulta do crime é o tráfico de drogas, algo que o governo petista de Dilma Vana Rousseff finge combater nas fronteiras brasileiras.

Não é preciso qualquer esforço sobrenatural do raciocínio para perceber que o fracasso da segurança pública, que se alastra por todo o País, está diretamente ligado ao fato de Evo Morales ter se transformado em refém dos traficantes e produtores de drogas bolivianos. Desde a chegada de Morales ao comando do vizinho país, a produção anual de cocaína na Bolívia saltou de 50 toneladas para 300 toneladas. Um cenário perigosíssimo para o qual as autoridades brasileiras não dão a devida importância, até porque há nos bastidores o enfadonho e criminoso Foro de São Paulo. 

A situação é tão grave, que facções criminosas brasileiras há muito operam na Bolívia, eliminando atravessadores na produção e tráfico de drogas. Para que o leitor tenha ideia do perigo que nos ronda, muitas autoridades bolivianas, inclusive algumas que atuam no Brasil, são ligadas ao bilionário negócio da cocaína. Enquanto o Palácio do Planalto não agir com rigor para combater o tráfico de drogas na fronteira com a Bolívia, o Brasil continuará sendo devorado pela onda de criminalidade que assusta sobremaneira os cidadãos. 

Em análise não muito aprofundada do tema é possível perceber que o gráfico sobre a escalada do crime no Brasil coincide com o do aumento da produção de cocaína na Bolívia. E os palacianos só não enxergam o óbvio por questões ideológicas. 

Ucho Haddad - É jornalista. Mantém o site Ucho.info

Em busca de um culpado

Celso Ming - O Estado de S.Paulo


Até recentemente, os experimentalistas da política econômica, de dentro e de fora do governo federal, se negavam a reconhecer alguma desordem nas contas públicas. "Isso aí não passa de papo de obtusos ligados ao Fundo Monetário Internacional (FMI), ou, então vai sendo motivado por interesses dos rentistas", diziam eles.



Hoje a conversa está mudando de tom e de rumo. Até mesmo o tão confiante ministro Guido Mantega começa a ficar preocupado. Aparentemente, teme por algum descarrilamento. Mas corre o risco de remover o trilho errado.

Ontem, realizou uma primeira reunião de emergência com dirigentes das centrais sindicais, com seguimento já marcado para dia 7. O objetivo declarado é negociar cortes nas despesas com seguro-desemprego.

Mantega deve ter olhado descorçoado para o rombo recorde apontado nas contas públicas em setembro (R$ 9 bilhões) e saiu procurando por um culpado. Identificou uma brutal despesa com seguro-desemprego e abono aos desempregados, projetada para todo o ano de 2013 em R$ 47 bilhões (pouco menos de 1% do PIB). E concluiu que, além de alguma fraude, o problema aí só pode estar na alta rotatividade nas contratações de pessoal pelas empresas.

Difícil de entender o que o trabalhador tem com isso, a ponto de ser convocado para amassar um barro com o ministro, se não é ele que toma a iniciativa de buscar a porta de saída da empresa em que trabalha, mas é empurrado nessa direção pelo patrão dele.

Além disso, se há o excesso de rotatividade, este em princípio está menos relacionado com maldades de empresários, postas em marcha nesse ambiente de pleno-emprego, e mais, com os malabarismos empreendidos pelas empresas para reduzir custos de produção e sobreviver.

E onde estão esses custos? Estão reconhecidamente no excesso de impostos, na baixa qualidade da infraestrutura, na Justiça que leva anos e anos para dirimir um conflito, no excesso de burocracia e tal. Isso tudo é mazela velha de guerra e não pode ser entendida como causa dos rombos recordes recentes nas contas públicas. Se esses apareceram mais agora do que antes, foi pelas opções equivocadas de política fiscal (excesso de despesas) feitas pelo governo Dilma, que entornaram o balde.

As leis trabalhistas foram moldadas num tempo em que o Brasil namorava com o fascismo e, mesmo que tenham ajudado a dar alguma ordem nas relações entre capital e trabalho, já não servem para modernizar a economia e garantir a expansão do emprego, num mercado global cada vez mais competitivo. Tal como estão, essas leis provocam o definhamento da atividade produtiva, como se vê na indústria. E isso não é bom para o emprego. Mas o remédio não é essa meia-sola que pretende reduzir a rotatividade nas contratações de pessoal, mas reformas profundas.

