sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Suplicy quer calar o Ministro Joaquim. Para um homem que não calou Marta...

Vejo muita semelhança entre Lula e Fidel Castro.A principal é que os dois são gagás.

Será que se eu pronunciar otorrinolaringologista sem errar tenho chance de ser presidente?

Seu estoque de velas está bom?- Transmissão de energia do Norte para o Sudeste está no limite

MÉDICOS CUBANOS GANHAM AUMENTO, MAS SALÁRIO AINDA É BAIXO

Os médicos cubanos ganharão um reajuste no vergonhoso salário oferecido aos profissionais para trabalhar na saúde pública brasileira. O ministro da Saúde, Arthur Chioro, anunciou que o salário passará de US$ 1.000, aproximadamente R$ 2.350, para R$ US$ 1.245, cerca de R$ 2.350. O governo brasileiro paga R$ 10.000 por profissional enviado ao Brasil, mas a maior parte deste valor é retida por Cuba.
A quantia que os médicos cubanos, efetivamente, recebem em mãos também aumentou. Com as regras iniciais, os profissionais só tinham acesso a US$ 400. Agora, o valor passa a ser de US$ 600. O ministro afirmou que o aumento não acarretará mais gastos para o Brasil e que o reajuste foi possível graças a uma negociação entre Dilma e o governo cubano.
Chioro nega que o governo tenha sofrido pressão para reajustar o salário dos profissionais após o escândalo com a médica Ramona Rodriguez, que largou o programa e denunciou os valores reais recebidos pelos médicos. O ministro afirmou que a modificação ocorreu atendendo uma determinação de Dilma. “Não sofremos nenhum tipo de pressão, o que houve foi uma necessidade de aprimorar o sistema, como a identificação do alto custo de vida no Brasil”, explicou.
DP

INDUSTRIAIS PERDEM OTIMISMO EM RELAÇÃO À COPA DO MUNDO

Após pesquisas mostrarem que a maioria dos brasileiros é contra a realização da Copa do Mundo no país, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) também divulgou um levantamento apontando que, entre os industriais, o pessimismo em relação ao mundial cresceu.
De acordo com a CNI, O número de industriais que acredita nos efeitos positivos da realização da Copa do Mundo no Brasil para a construção caiu de 82% em julho de 2011 para 64% em julho de 2013. Aqueles que dizem que o impacto será negativo cresceram de 8% para 11%.
A pesquisa apontou que os principais gargalos enfrentados pela construção para execução do torneio são: falta/alto custo de mão de obra, burocracia do processo licitatório, prazo curto para o término de obra/serviço e elevada tributação.
DP

O alerta de Joaquim Barbosa

Que o alerta feito pelo ministro Joaquim Barbosa possa ecoar pelo Brasil todo, para que ninguém diga, depois, que não foi avisado:
Esta é uma tarde triste para este Supremo Tribunal Federal, porque, com argumentos pífios, foi reformada, jogada por terra, extirpada do mundo jurídico, uma decisão plenária sólida, extremamente bem fundamentada, que foi aquela tomada por este plenário no segundo semestre de 2012. Peço vênia à maioria que se formou e voto pela rejeição dos embargos infringentes.
Uma maioria de circunstância, formada sob medida para lançar por terra todo o trabalho primoroso levado a cabo por esta corte no segundo semestre de 2012. É a isso que nós acabamos de assistir. Inventou-se inicialmente um recurso regimental totalmente à margem da lei com o objetivo específico de anular, de reduzir a nada um trabalho que fora feito.Sinto-me autorizado a alertar a nação de que este é apenas o primeiro passo. Essa maioria de circunstância tem todo o tempo a seu favor para continuar na sua sanha reformadora.
Muitos já tinham visto a fala do ministro, claro, mas não poderia deixar de registrá-la aqui também. Infelizmente, em poucas horas o Brasil todo estará pulando Carnaval, curtindo a folia, entorpecendo-se até não poder mais, para esquecer os problemas e viver como se não houvesse amanhã.
Há. Sempre há. E, no nosso caso, poderá ser bastante sombrio se o alerta de Joaquim Barbosa encontrar ouvidos moucos pelo país. Acorda, Brasil!
Rodrigo Constantino

RABO DE SARDINHA


Rabo de sardinha – coluna na Veja impressa

Segue um trecho de minha coluna na Veja impressa desta semana. Para ler na íntegra, basta fazer a assinatura:
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O calvário dos empreendedores no país do Leviatã faminto

Já falei do martírio que é ser empresário no Brasil aqui. Hoje volto ao tema, que jamais deve ser esquecido, por conta de um excelente artigo publicado no GLOBO, pelo administrador de empresas Sergio Barcellos. Ele faz um relato preciso dos obstáculos absurdos que um empresário precisa superar no Brasil. Infelizmente, muitos são os que ignoram esta realidade, demandando sempre mais estado para solucionar os males criados pelo excesso de estado.
Um bom governo preservaria o valor da moeda e garantiria os contratos entre as partes, não muito mais do que isso. Quão distantes estamos disso! Nem nossa moeda anda muito estável, nem nossos contratos valem muito, pois o governo adora rasgá-los de tempos em tempos.
Fora isso, a quantidade de burocracia é asfixiante, o peso dos impostos é proibitivo, a infraestrutura é caótica, etc. O velho Custo Brasil, já conhecido pelos leitores do blog. O autor resume a loucura:
Neste ambiente, registrar uma empresa, colocar dinheiro do próprio bolso, contratar empréstimos para crescer, correr riscos e gerar mais empregos vira aventura no simples instante em que é emitido o famoso cartão do CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica). E não importa qual o ramo de negócio. Em todos — sem exceção —, nosso audaz empreendedor vai dar de cara com quase 39% de impostos, o que o obrigará a ter que trabalhar de janeiro a maio de cada ano, todos os anos, para pagar o pedágio do Leviatã, do Hobbes.
Bem, ainda sobram cerca de sete meses para se virar e manter vivo o empreendimento. Coitado, não sabe o que o espera: de saída, o espera um pandemônio fiscal e trabalhista que muda completamente de sentido a cada 30 dias, ou menos, na medida da torrente de atos e instruções normativas que regulam a matéria, nos planos federal, estadual e municipal. A fome do Leviatã não tem limites.
E junto com o CNPJ vem a sopa de letrinhas: PIS, Cofins, FGTS, INSS, Dirfs, IPI, ICMS, ISS, IPTU, DUT, IPVA, IRPJ etc, embaralhada com alíquotas que podem variar da noite para o dia, mais os ditames da jurisprudência dos tribunais superiores, mais uma coorte de taxas criadas do nada, mais a parafernália dos carimbos, assinaturas, a nova invenção, entre outras, do reconhecimento de firma “por autenticidade” (uma contradição em termos), mais um desfile de invenções diabólicas do tipo. E, rapidamente, as pessoas e o tempo despendidos para controlar tudo isso superam largamente aquele dedicado aos objetivos sociais do empreendimento.
Em seguida, Barcellos lista os desafios extras do produtor rural, este que tem carregado nossa economia nas costas. Ainda deixa de fora as ameaças financiadas pelo próprio governo, como invasores do MST e grupos indígenas. O ambiente para o empreendedor brasileiro é hostil demais. Não tem como dar certo assim. Como diz o autor, “Estamos chegando ao limite da capacidade individual de resistência dos empreendedores privados do país”. Há que ser meio doido para empreender por aqui.
E quando os doidos tiverem desistido desta aventura insana, seremos todos funcionários públicos: “Já aconteceu em outros países e em outros períodos da História. E todos nós, mais o país em torno, nos transformaremos em uma horda de funcionários públicos. Inexoravelmente, e cada vez mais pobres”.
Rodrigo Constantino

PROTESTO DE ESTUDANTES EM CARACAS DEIXA 15 FERIDOS

Um protesto envolvendo estudantes opositores ao governo de Nicolás Maduro deixou pelo menos 15 feridos hoje (27) na Venezuela. A manifestação foi realizada na capital Caracas e houve confronto com a polícia que utilizou bombas de gás lacrimogêneo contra os estudantes.
O presidente da Federação de Centros Universitário da Universidade Central da Venezuela, Juan Requesens, condenou a ação policial, pois a manifestação era pacífica. “Falam de paz e depois lançam bombas de gás”, disse.
O Paraguai afirmou que estuda o pedido do chanceler venezuelano, Elías Jaua, de tratar a situação do país apenas na União das Nações Sul Americanas (Unasul) e não levar o assunto à Organização dos Estados Americanos (OEA). Para Jaua não é “oportuno discutir o tema na OEA”.
DP

O guardião de Havana, por Demétrio Magnoli

Quem escreveu aquele comunicado vergonhoso? “Os Estados Partes do Mercosul (...) rechaçam as ações criminosas dos grupos violentos que querem disseminar a intolerância e o ódio na República Bolivariana da Venezuela”, “expressam sua mais firme rejeição às ameaças de ruptura da ordem democrática” e “confiam plenamente que o governo venezuelano não descansará no esforço para manter a paz e as plenas garantias de todos os cidadãos”. Essas linhas são uma cópia quase literal das declarações do governo da Venezuela. O Brasil só assinou embaixo, produzindo uma das páginas mais sombrias da história de nossa política externa. Qual é a motivação do governo de Dilma Rousseff para rebaixar-se à condição de eco dos sucessores de Hugo Chávez?

