terça-feira, 3 de dezembro de 2013

‘Laços de família’, por José Casado

Publicado no Globo desta terça-feira

JOSÉ CASADO

Eram quatro mil colonos, entre eles Marcos. Deixara uma reduzida lavoura no entorno da represa de Capivaras, na divisa entre Paraná e São Paulo, seduzido pela promessa de terras férteis e baratas dois mil quilômetros acima, às margens do Rio Colorado, no Sul de Rondônia.

Chegou com a família e a velha Bíblia, em meados dos anos 70. Trabalhou por uma década, venceu a eleição para a prefeitura e nomeou a parentela para as secretarias. Oito anos depois, a hegemonia do clã foi reafirmada na eleição do mais velho dos filhos, Melkisedek, que também nomeou 13 parentes.

Quando Colorado do Oeste pareceu pequena, Melkisedek migrou para a vizinha Vilhena. Elegeu-se prefeito em 1996. Reelegeu-se em 2000 com o primo Marlon na vice, que lhe sucedeu em 2004. E fez da irmã Miriam prefeita de Colorado.

O clã partilhou o Sul de Rondônia sob a legenda do PMDB. Fez prefeitos, vices e vereadores em diferentes cidades ─ todas com menos de 30 mil habitantes e dependentes do dinheiro de Brasília. A família ainda tentou chegar ao governo do estado e ao Senado. Sem êxito, contentou-se com a eleição do deputado estadual Marcos Antonio, logo instalado na presidência da Assembleia. Em 2004, vinte anos depois de o patriarca trocar o cultivo da terra pela lavoura de votos, seu terceiro filho, Natan, chegou à Câmara dos Deputados. Era o animador dos comícios do PMDB, explorando o vibrato natural em coletâneas de músicas sertanejas.

O clã virou caso de estudo, como mostra o livro do jornalista Chico de Gois, pelo repertório de falcatruas cometidas contra a administração pública ─ de nepotismo e fraude eleitoral a desvio e roubo de verbas federais, estaduais e municipais. Os ex-prefeitos Melkisedek e Miriam foram condenados por desonestidade. A Justiça proibiu o irmão mais velho de passar em frente da sede da prefeitura de Vilhena.

Outros dois irmãos já não frequentam os plenários em Porto Velho e em Brasília. A cela do deputado estadual Marcos, condenado a 9 anos, fica a 2.400 quilômetros de distância do presídio onde está o deputado federal Natan, sentenciado a 13 anos. São locais “P-0″, “prisão-zero” no jargão da carceragem, porque ali não tem nada, os detentos têm no máximo direito à companhia de um balde ─ “para, quando acabar a água, você ter uma água reservada”, contou Natan há 40 dias, ao sair do presídio, algemado, para assistir à sessão na qual a Câmara decidiu não lhe cassar o mandato. Até levou um recado dos companheiros penitenciários: “Eles me falaram: ‘Deputado, não se esqueça de falar da nossa alimentação.’ É muito ruim, inclusive tenho a síndrome do intestino irritável, que, associada ao estresse, me faz passar muita dificuldade lá.”

Mais da metade da bancada federal de Rondônia enfrenta processos por suspeita de roubo de dinheiro público. Não é exotismo amazônico. Mais de 800 ações judiciais contra políticos, que têm ou tiveram mandato, aguardam julgamento no Supremo Tribunal Federal. Elas indicam um padrão de desvios que começa com nepotismo, evolui para o roubo, e, às vezes, termina em homicídio. O Legislativo introduziu uma novidade: se mostra decidido a proteger seus presidiários. Os irmãos Marcos e Natan Donadon há meses vivem em celas com seus baldes e comem a “xepa”, mas continuam deputados.

