quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

VALÉRIO PERDE UM BRAÇO- Mensalão: Supremo manda prender braço direito de Valério

CAIO BLINDER- Acerto de contas ao estilo norte-coreano

Da bárbara e reclusa ditadura comunista da Coreia do Norte, uma lição para os tios em qualquer parte do mundo: não confie em sobrinhos com menos de 30 anos. Com a confirmação da execução do tio Jang Song-Thaek, o garotão-ditador Kim Jong-un aparentemente consolida o seu poder, depois de uma fase de transição em que o veterano parente funcionou como mentor.  Ao que tudo indica, o garotão aprendeu com o regente do trono a “executar” o poder com a crueldade que se espera deste tipo de regime.  Aprendizado rápido: na semana que vem, o segundo aniversário da ascensão ao poder de Kim Jong-un.
Difícil dizer que tipo de estabilidade esta suposta consolidação do poder pode trazer num país em que a população morre de fome enquanto o regime investe no seu arsenal nuclear. Talvez não deva ser feita nenhuma grande leitura ideológica do ocorrido. Afinal, a Coreia do Norte é um negócio de família, uma família mafiosa. Foi um ajuste de contas entre gangsters.
De qualquer forma, vale a questão: o que fará a China, o elo de ligação da Coreia do Norte com o resto do mundo? O titio Jang Song-Thaek advogava reformas econômicas ao estilo chinês no seu obsoleto país e era o grande elo de ligação de Pyongyang com Pequim. Se o elo está perdido, podemos especular com uma dose de alarmismo: estamos todos perdidos?

“Uma mosca do sono (Tsé-Tsé) picou o Eduardo Suplicy, mas quem dormiu foi ela.” (Climério)

“A morte não é o oposto da vida, mas uma conseqüência dela.” (Filosofeno)

RODRIGO CONSTANTINO- João Paulo Cunha se compara a Mandela. Que tal 27 anos de cadeia?

Como vocês sabem, estou em Miami para um evento do Liberty Fund, com pouco tempo para acompanhar as notícias brasileiras. Mas isso não quer dizer que vou relaxar e deixar passar em branco as barbaridades de nossos colegas. Soube que o mensaleiro João Paulo Cunha se comparou ao Mandela. Confirma isso, produção?
Se fez isso mesmo, então poderia começar ficando 27 anos na cadeia, para as similaridades aumentarem um pouco. E depois poderia sair rejeitando seu passado de luta, reconhecendo seus erros, e pregando a união de todos (ok, isso é mais mito do que o que Mandela efetivamente fez, mas vale para nosso caso aqui).
Que me diz disso, Cunha? Sinceramente, usar o cadáver ainda fresco de Mandela dessa forma tão descarada é mesmo algo que só um petista faria, não acham? O que ele quis dizer com isso? Que o governo atual é tão nefasto quanto o apartheid era? Mas… não é um governo do próprio PT, há mais de 10 anos? Com quase todos os ministros do STF apontados pelo próprio partido? Que confusão!
Até quando o PT vai insistir que o mensalão foi uma farsa, que o julgamento foi político e coisas do tipo? Isso pega muito mal, é muito feio. Até para os padrões petistas. Cumpram as penas estabelecidas pelo STF com um pouco mais de dignidade, mensaleiros! Reconhecer os erros do passado é algo importante.
Mandela soube fazer isso, e se tivesse seguido na mesma toada que o levou para a prisão, certamente não gozaria dessa estima toda hoje. Aprendam alguma coisa com o líder africano, em vez de usarem seu nome de forma deturpada e oportunista. É o mínimo que se espera de vocês…

Gilmar Mendes denuncia a hipocrisia do debate

Prossegue no Supremo o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade que pode resultar na proibição do financiamento privado de campanhas. O ministro Gilmar Mendes pediu um aparte a Dias Toffoli e acaba de botar os pingos dos is. Deixa claro que o fim do financiamento privado, como quer a OAB, interessa a quem está no poder. Gilmar pede o fim da hipocrisia. Chamando às falas o procurador-geral da República, que está presente, o ministro afirma:“Então, senhor procurador-geral, será preciso proibir a propaganda institucional, que, de institucional não tem nada; é propaganda eleitoral escarrada”.
Na mosca! Também é disto que se cuida: o que se quer é impedir que a oposição tenha acesso a recursos de campanha, ficando refém, no futuro, apenas da verba pública, que há de ser garantida segundo o tamanho dos partidos. Tamanho a que se chegou na vigência do financiamento privado. Piada grotesca!
Alguém vai, então, se ocupar da propaganda institucional, que é campanha eleitoral disfarçada — e, o que é pior, com dinheiro público? Alguém vai se ocupar do uso vergonhoso de estatais para financiar a rede de propaganda e difamação, disfarçada de imprensa, que se traduz em blogs, sites, revistas e até jornais? Sempre a serviço do governo?