Nos tempos de Lula, tínhamos uma política externa com inflacionadas pretensões, guiada pela meta de obter um lugar no Conselho de Segurança da ONU. Falava-se na construção de uma ordem global multipolar, na ruptura da “hegemonia americana” e na reorganização Sul-Sul do comércio mundial. O chanceler Celso Amorim proclamou uma “aliança estratégica” Brasil-China. Uma vertente ultranacionalista personificada por Samuel Pinheiro Guimarães flertou com a ideia de edificação de um arsenal nuclear brasileiro. No auge do desvario, oferecemos uma cobertura à aventura nuclear iraniana. Hoje, nada restou daquela espuma: tornamo-nos, apenas, um aparelho de repetição das frases e dos gestos de Nicolás Maduro.

A política externa lulista era um castelo de areia inspirado por reminiscências do terceiro-mundismo e uma renitente nostalgia do projeto de Brasil-Potência delineado na ditadura militar. O castelo desabou sob o impacto de fracassos em série e do notório desinteresse de Dilma por qualquer coisa que aconteça fora das fronteiras nacionais. Sobrou um caroço duro de compromissos políticos e ideológicos: hoje, o Brasil define seu lugar no sistema internacional em função do imperativo da proteção dos interesses do regime castrista. Eis a chave para decifrar o comunicado do Mercosul.

O destino da “revolução bolivariana” nunca tocou nos feixes nervosos do lulopetismo. Lula assistiu, contrariado, à ascensão de Chávez como liderança concorrente na América Latina e tentou guardar distância dos rompantes antiamericanos do caudilho de Caracas. Mas a Venezuela chavista firmou uma estreita aliança com Havana e o petróleo subsidiado da PDVSA converteu-se na linha vital para a sobrevivência do Estado castrista. É por esse motivo que o Brasil firmou um comunicado no qual a oposição venezuelana aparece sob o rótulo de “grupos criminosos” engajados em promover um golpe de Estado.

Bem antes da segunda candidatura presidencial de Lula, em 1994, um editorial da revista teórica do PT qualificou a Cuba de Fidel Castro como uma ditadura indefensável. Nos anos seguintes, enquanto José Dirceu reinventava o PT como uma azeitada máquina política, Lula fazia uma opção preferencial pela ditadura cubana, rejeitando a oferta de acomodar seu partido no ônibus da social-democracia europeia. Aquelas escolhas marcam a ferro a política externa do lulopetismo. Tilden Santiago, um embaixador brasileiro em Havana, elogiou os fuzilamentos políticos promovidos pelo castrismo em 2003. No Ministério da Justiça, em 2007, Tarso Genro deu a ordem imoral de deportação dos boxeadores cubanos. Três anos depois, Lula identificou os presos políticos cubanos como criminosos comuns. É nessa trajetória que se inscreve o comunicado do Mercosul.

A Venezuela ainda não é uma ditadura, pois conserva a liberdade partidária e um sistema de sucessão baseado em eleições gerais. Contudo, já não é mais uma democracia, pois eliminou-se a independência do Judiciário, restringiu-se a liberdade de imprensa e as Forças Armadas foram submetidas ao catecismo chavista. À beira do colapso econômico, o regime enfrenta uma onda de insatisfação que se espraia da classe média para os pobres. Confrontados com manifestações de protesto, os sucessores de Chávez recorrem a intimidações, prendem sem acusações críveis um líder opositor e soltam a rédea dos “coletivos”, que operam como grupos paramilitares de choque.

O uso da força contra manifestações pacíficas foi respaldada pelo Mercosul, mas crismada como “inaceitável” até mesmo por José Vielma Mora, governador chavista do estado de Tachira, que pediu a libertação de “todos os aprisionados por razões políticas”. Até quando Dilma Rousseff emprestará o nome do Brasil à repressão “bolivariana”?

Cuba é o nome da armadilha. De um lado, sem a vasta transferência de recursos proporcionada pela Venezuela, o poder castrista enfrentaria o espectro do colapso. De outro, o governo brasileiro não dispõe das condições políticas necessárias para assumir o lugar da Venezuela. O Brasil já financia o regime dos Castro por meio de obscuros empréstimos do BNDES e das remessas de divisas associadas ao programa Mais Médicos. Entretanto, mesmo diante de uma oposição prostrada, o lulopetismo não tem como vender à nação a ideia de converter o Brasil no Tesouro de Cuba. Como produto do impasse, nossa política externa foi capturada pela crise da “revolução bolivariana”.

“A Venezuela não é a Ucrânia”, disse a primeira-dama Cilia Flores, desvelando mais um temor que uma certeza. A profundidade da crise não escapou à percepção de Heinz Dieterich, o sociólogo que cunhou a expressão “socialismo do século 21” e serviu durante anos como conselheiro ideológico de Chávez. Dieterich conclamou “uma facção” do chavismo a articular “uma aposta democrática de salvação nacional” que se coagularia num governo de coalizão com os oposicionistas moderados reunidos em torno de Henrique Capriles. Qualquer saída política pacífica exigirá um esforço de mediação internacional. O Brasil só poderá ajudar se o governo conseguir separar o interesse nacional dos interesses da ditadura castrista.


Nada é para já

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo


A mesma voz do bom senso que aconselharia o ministro Joaquim Barbosa a ficar longe da política eleitoral ao menos até esfriarem os ânimos do mensalão diria ao ex-presidente Luiz Inácio da Silva que disputar a Presidência da República de novo não seria um bom negócio.

Em 2014, em 2018 nem nunca mais. O mesmo se aplica ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, guardadas algumas proporções. FH ganhou duas no primeiro turno, saiu na segunda gestão mais para lá do que para cá em termos de popularidade e vive uma ótima vida de homenagens sem deixar de fazer política. Para que concorrer a uma eleição e ainda se arriscar a perder?

Lula saiu consagrado da Presidência. Com popularidade altíssima depois de dois mandatos, capital político mais que robusto, o comandante incontestável de seu partido em plena posse de suas atividades. Em português claro: manda e desmanda, com mandato ou sem.

Porém, governou com céu de brigadeiro e a situação mudou. Por que arriscar esse patrimônio concorrendo a uma eleição se a vida está ótima assim? Para quem saiu com mais de 80% de aprovação, qualquer 75% é perda. Ademais, o horizonte não se desenha risonho e franco para o próximo período.

Ocorre, contudo, que o PT precisa manter o poder. Não tem outro nome além de Lula e se aflige com a possibilidade de não conseguir com Dilma Rousseff. Daí o que o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, chama de "fofocas" sobre a possibilidade de o ex-presidente vir a se candidatar agora no lugar da sucessora.

Há apostas do lado do "sim" e do lado do "não". Hoje a balança pesa mais para a primeira hipótese. Mas, seja qual for a decisão, não seria tomada agora. O ex-presidente tem tempo e razões de sobra para postergar.

