terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Rodrigo Constantino- Haitianos no Acre levam sistema público de saúde ao colapso

Deu no GLOBO: Cidades sofrem impactos da romaria de haitianos no Acre
A entrada em massa de haitianos no Brasil, só este ano 880 imigrantes já pediram refúgio ao país, tem causado impactos na oferta de serviços públicos em cidades como Brasileia e Epitaciolândia, no Acre, principais portas de entrada dos estrangeiros na fronteira com a Bolívia e o Peru. Atualmente, 1,1 mil imigrantes vivem em abrigos na região fronteiriça, o que tem levado as cidades a enfrentarem problemas como falta de infraestrutura e aumento das despesas municipais.
Em Epitaciolândia, além dos estoques de medicamentos terem diminuído, aumentou a sujeira nas ruas e praças, e o poder público tem lidado com brigas entre estrangeiros, sobretudo entre haitianos e senegaleses. Em Brasileia, o principal posto de saúde tem atendido, por dia, 70 haitianos para três moradores que procuram por ajuda. Na cidade, a situação de saúde dos haitianos, boa parte com problemas respiratórios, deixa o atendimento aos moradores da cidade “em segundo plano”. Na primeira quinzena deste ano, por exemplo, 480 haitianos já foram atendidos no principal posto de saúde.
Há sempre o dia do pombo, e o dia da estátua. O Brasil é o “império” para o Haiti, intrometeu-se com seus militares nos assuntos domésticos do país, e agora precisa lidar com a massa de imigrantes desesperados por refúgio. A questão humanitária é delicada. Mas não deixa de ser curioso ver a reação de nossas esquerdas quando o problema é no seu quintal.
O governo do Acre é petista, e gostaria de fechar as fronteiras. Quando vemos as conseqüências concretas dessa migração, fica mais compreensível a postura do PT: os haitianos se tornaram um problema político, econômico e social na região. Negar isso é fingir que o elefante não está na sala, o que não resolve nada.
Boa parte do problema é o próprio modelo do SUS, o estado de bem-estar social. Quando os pagadores de impostos bancam serviços “grátis” para todos, não há como negar as “caronas”. Imigrantes de países mais pobres são atraídos por esse benefício, só que o povo local, com razão, revolta-se. No fundo, ninguém gosta de trabalhar para os outros.
É por isso que o welfare state acaba alimentando a xenofobia. É por isso que a direita mais autoritária ganha corpo na Europa, cansada da onda de imigrantes miseráveis que pesam no orçamento do estado e sujam suas ruas. São os haitianos de lá. Como lidar com isso?
Alguns preferem subir nas torres de marfim e, da posição confortável, pregar soluções mágicas – e inexistentes. Outros precisam lidar com a dura realidade como ela é, sempre cobrando algo em troca das decisões, pois há apenas um trade-off em jogo, nunca uma receita perfeita de bolo.
Os liberais tendem a defender a imigração livre, desde que não exista essa “carona grátis” coletivista, bancada pelo estado. Os Estados Unidos foram criados com base nesse fluxo de gente do mundo todo, mas em busca de oportunidades individuais, sem contar com a mãozinha estatal.
A esquerda quer abrir todas as fronteiras e oferecer tudo que é serviço pelo estado, ou seja, não tem preocupação alguma com os efeitos práticos das medidas, valorizando apenas a sensação ou a imagem de pregar algo bonito no papel. Tanto que, na prática, vemos a própria esquerda, no governo, tendo de agir de forma diferente. É pura hipocrisia.
E os conservadores costumam ser mais cautelosos com a entrada dos imigrantes de forma desenfreada, pois dão mais ênfase aos aspectos culturais que podem ser perdidos ou diluídos, e temem um “choque de civilizações”.
Ficariam mais tranqüilos se a mentalidade vigente não fosse o multiculturalismo, ou seja, a ideia relativista de que não há hierarquia alguma entre as diferentes culturas – mas, curiosamente, o fluxo migratório quase sempre tem a mesma direção, rumo aos países ocidentais e mais liberais. Se os imigrantes desejassem assimilar a cultura do seu destino, seria melhor do que o modelo atual de guetos segregados, sob os aplausos dos relativistas.
Não há escolha simples aqui. O tema é cabeludo mesmo. Espero que, ao menos, o caso dos haitianos no Acre, fazendo o Brasil e a nossa esquerda sofrerem na pele com o problema, faça a retórica e o discurso ficarem menos sensacionalistas quando se tratar da Europa ou dos Estados Unidos recebendo os seus “haitianos”.  Pimenta no olho dos outros é refresco.
PS: Até agora não vimos nenhum ícone da esquerda caviar aparecer em defesa dos haitianos e contra o PT, alegando que a postura petista é puro racismo e preconceito, e que os pobres e negros do Haiti querem apenas dar um “rolezinho” em nossos hospitais públicos…

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