Por Reinaldo Azevedo

‘Maconheiro estatal’, um artigo de Carlos Alberto Sardenberg

Publicado no Globo desta quinta-feira
CARLOS ALBERTO SARDENBERG
Legalizar a maconha não é uma boa ideia. Mas pode levar a uma situação menos ruim que a atual. Os usuários continuariam aí ─ e necessitando de cuidados ─, mas os traficantes perderiam o mercado e, pois, o dinheiro com o qual ganham a guerra, assassinando desde adversários até usuários inadimplentes, intimidando e corrompendo policiais, juízes e governantes. O Estado economizaria bilhões hoje torrados em operações policiais.
E por que legalizar só a maconha ou inicialmente a maconha? Porque é a menos prejudicial das drogas e porque forma a maior parte do mercado.
A tese não é nova. Tem sido debatida por um grupo de ex-presidentes, incluindo Fernando Henrique Cardoso. Nos EUA, os estados de Colorado e Washington aprovaram há um ano o “uso recreativo da maconha”, sob regras, agora estabelecidas, que organizam a produção e a venda. No Uruguai, o Congresso acaba de legalizar a maconha, prevendo normas que ainda serão explicitadas por ato do presidente José “Pepe” Mujica.
É curioso. A ideia de legalizar é, na origem, liberal. Melhor deixar a escolha por conta do cidadão livre, o mercado para a livre iniciativa. Decisão polêmica, certamente, e mais ainda para o esquerdista Mujica. Consequência: o governo uruguaio tenta dar à ideia uma aparência de política pública de esquerda. Quer sair das sombras do tráfico para o controle total do Estado.
Acreditem: nas primeiras discussões, Mujica e seus seguidores falaram em estatizar tudo, desde as fazendas de cannabis até as fábricas de cigarros e as redes de varejo. A lei aprovada nesta semana não foi assim explícita. Prevê, por exemplo, o licenciamento de produtores, mas não diz como isso será feito, nem quais empresas poderão se habilitar. Fica claro, porém, que todo o processo, inclusive a importação de sementes e eventual exportação de maconha, será controlado diretamente pelo Estado.
Entre “entregar” o negócio ao capital privado que só busca lucro e criar uma superestatal agroindustrial e comercial, no que o leitor apostaria?
Os consumidores, esses serão estatizados. Para comprar os cigarros, a pessoa, maior de 18 anos, precisa se cadastrar em um órgão governamental. Terá assim uma carteirinha de maconheiro, com a qual poderá comprar até 40 cigarros por mês.
O preço será tabelado pelo governo. Talvez um dólar por cigarro, para competir com o tráfico, dizem as autoridades, e também para não se tornar uma atividade muito lucrativa. Ora, se não for lucrativa, terá que ser assumida ou subsidiada pelo Estado.
Usuários poderão plantar e processar sua própria erva, em casa. Isso com licença do governo, limitada a seis plantas por domicílio, sob rigorosa fiscalização, claro.
Então, vamos reparar? É ou não é uma das melhores ideias de jerico já produzidas pela esquerda latino-americana? Estatizar e subsidiar o barato é uma proeza.
Mas, dirão, a maconha estatizada deve ser melhor que um mercado dominado pelo tráfico. Seria, se a estatizada não estivesse prontinha para cair nas mãos dos traficantes.
Começa pela carteirinha de maconheiro. Digamos que uma minoria de militantes da droga tope isso, para marcar posição. Mas o maconheiro, digamos, normal, não vai querer manchar seu nome.
Não é por que terá sido legalizada que a maconha ganhará aprovação social e absolvição médica. Todos sabem que a droga é nociva, vicia e prejudica o desempenho das pessoas.
Assim, companhias aéreas, empresas de ônibus, construtoras, fábricas com equipamentos complexos têm um bom argumento para recusar os maconheiros oficiais. Isso cria uma questão jurídica. Se a maconha é legal, como a empresa pode discriminar o usuário? Por outro lado, admitindo que tudo esteja montado, forma-se um baita mercado. Cada maconheiro oficial tem direito a 40 cigarros/mês. Eis um novo emprego. Os traficantes vão mobilizar “funcionários” que ganharão algum dinheiro sem trabalhar, apenas se registrando como maconheiros.
Na verdade, a produção estatizada vai dispensar o tráfico de boa parte do plantio, produção e distribuição. Se os traficantes hoje compram até juízes, não conseguirão seduzir um funcionário de uma lojinha oficial? Ou convencer moradores a plantar e vender o excedente? Vão financiar a produção doméstica.
Finalmente, todo o complexo estatal da maconha será um grande negócio. Ou seja, muitos cargos ─ e dinheiro ─ para serem disputados pelos políticos.
Quem defende a legalização da maconha reconhece que a maior dificuldade é justamente o processo. A estatização à Uruguai é a pior proposta. As regras dos estados americanos? Próximo assunto.

