terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Valem quanto pesam

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo
Alguém está ouvindo ou vendo algum partido brigar pelo Ministério da Cultura, pela pasta de Assuntos Estratégicos, por um lugar ao sol no Desenvolvimento Agrário ou na Previdência e seus inúmeros problemas?
Não, os postos disputados nas negociações que a presidente Dilma Rousseff abre esta semana para formatar a dita reforma ministerial - que de reformuladora não tem nada - são os comandos da Integração Nacional, dos Transportes e do Ministério das Cidades. Já, já detalharemos os motivos.
Partindo da premissa de que estamos todos bem crescidos para saber que a discussão não envolve o aprimoramento das políticas públicas nem a melhoria do desempenho de cada um desses setores. O critério é só um: o que os partidos podem fazer pela reeleição da presidente e o que os ministérios podem dar em troca aos partidos.
Não está, contudo, muito clara para a maioria, e vale a pena esmiuçar, a motivação do toma lá dá cá. Quais as vantagens objetivas que rendem de parte a parte essas transações?
Por que para a presidente é tão importante acomodar partido x ou y na equipe? Para atraí-los a uma coalizão oficial e com isso assegurar maior tempo na propaganda de rádio e televisão; para impedir que esse tempo vá para a oposição; para com uma base ampla de apoio criar um clima político favorável.
Por que para os partidos é vantajoso ocupar um ministério mesmo durante poucos meses? Primeiro, depende do ministério. Os três citados acima como os mais disputados reúnem as condições ideais.
Eles têm dinheiro, instrumentos para liberação de recursos para prefeituras (excelentes cabos eleitorais para deputados que, por sua vez, se empenham para eleger governadores e presidente), obras a serem realizadas e contato com potenciais financiadores de campanha, principalmente empreiteiras.
Trata-se, em suma, de manuseio de interesses partidários com vista a incrementar as condições eleitorais de cada um, fundadas em dois pilares: dinheiro e visibilidade.
A presidente poderá optar por soluções "técnicas", nomeando os secretários executivos para o lugar dos ministros que serão candidatos? Em tese sim. O então presidente Lula fez isso em 2010.
Mas na época ele não era candidato, estava com a popularidade nas alturas e o PIB de quase 8% de crescimento ao ano. Dilma está em situação diferente, que a posiciona desfavoravelmente em relação aos partidos. Em português claro, terá de ceder. Ou se arriscar.
Andança. O novo líder do PSDB na Câmara Federal, Antonio Imbassahy, está se preparando para assumir o posto em fevereiro ciente de que os movimentos da bancada terão como referência a candidatura presidencial de Aécio Neves.
Imbassahy fez uma rodada pelo País a fim de conferir as possibilidades de aliança. A última semana passou no Rio de Janeiro para conversar com gente do grupo que sustenta o programa a ser apresentado pela área econômica.
Dos contatos políticos saiu com as seguintes impressões: a despeito da resistência do grupo de Marina Silva, haveria espaço em São Paulo para um acordo com PSB em torno da candidatura ao Senado; no Nordeste há jogo favorável na Bahia, no Ceará (ambos em parceria com o PMDB), no Piauí e no Maranhão em acerto com o candidato Flávio Dino, do PC do B.
No Estado dominado pelo clã Sarney os tucanos contam com a armadilha em que está preso o PT nacional. Diante do monumental desgaste da família, nem Lula nem Dilma poderão aparecer por lá sem risco de contágio. Como são cobrados por lealdade aos Sarney (em 2010 a candidata do PT teve 80% dos votos maranhenses), tampouco têm salvo-conduto para liberar o apoio dos petistas a Flávio Dino.

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