segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Os liberais na luta pelos interesses difusos

As pessoas do mesmo ramo raramente se reúnem, mesmo para o lazer e a confraternização, sem que a conversa acabe numa conspiração contra o público ou em alguma manobra para aumentar os preços. – Adam Smith
Política é a arte de concentrar privilégios e dispersar custos. Essa verdade é um dos pilares da Escola das Escolhas Públicas (Public Choice School), que tem sido tão importante para mostrar as falhas de governo. Não é difícil entender: o político foca em determinado grupo de interesses, faz promessas que conquistam seus membros, e joga o custo disso para a sociedade como um todo.
Exemplo: o político se identifica como o defensor dos taxistas, defende a criação de privilégios que garantam reserva de mercado para a categoria, e o público todo paga a conta, um pouco cada um. Ou ele oferece vantagens para os produtores nacionais de vinho, beneficia os poucos empresários do setor, e todos os consumidores passam a pagar um pouco mais caro pelo produto.
Isso funciona bem, do ponto de vista político, por motivos óbvios. Ninguém vai dar muita bola se o preço do vinho subir um pouco, ou ao menos não vai se organizar politicamente para combater isso, sair às ruas, punir aqueles políticos protecionistas. Já para os produtores, os ganhos da proteção podem ser gigantescos. Eles têm total interesse em ficar de olho no político, financiar sua campanha, ou puni-lo caso deixe de privilegiar o grupo.
Por isso que é suicídio político ir contra privilégios específicos, lutar pelo seu fim, algo que beneficiaria a população como um todo, um pouco para cada um, mas poderia significar a desgraça de determinado grupo organizado. Poucos eleitores vão dedicar muita atenção a isso, mas certamente os prejudicados vão ter nesse político um inimigo mortal.
Pois bem: os liberais lutam por esses interesses difusos, contra os privilégios de grupos organizados. Aqui mesmo, no blog, comprei algumas brigas dessas. Quando escrevi o textosobre o abuso da alfândega, por exemplo, creio ter atraído a fúria de todos os fiscais do país! O blog foi invadido por gente que se sentiu ameaçada.
O mesmo aconteceu quando resolvi falar do excesso de burocracia e papelada no Brasil, que beneficia os cartórios. Acho que todos os tabeliães do país fizeram uma visitinha ao meu blog para demonstrar todo o repúdio a minha ignorância. É o ganha pão deles em jogo, e do outro lado é um pouco mais de burocracia e gasto com papelada dos brasileiros.
A luta é desigual. Cada um tem milhares de interesses, precisa focar em diversas coisas como consumidor, enquanto o produtor vive daquele seu produto, ponto. Por essas e outros que todos gostam de concorrência livre quando agem como consumidores, mas adorariam um monopólio garantido pelo governo quando pensam como produtores. Por isso querem que o governo regule o preço dos produtos que compram, mas detestariam o mesmo controle sobre o preço dos produtos que vendem.
Os liberais representam os interesses difusos, da maioria sem voz, dos consumidores em geral. Por isso sua abordagem é um pacote completo de liberalismo, não medidas pontuais que proteção aqui e privilégio acolá. Sabem que isso não funciona, pois o aparato estatal será capturado pelos grupos de interesses organizados. Protecionismo comercial é condenável, para todos. Subsídios estatais devem ser abolidos, para todos. Preços controlados pelo governo devem ser rejeitados, para todos.
Liberalismo é o oposto de privilégios, ou privi leges, leis privadas, feitas sob medida para beneficiar determinados grupos influentes. O liberal vai sempre atrair para si a fúria daqueles que perderiam com a ampla liberdade. É ou não é uma luta inglória?
Rodrigo Constantino

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