Não é fácil admitir que somos finitos, dói. Mas antes a dor da verdade que viver na ilusão que cega.” (Filosofeno)

“O homem quando teve consciência de si não aceitou a ideia de que é finito. Para dar fim à sua angústia criou deuses e paraísos pós-morte.” (Filosofeno)

“Quando empacotar quero deixar meu corpo à ciência. Se não o quiserem podem fazer com ele ração para cães. Mas antes desinfetem de acordo este animal, não desejo fazer mal aos bichinhos.” (Mim)

Visitando os cemitérios temos a impressão de que os maus não morrem. É um recanto de anjinhos.” (Mim)

“Não acredito em vida após a morte. Morreu deu, é fazer espaço para os outros. ’ (Mim)

ACREDITE EM VOCÊ

Todos os dias há pessoas que ficam doentes e outras que se curam; todos os dias empregados perdem seus empregos e outros conseguem se empregar; diariamente tomamos conhecimento de acidentes em que muitos morrem, mas alguns sobrevivem. Milagres? Bilhões de seres no mundo compram essa ideia, acreditando que somos marionetes movimentadas pelo sobrenatural. Precisam de muletas, não suportam a ideia de que somos finitos, de que ninguém está olhando por nós. Penso, assim é a vida, gangorra dor e alegria; não existe ninguém do outro lado mexendo os pauzinhos. Não ralo meus joelhos; aprimoro os meus conhecimentos e trato de lapidar os meus sentimentos.

RODRIGO CONSTANTINO- Presidente cubano, Míriam?

Míriam Leitão cita indiretamente um artigo meu uma vez mais, aquele sobre o “outro lado” de Mandela dessa vez. Ela elogia a “sinfonia de sua vida”, independentemente de uma ou outra nota fora do tom. Uma ou outra nota fora do tom?
Bom, abraçar o terrorismo e o comunismo não é exatamente “uma nota” fora do tom. São erros abomináveis, e responsáveis, no primeiro caso, por sua prisão por 27 anos. Ele não foi preso por acaso, ou só por condenar o nefasto apartheid, pois muitos condenaram, até abertamente, e não foram parar na prisão por quase 3 décadas.
Mas Míriam, esquerda caviar até a medula, deixa claro que isso não é nem mesmo um problema para ela. Atentados terroristas em locais com civis inocentes é legítimo para combater uma injustiça? Há quem pense que não – meu caso, e há quem ache que sim, pegar em armas e usar inocentes como alvos é aceitável se a causa for boa.
A colunista se entrega mesmo é quando usa o termo PRESIDENTE para definir o DITADOR cubano. Presidente, Míriam? Agora Cuba é o que, uma república democrática, por acaso? Com a mesmíssima quantidade de candidatos e eleitos? Com um tirano que repassa o comando de sua ilha para o irmão, como quem transfere SUA propriedade particular ao herdeiro?
Eu tenho essa mania chata de chamar as coisas pelos seus nomes, e a esquerda não suporta isso. Raúl Castro não é presidente, Míriam. É um ditador, um cruel ditador, com as mãos sujas de muito sangue inocente. Aceite os fatos como eles são. Você pode até continuar admirando a “sinfonia”, com “uma ou outra nota” fora do tom. Só não precisa apelar tanto, como se aquele imenso desafino fosse, na verdade, uma das partes belas da música…