Vamos à lista dos motivos: 1.Dilma está na frente nas pesquisas; 2. A oposição ainda não se configura uma ameaça que justifique movimentos radicais; 3. Seria uma precipitação, pois as candidaturas só precisam ser oficialmente definidas em junho; 4. Assumir a candidatura agora equivaleria a dizer que Lula considera Dilma incapaz de ganhar e que, portanto, o governo dela é um fracasso; 5. Fracasso dele, o fiador de gestora tão competente como nunca antes aparecera neste País.

O essencial. Com todos os senões que se possam enxergar no fato de uma decisão do Supremo Tribunal Federal ser reformulada pelos votos de dois ministros que não participaram do julgamento, contrariando a maioria que acompanhou passo a passo o processo, um dado é fundamental.

O projeto do partido no poder de que os réus, ou pelo menos aqueles do chamado núcleo político, fossem absolvidos de maneira a prevalecer a tese de que o mensalão foi uma farsa, não teve êxito.

A ideia de que uma Corte majoritariamente nomeada por governos do PT poderia se submeter aos interesses do partido não vingou. Do ponto de vista institucional na comparação com outros países em que o Poder Executivo eleito de forma democrática, mas exercido de forma autoritária, o Brasil saiu-se muito bem.

Nessa perspectiva tanto faz se altos dirigentes partidários tenham formado uma quadrilha ou um "concurso de agentes" para o cometimento de crimes.

O importante é o reconhecimento de que os cometeram e que, mesmo poderosos e providos de costas quentes, estão pagando por isso. Não foram declarados inocentes nem se podem dizer vítimas de injustiças. Tiveram todas as chances.

Inclusive a oportunidade de um novo julgamento em instância superior, em tese única. Se o enredo não saiu como previam, deve-se à solidez dos homens e mulheres que não deixaram o Supremo Tribunal Federal se curvar às conveniências do Planalto.

Breve pausa. A política se recolhe durante o carnaval, voltando a abrir alas e a pedir passagem na próxima sexta-feira, dia 7.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

CAIO BLINDER- Passarinhos & Avestruzes (Venezuela & Ucrânia

A situação na Venezuela está enrolada. Eu não vou quebrar a cabeça. De mão beijada, há um texto do guru Moisés Naím (quase uma semana sem mencioná-lo na coluna) e ainda por cima na edição em português do El País. Existem algumas comparações interessantes com a Ucrânia no artigo publicado antes da fuga de Viktor Yanukovich de sua casa de campo com avestruzes. Não faz o meu gênero meramente transcrever um texto. Aqui está na íntegra para os leitores. Quero destacar alguns pontos, com alguns retoques meus:
1) Existe um estado de rebelião contra o chavismo na Venezuela. Infâmia chavista dizer que é coisa de fascistas e mentira apontar como movimento de classe média. Mesmo com fraude e estado aparelhado, Nicolás Maduro venceu as eleições presidenciais do ano passsado com diferença de 1,5% sobre o oposicionista Henrique Capriles. Metade da Venezuela não é de classe média. O país fica na América do Sul e não na Escandinávia. Milhões de pobres estão protestando, os pobres que o chavismo diz representar.
2) Os protestos estudantis simbolizam a perda da principal mensagem política em que Hugo Chávez baseou sua popularidade: a denúncia do passado e a promessa de um futuro melhor. O chavismo é o passado.
3) Enfrentar Maduro é enfrentar, na expressão de Moisés Naim, a “grotesca” influência de Cuba na Venezuela. Cuba exporta técnicas repressivas e más ideias políticas e econômicas.
4) Se o chavismo acabar, a América Latina estará em dívida com os jovens venezuelanos que não tiveram medo de enfrentar um “governo que faz o impossível para que tenham medo”. Dona Dilma precisará dar explicações, pelo papelão, para o “povão” que foi às ruas protestar nas últimas semanas na Venezuela.
Em um adendo, eu recomendo também a leitura do texto publicado no New York Times por Francisco Toro, o fundador do site Caracas Chronicles, já paparicado pela coluna. Duas rápidas observações:
1A) “Fascistas” é a expressão favorita do regime chavista para rotular dissidentes. A Maduro escapa a ironia (escapa tanta coisa) que uma pedra de toque do fascismo é justamente a recusa para reconhecer a legitimidade da opinião dissidente.
2B) A brutalidade da resposta de Maduro aos protestos é autodestrutiva. Chávez nunca foi tímido para chamar a oposição para a briga, algo crucial para mobilizar a base. No entanto, Chávez por instinto sabia dos limites destas táticas e nunca empreendeu uma repressão na escala do infeliz que ele escolheu para sucedê-lo. A revolução devora seus filhos e em muitos casos é devorada por eles.
No meu arremate, Maduro, ouvinte de passarinhos, é mais da escola de truculência, inépcia e burrice na qual também estudou Viktor Yanukovich, o criador de avestruzes.

COLOCARAM VINAGRE NO PUDIM DOS CANÁRIOS- Alckmin confirma descoberta de plano de fuga de chefão do PCC

THE WONDERFUL WORLD OF ROSEANA SARNEY- Mulher está algemada a cadeira há uma semana em delegacia de Codó no Maranhão por falta de celas.

A ESPERTEZA COMEU O DONO- Justiça do DF suspende direito de Delúbio ao trabalho

Em razão de privilégios indevidos, Vara de Execuções Penais corta todos os benefícios concedidos ao petista – incluindo o direito de passar o carnaval com a família.

CRIANÇA APAVORADA NOS BRAÇOS DO ATRASO


-É FILHO, FOI O GRUPO DESTE HOMEM  QUE CRIOU O BICHO PAPÃO- FOTO- REUTERS

Dalva: a face oculta da imprensa. Ou: Negra é a cor da ideologia

O caso do ator Vinicius Romão, preso injustamente após ser confundido com o ladrão pela própria vítima, a copeira Dalva, continua tendo forte repercussão. O ator esteve noprograma de Fátima Bernardes na TV Globo, e conversou por telefone com Dalva, a quem disse não guardar rancor e perdoar. Atitude nobre, como a de seu pai, que havia dito o mesmo antes.
Mas parte da imprensa e dos movimentos “sociais” quer sangue. Como abutres, buscam carniça em todo lugar, e vislumbraram no lamentável episódio uma incrível oportunidade de disseminar todo o seu rancor, apelando para a cartada racial – que muitas vezes trai um racismo às avessas. Tentaram, durante a primeira entrevista do ator, por três vezes forçá-lo a falar de racismo, coisa que ele habilmente evitou.
Gustavo Nogy, em sua página do Facebook, fez uma ótima análise da situação:
VINÍCIUS ROMÃO, ator, foi preso há duas semanas sob suspeita de ter roubado e agredido Dalva Maria da Costa, na zona norte do RJ. A vítima acreditava ter reconhecido, no ator, o criminoso: mesma cor de pele, mesmo tipo de cabelo. Ocorre que o suspeito é negro e, subitamente, o país começa a arder em indignações. O inclassificável Jean Wyllys decreta: “O crime dele é ser negro”, e exige a imediata liberdade do rapaz. Amigos exigem liberdade. Apresentadores de telejornal exigem liberdade.
A depender das boas almas, todo negro suspeito só é suspeito por ser negro e – ipso facto – deveria ter sua liberdade assegurada sem demais averiguações. Se para uns – os brancos, os maus – ele é criminoso por ser negro, para outros – as boas almas, negras ou não – ele é inocente por ser negro. Negra é a cor da ideologia. 
Duas semanas se passam e a vítima reconhece a confusão. Em novo depoimento, retira a acusação e confessa ter se enganado. Vinícius Romão está livre. Enquanto a militância se desfaz em esgares e contorcionismos ideológicos e exige retratação da vítima, das autoridades, dos brancos, das capivaras, uma outra figura aparece em cena: Jair Romão, pai de Vinícius. E diz o seguinte: “Não ficou mágoa em relação a ela [Dalva]. Qualquer um pode se confundir, ela foi assaltada, estava sob forte estresse emocional. Sinceramente, não considero preconceito. A vítima descreve um homem com as mesmas características de Vinícius, um homem negro com cabelo black power, a polícia procura dentro das características que a vítima informou, se fosse um branco, um moreno, ia dar no mesmo”.
A resposta é de uma nobreza desconcertante. Militantes, como babuínos, às voltas de Vinícius com a fome e a sede de quem quer ter um exemplar à mão. E o pai de Vinícius, com sabedoria digna de almas realmente decentes, frustra a todos. Cor de pele realmente não é, nem nunca foi, signo de bom ou mau caráter. No entanto, quem sabe disso não são os militantes capitaneados por Jean Wyllys, mas o pai negro do ator negro que teria todos os motivos do mundo para trombetear a injustiça. E, dignamente, não o fez. Como a boa alma que verdadeiramente é, ao contrário daquelas outras boas almas que, convenhamos, nunca verdadeiramente o serão.
Com isso tudo em mente, surge uma pergunta incômoda que não sai da cabeça: por que é mais difícil ver uma foto na imprensa de Dalva da Costa Santos, a copeira assaltada, do que uma do Saci Pererê? Dalva é mais invisível para a imprensa do que o personagem criado por H.G. Wells. Ninguém conhece sua face!
A GloboNews fez uma simulação do assalto mostrando no desenho uma moça branca. Será? Ou será que se mostrarem uma mulher negra o burburinho todo de racismo, que a própria vítima presa injustamente rejeita, ficaria murcho e prejudicado?
Rodrigo Constantino