Mais embaixo, no entanto, está a desordem nas contas públicas. E não vai ser no âmbito das centrais sindicais que o problema vai ser resolvido. Antes de tudo é preciso levar esses desequilíbrios a sério e não seguir pensando que isso é cisma do FMI.

ROLANDO LERO

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo


Houve um tempo em que reunião ministerial era coisa séria. Pedia cobertura jornalística intensa e detalhada, rendia manchete de jornal. Era uma época em que ministérios, bem como os titulares de suas pastas, eram cercados de uma atmosfera de autoridade.



Isso veio se perdendo. Perdeu-se a ponto de um ministro sair da reunião do último sábado, no Palácio do Planalto, fazendo o comunicado de que a equipe havia levado "algumas broncas, umas poucas". Passa, assim, como muito natural o fato de ministros receberem da presidente da República tratamento de colegiais.

No primeiro governo Lula da Silva gastou-se o instrumento por excesso de uso propagandístico e carência de resultados. Foram várias as reuniões ministeriais realizadas na Granja do Torto, cheias de pompa.

Na reunião seguinte discutia-se novamente a mesma pauta sem a preocupação com cobranças nem de ter como ponto de partida as decisões tomadas no encontro anterior. Como se veria depois, quando os veículos de comunicação saíram do estupor de encantamento com o "governo operário" e começaram a fazer levantamentos dos projetos e obras anunciadas, não havia resultados consistentes para serem mostrados.

Mas o presidente ia levando tudo na conversa e assim foi até que o governo precisou se dedicar a assuntos mais consistentes: a crise nos transportes aéreos e o escândalo do mensalão, comissões de inquérito, queda e cassação de José Dirceu.

No segundo mandato de Lula a prática foi deixada um pouco de lado, para ser retomada com a presidente Dilma Rousseff. Mas apenas de vez em quando, assim que se apresenta a necessidade de ocupar espaço, para dar a impressão de dinamismo.

A penúltima, realizada para "responder" às manifestações de junho, produziu meia dúzia de anúncios cujas consequências inexistem. A última reuniu 15 dos 39 ministros para que a presidente cobrasse a "entrega" de obras e projetos sociais. Estudadamente convocada para um sábado de feriado, a fim de reforçar a imagem de que com Dilma ninguém pode, é trabalho de sol a sol.

Qual trabalho? Segundo o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo (o mesmo que transmitiu a notícia de que rapazes e moças levaram "algumas broncas"), a presidente "está preocupada" e mais, "quer que as coisas aconteçam". Quais coisas? De acordo com ele, "Dilma está cobrando os resultados do que havia sido combinado".

O que havia sido combinado, quando, com quem? Palavras da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann: "A presidenta lançou diversos programas, fez compromissos e agora está na hora de fazer as entregas de governo".

A quais entregas se referia? "São várias entregas, e a presidenta cobrou dos ministros que agilizassem inclusive alguns resultados e que pudéssemos prestar contas à população. Isso tem a ver com resultado de governo. Um governo é eleito, organiza seus programas, trava compromisso com a população e tem de prestar contas", explicou a ministra sem explicar coisa alguma a respeito do que de substantivo foi tratado na reunião. De onde fica a nítida impressão de que o palavreado não obstante óbvio é bonito, mas recende a pura embromação.

Até o caroço. O senador Aécio Neves propõe que o Bolsa Família deixe de ser um programa de governo para se transformar em política de Estado. Apresentou um projeto de lei, cuja trajetória será interessante observar.

De um lado, a oposição deve apoiar a fim de não ser acusada em toda eleição de acabar com o benefício, mas também para tentar tirar do PT uma poderosa bandeira. Que, aliás, o PSDB não soube aproveitar quando plantou a semente anos antes. De outro lado, a situação - a quem não interessa incorporar o programa ao rol das políticas públicas, justamente para continuar faturando eleitoralmente a autoria.

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