RODRIGO CONSTANTINO- Aécio marca diferença no campo da ética

O PT – e isso inclui a mais alta cúpula e também a presidente Dilma -, costuma chamar de “malfeitos” os atos de corrupção de seus aliados, e preferiu ignorar o próprio estatuto para não ter de expulsar do partido companheiros já devidamente julgados, condenados e até presos. Ao contrário: o presidente do PT, Rui Falcão, participou de desagravo aos camaradas presos, preferindo condenar… o STF!
Por essas e outras há um enorme espaço para marcar a diferença no campo da ética. É o que Aécio Neves vem tentando fazer, ao mesmo tempo que resolveu subir o tom contra o governo. O provável candidato tucano não fez rodeios: “Se alguém do PSDB tiver feito algo errado, que vá para a cadeia também”. O tucano disse:
Eu vou falar muito de ética. Muito. Se alguém do PSDB tiver feito algo errado, se recebeu propina, que vá para a cadeia também. Se alguém cometeu erros, isso não tira um milímetro da minha autoridade para falar de ética. Governei um estado por oito anos e tenho 30 anos de vida pública.
Além disso, fez questão de deixar claro que não será candidato de “meia mudança”. Disse: “Vamos ser a mudança de verdade e segura para o Brasil. Não somos meia mudança. Quem quiser meia mudança talvez não fique conosco”. Há controvérsias. Como liberal, sabendo que o PSDB é social-democrata, defende cotas raciais, esmolas estatais e sequer tem coragem de pregar a privatização da Petrobras, acho pouco provável termos mudanças tão radicais assim.
Mas folgo em saber que Aécio se deu conta de que há grande demanda reprimida por mudanças, verdadeiras mudanças. E que a bandeira da ética é fundamental na campanha de 2014. As pessoas decentes não aguentam mais o PT!

“Em Cuba antigamente se você não estivesse doente ou estudando todo o resto era uma merda. Agora nem assim você escapa da merda.” (Cubaninho)

“O comunismo cubano é ímpar: produz até prostitutas poliglotas.” (Cubaninho)

“Como nenhum homem era bom o suficiente para minha irmã ela decidiu ser esposa de Cristo. E não é que agora coloca chifre no homem?” (Climério)

“A cremação deveria ser algo obrigatório. Por que intoxicar os vermes com certas carnes?” (Mim)

JOSUÉ NA VICE FARIA PMDB REBELAR-SE, DIZ RAUPP

Caso o PT fizesse prosperar a intenção de substituir Michel Temer pelo empresário Josué Gomes (filho do falecido José Alencar), na chapa presidencial de Dilma Rousseff, haveria “uma rebelião” no PMDB, segundo advertiu ontem o senador Valdir Raupp (RR), presidente do partido. Ele reconhece as virtudes do empresário, mineiro que vive em São Paulo, e o considera opção para 2018, mas, para 2014, nada feito.A ideia de Lula foi adotada pelo PT: Josué vice de Dilma repetiria a aliança de 2002 e tiraria votos de Aécio Neves (PSDB) em Minas.

Dois na gangorra

DORA KRAMER - O Estado de S.Paulo


Cobra-se muito a unidade da oposição como atributo essencial para que haja uma chance de enfrentar o governo nas eleições em condições razoavelmente competitivas.



De fato, regra básica para qualquer embate é que as forças políticas busquem reduzir o desequilíbrio do arsenal diante da impossibilidade de alcançar o equilíbrio total.

Nas últimas eleições não foi isso o que se viu. Oposição dispersa, mesmo fora do período de campanha, quando não dividida dentro de cada partido, e governo firme como uma rocha em torno dos seus mesmo que o candidato, ou candidatos, não fossem de todo de seu agrado. Dilma Rousseff é o exemplo mais vistoso.

O senador Aécio Neves e o governador Eduardo Campos, prováveis candidatos do PSDB e do PSB, atuam para modificar esse roteiro e construir um quadro mais próximo possível da unidade.