JOAQUIM BARBOSA ATACA INDICAÇÕES DE DILMA AO SUPREMO

A absolvição dos mensaleiros da acusação por formação de quadrilha esquentou os bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente do Tribunal, Joaquim Barbosa, declarou que “esta é uma tarde triste para o STF. Com argumentos pífios foi reformada, jogada por terra, extirpada, do mundo jurídico, uma decisão plenária sólida, extremamente bem fundamentada, que foi aquela tomada por este plenário no segundo semestre de 2012”.
Barbosa, indiretamente, atacou as indicações de Dilma ao Supremo, dando a entender que a Corte foi aparelhada, “Sinto-me autorizado a alertar a nação brasileira de que este é apenas o primeiro passo. Esta maioria de circunstância tem todo tempo a seu favor para continuar nessa sua sanha reformadora. Essa maioria de circunstância formada sob medida para lançar por terra todo um trabalho primoroso, levado a cabo por esta corte no segundo semestre de 2012”, alfinetou o presidente.
O ministro Joaquim Barbosa usou o termo “maioria circunstancial” para referir-se à nomeação dos colegas Luís Roberto Barroso e Teori Zavascki, indicados por Dilma. Os novatos foram decisivos para absolver os mensaleiros. Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Dias Toffoli e Carmem Lúcia, fecham o time que votou pela absolvição. Luiz Fux, Gilmar Mendes, Joaquim Barbosa, Marco Aurélio e Celso Mello votaram pela condenação.
DP

MINHA SINA: Igualzinho ao PT, piorando a cada dia.

O catolicismo quase me matou com esse negócio de pecado. Teve uma época que até para lavar eu tinha receio de pegar no pinto por medo do inferno. Arre!

Quando menino fui muito a igrejas. Acho que é por isso que acabei enjoando. Putz!

Você também já foi o feliz hospedeiro de um furúnculo na bunda?

“Adoro a paz dos cemitérios. Mas apenas para visitas ocasionais.” (Mim)

“A sorte não agracia fulano ou beltrano por merecimento. A sorte cavalga no vento, e sem escolher, cai às vezes no colo de um imprestável.” (Filosofeno)

“A mãe de Hitler achava ele um anjinho. O certo é que mães também se equivocam.” (Filosofeno)

O BERRO DO PAGADOR- Mantega já está falando em aumentar impostos. Nós queremos que ele sente num abacaxi lubrificado.

Direito autoral

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo


O contingente não é desprezível: 45% dos quase 140 milhões de eleitores brasileiros têm entre 16 e 35 anos de idade e não fazem ideia de como era viver no Brasil da instabilidade, do descrédito internacional, da moeda que não valia uma cibalena vencida.

Por isso mesmo não dão a devida atenção quando os mais velhos detectam os sinais de "desmonte" dos fundamentos que construíram a estabilização econômica e temem que o Brasil entre numa trajetória que o leve ao rumo do antigo desarranjo.

Os especialistas no tema têm falado nisso, mas para um público restrito. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, nesta semana tocou nesse ponto: acusou sem meias palavras a presidente Dilma Rousseff de adotar práticas de governo da era pré-Plano Real.

Disse isso a um grupo de empresários que sabe perfeitamente do que ele está falando e mede os riscos que podem não ser enormes hoje, mas os fatos mostram que já foram menores.

Em tom de slogan de campanha, ao pregar um choque de "esperança e confiança" foi o que disse de maneira arrevesada o candidato ao PSDB à Presidência, senador Aécio Neves, na comemoração dos 20 anos do Plano Real.

Presentes à cerimônia, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, executor do Plano como ministro da Fazenda à época e dois dos formuladores, Gustavo Franco e Edmar Bacha.

Além da festividade, habitualmente realizada no mês de junho e desta vez antecipada para criar espaço à oposição na imprensa, a ideia era tentar reaver o direito autoral sobre um legado que o próprio PSDB renegou na campanha presidencial de 2002 e nunca mais recuperou.

O PT apropriou-se da obra e o fez com tanta competência (e desfaçatez, é verdade) que no dia da solenidade dos 20 anos parlamentares petistas, em reação, invocaram para si a tarefa de terem "salvado" o Plano Real quando assumiram o poder.

Para aquele contingente de jovens do qual falamos no início, possivelmente tal narrativa soe mesmo verossímil. E continuará soando assim se os autores da obra não souberem recuperar as rédeas da história.

Não para ficar revisando para mero deleite eleitoral imagens de um passado longínquo de um Brasil que não tem nada a ver com o País de 20 anos atrás. Muito menos remoendo rancores ou incutindo temores artificiais.

A tarefa da oposição responsável, nos parece, seria relatar os fatos com linguagem inteligível, sem alarmismos, mas com realismo, didatismo e, sobretudo, muita honestidade, a respeito do que foi o Brasil durante a era da irresponsabilidade governamental, quais os riscos que corremos de voltar a situação semelhante, o que fazer para evitar o retrocesso.

Sobre isso Mário Covas tinha uma frase precisa: "Quanto mais informações tiver, melhor o eleitor saberá decidir".

Dito e feito. Falta de aviso não foi. Não é de hoje que a insatisfação com a presidente Dilma cresce no Congresso, contamina a base que já não pode mais ser chamada de governista e alcança a bancada do PT.

O líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, cuja eleição em si é fruto dessa insatisfação, quando foi escolhido anunciou que se o Planalto continuasse querendo lidar com a situação na base da queda de braço iria enfrentar "uma crise por dia".

Congresso não vota só projetos de leis e medidas provisórias. Vota convocação de ministros, aprova comissões de inquéritos, derruba vetos presidenciais, e quando quer tem uma capacidade infinita de atrapalhar.

Adianta a presidente esticar a corda e depois ceder ao ponto de mandar uma "força-tarefa" de 12 ministros ao Congresso alegadamente para atender às demandas dos parlamentares?

Nessa altura ninguém mais confia em ninguém, ninguém está mais à vontade com ninguém. É provável que Dilma consiga dos partidos o que quer: o tempo de televisão.

Mas, é cada vez mais improvável que obtenha deles o empenho nos palanques pela reeleição.

ESTREIA NOS CINEMAS DO BRASIL: O APRESUNTADO, estrelando Roseana, Cardoso e Maria Terço

DIÁRIO DA PERERECA DEPILADA- Fortaleza-CE- Após analisar todos os candidatos que receberam votos nas última eleições, o famoso BODE QUE FALA ganha ânimo para sair candidato à presidência

O MUAR - Congresso Nacional aprova lei que proíbe abóboras de concorrer à presidência da República.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Alexandre Garcia- CNPJ é para doido



Um amigo administrador de empresa me aconselha: “Me prometa jamais imaginar em registrar um CNPJ lá no Brasil”. Como faz um quarto de século que virei empresário, o conselho chega tarde, mas revela o quanto o amigo me estima e deseja a minha felicidade. Não importa o ramo de negócio, o audaz empreendedor brasileiro tem que sobreviver com quase 39% de impostos. Cada ano, até maio, vai trabalhar para sustentar os governos. E o Ministro da Fazenda acaba de anunciar que neste ano pode aumentar impostos: "Aumento de impostos é reserva que temos se for necessário para elevar arrecadação". Motivo simples, esse: aumentar a arrecadação. Pelo impostômetro, já pagamos até agora 300 bilhões de reais, só neste ano. R$62.500,00 por segundo!

