domingo, 24 de novembro de 2013

“Confesso que cansei. Já olho para meu título de eleitor com certo desprezo.” (Mim)

“Sou do tipo que não sai de casa sem antes meter fogo no horóscopo.” (Mim)

“Alguns filmes são tão ruins que a gente não sabe como a produção não matou o diretor.” (Mim)

“A sorte não agracia fulano ou beltrano por merecimento. A sorte cavalga no vento, e sem escolher, cai às vezes no colo de um imprestável.” (Filosofeno)

HERDEIROS DE CARAMURU

HERDEIROS DE CARAMURU

Percival Puggina

"Agora tem o Brasil das mulheres e o Brasil dos homens até nos discursos das autoridades, o Brasil dos negros, o Brasil dos brancos e o Brasil dos pardos, o Brasil dos héteros e o Brasil dos gays, o Brasil dos evangélicos e o Brasil dos católicos, Brasil com bolsa família e Brasil sem bolsa família e nem sei mais quantas categorias, tudo dividido direitinho e entremeado de animosidades, todo mundo agora dispõe de várias categorias para odiar! A depender do caso, o sujeito está mais para uma delas do que para essa conversa de Brasil, esquece esse negócio de Brasil, não tem mais nada disso!" João Ubaldo Ribeiro

O fato é que Cabral não tocou direto para as Índias. Tivesse seguido o riscado, o Brasil de hoje seria o paraíso tropical com que sonham alguns ambientalistas, antropólogos e militantes de qualquer tese que possa gerar encrenca. Os índios do mato continuariam disputando território a flechadas com os do litoral, que índio também gosta de praia, e os portugueses, sem quaisquer remorsos, comeriam seu bacalhau no Campo dos Cebolas. Mas os navegadores lusitanos (assim como os espanhóis) eram abelhudos e iniciaram seu turismo pelos sete mares. Os primeiros descobriram o Brasil e os segundos descobriram tudo ao redor do Brasil.

Bem feito, quem mandou? Agora temos que conviver com leituras da história que nos levaram à situação descrita por João Ubaldo Ribeiro. Segundo elas, até o século 15, o zoneamento era perfeito - brancos na Europa, negros na África, índios na América e amarelos na Ásia. Cada macaco no seu galho. No entanto, graças à bisbilhotice ibérica, estamos nós, herdeiros de Caramuru, com contas imensas a pagar porque os justiceiros da história adoram acertos e indenizações promovidos com os bens alheios. Entre elas, a conta dos índios. Como é fácil fazer justiça expropriando os outros!

O princípio segundo o qual o Brasil era dos índios e deles foi tomado pelos portugueses ganhou sensível impulso com os preceitos do artigo 231 da Constituição de 1988. Mas se o princípio estivesse correto e se quaisquer direitos originais de posse pudessem ser invocados, não sei se alguém, no mundo de hoje, ficaria onde está. Não me refiro sequer aos primeiros fluxos migratórios através dos milênios. Refiro-me às mais recentes e incontáveis invasões e guerras de conquista que marcam a história dos povos. E note-se que as guerras de conquista não geravam indenizações aos vencidos, mas espólios aos vencedores.

Faço estas observações diante do que está em curso em nosso país com os processos de demarcação de terras indígenas. É o próprio Estado brasileiro, através de suas agências, reclamando por extensões mais do que latifundiárias e jogando nas estradas e na miséria legiões de produtores e suas famílias. É o braço do Estado gerando novas hostilidades no ambiente rural do país (como se já não bastassem as estripulias do MST). Índios e não índios merecem ser tratados com igual dignidade. Mas não se pode fazer justiça criando injustiça, nem se pode cuidar do país entregando o país. Não existem outras "nações" dentro da nação brasileira. E é exatamente isso que está em curso, sob pressão de uma difusa mas ativa conspiração internacional, conjugada com o CIMI e a FUNAI, que quer o Brasil e os brasileiros longe da Amazônia, por exemplo.

Índio não é bicho para ser preservado na idade da pedra lascada, como cobaia de antropólogos, num apartheid que desrespeita o natural processo evolutivo. Ou armazenado, como garrafa de vinho, numerado e rotulado, com designação de origem controlada.

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* Percival Puggina (68) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, membro do grupo Pensar+.

Nada como um debate civilizado, por Rodrigo Constantino

Acabei de participar de um excelente debate organizado pelo Instituto de Formação de Líderes (IFL) de Belo Horizonte, na encantadora cidade de Ouro Preto (eis o motivo de o blog estar pouco ativo nesses dias). O outro palestrante era um ex-reitor da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), claramente com viés de esquerda. Isso não impediu o ótimo nível do debate, tampouco a cordialidade entre todos os participantes.
O tema sugerido era a educação no Brasil (publico depois minha palestra em áudio). Tema complexo e polêmico, não resta dúvida. Temos, eu e o professor, pontos de vista diferentes, algumas vezes convergentes. Defendi uma drástica redução do papel do estado neste importante setor, assim como a política de voucher (vale-educação). Já o professor acredita mais em um Plano Nacional de Educação, ou seja, um programa mais centralizado, com uma política de estado, e não de governos.
Boas controvérsias surgiram nas mais de três horas de conversa. As perguntas inteligentes ajudaram. Mas, aqui, o importante que quero frisar é o seguinte: como é bom um debate civilizado! Essa é, aliás, a essência da educação liberal, que busca a isenção na largada, a procura desinteressada pelo conhecimento objetivo, com honestidade intelectual. Um grande diálogo aberto de seres falíveis dispostos a reconhecer o que o outro lado tem de bom a dizer.
É muito importante lembrar disso em tempos em que xingamentos e rótulos pejorativos voam de todos os lados, quando não a tentativa de intimidação e agressão física para impedir o contraditório, como vimos nos lamentáveis casos com Demétrio Magnoli e Luiz Felipe Pondé na Flica, em Cachoeira. Ou quando vemos a ombudsman da Folha rotular de “rotweiller” Reinaldo Azevedo, e ser aplaudida pela jornalista Míriam Leitão, em vez de focar nos argumentos – ou para fugir deles.
Talvez o ambiente, claramente desproporcional em favor dos mais liberais, tenha ajudado. O professor, que parece muito educado e civilizado, pode ter sido mais moderado no conteúdo porque estava diante de um grupo muito liberal. Talvez se estivesse na própria faculdade, com os alunos de esquerda em maior número, tivesse adotado um tom um pouco diferente. Não sei dizer.
Mas eis outro ponto importante: já cansei de ver ambientes com liberais respeitando o contraditório, o ponto de vista de esquerdistas, com educação. Uma única vez vi um deles ser vaiado em peso no Fórum da Liberdade, em Porto Alegre. Era um político que acabara de mentir descaradamente. Ainda assim a organização condenou o ato e pediu mais respeito.
Os oponentes do liberalismo são convidados para palestrar em eventos liberais. O mesmo raramente ocorre nos eventos de esquerda. E quando um liberal fala para plateias com muitos esquerdistas, em universidades federais, por exemplo, costuma ser alvo de ataques e gritos de claques socialistas. Isso é muito feio…
Quem tem medo do embate de ideias? Nós, liberais, não temos. Reconhecemos nossa falibilidade, e depositamos muito valor no pensamento crítico, na isenção nessa eterna busca pela verdade e por conhecimento. Portanto, repito: nada como um debate civilizado!

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