Por isso, de vez em quando marcam uma conversa ou outra para, a pretexto de discutirem as alianças regionais, serem vistos juntos. Não que o tema dos palanques locais não faça parte das tratativas. Faz e é fundamental. No momento, inclusive, articulam coligações em 12 Estados.

Mas, para efeito externo, o bom mesmo é a produção da cena de afinidade direta entre os dois (até para servir de exemplo e estímulo aos correligionários de parte a parte e potenciais aliados), como a do último domingo quando foram fotografados saindo de restaurante em uma das mais frequentadas esquinas de Ipanema, na confluência das ruas Redentor e Aníbal de Mendonça. Entre os partidos que os dois presidem respectivamente, existem beligerâncias internas. Ninguém ignora isso, é público. Mas os titulares da postulação trabalham para dirimi-las, ou minimizá-las.

Aécio Neves entrou em entendimento com José Serra para que o lançamento oficial da candidatura fosse em março (mais precisamente depois do carnaval) e os amigos do ex-governador dizem por aí que ele tende a desistir da postulação presidencial e aceitar concorrer a outro cargo. Ou mesmo aguardar a próxima eleição para o governo de São Paulo. Serra mesmo não diz nada a respeito.

Eduardo Campos movimenta-se junto aos empresários do setor agrícola para reduzir as resistências ao nome de Marina Silva, no que tem obtido algum êxito. Depois de rechaçar o apoio de Ronaldo Caiado ela nunca mais deu palavra sobre o assunto. Recentemente, os dirigentes da Sociedade Rural Brasileira procuraram a ex-senadora propondo uma aproximação "para construir uma ponte entre o agronegócio e o meio ambiente".

A ideia dos dois é mostrar que adversários não precisam ser inimigos e que a oposição pode fazer gestos maduros que fujam daquela lógica animosa do quem não está comigo está contra mim. Em resumo, "nós contra eles".

Ao transitar juntos de vez em quando querem deixar patente que quem for para o segundo turno terá o apoio do outro, pois o objetivo de ambos é derrotar o PT. Desta vez com a inestimável contribuição de Marina Silva que, em 2010, ficou neutra - acabando por ajudar a eleição de Dilma - e agora está clara e inequivocamente engajada no projeto da oposição.

O profeta. A frase que melhor traduz a necessidade de que as doações de recursos, notadamente de empresas, a campanhas eleitorais sejam feitas às claras - não necessariamente proibidas - foi dita em 2004, durante reunião do PT pelo então tesoureiro do partido, Delúbio Soares, em reação à proposta do deputado Chico Alencar de exposição de doações e doadores na internet.

"Transparência assim é burrice", pontificou Delúbio um ano antes do escândalo que, segundo ele, o tempo cuidaria de transformar em piada de salão.

