segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

JORGE OLIVEIRA- ESCOLAS ESPECIAIS PARA OS FILHOS DOS CORRUPTOS

Rio – Li esta semana em um jornal que um corrupto se chateou porque seu filho foi admoestado numa escola onde estudava na Zona Sul do Rio. De fato, não é fácil ser filho de corrupto, mesmo sabendo que a neurociência ainda não chegou a conclusão da pesquisa para provar que  nem sempre “filho de peixe peixinho é” . O máximo a que os estudos alcançaram de verdade até agora é a comprovação da mudança de comportamento do filho do corrupto. Normalmente, ele leva uma vida acanhada, envergonhada e se torna uma pessoa isolada, introvertida. Nas reuniões, na escola e nas festinhas, por exemplo, é o último a chegar e o primeiro a desaparecer para não ser notado.

Discute-se no meio acadêmico no momento se não seria melhor isolar o filho do corrupto da garotada, digamos, normal, aquela que preserva os princípios da honestidade. Assim se evitaria que as crianças traumatizadas pelos antecedentes dos pais passem por constrangimentos nas escolas.  A outra proposta é de que o governo deveria criar escolas de amparo aos filhos dos corruptos. Ali, em um ambiente isolado, aqueles que nasceram com o gênese dos pais, seriam acolhidos em horário integral para aprender como fraudar e roubar no Brasil.

O currículo seria discutido nos presídios pelos Ph.D.s na matéria ou mesmo dentro dos ministérios onde muitos desses corruptos continuam na prática ensinando aos seus subordinados novas técnicas de roubar o dinheiro público já que de mil flagrados apenas um ou dois ficam mais de uma semana na cadeia, sinal de que há uma evolução no modus operandi da gatunagem de não deixar pistas. Do Ministério do Trabalho, por exemplo, onde a Polícia Federal prendeu dezenas deles acusados do desvio de 200 milhões de reais,  poderiam ser convocados alguns para falar sobre “como roubar e não ser condenado: métodos do bem-viver”, como uma disciplina extracurricular.

Encontrar locais especializados para os neocorruptos evitaria que os pais passassem pelo vexame de ver seus filhos discriminados pelos colegas nas escolas comuns. À esses garotos, acostumados à polícia na porta de casa, estariam reservados currículos específicos e aulas teóricas e práticas do desvio de recursos. Juntariam-se a eles também os filhos de banqueiros e de empreiteiros flagrados no comércio da propina e do suborno. Uma das disciplinas indispensáveis ao currículo seria licitação pública: “Como adulterar e viciar as licitações públicas em conluio com funcionários públicos”. Essas aulas seriam ministradas nas escolas e dentro dos próprios ministérios, onde os estudantes assistiriam ao vivo e a cores a conversa entre empreiteiros e burocratas, sobre os métodos de suborno e os truques para o dinheiro roubado chegar ao paraíso fiscal.

Outra matéria importantíssima: “Como desviar dinheiro destinado às calamidades”. As aulas também seriam práticas e rápidas. Consistiriam em ver como a grana sai do ministério para os flagelados e, como, num passe de mágica, desaparece no meio do caminho. O que chega ao destino normalmente é dividido entre os prefeitos e seus assessores, como ocorreu no Rio. Para os miseráveis apenas os donativos que depois da tragédia normalmente é jogado fora por falta da logística de distribuição.

Para  que o aluno ingresse na Universidade da Corrupção não precisa de vestibular. Exige-se apenas a apresentação da folha corrida do pai com os antecedentes criminais. Quanto mais suja melhor. O mestrado e o doutorado inevitavelmente serão feitos dentro dos próprios ministérios que garantem inclusive o estágio já no primeiro ano do curso. Afinal de contas, o Brasil não pode desperdiçar a experiências e a prática diária de seus corruptos para não desativar a Polícia Federal que trabalha hoje exclusivamente para prender os comissionados do governo.

Sem essas escolas, corre-se o risco de um Brasil vazio, sem grandes emoções.

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