sábado, 16 de novembro de 2013

‘A era do rebelde chapa-branca’, de Lobão

Publicado na edição impressa de VEJA
LOBÃO
Vivemos um momento histórico de uma vulgaridade, obscurantismo e insipidez sem precedentes que, por várias razões entrelaçadas, propiciou a eclosão de um personagem patético, insólito, abundante e que ficará marcado como a expressão máxima deste triste período: o rebelde chapa-branca.
Sim! É ele o protagonista em todas as rodinhas, redes sociais, botequins, universidades e passeatas. Revela-se por duas características inseparáveis: é revoltado contra o sistema e, ao mesmo tempo, chancelado por ele. Vamos a alguns exemplos.
O MST é subvencionado pelo governo, tem o respaldo do governo e, no entanto, não para de reclamar, invadir e destruir terras produtivas. No rap, há um sem-número de rebeldes chapa-branca, mas seu ícone são os Racionais. Fazem campanha para o governo, sobem nos palanques, têm o beneplácito da mídia oficial bancada pelo governo e, mesmo assim, são revoltadíssimos contra o sistema! No seu último videoclipe, Marighella, eles aparecem prontos para assaltar a Rádio Nacional, numa reconstituição de época, exibindo inúmeros trabucos de grosso calibre e conclamando à luta armada, incorporando aquela mímica marrenta um tanto canastrona que lhes é peculiar.
O detalhe é que eles estão no poder. Eles são o poder. Eles são a situação.
No aniversário da morte do nosso Che Guevara tupiniquim, a Comissão da Verdade comemorou a data com solenidade e deferência. Marighella pode ter arrancado a perna de uns, matado outros e lutado para implementar uma ditadura sanguinolenta no Brasil, mas os rebeldes chapa-branca chancelam a festa, impõem a farsa com mão de ferro e ai de quem piar.
Na semana passada, o tal Procure Saber implodiu com a defecção do rei, deixando desnorteados Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque ─ rebeldes chapa-branca de longa data. O Gil acabou no comando do Ministério da Cultura, onde foi aninhando sua cria, o Fora do Eixo, que tem como ponta de lança Pablo Capilé, um rapaz que afirma ser contra o direito autoral, contra o autor, contra o livro e é pupilo de Zé Dirceu. Tira dos artistas para entregar de mão beijada aos magnatas das redes sociais como o Google, o YouTube e o Facebook. Isso porque não estamos ainda perguntando para onde foi toda a grana que ele recebeu através das leis de incentivo à cultura. É um típico rebelde chapa-branca. Mas o Caetano acha “muderno” esse retrocesso estúpido e desonesto. O Chico, lá da França, assina carta de apoio ao Genoino. São os nossos coronéis chapa-branca solando de cavaquinho.
Temos de ressaltar também a performance fulminante da presidente do Procure Saber, esta sim uma rottweiler de incontestável pedigree, Paula Lavigne. Descontrolada, vem cometendo lambança atrás de lambança, incluindo um ataque covarde à colunista da Folha de S.Paulo Mônica Bergamo. E o que dizer de sua performance no Saia Justa com a Barbara Gancia? Há um mês, ela invadiu o meu Twitter, acompanhada por uma centena de integrantes da seita black bloc, me chamando de nazista, ex-músico, ex-Lobão, amante da ditadura, decadente (tem gente me chamando de decadente há uns trinta anos). Depois de algumas trocas de gentilezas, fui obrigado a bloqueá-la.
Uma das características dos rebeldes chapa-branca é o uso da técnica do espantalho: criam uma figura caricatural, colocam frases fora de contexto (quando não inventadas) em sua boca e tentam fazer acreditar que essa figura patética é você! Um vodu de psicopata.
Uma jornalista chapa-branca de uma revista bancada pelo governo declarou, num momento de búdica inspiração, que é a favor de fuzilamento para determinados casos (quais seriam?). É o tipo de comportamento visto com simpatia e condescendência pelo rebelde chapa-branca, pois a visão assimétrica do mundo, com um peso para duas medidas, é outra marca registrada dele.
Estou inaugurando com muito orgulho e entusiasmo minha coluna em VEJA. Não é fortuito o nosso encontro, assim como não é por acaso que se percebe a sociedade civil começando a se organizar para repensar a nossa condição atual. Tentarei tratar dessa miséria que nos assola como se estivesse praticando um novo esporte: épater la gauche. Essa turma está imprimindo o ridículo em sua própria história. E desse vexame não escapará.

“O Brasil é um país pra ontem.” (Mim)

Nossa oposição é dez? Sim! É DEZanimada.

“Não podemos negar que alguns homens públicos seriam muito bem vistos em velórios. Belos, floridos e deitados.” (Limão)

“Dirija com cuidado. Não faça do seu carro uma alma.” (Mim)

JUSTIÇA? ONDE? por Janer Cristaldo

Parte da nação se regozija, neste fim de semana, com a prisão de dez dos condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo do mensalão, decretada em data emblemática, a da proclamação da República. De uns tempos para cá, a palavrinha república andou ganhou ganhando prestígio. Foram os petistas que a trouxeram à baila, enchendo a boca com expressões como “valores republicanos”.