Supostamente, com esse amazonas de dinheiro saído do trabalho do contribuinte, teríamos excelentes serviços públicos de educação, saúde, segurança... Como se depreende das declarações do Ministro Mantega, a fome dos governos não tem limites. Quando alguém consegue o CNPJ, vem com ele uma sopa de letrinhas gulosas: PIS, COFINS, FGTS, INSS, DIRFs, IPI, ICMS, ISS, IPTU, DUT, IPVA, IRPJ, com regras e alíquotas que podem estar diferentes quando o titular do CNPJ sair da cama no dia seguinte. Mas tem vítima maior.

É o empresário rural. De grãos, esse que garante a balança comercial é coisa para internação em hospício. Além de preparar a terra, se defender das pragas e do MST, depender do excesso ou falta de chuva, tem que colher, estocar, transportar, vender e embarcar no país sem capacidade de armazenar, sem ferrovias, sem navegação fluvial, com portos congestionados e rodovias ruins, ainda tem a maior quebra da colheita: governo inventando dificuldades e pondo facilidades só no discurso. No palanque, elogiam os que produzem e criam empregos, mas nas suas rezas a São Marx, exorcizam o lucro, esse pecado mortal do capitalismo.

A fé nesse santo é tão doentia que até a empresa que o próprio estado administra, a Petrobrás, está proibida de ter lucro para ter capacidade de investir e crescer: quando mais vende, mais perde. É a inversão que contaminou o país. No catecismo de São Marx, a santidade será obtida quando todos os empresários se transformarem em funcionários públicos - até o sapateiro, como aconteceu na Tchecoslováquia, num fevereiro de 1948. Perguntem a um tcheco, como foi, e ficará preocupado. Eles lembram o 21 de fevereiro não para comemorar, mas para evitar que nunca mais se repita. A seita não consegue repetir por lá, mas tem esperança no Brasil, já embrulhado. Mas não esmoreça: milhões de brasileiros do bolsa família dependem do seu trabalho e seus impostos.



MENSALÃO: Há ministros que estão no Supremo para julgar. Outros, estão lá especificamente para absolver

Ricardo Setti
O acompanhamento da cobertura ao vivo do julgamento dos embargos infringentes apresentados por mensaleiros condenados que querem se livrar do crime de formação de quadrilha, ou bando, e, portanto, livrar-se também da condenação à pena de prisão em regime fechado, conduz a uma conclusão.
A sessão acaba de terminar, com o ministro Joaquim Barbosa, presidente do STF e relator do processo do mensalão, precisando quase extorquir do ministro Luís Roberto Barroso a palavra “absolvo” — relativa a TODOS os réus que o Supremo havia condenado por formação de quadrilha, que Barroso absolveu sem que, em seu voto, utilizasse, até então, o verbo “absolver”.
A conclusão a que se chega, com absoluta clareza, é que há ministros no Supremo que para lá foram guindados com a missão de “cooperar” com o lulopetismo no poder — inclusive aliviando a vida dos criminosos já condenados pela maioria da alta Corte, antes que aposentadorias compulsórias mudassem a composição do Plenário.
Essas figuras apequenam a grandeza histórica do Supremo Tribunal Federal e enodoam seus quase 125 anos de existência sob a República.
Não foi por acaso que, irritado, o ministro Joaquim Barbosa chegou, a certa altura da sessão, a perguntar se o ministro Luís Roberto Barroso se ele tinha o voto pronto antes de chegar ao Supremo — ou seja, se ele ingressou no tribunal com a predisposição de beneficiar os mensaleiros.

20 anos de Plano Real: o avanço social que o PT tentou barrar

O Plano Real, talvez a mais importante conquista social desde a redemocratização do Brasil, completou duas décadas de vida, com direito a uma merecida homenagem a FHC no Congresso. A inflação é, sem dúvida, o imposto mais perverso que existe, pois disfarçado e prejudicial especialmente aos mais pobres.
Reconhecer os méritos de FHC, responsável por montar a equipe que criou o plano, é o mínimo que o país podia fazer. Duro mesmo foi escutar os petistas alegando que “salvaram” o Plano Real, e que a inflação era maior em 2002, último ano do mandato de FHC, do que é hoje.
A cara de pau do PT não tem limites mesmo. A inflação disparou em 2002 por conta do risco Lula, uma vez que todos estavam apavorados com a possibilidade da chegada do PT ao poder e com o que isso representava – principalmente antes de Lula assinar a Carta ao Povo Brasileiro, rejeitando décadas de pregação socialista do partido.
Durante a gestão do PT, a inflação tem ficado perto de 6% ao ano, já por uma década, ou seja, muito acima da meta de 4,5%, elevada para padrões internacionais. O PT pode não ter (ainda) destruído de vez a meta de inflação, herança positiva da era FHC. Mas a tendência é esta, ainda mais quando lembramos dos preços administrados que se encontram congelados para maquiar o resultado final.
O PT tenta, portanto, rescrever a história, como faz na questão do regime militar e da década de 1960, colocando seus ícones como defensores da democracia, e não do comunismo – como de fato eram. Nada como refrescar a memória dos leitores, então, e resgatar a verdade.
Os mais jovens, que nem sequer viveram na época da hiperinflação, também deveriam conhecer o que os petistas e seus companheiros realmente pensavam sobre o plano que derrotou nossa inflação. Felizmente, Reinaldo Azevedo já teve o trabalho de reunir algumas importantes declarações dos ilustres representantes do partido. Vou replicá-las aqui, devido à importância pedagógica das frases compiladas:
Lula:
“Esse plano de estabilização não tem nenhuma novidade em relação aos anteriores. Suas medidas refletem as orientações do FMI (…) O fato é que os trabalhadores terão perdas salariais de no mínimo 30%. Ainda não há clima, hoje, para uma greve geral, mas, quando os trabalhadores perceberem que estão perdendo com o plano, aí sim haverá condições” (O Estado de S. Paulo, 15.1.1994).
“O Plano Real tem cheiro de estelionato eleitoral” (O Estado de S. Paulo, 6.7.1994).
Guido Mantega:
“Existem alternativas mais eficientes de combate à inflação (…) É fácil perceber por que essa estratégia neoliberal de controle da inflação, além de ser burra e ineficiente, é socialmente perversa” (Folha de S. Paulo, 16. 8.1994).
Marco Aurélio Garcia:
“O Plano Real é como um “relógio Rolex, destes que se compra no Paraguai e têm corda para um dia só (…) a corda poderá durar até o dia 3 de outubro, data do primeiro turno das eleições, ou talvez, se houver segundo turno, até novembro” (O Estado de S. Paulo, 7.7.1994).
Gilberto Carvalho:
“Não é possível que os brasileiros se deixem enganar por esse golpe viciado que as elites aplicam, na forma de um novo plano econômico” (“O Milagre do Real”, de Neuto Fausto de Conto).
Aloizio Mercadante:
“O Plano Real não vai superar a crise do país (…) O PT não aderiu ao plano por profundas discordâncias com a concepção neoliberal que o inspira” (“O Milagre do Real”, de Neuto Fausto de Conto)
Vicentinho, atual líder do PT na Câmara dos Deputados:
“O Plano Real só traz mais arrocho salarial e desemprego” (“O Milagre do Real”).
Maria da Conceição Tavares (aquela que chorou de emoção na TV com o fracassado Plano Cruzado):
“O plano real foi feito para os que têm a riqueza do País, especialmente o sistema financeiro” (Jornal da Tarde, 2.3.1994).
Paul Singer:
“Haverá inflação em reais, mesmo que o equilíbrio fiscal esteja assegurado, simplesmente porque as disputas distributivas entre setores empresariais, basicamente sobre juros embutidos em preços pagos a prazo, transmitirão pressões inflacionárias da moeda velha à nova” (Jornal do Brasil,  11.3.1994).
“O Plano Real é um arrocho salarial imenso, uma perda sensível do poder aquisitivo de quem vive do próprio trabalho” (Folha de S.Paulo, 24.7.1994).
Gilberto Dimenstein:
“O Plano Real não passa de um remendo” (Folha de S.Paulo, 31. 7.1994 ).
Agora ficou mais fácil entender porque o PT odeia tanto a verdade histórica e precisa criar “Omissão da Verdade” para tudo que é assunto, não é mesmo? “Esqueçam tudo que eu já disse”, deveria ser o mantra do PT. Quem tem memória não vota nesse partido…
Rodrigo Constantino

