sábado, 18 de janeiro de 2014

JORGE OLIVEIRA- A GRANDE FARSA DO BOLSA CRACK

Rio – O Jornal Nacional mostrou mulheres e homens uniformizados, lesados pelo crack, em São Paulo, de vassouras nas mãos limpando a cracolândia. Meia dúzia de gatos pingados. Ao lado, centenas de maltrapilhos, que não aderiram ao programa, envolvidos no vício e traficantes que fazem do centro da cidade a feira degradante do comércio da droga. O circo armado pelo prefeito Fernando Haddad é próprio de governos petistas que tentam na improvisação encontrar soluções para tudo, inclusive a de tentar acabar com a cracolândia oferecendo 15 reais aos viciados para ajudar na limpeza de ruas. O jornal O Globo não embarcou na onda do factoide paulista, versão Haddad,  e não registrou o fato em suas páginas.

As cenas degradantes mostraram bem a espetacularização do “novo” programa petista de acabar com os centros consumidores de crack de São Paulo. E o Jornal Nacional prestou um desserviço ao exibir depoimentos de pessoas doentes e lesionadas pelo vício dizendo, meio abobalhadas, o que a prefeitura queria, como por exemplo: “Agora vamos ter uma vida nova” ou “essa é a oportunidade que a gente esperava” como se isso fosse resolver o problema que a Dilma disse em campanha que iria encontrar solução ao chegar ao governo. Quatro anos se passaram  e o vício e o tráfico só se agravaram no país todo.

Enquanto mulheres e homens apareciam na televisão varrendo a cracolândia, empregados da prefeitura apressavam-se em desmontar os barracos de madeira e de papelão que abrigavam vários deles dia e noite nas ruas. Pronto, o problema estava resolvido. A poucos meses da Copa do Mundo, a cidade que vai abrir os jogos, não estaria mais contaminada por homens, mulheres e crianças envolvidas no vício do crack. A solução simplista para um grande problema só mostra que a prefeitura de São Paulo não tem um projeto definitivo para enfrentar o vício. Prefere medidas paliativas a enfrentar a situação como um caso de saúde pública, confrontar o traficante e criar núcleos de triagem que possam abrigar os dependentes químicos. A falta de orientação, certamente vai levar muitos deles a usar os 15 reais para comprar mais crack fortalecendo o mercado da droga.

A raiz de tudo isso está no desarranjo familiar, na falta de perspectiva de vida e na desocupação. Não é pagando que se vai consertar o vício, limpar as ruas para os turistas e amontoar pessoas desorientadas em pensões baratas da cidade sem o acompanhamento necessário. O Bolsa Crack da prefeitura apenas está mudando o problema de um lugar para o outro. Se é para encontrar soluções, uma delas, mais eficaz, seria a de criar centros de apoio para tentar primeiro curar o viciado. O emprego ocorreria depois da sua recuperação, quando ele já estivesse apto para o trabalho.

Outra proposta seria a de um convênio entre a prefeitura e as empresas que prestam serviço ao município para empregar os drogados recuperados. Mesmo assim, a assistência seria constante para evitar que ele volte ao vício, o que ocorre na maioria das vezes. Além disso, a polícia deveria intensificar o trabalho ao tráfico da droga que chega da Bolívia em quantidade assustadora, papel que caberia ao Ministério da Justiça que vê o problema se agravar e não se movimenta para impedir esse tráfico livre do país vizinho.

As cenas dos craqueiros exibidas pelo Jornal Nacional foram deprimentes e humilhantes ao ser humano já degradado pelo vício. Deprime mais ainda quando se assiste também a secretária do Serviço Social dando entrevista como se tivesse encontrado a solução definitiva para acabar com a cracolândia . Enquanto falava, ali, muito próximo dela, a imagem de centenas de viciados disputando como zumbis a última pedra do crack  é a prova de que essa ainda não é a solução para acabar com a cracolândia e recuperar os flagelados das drogas.

O ex-prefeito Cesar Maia, do Rio, fez escolas com seus factoides quando queria a aparecer na mídia simulando que trabalhava.
Diário do Poder

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