Como se valores republicanos quisesse dizer alguma coisa. Até 1991, tivemos a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, ditadura que durou três quartos de século. Ainda temos, sob o tacão da Partido Comunista, a República Popular da China. Isso sem falar na República Democrática Popular da Coréia, que vem sendo governada por “ presidentes” da mesma família desde sua fundação em 1948.

Parte da nação se regozija, dizia. Pois há outra parte que não. A nação está dividida desde 1964, quando os comunistas tentaram reeditar a intentona de Prestes, com apoio da URSS, China e Cuba. Há quem pense que os militares foram os vencedores da luta contra a guerrilha. Nada disso. Os vencedores foram os derrotados. 

Derrotadas na luta armada, as esquerdas venceram a luta política. Tanto que uma guerrilheira é hoje a presidente do Brasil.

Foram derrotados os comunistas? O que vemos são seus líderes em prosa e verso cantados, na literatura e no ensino nacionais, ostentando aura de heróis, dando nomes a salas, ruas e rodovias e gozando de gordas aposentadorias. Os militares, que se pretendem vencedores, foram jogados à famosa lata de lixo da História e relegados ao papel de vilões.

Enquanto o Exército não tinha verba sequer para pagar o rancho de recrutas e sua Força Aérea desfilava a pé, aos vitoriosos de 64 Fernando Henrique Cardoso conferiu honras, glória e gordas aposentadorias.

Nada mais natural, pois, que os quadrilheiros tenham se entregue à polícia brandindo punhos e a auréola dos justos, jogados ao cárcere pelas elites do país. O Supremo Tribunal Federal foi relegado, pelos “heróis”, à condição de um monumento à iniqüidade. Nada de espantar em uma nação que venera como heróis celerados como Che Guevara, Marighella e Lamarca.

As prisões tiveram ampla repercussão na imprensa internacional. Segundo The Economist, “não haverá mais jabuticabas jurídicas para os mensaleiros”, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou protelatórios os recursos da maioria dos réus que entraram com segundos embargos durante a sessão da última quarta-feira. Para o The New York Times, “problemas burocráticos” atrasaram o envio dos condenados no processo para a prisão, e, no Brasil, “é raro políticos brasileiros de alto-escalão condenados por crimes cumprirem pena na prisão”. Para o Washington Post, as prisões dos condenados dispersam especulações de que os envolvidos no esquema encontrariam brechas jurídicas para fugir de suas penas. Já a BBCclassificou o mensalão como o “maior caso de corrupção” do Brasil e destacou o ato do ex-presidente do PT José Genoino que, ao se entregar à Polícia Federal ontem, ergueu seu punho e gritou “viva o PT”. 

Glória ao país que decidiu pôr atrás das grades a cúpula do partido que hoje detém o poder. Restam algumas perguntinhas. Os líderes da negociata, seus autores intelectuais, foram condenados a penas significativas, mas no fundo simbólicas. Alguns ficarão alguns aninhos no cárcere, a maioria em regime de prisão aberta. Só quatro cumpriram a pena em regime fechado. 

Quanto aos operadores, mandaletes de fim de linha, todo o rigor da lei. O empresário Marcos Valério, o principal operador do esquema de compra de votos no Congresso Nacional, foi condenado a 40 anos, quatro meses e seis dias de prisão a ser cumprida no regime fechado em presídio de segurança máxima. Os seis dias denotam a preocupação dos ministros em medir com precisão microscópica a justeza da pena. Mas nem tudo é tragédia na vida do mais castigado pelo STF. 40 anos, em verdade, são pouco menos de sete anos.

Qui prodest? A pergunta é velha mas se impõe. A quem beneficiou a compra de votos? Il capo di tutti i capi está livre como um passarinho e ainda ousa se pronunciar cinicamente, em apoio aos condenados: “estamos juntos”. Domínio de fato só vai até Zé Dirceu. Daí não passa. Lula sabe disso. “Quando a gente começa a mentir, não pára mais" - disse o presidente, em admirável confissão de autoconhecimento. A bicicleta precisa continuar andando. Não são bandoleiros os condenados. Mas heróis injustiçados pela suprema corte.

Zé Dirceu alega inocência e seus relevantes serviços prestados à nação. Por que então saiu voando de seu cargo. Não foi nenhum político de oposição que ordenou "Sai rápido daí, Zé!". Foi Roberto Jefferson, presidente de partido aliado do PT. Sua ordem não admitiu tergiversações. Não passaram 48 horas e o Zé se esvanecia como fumaça ao vento. Bastaram quatro palavrinhas para demitir a Eminência Parda do governo. É óbvio que atrás das quatro palavrinhas havia uma mensagem cifrada, cujo sentido, a nós, pobres mortais, não foi dado entender. Só o presidente e seu todo-poderoso ministro o captaram. E o captaram rapidinho.