‘Os seis marielitos’, de Carlos Brickmann


É Brasil: primeiro, foram comprados 36 caças supersônicos Grippen NG, ao custo de US$ 4,5 bilhões; depois da compra, discute-se se a compra deveria ter sido feita. O debate sobre o já decidido ocorre amanhã, na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, com a participação do comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, com início marcado para as dez da manhã.
O valor da compra nem é tão alto: equivale a seis vezes o que o Brasil gastou na modernização do porto de Mariel, em Cuba; ou a quatro vezes o prejuízo com a compra da refinaria de petróleo obsoleta de Pasadena, nos Estados Unidos. E o investimento deve ser mais útil que aqueles: esta coluna ─ que tinha levantado dúvidas sobre a necessidade de novos caças, perguntando se drones, muito mais baratos, não fariam o mesmo serviço de supervisão de fronteiras e de regiões economicamente sensíveis, como campos petrolíferos em alto mar ─ recebeu mensagens de especialistas de prestígio, que consideram que a compra foi essencial.
Diz o engenheiro aeronáutico Isu Fang, especialista em administração: “A escolha do Grippen NG foi elogiada por profissionais sérios, tecnicamente excelentes. Os drones não servem para todas as missões que a FAB tem de cumprir; e é preciso lembrar que nossa Força Aérea está praticamente sem aviões de combate, após a aposentadoria dos Mirage”. Sobraram Tigers F-5 e Skyhawks A-4, alguns modernizados, mas bem idosos. Completa Isu Fang: “Se vamos manter uma força aérea precisamos dar-lhe condições mínimas de cumprir suas funções”.
Dúvida pertinente
Fang faz, entretanto, uma pergunta fundamental, para um país que tem poucos recursos (e ainda precisa dividi-los para financiar outros países, além de gastá-los em instalações caríssimas e improdutivas no Exterior): “O que deveria ser discutido de maneira aberta é o que o país espera de suas forças armadas e, em função disso, seus efetivos e os investimentos necessários para que possam operar”.
Não é o que parece
Não leve a sério as ameaças dos partidos aliados a Dilma de criar dificuldades aos projetos do Governo, ou de aderir a candidaturas oposicionistas à Presidência. Eles até podem aderir a candidatos oposicionistas, em duas circunstâncias: se os oposicionistas forem favoritos (no momento, não são), ou se ganharem as eleições, caso em que procurarão demonstrar que sempre foram ferozmente contra Dilma, Lula e tudo o que pareça petismo.
As ameaças têm objetivo preciso: renegociar, para melhor, os termos do apoio à presidente, obtendo mais cargos, em ministérios mais rentáveis, e mais verbas parlamentares. O mais feroz desses leões parlamentares é amansável com boa alimentação e muito carinho oficial.
Falar, sim; largar, não
Observação de um arguto colunista carioca, Aziz Ahmed, de O Povo: o PT do Rio rompeu com o Governo do peemedebista Sérgio Cabral e prometeu entregar os cargos que ocupava. Dos 500 petistas lá empregados, nem 10% saíram. O PSB do candidato Eduardo Campos rompeu com o Governo Dilma e prometeu entregar os cargos. Nem 20% dos socialistas empregados no Governo Federal entregaram os cargos até agora.
Romper, sim; largar o osso, nem pensar.
O culpado é o leitor
Sabe quem é o responsável pelas tentativas de invasão do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, no dia 12, por tropas de choque do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra, MST? Sabe quem é o responsável pelo tumulto que provocou ferimentos em trinta PMs encarregados da segurança dos prédios públicos?
Pois olhe-se no espelho, caro leitor. O Incra, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, entrou com R$ 448 mil para o congresso do MST que redundou nos tumultos. A Caixa Econômica Federal economizou: deu só R$ 200 mil. E o BNDES contribuiu com R$ 350 mil para evento tão essencial aos objetivos do banco, a busca do desenvolvimento econômico e social. Tudo está devidamente documentado, publicado no Diário Oficial da União. Ao que se saiba, perto de um milhãozinho – fora o que ainda não apareceu.
E por que o caro leitor é o culpado? De onde é que sai o dinheiro do BNDES e do Incra?
Pagando a conta
Mas não se diga que o MST não entregou nada em troca do generoso e gentil patrocínio oficial ao quebra-quebra que promoveu em Brasília. Depois de promover os tumultos, depois de ferir trinta policiais, depois de pregar o fim da Constituição e de chamar o Poder Judiciário de “assassino”, o MST foi recebido pela presidente Dilma Rousseff em Palácio.
E deu de presente a Sua Excelência uma cestinha pequenina com produtos originados, dizem, de seus assentamentos.
Os números do problema
Não é difícil entender os problemas da Petrobras. Dois deles: a) com a falta de chuvas, as usinas a diesel estão funcionando em plena capacidade. As importações de diesel cresceram 40% de dezembro para janeiro. E a Petrobras o vende abaixo do custo; b) o gás natural é importado a US$ 17 o milhão de BTU (unidade de medida) e vendido para usinas a preços que variam de quatro a dez dólares o milhão de BTU.
Um dia a Petrobras precisará de recursos para pagar a conta.

Não é força. É jeito

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo


Há um caso acontecendo na troca de ministros e no engasgo das relações do governo com o PMDB em que vale a pena prestar atenção.

Envolve o senador Eunício Oliveira e é emblemático de como o temperamento da presidente Dilma Rousseff e o comportamento do PT em relação aos aliados criam dificuldades para o governo.

Há coisas que Dilma não sabe fazer. Não tem familiaridade alguma com a política, por exemplo. Não ouve quem tem esse atributo e toca o barco como acha que deve, insistindo no erro e na ilusão de que uma hora ele leve ao acerto.

O caso é o seguinte: a presidente quer porque quer entregar a Eunício Oliveira, líder do PMDB no Senado, o Ministério da Integração Nacional. Ela já ofereceu de tudo, inclusive a pasta de "porteiras abertas", com liberdade para ocupação de cima abaixo.

Ele não quer, prefere disputar o governo do Ceará, onde está em primeiro lugar nas pesquisas. Isso foi dito diretamente a Dilma umas duas ou três vezes. Em uma delas, a conversa durou seis horas em Palácio e resultou em recusa.

Não se tem notícia de presidente da República que tenha levado tantos "não" repetidos e diretos. Em geral convites são precedidos de sondagens por intermédio de interlocutores abalizados. Há mediação, tentativa de convencimento, tudo para evitar que a autoridade maior passe pelo constrangimento de ouvir uma negativa assim frente a frente.

Pois Dilma Rousseff ouviu e ao que consta ainda não desistiu de oferecer o Ministério da Integração a Eunício. Não ao PMDB, que aceitaria o cargo de bom grado para o senador Vital do Rego, mas para Eunício Oliveira.

E por que essa obsessão da presidente pelo nome do líder do partido no Senado? Por que ele é um especialista na área? Por que nos dez meses que teria à frente da pasta o Rio São Francisco teriam finalmente suas águas transpostas?

Nada disso. Dilma quer resolver um problema dela no Ceará. Eleitoral, evidentemente. O PT local está fechado com os irmãos Cid e Ciro Gomes. Tirando o PMDB da disputa e entregando o ministério a Eunício, Dilma forçaria o partido a entrar na aliança e montar um palanque governista único para ela no Estado.

Se o senador cearense, ao contrário, insistir na candidatura a governador, para se viabilizar necessariamente terá de fazer alianças com a oposição. Vale dizer, PSDB e PSB. A hipótese do palanque duplo está fora de cogitação.