Triênio para esquecer

MARCO ANTONIO VILLA
Publicado:
É muito difícil encontrar na história brasileira um triênio presidencial com resultados tão pífios como o da presidente Dilma Rousseff. Desde a redemocratização de 1985, o único paralelo possível é com o triênio de Fernando Collor, que conseguiu ser pior que o da presidente. Em dois dos três anos houve recessão (1990 e 1992).
Mas Collor encontrou um país destroçado. Recebeu o governo com uma inflação anual de 1.782%, as contas públicas em situação caótica e uma absoluta desorganização econômica.
Dilma assumiu a presidência com um crescimento do PIB de 7,5%. Claro que o dado puro é enganoso. Em 2009 o país viveu uma recessão. Mas o poder de comunicação de Lula foi tão eficaz que a taxa negativa de 0,2%, deu a impressão de crescimento ao ritmo chinês — naquele ano, a China cresceu 8,7%.
No campo da ética, o triênio foi decepcionante. Nos dois primeiros anos, a presidente bem que tentou assumir um discurso moralizador. Seus epígonos até cunharam a expressão “faxineira”. Ela iria, sem desagradar a seu criador, limpar o governo de auxiliares corruptos, supostamente herdados de Lula.
Fez algumas demissões. Chegou até a entusiasmar alguns ingênuos. Logo interrompeu as ações de limpeza e, mais importante, não apurou nenhuma das denúncias que levaram às demissões dos seus auxiliares. Todos — sem exceção — continuaram livres, leves e soltos. E mais: alguns passaram a ser consultores de fornecedores do Estado. Afinal, como conheciam tão bem o caminho das pedras….
Sem carisma e liderança, restou a Dilma um instrumento poderoso: o de abrir as burras do Tesouro para seus aliados. E o fez sem qualquer constrangimento. As contas públicas foram dilaceradas e haja contabilidade criativa para dar algum ar de normalidade.
Todos os programas do seu triênio fracassaram. Nenhum deles conseguiu atingir as metas. Passou três anos e não inaugurou nenhuma obra importante como um aeroporto, um porto, uma estrada, uma usina hidrelétrica. Nada, absolutamente nada.
O método petista de justificar a incompetência sempre foi de atribuir ao antecessor a culpa pelos problemas. É construído um discurso que sataniza o passado. Mas, no caso da presidente, como atribuir ao antecessor os problemas? A saída foi identificar os velhos espectros que rondam a história brasileira: os Estados Unidos, o capitalismo internacional, o livre mercado.
A política externa diminuiu o tom panfletário, que caracterizou a gestão Celso Amorim. Mas a essência permaneceu a mesma. O sentido antiamericano — cheirando a naftalina — esteve presente em diversas ocasiões. Em termos comerciais continuamos amarrados ao Mercosul, caudatários da Argentina e, quando Chávez vivia, da Venezuela (basta recordar a suspensão do Paraguai). Insistimos numa diplomacia Sul-Sul fadada ao fracasso. No triênio não foi assinado sequer um acordo bilateral de comércio.
A política de formar grandes grupos econômicos — as empresas “campeãs nacionais” — teve um fabuloso custo para o país: 20 bilhões de reais. E o BNDES patrocinou esta farra, associado aos fundos de pensão das empresas e bancos públicos. Frente à burguesia petista, J.J. Abdalla, o famoso mau patrão, seria considerado um exemplo de honorabilidade e eficiência.
A política de energia ficou restrita à manipulação dos preços dos combustíveis fornecidos pela Petrobras. Enquanto diversos países estão alterando a matriz energética, o Brasil ficou restrito ao petróleo e apostando na exploração do pré-sal, que poderá se transformar em uma grande armadilha econômica para o futuro do país.
A desindustrialização foi evidente. Nos últimos três anos o país continuou sem uma eficaz política industrial. Permaneceu dependente da matriz exportadora neocolonial, que gerou bons saldos na balança comercial, porém desperdiçando bilhões de reais que poderiam ser agregados ao valor das mercadorias exportadas.
O Ministério da Defesa sumiu do noticiário. Celso Amorim, tão falante quando estava à frente do ministério das Relações Exteriores, é uma espécie de titular fantasma. Pior, continuamos sem política de defesa, e as Forças Armadas estão muito distante do cumprimento das suas atribuições constitucionais. Sem recursos, sem treinamento, sem equipamento — sempre aguardando o recebimento da última sucata descartada pelos europeus e americanos.
A equipe ministerial ajuda a explicar a mediocridade do governo. Quem se arriscaria citar o nome de cinco ministros? Quem é o ministro dos Portos? E o da Integração Nacional? Alguém sabe quem é o ministro da Agricultura?
A presidente recebeu o governo com 38 ministérios. Não satisfeita com o inchaço administrativo, criou mais: o da micro e pequena empresa, tão inexpressivo que sequer possui um site.
Se as realizações do triênio são pífias, é inegável a eficiência da máquina de propaganda. O DIP petista deixou seu homônimo varguista no chinelo. De uma hora para outra, segundo o governo, o Brasil passou a ter mais 20 milhões de pessoas na classe média. Como? Tal movimento é impossível de ter ocorrido em tão curto espaço de tempo e, mais importante, com uma taxa de crescimento medíocre. Mas a repetição do “feito” transformou a fantasia estatística em realidade econômica.
Dilma Rousseff encerra seu triênio governamental melancolicamente. Em 2012, o crescimento médio mundial foi de 3,2% e o dos países emergentes de 5,1%. E o Brasil? A taxa de crescimento não estava correta. A “gerentona” exigiu a revisão dos cálculos. O PIB não cresceu 0,9%. O número correto é 1%! Fantástico.

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