Por quatro vezes, os congressistas rejeitaram a taxação dos aposentados e pensionistas, por considerá-la afrontosa a princípios jurídicos como o ato jurídico perfeito e o direito adquirido. Mas a carne é fraca. Na quinta vez, o Congresso não resistiu e inclusive obteve do mandalete gaúcho instalado no STF a autorização definitiva para implantar a taxação da velharada indefesa.

Considera-se que pelo menos uma centena de deputados foram comprados. É um punhado considerável de prostitutas, capaz de virar qualquer votação. Esses deputados não cometeram crime algum? Permanecerão impunes posando de vestais no Congresso? Da centena de implicados, 25 foram condenados e dez foram em cana. E a turma toda dos vendidos?

Resta outra pergunta mais grave, que fiz há oito anos: voto comprado vale? Venalidade pode criar legislação? Pode derrubar cláusulas pétreas e extinguir direitos adquiridos? Se cassados estes deputados, não seria o caso de cassar também seus votos passados?

Dez réus passarão alguns meses no cárcere, em celas isoladas e com a segurança necessária para continuar “trabalhando”. O país continuará sendo regido pelas leis que promulgaram a soldo do governo. 

É a isso que a imprensa chama fazer justiça?

UM POUCO DE HISTÓRIA – Em 2004, Diogo denuncia Pizzolato; em 2005, explode o mensalão; em 2007, petista perde processo que moveu contra colunista; em 2013, ex-diretor do BB foge do país

