terça-feira, 14 de janeiro de 2014

RODRIGO CONSTANTINO- O império das leis e os esquerdistas invejosos

O caso da empresária achacada na alfândega por conta de roupas íntimas e duas bolsas de grife, relatado aqui, deu o que falar. O tema, pelo visto, é muito quente, pois foram 500 mil visualizações diretas do texto nesses dois dias. Os brasileiros não suportam mais trabalhar tanto, pagar tantos impostos, e ainda serem tratados como criminosos por fiscais arrogantes e muitas vezes desonestos.
Muita gente de esquerda, porém, veio comentar que lei é lei, e o limite de US$ 500 deve ser cumprido. Se for o caso, que seja alterado pelo processo democrático. Outros – e foram muitos, mas filtrei vários comentários ridículos – vieram destilar toda a sua inveja tupiniquim, condenando a moça por ter dinheiro, por comprar bolsas de marcas famosas no exterior, ser “patricinha”, e coisas do tipo. Baboseira socialista que nem merece resposta aqui.
Vou focar no primeiro grupo, pois há um ponto sim. Lei é lei, e devemos respeitá-las sempre que possível, ou seja, desde que o custo não seja proibitivo e a lei não seja claramente arbitrária e injusta. Podemos pensar em alguns casos. O primeiro, hipotético: o governo baixa uma lei que nos impede de respirar. Claro que vamos ter de ignorar tal lei para sobreviver. Exemplo absurdo, apenas para fazer o ponto.
O segundo, mais realista, seria o governo abusar de seu poder e resolver confiscar 90% do nosso dinheiro para fins “sociais”. Nesse caso, à exceção dos comunistas, sempre invejosos, todos os demais aceitariam que burlar a lei é questão de sobrevivência e justiça, pois a lei em si é que representa uma total injustiça.
Para o liberal, portanto, as leis devem ser respeitadas, se feitas em um devido processo democrático e respaldadas pelo básico do conceito de justiça e liberdade. De preferência, as leis injustas ou distorcidas devem ser combatidas também pelo processo democrático.
Em linhas gerais, o liberal estaria, então, de acordo com o argumento desses esquerdistas. O limite é lei, ainda que ridículo, e deve ser respeitado, mesmo sabendo-se que é um ultraje o governo impor tal limite com a desculpa esfarrapada de “proteger a indústria nacional”, encarecendo em até 3 vezes o preço que pagamos pelos mesmos produtos.
O que eu gostaria de perguntar a esses esquerdistas, que repentinamente adquiriram enorme apreço pelo conceito liberal de império das leis, é o seguinte: vale o mesmo para os camelôs? Os fiscais e a polícia sabem exatamente onde atuam. Por que não confiscam tudo? Vale para as empregadas domésticas sem carteira assinada? Vale para os flanelinhas?
O Brasil tem ainda uns 30% da mão de obra na informalidade, justamente porque o custo da legalidade é proibitivo. Esses esquerdistas vão ou não defender que os fiscais confisquem a renda e os produtos dessa gente toda que sonega impostos? Quero ver a esquerda caviar cobrando que a polícia faça uma batida nos camelôs e apreenda tudo que for ilegal, ou seja, tudo. Ou então intensificando a fiscalização na entrada de sacoleiros do Paraguai.
Pouco provável. E sabem por quê? Porque, no fundo, não é o império das leis que essa turma aplaude; é o achaque aos mais ricos! Ou seja, na prática, o primeiro grupo de críticos se junta ao segundo, só que sem o tom pejorativo que já trai os outros. Mas pensam igual. A “patricinha” deve se ferrar porque é rica, porque tem, porque pode pagar mais, porque é consumista, e o camelô ou o cambista devem ser deixados em paz, pois não são ricos.
E ainda querem nos enganar que ligam para o império das leis? Gente que pede tratamento especial para o mensaleiro José Genoino por conta de seu passado “louvável” de guerrilheiro comunista? Piada. São os mesmos que ficam revoltados quando um rico burla alguma lei urbanística em sua casa de praia, mas não se importam com as favelas ilegais. Ou que gritam de indignação quando um rico faz “gato” de luz, mas ficam em silêncio quando o “gatonet” circula livre pelas “comunidades”.
Só vou respeitar quem criticar viajantes que querem comprar seus produtos acima de US$ 500 e trazer por um terço do preço doméstico sem declarar, se criticarem também todos os outros brasileiros que vivem à margem das leis, tantas vezes absurdas e asfixiantes. A começar por moradias ilegais em favelas…

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