quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

JORGE OLIVEIRA- GILBERTO CARVALHO, O ESPIÃO QUE SE MANTÉM NO GELO



Rio – Gilberto Carvalho, o secretário-geral da Presidência, informante de Lula no Planalto, não tolera a Dilma e a recíproca parece verdadeira. Carvalho também não tolera povo: “Bom, fizemos tanto por essa gente, e agora eles se levantam contra nós”? Isso mesmo, é assim, com desprezo e arrogância, que ele se referiu ao contribuinte, numa tradução livre: povo, povão, zé povinho, gentinha, gentalha, miseráveis, pedintes numa palestra que fez em Porto Alegre, onde se mostrou magoado com “essa gente” que vai às ruas lutar pelos seus direitos e pela moralização do país. Carvalho acha que as esmolas e o pão e circo distribuídos pelo PT iriam calar a boca da população descontente com o rumo do país, daí a sua frustração por não ter silenciado as vozes inquietas das ruas com as migalhas do poder.



À Dilma, Carvalho – que já anunciou que sairá do Planalto – tem reservado alguns comentários ácidos numa época sensível de campanha eleitoral. Numa de suas declarações, quando o Planalto festejava pesquisa fajuta que indicava a Dilma ganhando com larga vantagem, ele botou água no chope dizendo que as eleições iriam para o segundo turno. Ou tinha os números reais ou estava torcendo contra, quando incentivava a oposição a intensificar a campanha para confrontar a presidente. Agora, numa palestra que fez em Porto Alegre, foi mais longe. Disse que o modelo petista de governar dá sinais de desgastes e que é necessário debater um novo projeto.



Pela primeira vez, um alto integrante do governo petista reconhece que a política de pão e circo está chegando ao fim ao afirmar que “um novo projeto de governo precisa ir além da inclusão social e distribuição de renda”. Enquanto a oposição, por razões eleitoreiras, silencia, tem medo de debater o assistencialismo do Bolsa Família, o próprio PT faz autocritica e pede mudança do modelo que deu três mandatos presidenciais ao partido.



Gilberto Carvalho fez essas declarações, publicadas discretamente nos jornais, em um debate sobre crise do capitalismo e democracia, no Fórum Social Temático de Porto Alegre. Ali, ele também confessou outro fracasso da Dilma ao dizer que o governo foi surpreendido pelos protestos de 2013, e que falhou ao não garantir a qualidade dos serviços públicos a uma população cada vez mais exigente.



E não teve receio em contrariar a cúpula do governo e do seu próprio partido ao enfatizar que “não há duvida nenhuma de que os sinais de desgastes estão dados. As conquistas importantes nós tivemos. Foram importantes, mas foram absolutamente insuficientes”.



Essas críticas mostram que existe um conflito dentro do Palácio do Planalto entre os lulistas e os dilmistas. Os lulistas nunca acreditaram na pureza petista da Dilma, que fez carreira política no PDT; e os dilmistas querem de toda forma se ver livre do monitoramento dos lulistas que impede a Dilma de governar. Assim é que perderam espaço lá dentro o próprio Gilberto Carvalho e Marco Aurélio Garcia, o aspone que tenta até hoje conduzir a política externa brasileira à sua maneira xiita.



Para enfrentar o poder dos dilmistas no Planalto, Lula jogou sua última cartada: botou lá dentro Aloísio Mercadante, político experiente de faro fino e habilidoso. Com o Mercadante dando as cartas no principal ministério do governo, Lula aumenta mais ainda o seu poder na administração. E o mantém como coringa para provável candidato à presidência caso se torne agudo o fracasso da administração da Dilma neste primeiro semestre. Lula pensa em repetir com Mercadante a fórmula que deu certo com a Dilma que chegou à presidência depois de um estágio na Casa Civil.

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