Ai, ai… Antes de fugir do pais pela rota normalmente usada por traficantes, Henrique Pizzolato exibia gravatas borboletas muito vistosas e era um homem poderoso, um quadro do PT no Banco do Brasil. E costumava apelar à Justiça, na qual ele não acredita, para tentar calar os críticos. Muito típico. Processou, por exemplo, Diogo Mainardi por causa de três colunas publicadas na VEJA. Sentiu-se difamado e pediu indenização. Perdeu em primeira instância. Recorreu. Perdeu de novo. O desembargador Renato Ricardo Barbosa foi muito eloquente. Transcrevo:“E quando se fala em liberdade de informação, a imprensa tem-se revelado o meio de comunicação social mais bem equipado e eficaz na divulgação da notícia. Ao jornalismo sério incumbe, na maior escala, a atividade de informação. No repórter, no sentido genérico do termo, mais que em qualquer outro, recai o compromisso de bem informar, correspondendo ao dever contraposto de liberdade individual de acesso à informação. De priscas eras, nascida antes mesmo da proteção à vida privada, a notícia encontra somente nesta última o seu limite; e assim mesmo, quando o fato não se revista de relevante interesse público. (…) É nesse sentido, sistematicamente interpretado, que o artigo 49 § 1º da Lei 5.250/67 (Lei de Imprensa), prevê a exceptio veritatis, reputando-a inadmissível somente se a divulgação do fato imputado concerne à vida privada do indivíduo e assim mesmo se não foi motivada em razão de interesse público, excluindo a responsabilidade civil.”
Atenção, meus caros! O que vai acima aconteceu em meados de 2007. As colunas de Diogo que motivaram o processo são de 28 de julho de 2004, de 22 de junho de 2005 e de 6 de julho de 2005. A PRIMEIRA, PORTANTO, FOI PUBLICADA ANTES DE ROBERTO JEFFERSON BOTAR A BOCA NO TROMBONE E DENUNCIAR O MENSALÃO, O QUE SÓ ACONTECEU NO DIA 6 DE JUNHO DE 2005, em entrevista concedida à jornalista Renata Lo Prete, então na Folha. Seguem as três colunas. Na segunda, vocês lerão, escrita duas semanas depois da entrevista de Jefferson, Diogo prevê um futuro não muito bom para a reeleição de Lula. Não aconteceu daquele modo. É que ninguém antevia que as oposições, então, fariam a mais estúpida de todas as opções… Como é mesmo? “Deixar Lula sangrar no poder…” Deu no que deu.
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Coluna de 28 de julho de 2004 – Perde Brasil
O time de voleibol do Brasil acaba de conquistar a Liga Mundial. As finais foram em Roma. Os torcedores brasileiros ocupavam um setor inteiro das arquibancadas. Vestiam camiseta amarela, com a marca do Banco do Brasil. Usar dinheiro público para patrocinar o time de voleibol a gente engole. Usá-lo para patrocinar a torcida é demais. O departamento de marketing do Banco do Brasil irá gastar 9,5 milhões de reais para patrocinar a torcida brasileira nas Olimpíadas de Atenas. O mote da campanha é Brilha Brasil. O jeito é torcer contra nossos atletas. Perde, Brasil.
Além de patrocinar a torcida do time de voleibol, o Banco do Brasil está patrocinando a torcida pela reeleição de Lula. Dois dos maiores dirigentes do banco, Henrique Pizzolato e Ivan Guimarães, trabalharam na última campanha presidencial lulista, respectivamente como arrecadador de fundos e coordenador financeiro. Pizzolato foi premiado com o cargo de diretor de marketing do banco e é responsável pela campanha Brilha Brasil. Guimarães tornou-se presidente do Banco Popular do Brasil e é acusado de ter defendido o patrocínio de 5 milhões de reais aos cabos eleitorais petistas Zezé di Camargo e Luciano. O Banco do Brasil gastou 70.000 reais nos espetáculos em que a dupla sertaneja arrecadou fundos para a construção da nova sede do PT. Pizzolato e Guimarães são ligados à CUT, que tem contado com o patrocínio do Banco do Brasil em seus principais eventos, como a festa de vinte anos e o oitavo congresso nacional. Lula é a grande atração da TV CUT, programa semanal feito pelos mesmos publicitários que administram a conta de propaganda do Banco do Brasil. Uma conta que vale 142 milhões de reais anuais.
Quem cuidou do dinheiro de Lula na campanha eleitoral agora cuida de nosso dinheiro no Banco do Brasil. Quem cuidou de sua segurança agora cuida de nossa segurança. Um dos guarda-costas de Lula, Francisco Baltazar da Silva, foi nomeado superintendente da Polícia Federal de São Paulo. Atualmente, está sendo investigado pela compra de 134 600 dólares através do doleiro Toninho da Barcelona. Outro guarda-costas de Lula, Mauro Marcelo de Lima, ganhou a função de diretor-geral da Abin, nosso serviço de espionagem. Entre suas credenciais, há um curso de dublagem e uma ponta numa telenovela de 1982, Elas por Elas. Agente secreto com pendores artísticos é sempre uma temeridade. Em seu discurso de posse, algumas semanas atrás, Mauro Marcelo admitiu estar na “torcida por um bis” presidencial de Lula. O serviço de espionagem dos Estados Unidos, no passado, também torceu pela reeleição de um presidente. O resultado foi Watergate.
As campanhas pelo time de voleibol e pelo bis de Lula só perdem para a campanha pelo desarmamento. O sofisma é o seguinte: o cidadão corre mais riscos com uma arma na mão do que sem ela. O que se pretende demonstrar é que a responsabilidade pelo crime é nossa, não do poder público. Se os guarda-costas de Lula não sabem defender a população, então não podem impedi-la de tentar se defender por conta própria, mesmo que de maneira desastrada. Bem mais honesto do que desarmar o cidadão com falsos argumentos seria oferecer-lhe um curso de tiro e defesa pessoal. Todo mundo com uma arma no coldre e andando a cavalo. Perde, Brasil.
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Coluna de 22 de junho de 2005 – Eu sabia. Todo mundo sabia
Está a maior farra aqui em casa. Chegou a hora de tripudiar. De contar vantagem. De esfregar na cara. De soltar rojão. De me cobrir de glória. O depoimento de Roberto Jefferson na Comissão de Ética foi melhor do que Copa do Mundo. Foi meu hexacampeonato particular.