O PMDB está vacinado com o que ocorreu na Bahia em 2010. Foi feito um acordo redigido pelo hoje ministro Moreira Franco e assinado pelos então coordenadores da campanha de Dilma, José Eduardo Cardozo, José Eduardo Dutra e Antonio Palocci, pelo qual o governo federal daria apoio às candidaturas de Jaques Wagner, do PT, e Geddel Vieira Lima, do PMDB.

A candidata inclusive esteve na convenção que lançou Vieira Lima ao governo do Estado. No meio do caminho mudou de ideia. Deixou o aliado a ver navios e anunciou que na Bahia o candidato do Planalto era o petista Wagner. Com esse exemplo em tela o PMDB não confia mais em promessas de apoio compartilhado.

Esse tipo de comportamento tem dificultado alianças regionais entre os dois partidos. O esforço em relação ao Ceará em boa medida se deve ao fato de que o PT sabe que não dá para brincar com o Nordeste, onde a dianteira não será a mesma. As coisas não andam bem no Maranhão, em Pernambuco há Eduardo Campos para tirar votos e na Bahia o PMDB será oposição.

Do lado do senador Eunício, o ministério não seria o melhor negócio. Primeiro, nesta altura ficaria mal no eleitorado cearense, pois trocaria a chance de governar o Estado por um cargo de ministro. Posição que já ocupou no governo Lula.

Em segundo lugar, a disputa eleitoral não representa risco para ele, cujo mandato de senador vai até 2018. Ou seja, se for derrotado tem margem de segurança.

Se Dilma fizer o convite de novo, no PMDB a aposta é que ouvirá um não mais uma vez. E fica a dúvida: se o risco é grande de perder, o que ganha em insistir? Coisa de quem não é do ramo.

GOVERNO FRANCÊS ADVERTE PARA RISCO DE SEQUESTRO

O governo da França divulgou uma espécie de “mapa do seqüestro relâmpago” para orientar os turistas franceses durante a visita ao Brasil para a Copa do Mundo.
De acordo com as informações divulgadas, Brasília é uma das cidades que o turista deve ter bastante atenção, pois os crimes não tem horário específico para acontecer. A “vigilância” deve ser redobrada em caso de passeio pelas periferias da capitaL.
DP

MP cobra fim das regalias e ameaça transferir mensaleiros para presídio federal

O Ministério Público (MP) do Distrito Federal encaminhou à Vara de Execuções Penais, nesta terça-feira, pedido para que o governador Agnelo Queiroz (PT) acabe com os privilégios aos condenados no julgamento do mensalão no presídio da Papuda, entre eles os petistas José Dirceu e Delúbio Soares. Caso Agnelo, companheiro de partido dos mensaleiros, não barre as regalias, o MP informou que solicitará a transferência dos condenados para penitenciárias federais.
Conforme revelou VEJA desta semana, Delúbio tem diversas mordomias no Centro de Progressão Penitenciária (CPP), onde cumpre pena em regime semiaberto. As benesses vão desde autorização para receber visitas fora do horário até o direito a uma feijoada no fim de semana – algo impensável para detentos comuns. Um exemplo da influência de Delúbio dentro do CPP ocorreu quando o petista teve sua carteira roubada. Ele chamou o chefe de plantão, que determinou que ninguém deixasse a ala do centro de detenção até que a carteira, os documentos e os 200 reais em dinheiro fossem encontrados. 

VEJA- Maduro começa a perder apoio entre os mais pobres

O futuro político do presidente venezuelano Nicolás Maduro é uma incógnita. Se depender do seu presente, no entanto, ele não vai muito longe. Após treze dias de protestos ininterruptos nas ruas de Caracas e de outras cidades, as manifestações já saíram do controle, aparecendo e se dispersando de forma espontânea por todo o país. E engana-se quem pensa que os protestos estão concentrados apenas em bairros de classe média. Eles também chegaram às periferias. A população mais carente não aguenta mais o desabastecimento que toma conta do país, a inflação superior a 56% ao ano que consome seus parcos rendimentos e a violência altíssima – em 2013, Venezuela registrou mais de 24.000 homicídios, segundo a ONG Observatório Venezuelano da Violência (OVV). O combalido Iraque, no mesmo período, teve cerca de 9.000 mortes violentas.

Hoje na Venezuela – como acontece praticamente em todos os países em crise – as coisas não são tão simples quanto aparentam. Nem todos os pobres são governistas, aqui chamados de ‘oficialistas’, e nem todas as pessoas de classe média ou ricas são opositoras. O espectro ideológico da população tem diversas nuances e não é definido apenas pela classe social. "As populações mais pobres apoiavam Chávez porque de alguma maneira se sentiam protegidas. À época do Chávez, o governo ainda tinha dinheiro para investir em políticas sociais. Começaram a chegar médicos e professores nas favelas. Agora, além de não ter mais isso, começa a faltar comida", diz José Carrasquero, professor de ciência política das Universidades Católica e Simón Bolívar.

Se os meios de comunicação oficiais escondem as manifestações e insistem na teoria de golpe de Estado coordenado por fascistas, as mídias sociais não os deixam mentir: há registros de protestos em favelas, chamadas pelos venezuelanos de "barrios". Há fotos e relatos de manifestações em Santa Fé, Las Minas de Baruta e em outras periferias de Caracas. Fontes de dentro do governo – que pediram para permanecer anônimas – confirmaram à BBC que Miraflores se preocupa com a ocorrência de protestos em áreas consideradas como bastiões do chavismo, como em El Valle ou Petare – esta última, uma das maiores favelas da América Latina, com mais de 1 milhão de moradores. "O mais curioso é que essa população não culpa o processo político e continua sendo chavista. Eles culpam diretamente o Maduro", diz o analista. "A imagem de Maduro entre algumas pessoas mais humildes teve uma deterioração importante e, especulo eu, irreversível", continua.

Leia mais...http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/maduro-comeca-a-perder-apoio-entre-mais-pobres



terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

CAIO BLINDER- Curtas & Finas (Ucrânia & Siria)

O ditador sírio Bashar Assad perdeu um aliado: Viktor Yanukovich, deposto na Ucrânia em uma tumultuada e fulminante revolução que durou três meses. Embora eleito democraticamente na segunda estadia no poder (na primeira foi via fraude), Yanukovich era corrupto, venal e brutal como o ditador Assad. A diferença está na maquiavélica e tenaz competência política de Assad, que sobrevive em uma terrível guerra civil que já dura três anos, apesar dos prematuros atestados de óbito, um deles emitido pelo Instituto Blinder & Blainder.
Assad quem sabe veja a queda de Yanukovich como uma confirmação de que somente o combate cruel e genocida que tem travado contra os rebeldes pode mantê-lo no poder. Nada de alternar concessões com política de terra arrasada. Yanukovich e Assad sempre tiveram seus destinos entrelaçados pela existência de um mesmo padroeiro, Vladimir Putin.
Na Ucrânia, os russos precisam se reagrupar com este grave revés imediato para seus interesses. Para Moscou, como no caso do Ocidente na Síria diante do fortalecimento dos rebeldes jihadistas, existem apenas más opções em Kiev, desde um compromisso com as forças que derrubaram Yanukovich a uma intervenção militar na área pró-Rússia do país.
Uma questão complexa é se a situação na Ucrânia terá um impacto na Síria. No fim de semana, quando as atenções mundiais estavam voltadas para a Ucrânia, a Rússia votou a favor de uma morna resolução humanitária no Conselho de Segurança da ONU, condenando o regime sírio. Foi uma derrota simbólica para Moscou, que no começo sequer queria discutir o assunto, mas houve o cálculo de que não compensava vetar a resolução quando já existe uma colisão com os países ocidentais na encrenca ucraniana. Putin não precisa perder mais capital diplomático.
Ademais, os russos querem passar um pito no regime Assad, que simplesmente detonou as negociações de paz em Genebra com os rebeldes, uma iniciativa conjunta Moscou-Washington. Já os países ocidentais, igualmente desiludidos com o processo diplomático, acenam com uma retomada da cartada militar na Síria (apesar do problema crônico da falta de rebeldes confiáveis e eficazes para serem armados).
Nada disso significa que os EUA e seus aliados queiram enfiar botas no lamaçal sírio e muito menos serem forçados a uma intervenção vigorosa caso os russos ultrapassem alguma “linha vermelha” na Ucrânia em nome de defesa dos seus interesses ou de proteção da minoria etnicamente russa no país.
O fato é que Putin sofreu uma derrota estratégica na Ucrânia, após uma sucessão de vitórias que davam a impressão de invencibilidade do presidente russo no tabuleiro geopolítico global. Será interessante ver se Putin estará disposto a fazer algumas concessões na Síria para conseguir algo em um jogo muito mais crucial para ele na Ucrânia.

