quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

20 anos de Plano Real: o avanço social que o PT tentou barrar

O Plano Real, talvez a mais importante conquista social desde a redemocratização do Brasil, completou duas décadas de vida, com direito a uma merecida homenagem a FHC no Congresso. A inflação é, sem dúvida, o imposto mais perverso que existe, pois disfarçado e prejudicial especialmente aos mais pobres.
Reconhecer os méritos de FHC, responsável por montar a equipe que criou o plano, é o mínimo que o país podia fazer. Duro mesmo foi escutar os petistas alegando que “salvaram” o Plano Real, e que a inflação era maior em 2002, último ano do mandato de FHC, do que é hoje.
A cara de pau do PT não tem limites mesmo. A inflação disparou em 2002 por conta do risco Lula, uma vez que todos estavam apavorados com a possibilidade da chegada do PT ao poder e com o que isso representava – principalmente antes de Lula assinar a Carta ao Povo Brasileiro, rejeitando décadas de pregação socialista do partido.
Durante a gestão do PT, a inflação tem ficado perto de 6% ao ano, já por uma década, ou seja, muito acima da meta de 4,5%, elevada para padrões internacionais. O PT pode não ter (ainda) destruído de vez a meta de inflação, herança positiva da era FHC. Mas a tendência é esta, ainda mais quando lembramos dos preços administrados que se encontram congelados para maquiar o resultado final.
O PT tenta, portanto, rescrever a história, como faz na questão do regime militar e da década de 1960, colocando seus ícones como defensores da democracia, e não do comunismo – como de fato eram. Nada como refrescar a memória dos leitores, então, e resgatar a verdade.
Os mais jovens, que nem sequer viveram na época da hiperinflação, também deveriam conhecer o que os petistas e seus companheiros realmente pensavam sobre o plano que derrotou nossa inflação. Felizmente, Reinaldo Azevedo já teve o trabalho de reunir algumas importantes declarações dos ilustres representantes do partido. Vou replicá-las aqui, devido à importância pedagógica das frases compiladas:
Lula:
“Esse plano de estabilização não tem nenhuma novidade em relação aos anteriores. Suas medidas refletem as orientações do FMI (…) O fato é que os trabalhadores terão perdas salariais de no mínimo 30%. Ainda não há clima, hoje, para uma greve geral, mas, quando os trabalhadores perceberem que estão perdendo com o plano, aí sim haverá condições” (O Estado de S. Paulo, 15.1.1994).
“O Plano Real tem cheiro de estelionato eleitoral” (O Estado de S. Paulo, 6.7.1994).
Guido Mantega:
“Existem alternativas mais eficientes de combate à inflação (…) É fácil perceber por que essa estratégia neoliberal de controle da inflação, além de ser burra e ineficiente, é socialmente perversa” (Folha de S. Paulo, 16. 8.1994).
Marco Aurélio Garcia:
“O Plano Real é como um “relógio Rolex, destes que se compra no Paraguai e têm corda para um dia só (…) a corda poderá durar até o dia 3 de outubro, data do primeiro turno das eleições, ou talvez, se houver segundo turno, até novembro” (O Estado de S. Paulo, 7.7.1994).
Gilberto Carvalho:
“Não é possível que os brasileiros se deixem enganar por esse golpe viciado que as elites aplicam, na forma de um novo plano econômico” (“O Milagre do Real”, de Neuto Fausto de Conto).
Aloizio Mercadante:
“O Plano Real não vai superar a crise do país (…) O PT não aderiu ao plano por profundas discordâncias com a concepção neoliberal que o inspira” (“O Milagre do Real”, de Neuto Fausto de Conto)
Vicentinho, atual líder do PT na Câmara dos Deputados:
“O Plano Real só traz mais arrocho salarial e desemprego” (“O Milagre do Real”).
Maria da Conceição Tavares (aquela que chorou de emoção na TV com o fracassado Plano Cruzado):
“O plano real foi feito para os que têm a riqueza do País, especialmente o sistema financeiro” (Jornal da Tarde, 2.3.1994).
Paul Singer:
“Haverá inflação em reais, mesmo que o equilíbrio fiscal esteja assegurado, simplesmente porque as disputas distributivas entre setores empresariais, basicamente sobre juros embutidos em preços pagos a prazo, transmitirão pressões inflacionárias da moeda velha à nova” (Jornal do Brasil,  11.3.1994).
“O Plano Real é um arrocho salarial imenso, uma perda sensível do poder aquisitivo de quem vive do próprio trabalho” (Folha de S.Paulo, 24.7.1994).
Gilberto Dimenstein:
“O Plano Real não passa de um remendo” (Folha de S.Paulo, 31. 7.1994 ).
Agora ficou mais fácil entender porque o PT odeia tanto a verdade histórica e precisa criar “Omissão da Verdade” para tudo que é assunto, não é mesmo? “Esqueçam tudo que eu já disse”, deveria ser o mantra do PT. Quem tem memória não vota nesse partido…
Rodrigo Constantino

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