Lula reagiu ao ataque de Roberto Jefferson afirmando que não aceitaria “vender a alma pela reeleição”. Foi mais uma tentativa de engabelar o eleitorado. Seu governo não foi acusado de vender a alma aos parlamentares. Pelo contrário: foi acusado de comprar.
Agora a reeleição morreu. Não é tão surpreendente assim. Em outubro de 2004, numa coluna intitulada “O partido do topa-tudo”, apostei que Lula não seria reeleito, com o argumento de que “os eleitores estão nauseados com o PT. Ele será sempre identificado como o partido que compra o apoio de outros partidos com malas cheias de dinheiro. Que recebe doações de empresários acusados de corrupção. Que se alia desavergonhadamente a políticos que sempre combateu. Que dá carta branca a seu tesoureiro em reuniões ministeriais. Que protege os amigos do presidente”.
Eu não sou jornalista. Não tenho fonte no Congresso Nacional. Não conheço Roberto Jefferson. Não grampeio o telefone de José Dirceu. Só reuni a informação que estava escancarada na imprensa. Roberto Jefferson diz que todo mundo sabia do esquema de propina do PT. Ele tem razão. Eu sabia. O leitor sabia. Todo mundo sabia. Antes de Roberto Jefferson, um ilustre deputado já tinha dito que “Waldomiro Diniz era um dos caixas do José Dirceu”. Antes de Roberto Jefferson, um nobre senador já tinha chamado Marcelo Sereno de “PC Farias do PT”. Claro que, cedo ou tarde, o esquema seria revelado.
O plano para a reeleição de Lula sempre foi muito suspeito. Quando ele nomeou seu guarda-costas, Mauro Marcelo de Lima, para a diretoria da Abin, eu comentei: “Mauro Marcelo admitiu estar na torcida por um bis de Lula. O serviço de informação dos Estados Unidos, no passado, torceu pela reeleição de um presidente. O resultado foi Watergate”. Quando Lula indicou o arrecadador de fundos de sua campanha eleitoral, Henrique Pizzolato, para a diretoria de marketing do Banco do Brasil, eu também estranhei. Acusei Pizzolato de usar a verba de propaganda do Banco do Brasil para patrocinar a reeleição de Lula, através da TV CUT, da torcida do time de voleibol nas Olimpíadas e do curta-metragem ufanista de Jorge Furtado. Roberto Jefferson disse que a Abin e as agências de propaganda do Banco do Brasil estão envolvidas com o esquema de corrupção do PT. Sugiro que Lima e Pizzolato sejam ouvidos pela CPI.
Lula temia se transformar num Lech Walesa. Se a acusação de Roberto Jefferson for comprovada, é o que irá acontecer. Roberto Jefferson garantiu que Lula não sabia o que os petistas faziam por baixo do pano. Eu sabia. O leitor sabia. Todo mundo sabia. O único que não sabia era seu maior beneficiário: Lula.
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Coluna de 6 de julho de 2005 – Um país detestável
Michel Houellebecq, em Partículas Elementares, definiu o Brasil como uma porcaria de país, “povoado de brutos fanáticos por futebol e por corridas de automóvel. A violência, a corrupção e a miséria estavam no apogeu. Se havia um país detestável, era justamente, e especificamente, o Brasil”. Partículas Elementares é de 1998. Ou seja, foi publicado antes das comemorações do “Ano do Brasil na França”. Imagino que agora, tendo tido a oportunidade de conhecer melhor nossos músicos, cineastas, escritores, artistas plásticos e políticos, todos os franceses compartilhem a opinião de Houellebecq a respeito do país. Se eu fosse o ministro das Relações Exteriores, ou o ministro da Cultura, ou o diretor da Cacex, evitaria exibir o Brasil lá fora. Nossa única chance é que o resto do mundo continue a nos ignorar. Quanto menos contato os estrangeiros tiverem conosco, melhor. Uma iniciativa como o “Ano do Brasil na França” produz danos irreparáveis à nossa imagem. Os franceses levarão meio século para esquecer o que viram.
A comunidade muçulmana na França processou Houellebecq porque ele declarou numa entrevista que o islamismo era “uma religião estúpida”. Os brasileiros não podem fazer o mesmo. Houellebecq tem razão sobre o Brasil. A gente é uma porcaria. A gente é fanático por esporte. A gente é corrupto. Um fato não exclui o outro. Pelo contrário: há uma relação direta entre fanatismo esportivo e corrupção. A investigação sobre a roubalheira petista já revelou que a propaganda estatal era usada para a lavagem de dinheiro. Agora falta descobrir se o patrocínio de eventos esportivos tinha a mesma finalidade. Eu persigo o diretor de marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato. Sou seu professor Moriarty. Cheguei a recomendar sua convocação à CPI. Tenho certeza de que ele pode explicar direitinho como funciona o esquema de distribuição de verbas promocionais das empresas públicas. Pizzolato está por dentro de tudo. Além de arrecadar fundos para as campanhas eleitorais de Lula, ele comanda o investimento em publicidade do Banco do Brasil e decide o patrocínio da estatal a eventos esportivos. É o nosso homem.
Um dos eventos esportivos patrocinados por Pizzolato foi um torneio hípico realizado pelo publicitário Marcos Valério. O maior quinhão do Banco do Brasil, porém, é destinado ao vôlei e ao tênis. O Banco do Brasil, quase sempre em sociedade com a Koch Tavares, financia praticamente sozinho todo o tênis nacional. Patrocina Gustavo Kuerten, o Brasil Open, o Ourocard Challenger, o circuito juvenil, o Masters e o Aberto de São Paulo, através de sua subsidiária Cobra Tecnologia. Nos dois primeiros anos do governo Lula, a Cobra foi comandada por Graciano Santos Neto. Ele é uma das figuras mais comentadas do petismo. Era diretor da Gtech na época em que Waldomiro Diniz negociava em favor da empresa. Na Cobra, foi acusado de beneficiar empresas privadas com o repasse de contratos sem licitação. Graciano é tenista amador. Em 2004, jogou uma partida preliminar da final do Aberto de São Paulo, torneio patrocinado pela própria Cobra. Ao término da partida, concedeu-se inclusive um troféu. Como diria Houellebecq, é detestável que Graciano tenha se aproveitado do dinheiro público para se exibir num torneio de tênis. E é ainda mais detestável, “especificamente detestável”, que ninguém tenha pensado em expulsá-lo da quadra a raquetadas.
Por Reinaldo Azevedo