CAIO BLINDER- Rabiscos Estratégicos (Ucrânia)

Timothy Garton Ash, professor britânico de Oxford e craque para desenhar a Europa, é uma boa contribuição para alguns rabiscos estratégicos a partir do cenário ucraniano. Ele dá uma boa medida do que está em jogo para a Rússia com sua derrota imediata na crise ucraniana.
Para Garton Ash, com a Ucrânia enquadrada na sua área de influência, a Rússia ainda pode ser um império. Sem o país, ex-república soviética ainda tentando forjar sua independência em meio a mais uma crise, a Rússia por si tem uma chance maior de ser tornar um estado-nação, algo que eu, pessoalmente, considero mais realista e mais interessante para os interesses globais. A Rússia de Vladimir Putin é basicamente um “spoiler” geopolítico. Atua para estragar e não para construir.
Garton Ash cita um jornalista independente russo, Konstantin von Eggert, que observou certa vez que o mais importante evento na política russa de uma década para cá não aconteceu na própria Rússia. Foi a Revolução Laranja de 2004 na Ucrânia, que agora entra na segunda fase. Das várias revoluções na órbita da ex-URSS, foi a que mais ameaçou Putin. A ameaça, portanto, está mais presente do que nunca. Garton Ash aponta um recuo tático de Putin, mas alerta para não termos ilusões sobre não-intervenção russa em Kiev. Putin, afinal, é imperial. Tem esta ambições de ter um papel acima da conta merecida.
O professor britânico salienta que a questão geopolítica não é se a Ucrânia irá aderir à Europa ou à Rússia e sim se o país se tornará cada vez mais integrado, em termos políticos e econômicos, à Europa e, ao mesmo tempo, manterá relações íntimas com a Rússia. Minha questão é se os diversos atores estão preparados para esta dualidade. Outro ponto levantado por Garton Ash é se a União Europeia irá atuar na defesa dos valores básicos europeus e ocidentais (aquilo que Putin despreza) na porta de casa, ao invés de ser relapsa como foi na Bósnia há 20 anos.
A Europa é boa de papo (coisa de velha civilização), mas fracassou no final de 2013 quando foi à briga contra a Rússia sobre a Ucrânia sem convicção para a luta. Nos últimos dias, houve mais vigor, mas basicamente para impedir uma guerra civil. No entanto, Garton Ash pergunta se haverá “imaginação estratégica” e determinação a longo prazo na crise ucraniana? Eu não boto muita fé.
E, finalmente, Garton Ash, um observador privilegiado da derrocada do comunismo soviético há 25 anos (como acadêmico e jornalista) diz que 1989 suplantou 1789 como o “default model” de revolução. No lugar de radicalização progressiva, violência e guilhotina, parecia que poderiam ser concretizados anseios de protestos pacíficos de massa seguidos por uma transição negociada. Este modelo foi desafiado pelas contramarchas na Primavera Árabe e já está bastante rasurado na Ucrânia.

O seletivo apoio de Dilma à democracia

Foi Reinaldo Azevedo quem definiu melhor a fala da presidente Dilma sobre a Venezuela: indecorosa. Ao afirmar, em Bruxelas, que a Venezuela não é a Ucrânia, e tentar defender as “conquistas sociais” do chavismo, a presidente Dilma perdeu uma ótima oportunidade de ficar calada.
Mas não há novidade em sua fala. Na verdade, era esperado que a presidente, como seu PT, saísse em defesa da ditadura “velada” de Maduro, sem camarada de ideologia. A mentira, como já disse, é um método aceito como legítimo pelos petistas. E eis a primeira grande mentira da presidente:
Eles [a Venezuela] têm uma história. Não cabe ao Brasil discutir o que a Venezuela tem a fazer, até porque seria contra a nossa política externa. Não nos manifestamos sobre a situação interna de nenhum país. Não nos cabe isso.
É mesmo? Então por que o governo do PT se meteu até o pescoço nos assuntos internos de Honduras, quando outro camarada, o companheiro Manuel Zelaya, foi deposto? Por que o governo do PT se intrometeu uma vez mais quando outro camarada, o companheiro Fernando Lugo, presidente do Paraguai, foi deposto? Quem a presidente Dilma quer enganar com essa mentira escancarada? Os idosos que sofrem do Mal de Parkinson?
Após a mentira básica, a presidente Dilma tinha que sair em defesa do chavismo, modelo que, afinal de contas, o PT sempre defendeu:
Para o Brasil, é muito importante que se olhe sempre a Venezuela do ponto de vista dos efetivos ganhos que eles tiveram nesse processo em termos de educação e saúde para o seu povo.
Efetivos ganhos? Quais, presidente? Aqueles que levaram o país à hiperinflação e à escassez completa nos supermercados? Aqueles que fizeram os índices de violência dispararem no país? Aqueles que levam, agora, milhões às ruas para protestar, desesperados com a situação econômica e social, além da perda das liberdades básicas? Esses ganhos?
No mais, logo se vê como a democrata Dilma pode ser flexível em sua defesa à democracia. Quando é para elogiar conquistas inventadas, a democracia logo cai para segundo plano. Pode-se tolerar um autoritarismo típico se for para entregar supostos (e falsos) ganhos sociais ao povo. Nenhuma surpresa aqui também.
Afinal, ninguém pode esquecer do grande apreço que o PT todo tem pelo sanguinário ditador Fidel Castro, que recebeu uma carinhosa visita da própria presidente Dilma recentemente. Democratas? Só de fachada.
Os petistas adoram posar como combatentes do regime militar, como se isso fosse sinônimo de que sempre defenderam a democracia. Como fica claro, nunca defenderam a democracia de fato, e ainda não o fazem. A Venezuela de Maduro é apenas mais um exemplo entre tantos.
Quem defende a democracia – que não deve ser confundida com votar de anos em anos e ponto – não pode defender o PT, aliado dos bolivarianos.
Rodrigo Constantino

Senador Álvaro Dias x BNDES

O senador tucano Álvaro Dias comprou uma boa briga, contra os abusos do BNDES, e merece todo apoio nesta empreitada. O banco público sob o governo do PT se tornou um instrumento partidário para fins espúrios, como no caso recente de empréstimos para o MST, entidade que sequer existe oficialmente (e se existisse estaria à margem das leis). Eis o que explicou o senador aos jornalistas:
Já havia comentado aqui sobre o assunto. Mas volto a ele após ver, na coluna de Ilimar Franco no GLOBO, a seguinte nota:
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Já começou a pressão. O senador tucano, ao contrário do que diz a coluna, não investiu contra o capitalismo nacional, e sim contra o “capitalismo de estado”, cujo maior símbolo, atualmente, é o próprio BNDES. Uma máquina de selecionar “campeões nacionais”, o BNDES transfere recursos escassos da classe média trabalhadora para ricos empresários.
Não é esse o capitalismo que merece ser defendido. Tal simbiose entre estado e empresários é prejudicial à economia e à liberdade. O capitalismo que deve ser defendido, com unhas e dentes, é aquele de livre mercado, com uma dinâmica de concorrência sem doping, ou seja, sem os subsídios e privilégios concedidos pelo governo.
Que o senador Álvaro Dias não esmoreça, pois entrou em uma briga de gente grande, mas que deve ser lutada com afinco. Afinal, é nossa liberdade econômica que está em jogo. O BNDES se transformou em um Frankenstein que precisa ser combatido em prol da prosperidade do nosso país.
Rodrigo Constantino

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LIBERDADE COMO NOSSO DOM MAIOR

Ser livre para ir e vir!Pela liberdade de expressão.Pela humanidade contra os pregadores da escuridão que assolam nosso mundo moderno.Democracia verdadeira sempre,não aquela de fachada que persegue quem não compartilha de suas idéias.