segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

CAIO BLINDER- A mordaça de Maduro



A televisão venezuelana prefere mostrar a realidade alternativa das telenovelas
O chavismo prefere mostrar a realidade alternativa das telenovelas
Perigoso e incompetente, Nicolás Maduro não decepciona. Seus 10 meses de governo na Venezuela seguem o figurino que se esperava. Sempre se dizia que com ele era a vez do chavismo sem o charisma de Hugo Chávez. No entanto, em pelo menos um ponto Maduro surpreende e vence na comparação com o antecessor e mentor: ele consegue ser ainda pior na intimidação e cerco do que sobrou de mídia na Venezuela.
Em meio a protestos estudantis (com mortes), a criminalidade disseminada e a rápida deterioração da economia, os meios de comunicação estão entretidos em dar voz estridente ao chavismo ou cobrir entretenimento (a Venezuela tem inflação econômica e também de telenovelas). Os setores que ousam acompanhar a tensão política de uma perspectiva que não siga o oficialismo são amordaçados. O resultado é uma combinação de docilidade, autocensura e indiferença.
A intimidação é especialmente virulenta na televisão, onde existe uma alarmante e crescente redução da liberdade de expressão. Emissoras que se pautavam por uma cobertura crítica já tinham sido domesticadas, como foi o caso da Globovisión, adquirida no ano passado por empresários leais ao chavismo, integrantes da “boligarquia”.  Na semana passada, jornalistas daGlobovisión pediram demissão em protesto à falta de cobertura nos protestos dos últimos dias.
A mesma coisa aconteceu com a empresa proprietária do jornal Últimas Noticias, o de maior circulação no país. Era um conglomerado independente e na expressão delicada do Financial Times foi vendido em 2013 para um “grupo não identificado de investidores locais”.
Nas redes sociais, a liberdade de expressão também sente o golpe. Houve interrupção, por exemplo, no Twitter na semana passada, com suspeita de que tenha sido iniciativa da Cantv, a empresa de telecomunicações estatal que controla a maior parte do tráfico de internet no país.
A velha mídia, para lá de madura, através de um punhado de jornais independentes, está à frente de uma cobertura crítica e independente no país do podre successor de Hugo Chávez. No entanto, a vida é ingrata para este setor, não apenas em função do cerco chavista, mas dos desafios comuns nesta era de transição da mídia. Nas últimas semanas, 11 jornais deixaram de ser publicados e o mesmo poderá acontecer com mais 15.
O regime interfere inclusive na cobertura feita de fora. Uma estação privada, baseada na Colômbia, a NTN24, mas muito popular na televisão por assinatura na Venezuela, foi tirada no ar na semana passada no auge dos protestos estudantis. O próprio Maduro veio a público com a desculpa de que era preciso “defender o direito à tranquilidade”.
Estamos intranquilos.


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