Professor de esquerda é flagrado tentando negar a existência do mensalão. Pobre academia! Ou: O que ele diria na Alemanha da década de 30 do século passado?

Marcos Nobre, que é professor de filosofia – chamado também de filósofo, que me parece ser outra coisa –, concede neste sábado uma entrevista à Folha. Dá para discordar da primeira à última linha. Mas me atenho a três respostas. Reproduzo em vermelho. Comento em seguida.
(…)
Então foi injusto [resultado do julgamento do mensalão], é isso?
Não, não. Justiça ou injustiça é um ponto de vista moral e político. Do ponto de vista jurídico, a gente pode dizer se uma questão é legítima ou ilegítima. Ela se dá no âmbito de uma discussão pública e política mais ampla. Pode haver uma reação pública de tal ordem que faça com que uma decisão legal fique ilegítima. Hoje, no jogo político atual, está parecendo como uma sentença legítima.
Se é assim, o tempo pode deslegitimar essas sentenças?
Pode. Daqui para frente pode ser que as penas aplicadas não sejam tão graves. Ai vão dizer: “olha, isso prova que a sentença do mensalão foi dura demais”. Estarão querendo dizer: “não foi totalmente legítima”.
(…)
Comento
Marcos Nobre é um esquerdista inconformado com o “conservadorismo” do PT. Está naquele grupo que adoraria ensinar a Lula como ser um socialista de verdade, como comandar o segundo maior partido de esquerda do Ocidente — só perde para o cubano.
As respostas de Nobre explicam por que o socialismo se fez um regime compulsivamente homicida e, ainda assim, contou e conta com o apoio de “intelectuais”. Na sua visão de mundo, o que torna legítimas ou ilegítimas as decisões legais é a reação pública. Entendo. É uma fórmula, professor? Pode ser aplicada sempre, em qualquer circunstância? Então vamos ver.
Os vários fascismos europeus e o socialismo contaram ou com o silêncio cúmplice da tal “opinião pública” ou, a depender do momento, com a sua adesão entusiasmada. A sequência de leis na Alemanha nazista que foram banindo os judeus da vida pública (incluindo os negócios privados), até confiná-los em guetos e depois nos campos de concentração, merecem a designação de “legítimas”? Que pertencessem a um arcabouço legal, isso é inegável. Eram, afinal, as leis daquele regime. Poder-se-ia objetar que não eram leis “morais”. Mas, seguindo o raciocínio tão especioso do Nobre, poder-se-ia perguntar: “Eram imorais para quem?”. Afinal, como poetizou Trotsky, existem “a nossa moral e a deles”…
Se você ler a entrevista, perceberá que Nobre não dirige uma só palavra de censura aos mensaleiros, nada! Para ele, tudo não passa de um jogo. Dada a moral vigente — e não parece que ele tenha assim tanta simpatia por ela —, os mensaleiros foram condenados. Mas ele não é do tipo que lida com valores apriorísticos. Isso é coisa de conservadores, de reacionários. Assim, a depender das circunstâncias, roubar dinheiro público pode, sei lá, ser uma coisa aceitável.
Não é por outra razão que ele censura duramente uma fala de Celso de Mello — aliás, a melhor saída da boca do ministro no julgamento. Vale a pena reproduzir trecho de outra resposta:
(…) Celso de Mello foi um dos votos mais lamentáveis. Julgando crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, fundamentou a decisão com a expressão “atentado à democracia”. Um desequilíbrio flagrante. Se há atentado à democracia, há atentado à Constituição. Então ele estava chamando as pessoas de terroristas. Quem está sendo julgado são indivíduos. Não é o sistema político nem os partidos, não é terrorismo. Atentado à democracia? Absurdo.
Comento
Huuummm… Em primeiro lugar, há acima uma definição absolutamente nova, original, única mesmo, do que seja terrorismo. Todo ato terrorista, com certeza, constitui um atentado à democracia e à Constituição, mas será que todo atentado à democracia e à Constituição é um ato terrorista? Acho que não…
Uma lei pode, por exemplo, atentar contra a democracia — tornando-a mais rígida, mais excludente, menos tolerante — sem, no entanto, atingir a Constituição. Querem um exemplo? A que cria embaraços à formação de novos partidos. Dados forma e momento, é casuística. Mas é discutível se fere a Constituição. O Supremo vai dizer. Digamos que o tribunal a declare inconstitucional. Pergunta-se: terá sido um ato terrorista? Tomemos outro exemplo. A Lei de Cotas agride o princípio da igualdade perante a lei. A união civil entre pessoas do mesmo sexo afronta um artigo explícito da Constituição. Estaríamos diante de “atos terroristas”? Tenha paciência!
Nobre quer outra coisa. Está, na prática, tentando negar a existência do mensalão. Tudo não passaria de uma porção de crimes, desarticulados entre si. Quando Celso de Mello falou em atentado à democracia, referia-se ao fato de que um grupo teve a ousadia de montar uma espécie de Parlamento paralelo, alimentado por dinheiro ilegal — parte dele saída, não custa lembrar mais uma vez, dos cofres públicos, do Banco do Brasil.
É claro que o Nobre está errado em tudo. A democracia não é só um regime de maioria. Também é um regime de valores. Se a maioria decidir amanhã que bandidos devem ser linchados em praça púbica, sem o devido processo legal, nem por isso o dito-cujo terá sido deslegitimado, e o linchamento, legitimado. Nesse caso, a maioria é que terá se tornado ilegítima. E a democracia terá de protegê-la de si mesma e de se proteger dela.
A democracia não pode ser democrática a ponto de permitir que a maioria ponha fim à democracia. Quem escreve isso, claro!, é alguém que repudia ditaduras, tenham elas o sinal ideológico que for. Não é, percebe-se, o ponto de vista de Marcos Nobre.
Por Reinaldo Azevedo

