sábado, 30 de novembro de 2013

“Após contar para ela quem são os nossos futuros presidenciáveis, vi a Esperança fazer a mala e ir embora.” (Pócrates)

“Dizem que se parecemos com nossos donos. Eu não sabia que era um mau-caráter.” (Bilu Cão)

“Para saber-se ignorante é preciso estudar muito.” (Filosofeno)

“Embarquei minha saudade nas asas de um passarinho. Lá vai ela visitar você.” (Mim)

ÔNIBUS BRASIL

Um ônibus lotado de turistas brasileiros subia pelos Andes, abismos assustadores deixavam inquietos os passageiros. O veículo apresentava ruídos estranhos, que todos a bordo notaram. Por diversas vezes foram falar com o motorista sobre isso, que apenas dizia: “tudo normal, logo ali na frente vai parar.” Assim foi até que o ônibus despencou pela ribanceira. Quando parou lá embaixo, um dos viajantes que não estava totalmente quebrado perguntou para o colega:
”Como é mesmo nome desse motorista filho da puta?”

“Parece que é Mantega”, respondeu o outro se esvaindo em sangue.

“E como dizia um amigo surdo-mudo que também não falava por sinais, pois lhe faltavam todos os dedos: “Quem muito anda com morcegos acaba dormindo de cabeça para baixo.” (Mim)

"Gato calado também bebe leite e puder come o passarinho.” (Eriatlov)

“O eleitor gosta de ser comprado e nós gostamos de comprar. Assim só temos compromisso da boca para fora.” (Deputado Arnaldo Comissão)

“Se eu tiver que escolher entre o Papa e o ar-condicionado, irei escolher o ar-condicionado.” (Woody Allen)

“Pior do que ter um Papa argentino só mesmo se ele fosse o Maradona.” (Mim)

“O mito diabo só prolifera em mentes onde abunda a ignorância.” (Filosofeno)

“Colocam maldades feitas na minha conta. Dizem que entro no corpo das pessoas para cometer barbaridades. Eu não entro no corpo de ninguém, na verdade não estou entrando nem mesmo no corpo de minha mulher.” (Satanás)

Ah, que inveja da Alemanha! Que inveja! Uma coligação de governo sem maracutaia!

Ricardo Setti-Veja


Angela Merkel e seus aliados, Sigmar Gabriel, presidente do SPD (esq), e Horst Seehofer, presidente da CSU (dir.) (Foto: Michael Sohn / AP)
Merkel com seus aliados, o presidente do SPD, Sigmar Gabriel (esq.), e o presidente da CSU, Horst Seehofer: coligação de governo séria, em um pais sério onde, segundo a revista “The Economist”, “a palavra sério quer dizer exatamente isto” (Foto: Michael Sohn / AP)
Esta semana a chanceler da Alemanha, Angela Merkel — a governante mais poderosa da Europa e uma das líderes mais influentes do mundo — fechou um acordo para que seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU) e seu partido irmão União Social-Cristã (CSU), do Estado da Baviera, governasse em coligação com os tradicionais adversários do Partido Social-Democrata (SPD).
Merkel terá uma maioria esmagadora: num Parlamento de 631 deputados, como o Bundestag alemão, terá uma bancada de 503.
E sabem como se procedeu a aliança com os social-democratas?
Merkel NÃO aparelhou o governo com os sindicalistas aliados do SPD para agradar os novos aliados.
Merkel NÃO loteou cargos de confiança no governo entre os partidos da coligação.
Merkel NÃO prometeu destinar “emendas parlamentares” para que os deputados da coligação distribuam verbas em fontes luminosas e ginásios de esportes em suas regiões de origem.
Merkel NÃO decidiu rechear as seríssimas e rigorosas agências reguladoras do governo alemão — em áreas como telecomunicações, transportes terrestres, aviação e energia — com cupinchas dos aliados, nomeados (como ocorre no Brasil) por sua ideologia ou militância, e não por sua competência.
Merkel NÃO resolveu aumentar os atuais 14 Ministérios existentes para abrigar políticos.
Merkel, é claro, NÃO acertou qualquer mensalão para atrair deputados para a base de apoio de seu governo.
Merkel, em suma NÃO FEZ NADA do que se costuma fazer no Brasil do lulopetismo, em nome desse monstro invisível chamado “governabilidade”, que justifica todo tipo de atropelo ao bom senso, à meritocracia e à moralidade pública.
O que fez a firme chanceler alemã, há oito anos e três eleições no poder, para fechar uma coligação que vai permitir que governo tranquilamente por todo seu mandato de quatro anos?
Merkel fez o que se faz nos governos decentes de países sérios — e, como escreveu há algum tempo a revista britânica The Economist, a chanceler vem conduzindo “um governo sério, num país sério onde a palavra sério quer dizer exatamente isto”: discutiu, durante um mês, em que medidas para o bem da Alemanha democratas-cristão e social-democratas — que divergem em inúmeros pontos — concordam.
O Bundestag, o parlamento alemão: entre 631 deputados, Merkel terá o apoio de 503 -- sem mensalão, sem aparelhamento do Estado, sem aumentar o número de ministérios... (Foto: bundesfinanzministerium.de)
O Bundestag, o parlamento alemão: entre 631 deputados, Merkel terá o apoio de 503 — sem mensalão, sem aparelhamento do Estado, sem aumentar o número de ministérios… (Foto: bundesfinanzministerium.de)
Os pontos sobre os quais ambos concordam foram a ponte para o acerto político. Mas, em se tratando de um pais sério, esses pontos foram esmiuçados em um sólido documento de 170 páginas contendo o programa que o governo de coalizão entre dois grupos adversários executará.
As 170 páginas prevêem, com detalhes, como se darão as melhoras no sistema de previdência social, em quais projetos serão aplicados os investimentos adicionais na área de educação e pesquisa científica, o que deve ser feito para aperfeiçoar e ampliar os sistemas de transportes (rodovias, as já fabulosas autobahns, e ferrovias), o estabelecimento por lei, a partir de 2015, de  um salário mínimo (8,5 euros — 27 reais — por hora, o que significa algo como 4.320 reais mensais) — não existe salário mínimo legal na Alemanha, só os valores estabelecidos em acordos entre sindicatos de patrões e de trabalhadores — e até os requisitos exigidos para que aos cidadãos alemães seja possibilitado algo até agora inexistente, a dupla cidadania.
Detalhe importante: o documento inclui o compromisso férreo de não se aumentar impostos durante os próximos 4 anos.
Enquanto isso, num grande país do Hemisfério Sul, que tem 39 ministros e 20 mil cargos de confiança loteados entre cupinchas dos partidos do governo…

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