sábado, 4 de janeiro de 2014

Janer Cristaldo- Paris se rende

Paris é um grande tambor e mesmo faits divers que lá acontecem têm repercussão internacional. A Folha de São Paulo de 01 de janeiro nos traz uma notícia sobre um homem esfaqueado nas proximidades da Torre Eiffel, no réveillon de Paris.

Um jovem de 20 anos foi morto após ser esfaqueado por um homem no jardim de Trocadéro, na área turística de Paris, durante a festa de Ano Novo na cidade. O rapaz tentava impedir que um grupo de ladrões roubasse uma amiga quando foi atingido por um dos agressores. Segundo o Ministério do Interior, o homem, que não foi identificado, foi apunhalado no peito por volta das 3h locais (0h em Brasília) após tentar evitar que a bolsa de sua amiga fosse levada. Os ladrões fugiram. A polícia foi avisada.
Escreve-me um leitor: como as armas de fogo estão proibidas na França, usa-se a faca. Nada disso. Francês usa faca para cortar pão, queijo, carnes. Você concebe um francês passeando de faca na cintura no réveillon? Árabes é que usam facas para matar.

No dia 03, a Folha noticiou a internação do chef Paul Bocuse, na última segunda-feira do ano passado, em um hospital de Lyon. Há também uma nota sobre o estado de saúde de Schumacher, hospitalizado em Grenoble. E só. Nem uma notinha sobre os 1.057 carros queimados na França na passagem de ano. Costumo ler também oEstadão e a Veja. Nem água sobre a baderna. Leio no Le Point:

Infelizmente, os carros continuam queimando no Ano Novo, mesmo se as cifras estão em baixa neste ano. Resultado: o balanço da São Silvestre 2014 é melhor que o do ano passado. 1067 veículos foram de fato incendiados, contra 1.193 do ano passado.
Registra-se uma baixa de 10,5%, em verdade 126 fatos a menos – rejubila-se Manuel Vals, ministro do Interior, que no entanto deplora “ainda veículos demais queimados” e “uma tradição nefasta que perdura”.

Veículos demais. Quantos seriam os carros queimados aceitáveis? Pelo jeito, metade disso não seria uma tradição nefasta. Em 2005, quando foram queimados apenas 425 carros, escrevia o Le Monde: "apesar dos temores, a noite do réveillon ocorreu sem maiores incidentes". Quando o mais importante jornal francês considera que 425 carros queimados em uma noite não constitui maior incidente, está na hora de fazer as malas e partir, antes que a França vire um Iraque.

Cito alguns dados que já comentei. No réveillon de 2009, mais de mil carros foram queimados na França, particularmente em Paris e Strasbourg. Mas também em Charente, no Ain, em Calvados, Loir-et-Cher, Deux-Sèvres e em Haute-Savoie. Mais precisamente, foram 1.147 carros, 30 por cento a mais que em 2008. Queimar carros no réveillon desde há muito vem se tornando o esporte predileto dos bougnoules, como são pejorativamente chamados os árabes.

É óbvio que nenhum francês de cepa celebraria o Ano Novo queimando o carro de seus compatriotas. O vandalismo é obra de negros africanos e árabes, alguns recém-chegados ao país, outros de segunda, terceira e quarta gerações. As cidades francesas, especialmente Paris, estão cercadas de cinturões de ódio e ressentimento. São bougnoules que abandonaram seus países miseráveis em busca do bem-estar que a França lhes oferece, mas não conseguem integrar-se, por razões religiosas e culturais, à nova sociedade em que habitam. 

Em um país onde a monogamia é lei, querem manter quatro mulheres, às custas da assistência social do país, é claro. Em um país onde cortar clitóris e infibular vaginas é crime, insistem em mutilar suas filhas. Em um país onde as mulheres são livres para escolher seus parceiros, vendem as filhas, ainda inúbeis, a tios, primos e sobrinhos. No réveillon, como protesto a proibição de suas práticas bárbaras, saem a queimar carros dos cidadãos do país que os acolhe e sustenta.

Até aí, tudo se entende. Ressentimento não é sentimento nobre, mas é muito inteligível. O que não se entende é o silêncio abissal da imprensa francesa em torno à identidade dos responsáveis pelo vandalismo. Não consegui ler, nestes anos todos, jornal algum que atribuísse aos árabes e negros a autoria das depredações. Nem mesmo o espanhol El País, ousa nominar a origem dos vândalos. 

Nas grandes fogueiras de 2005, Nicolas Sarkozy, então presidente francês, ousou pronunciar racaille, isto é, o lixo da sociedade. Mas não ousou dizer de onde vêm o lixo.

O que me lembra o Uruguai dos anos 70. Como os militares haviam proibido os jornais de grafar a palavra tupamaros, os jornalistas usavam outro expediente: falavam em “inombrables”. Os inomináveis. Há anos os inomináveis vêm depredando Paris. Mas a imprensa francesa nem mesmo ousa chamá-los de inomináveis. Seria muito ofensivo aos coitadinhos dos árabes e negros que depredam uma das cidades mais lindas do mundo.

Para esta gente que, em sociedade decente, deveria estar atrás das grades, Sarkozy acenou então com uma penalidade amigável. Perderiam o direito de conduzir, pelo tempo em que a vítima dos fatos ou os fundos de garantia não a tenham indenizada na totalidade dos prejuízos. As oposições francesas reagiram com sagrado horror à tímida proposição de Sarkozy. Algo como se o presidente da França estivesse condenando os baderneiros aos gulags.

Mais ainda. O porta-voz do Partido Socialista, Benoit Hamon, considerou na época que o aumento do incêndio de carros na noite do Ano Novo reflete “uma sociedade violenta, que deve muito à responsabilidade da política de Nicolas Sarkozy”. Ora, como se tal vandalismo não tivesse virado tradição em Paris e demais cidades francesas, muito antes de Sarkozy ter sido eleito. 

Queimar mais de mil carros em Paris me parece ser fato que deve ser noticiado ao mundo todo. Lê, então, leitor, a imprensa nossa. Ainda em 2009, tanto a Folha de São Paulo como o Estadão, ambos com correspondentes em Paris, não deram um pio sobre o assunto. A Veja, muito menos. Seu correspondente se contentou em desejar, telegraficamente, “uma excelente passagem para 2009”. 

Como na história do marido traído, que para impedir o adultério resolveu tirar o sofá da sala, a França tomou uma sábia decisão: não há mais fogos na passagem do ano. Todas as metrópoles do Ocidente, de Nova York a Berlim, do Rio a Sidney, celebram a voltinha do planeta com fogos escandalosos. Menos Paris. Que preferiu tirar o sofá do Trocadéro. 

Paris há muito rendeu-se ante a barbárie. Nossa imprensa também.

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