“O meu cartão de crédito só serve para tirar tinta de raspadinhas.” (Climério)

“Já que os sábios são raros o povo está amando os imbecis.” (Filosofeno)

“Vamos nos conformar. Com Lula e agora com Dilma já estamos na metade do caminho para o nada.” (Mim)

“Do PT o pior você não vê. É o partido do escondidinho.” (Limão)

“Algumas idéias políticas a gente só limpa com papel higiênico.” (Mim)

“Não inventei Deus, mas recebo os royalties.” (Helldir Macedo)

SUGESTÃO- Agora no Ministério da Cultura, Marta poderia financiar um filme sobre seu ex-marido, o Senador Suplicy. Nome? “O Discurso e o Sono.”

“A mãe de Hitler achava ele um anjinho. O certo é que as mães também se equivocam.” (Filosofeno)

PERGUNTAR NÃO OFENDE: sobre o punho levantado de Dirceu, rumo à carceragem

Ricardo Setti

PERGUNTAR NÃO OFENDE: sobre o punho levantado de Dirceu, rumo à carceragem

São Paulo, 15 de novembro de 2013, edifício-sede da Superintendência da Polícia Federal, 20h27: Dirceu se apresenta à carceragem e saúda meia dúzia de barulhentos partidários (Foto: Ivan Pacheco)
São Paulo, 15 de novembro de 2013, edifício-sede da Superintendência da Polícia Federal, 20h27: Dirceu se apresenta à carceragem e saúda meia dúzia de barulhentos partidários (Foto: Ivan Pacheco)
Acho que quase todos vocês, leitores do blog, viram pela TV, agora há pouco: o ex-todo-poderoso ministro-chefe da Casa Civil de Lula, José Dirceu, nome certo na disputa pela sucessão do chefe depois de seus dois mandatos se não fosse o mensalão, finalmente se apresentou à carceragem da Polícia Federal, em São Paulo, para, dali, ser resolvido seu destino como presidiário no regime semi-aberto.
Mais de oito anos depois da denúncia do escândalo do mensalão pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), mais de sete anos depois do oferecimento da denúncia ao Supremo pelo procurador-geral da República, mais de seis anos após a aceitação da denúncia pelo Supremo, chegava, enfim, o momento da eminência parda do lulalato enfrentar a cadeia.
Ainda resta a ser julgado um embargo infringente que pretende contestar um dos crimes pelos quais Dirceu foi condenado pelo Supremo, o de formação de quadrilha. Mesmo assim, por ordem do presidente do Supremo, ministro Joaquim Barbosa, ele, como outros mensaleiros, começará a cumprir sua pena.
Dirceu chegou à PF de camisa esporte, sorridente, e, à entrada do edifício, dirigiu a um pequeno grupo de barulhentos partidários — vários dos quais perturbaram o trabalho de profissionais da imprensa — com a velha saudação comunista do punho erguido. Punho esquerdo, aliás.
Perguntar não ofende: o que significou esse punho erguido?
Vitória?
Por mais maluco que seja, em caso afirmativo, que vitória, exatamente?
A de ter em seu prontuário, para sempre, o carimbo de criminoso condenado?
Júbilo?
Por querer se transformar em “preso político” numa democracia como a brasileira, que, por sinal, concede benefícios inimagináveis aos infratores das leis penais?
Sinal de que “a revolução” está em marcha? Qual “revolução” — uma de que fazem parte Renan Calheiros, Collor, Maluf, Jader Barbalho, Sarney, a bancada evangélica, os fisiológicos do PMDB?
Fica a pergunta no ar. Como se sabe, perguntar não ofende.