O QUE ROLA NA INTERNET


Um pé atrás

DORA KRAMER - O Estado de S.Paulo
Para o seu molde, o PT tem reagido discretamente às pesquisas de opinião que vêm confirmando a dianteira da presidente Dilma Rousseff nas intenções de votos e mostrando a estagnação - quando não queda - dos pretensos adversários.
O partido é estridente, na alegria e na tristeza. Seria de se esperar que a recuperação da presidente em relação às perdas do primeiro semestre fosse motivo de foguetório.
Não tem sido assim e por um motivo: avaliações internas não consideram que a situação seja tão confortável como podem fazer crer interpretações numéricas que falam em vitória no primeiro turno "se a eleição fosse hoje".
Em primeiro lugar, se as eleições fossem "hoje", as circunstâncias seriam outras, a começar pelo grau de exposição dos outros candidatos. A presidente reina praticamente só na cena, enquanto os oponentes não lançaram suas candidaturas e o eleitorado não está mobilizado para o tema.
Aécio Neves ainda tem um alto grau de desconhecimento País afora e Eduardo Campos nem se fala; para o grande público no momento é o famoso "quem". Na penúltima pesquisa Datafolha 45% disseram que nunca ouviram falar nele e apenas 8% afirmavam conhecê-lo bem.
Quando a campanha realmente começar é evidente que vão reduzir a desvantagem. Podem até nem chegar perto de Dilma e o resultado em 2014 pode ser mesmo a reeleição da presidente. Mas parados não vão ficar.
De onde o patamar de 37% a 47% (dependendo do cenário) mostrado pela última consulta do Datafolha inspira cuidado. Dilma é a favorita, mas a eleição não está ganha nem será fácil, segundo atestam petistas que levam em conta outro dado: o movimento ascendente de dois candidatos, mais a definição dos que hoje integram o grupo dos votos nulos e em branco, tira pontos de quem tem mais.
Junto a isso, será uma disputa com dois profissionais experientes, boa estampa e malemolência política. Nas palavras de um correligionário de Dilma: "Malandros o suficiente para infernizar a vida dela durante a campanha".
O Planalto trabalha para encurtar o espaço dos dois, seja no noticiário, produzindo atos de governo de cobertura jornalística obrigatória, seja no horário eleitoral, atraindo o máximo de partidos para integrar a coalizão do PT e assegurar para Dilma o maior e deixar para eles o menor tempo possível no rádio e na televisão.
Será o perfil da reforma ministerial. À imagem e semelhança da aliança eleitoral.
No limite. O senador Lindbergh Farias foi ontem à reunião com Lula em São Paulo para discutir a situação da eleição no Rio de Janeiro disposto a convencê-lo da importância de o PT deixar o governo estadual antes do fim do ano.
Mas foi também preparado para ouvir mais um apelo do ex-presidente em prol do adiamento do desembarque, a fim de não abalar a aliança nacional com o PMDB.
Lindbergh não teria como negar o pedido, mas quer uma contrapartida: que o PMDB pare de condicionar o apoio a Dilma à retirada do nome dele da disputa e reconheça o direito do PT de ter candidato.
Em retirada. Com a avaliação de governo ancorada na baixa, Sérgio Cabral Filho deixou de ser um ativo para o PMDB.
O partido passa a apostar na figura do vice, Luiz Fernando Pezão, que assume o governo em abril e terá seis meses de alta exposição para tentar recuperar o prejuízo em ênfase no perfil de "pé de boi".
Como poucos. Lucidez, caráter irrepreensível e espírito de conciliação são alguns dos atributos que fizeram de Marcelo Déda um político muito acima da média. Em seu partido, o PT, e fora dele. Bom foi ter tido a oportunidade de lhe dizer isso em vida.

"Se me fosse permitido votar eu não votaria em Dilma nem que ela fosse uma poodle." (Bilu Cão)

“Os pastores e padrecos dizem que Deus é bom. Deve ser para eles. Vejam só quantos milhões de otários ele pôs no mundo!” (Eriatlov)

“O que eu acho ridículo? Olha, colocar roupa em cachorro eu acho muito ridículo.” (Bilu Cão)

“Estou criando barriga e papo. Tenho comido muitos javalis, preciso urgentemente fazer uma dieta de gazelas.” (Leão Bob)

“Minha mãe diz que não devemos comer franceses sem antes lavá-los bem.” (Leão Bob)

Seguidores

Arquivo do blog

LIBERDADE COMO NOSSO DOM MAIOR

Ser livre para ir e vir!Pela liberdade de expressão.Pela humanidade contra os pregadores da escuridão que assolam nosso mundo moderno.Democracia verdadeira sempre,não aquela de fachada que persegue quem não compartilha de suas idéias.