Toquei na ferida da esquerda caviar jurídica, por Rodrigo Constantino

Ao expor um juiz que tem a foto do assassino Che Guevara no gabinete, toquei na ferida da nata da esquerda caviar jurídica. Vários estão em polvorosa, desesperados, fazendo o que sabem fazer bem: apelar para ofensas pessoais, pois não podem rebater os fatos.
Foi o caso de Geraldo Prado. Professor de Direito Processual Penal da UFRJ, membro da “Associação Juízes pela Democracia” (que defende o oposto da verdadeira democracia representativa republicana), ex-Desembargador da 5a Câmara Criminal do TJRJ (hoje aposentado). Eis o currículo do homem, pelo que soube. Mas que falta de argumentos! Vejam a mensagem que escreveu em seu canal do Facebook (ele em vermelho, eu em azul):
Recentemente Miriam Leitão definiu o mencionado blogueiro e outro, que atua na mesma frequência, no âmbito do reacionarismo, como típicos exemplos de “indigência mental”, com responsabilidade pelo baixo nível do nosso debate político.
É muito feio apelar para o que uma jornalista disse, como se isso fosse algum tipo de argumento. Míriam Leitão, não custa lembrar, é odiada por essa mesma esquerda jurássica, que adora poder usá-la para atacar liberais e conservadores. Papelão dela tentar fazer média com essa turma, não é mesmo? Rebati aqui seu péssimo e contraditório texto. E provei, no último artigo do GLOBO, quem é responsável pela miséria do debate. Mas divago.
Estes personagens exprimem o ódio quase incontrolável dos herdeiros da Casa Grande pelas transformações de uma cidadania que não se cala diante das injustiças sociais e econômicas e que, suprema “blasfêmia” aos olhos intolerantes, ainda tem a petulância de lutar por sua cultura, dissociada dos padrões anêmicos e estéreis da cultura de apologia ao “bem sucedido consumidor, homem branco de classe média alta, que mora no asfalto”.
Repararam quem exprime ódio? Só no meu blog já apareceram vários em defesa do tal juiz desejando minha morte, falando que os dias da Veja estão contados, torcendo para que eu me dê mal, etc. E lá vai o sujeito falar de Casa Grande e monopolizar as virtudes em defesa da luta contra as “injustiças sociais”. É muita cara de pau! Elite da esquerda caviar, que goza de elevados salários, estabilidade de emprego e todas as regalias da categoria, falando que só ela se preocupa com os pobres! Notaram ainda a intolerância do “tolerante” para com a classe média branca? Que coisa. Quanto ódio…
A força que Constantino exibe tem nome: truculência. O próprio fato de o vocabulário do blogueiro estar limitado a poucas palavras – por isso o recurso ao chulo, de baixo calão – é revelador dos seus ainda mais limitados horizontes, desproporcionais à ambição de servir aos que supõe serem os senhores de escravos de um neofeudalismo contemporâneo.
Constantino tem seus seguidores… afinal outros do gênero também tiveram os seus, em sua tarefa de eliminar o Outro, o diferente.
Eu sou o truculento? O juiz que o jurista defende usa uma foto do assassino Che Guevara, que fuzilava inocentes, incluindo adolescentes ou mulheres grávidas, só por não concordarem com a revolução comunista. Mas eu sou truculento por expor isso? Vocabulário limitado? E o mesmo que me acusa disso estava, há duas linhas, falando mal da classe média do asfalto em defesa dos favelados? Qual o vocabulário do ex-presidente Lula? Quanta arrogância, elitismo e preconceito! Que tal focar nos argumentos? Difícil, não? 
Senhores de escravos? Quem seriam? Os burgueses da classe média que ele disse que defendo há poucas linhas? Dona Maria tem escrava por ter uma empregada doméstica agora? Seu José é escravocrata por ter um pequeno negócio que emprega 5 funcionários? 
Como esse senhor fala em eliminar o Outro, o diferente, se o que ele está fazendo é justamente defender um juiz que defende Che Guevara, que literalmente eliminava o Outro, o diferente? Quem mostra intolerância com o diferente aqui? Quem, se poder tivesse, sem dúvida fecharia a Veja no mesmo dia, para não aturar o contraditório? Pois é…
O mundo, no entanto, mudou tanto que não há mais espaço para retrocessos.
Ao contrário, são intelectuais e juristas como Rubens Casara que, para além de serem porta-vozes das mudanças, são atores das transformações e a admiração que merecem e a inspiração que espalham frutificam muito mais que o ódio que lhe dirigem os intolerantes.
Como repete o termo tolerância! Seria para disfarçar tanta intolerância? Projeção? Freud explica. No mais, quais mudanças o juiz defende? Aquelas que transformariam o Brasil em uma Venezuela? E isso é admirável? 
Para a história, por certo, ambos ficarão: Rubens e Constantino. Mas cada um no seu lugar. Rubens como jurista das transformações e da igualdade e Constantino… bem, esse a Miriam Leitão me poupou o trabalho de definir.
Vaidosos da esquerda caviar adoram pensar em como serão vistos pela história. Por isso tanto foco nas aparências, na retórica vazia, no discurso sensacionalista. Já eu prefiro focar no que é verdadeiro, correto, nas minhas convicções com honestidade intelectual. São abordagens bem diferentes.
A “história”, especialmente aquela rescrita pelo poder, pode colocar Fidel Castro como humanista defensor dos oprimidos, mas os fatos não mudam por isso: é um tirano assassino, um psicopata, o líder da ditadura mais longa e cruel do continente.
A “histórica” pode pintar, nas tintas mentirosas da imprensa chapa-branca, um guerrilheiro comunista como combatente pela democracia, mas quem tiver sinceridade para pesquisar a verdade, saberá que são coisas incompatíveis.
Enfim, não sei como vou ser visto pela “história”, mas sei que posso dormir muito tranquilo com minha consciência. Será que Geraldo Prado pode dizer o mesmo? Será que ele dorme bem sabendo que fala em nome dos pobres, enquanto esfola seu couro com altos impostos para pagar seus grandes salários de servidor público? A esquerda caviar é isso mesmo. Não dá para esperar nada diferente. Só nos resta desmascará-la…

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